Crise argentina impede lucro do Grupo PSA na região

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26/02/2019

São Paulo – A sequência de anos da divisão latino-americana do Grupo PSA fechando no azul, iniciada em 2015, foi quebrada no ano passado, quando, por causa da hiperinflação na Argentina, a região ficou no prejuízo – mas próxima do ponto de equilíbrio, segundo o presidente Patrice Lucas.

 

Na verdade a questão é contábil: de acordo com o presidente, que não deu pormenores dos números, a rentabilidade operacional foi positiva. Mas, ao reportar à matriz, foi preciso fazer alguns ajustes que transformaram o lucro em perdas.

 

“A situação econômica na Argentina foi piorando a partir de maio, com desvalorização da moeda e inflação alta, que acabou afetando o mercado automotivo”, disse o executivo. As vendas na região caíram 15% na América Latina, para 175 mil veículos, especialmente por causa do país vizinho.

 

Nada que tire o otimismo de um Grupo que conseguiu reverter o cenário negativo de alguns anos atrás para um resultado recorde em 2018: faturamento de € 74 bilhões, 3 milhões 880 mil veículos vendidos e lucro liquido de € 3,3 bilhões, 40% superior ao de 2017. Até a Opel, integrada no ano passado pela PSA, fechou no azul, após vinte anos consecutivos de prejuízos. “Superamos as metas traçadas pelo plano estratégico Push to Pass”.

 

O resultado excepcional da Europa garantiu os ganhos da companhia, que agora, na segunda fase do Push to Pass, que traçou metas até 2021, busca ampliar sua presença fora do continente. Para isso anunciou que a Peugeot entrará com força nos Estados Unidos, a Citroën fará uma ofensiva na China e a Opel ampliará sua presença na América Latina – ainda que isso não signifique, ao menos por enquanto, entrar nos mercados de Brasil e Argentina, onde possui unidades fabris.

 

Aqui, segundo Lucas, o trabalho central ainda está com Peugeot e Citroën. Até o fim do ano a plataforma CMP entrará em operação em El Palomar, na Argentina, onde estão sendo investidos US$ 320 milhões, e o primeiro modelo será lançado no começo de 2020 – e será exportado ao Brasil. Porto Real, no Rio de Janeiro, também ganhará sua CMP “um pouco modificada, em data que será divulgada em outro momento”.

 

Embora o executivo projete recuo de 1% nas vendas de veículos na América Latina neste ano, há espaço, na sua visão, para as marcas crescerem. A ofensiva de SUVs e veículos utilitários, iniciada no ano passado, seguirá em 2019. Ainda restam sete dos dezesseis lançamentos prometidos para a região até 2021, e alguns serão promovidos este ano.

 

O C4 Cactus, lançado no ano passado, tem suas vendas evoluindo mês a mês. “Ainda não alcançamos o potencial total deste veículo”.

 

De toda forma, Lucas descarta crescer volumes a todo custo: seu objetivo principal é manter a rentabilidade e retornar ao azul em 2019. “Não vamos entrar em guerra de preços. Participação de mercado não paga os salários dos nossos funcionários”.

 

Foto: Divulgação.