Brasil e México têm livre comércio de veículos

Imagem ilustrativa da notícia: Brasil e México têm livre comércio de veículos
CompartilheComércio Exterior
18/03/2019

São Paulo – O intercâmbio comercial de automóveis, comerciais leves e autopeças do Brasil com o México fica isento de impostos de importação a partir da terça-feira, 19, quando entra em vigor o acordo de livre comércio automotivo nos dois países. Segundo uma fonte da indústria os dois governos resolveram manter os termos do acordo assinado em 2015 – e até o fechamento da reportagem o Ministério da Economia não havia divulgado os pormenores.

 

Houve uma mudança na regra de exigência de conteúdo local mínimo, que passou de 35% para 40%. Ou seja, para que um veículo cruze a fronteira sem incidência de imposto é preciso que pelo menos 40% dos seus componentes sejam produzidos no país de origem. Essa exigência, segundo fontes, pode frear um pouco a importação de veículos mexicanos, pois o país norte-americano possui uma indústria muito integrada com os Estados Unidos.

 

De toda forma a decisão contraria o desejo das montadoras instaladas no Brasil. O presidente da Anfavea, Antonio Megale, afirmou na segunda-feira, 11, que a indústria defendia a manutenção do sistema de cotas, em vigor desde 2012 a pedido do governo brasileiro que, à época, temia aumento das importações de modelos mexicanos.

 

Nos últimos doze meses a cota foi de US$ 1,7 bilhão, tanto para exportação como para importação, e o México foi superavitário. As montadoras mexicanas fornecem ao Brasil modelos de maior valor agregado, como o Chevrolet Tracker, Nissan Sentra e Volkswagen Jetta, ao passo que saem do Brasil para o México modelos de menor porte. O mercado mexicano também tem registrado baixos volumes, ao contrário do brasileiro que está em ascensão.

 

Megale sugeriu aproveitar esse ano de governo novo em ambos os países com nova cota, um pouco mais generosa, e discutir outros termos, como o conteúdo local, que deveria ter sido colocado à mesa no ano passado, e medidas para melhorar a competitividade das fábricas locais. Executivos do setor afirmam que um estudo encomendado pela Anfavea mostra que a indústria automotiva mexicana é cerca de 20% mais competitiva do que a brasileira.

 

O temor dos executivos é perder força para negociar novos investimentos. A possibilidade de importar modelos do México sem impostos, e sem limite, pode fazer com que as matrizes optem por colocar seu dinheiro no país da América do Norte.

 

Foto: Divulgação.