Livre comércio com o México abre nova página

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19/03/2019

São Paulo – Respeitado o previsto no Acordo de Complementação Econômica 55, que regula o comércio automotivo e a integração produtiva do Brasil com o México, entra em cena o livre comércio de veículos leves e autopeças nos dois mercados e vira-se a página da discussão de cotas. O trabalho da indústria, agora, é buscar reforçar a competitividade da produção nacional e evitar, assim, a fuga de investimentos para lá.

 

Fonte da indústria afirmou à reportagem que este é o maior temor das montadoras aqui instaladas. Nos últimos anos as cotas sequer foram preenchidas por ambos os lados, embora o México seja superavitário no comércio exterior automotivo.

 

“Mas com a possibilidade de direcionar investimento para o México com objetivo de abastecer também o Brasil é possível que as importações cresçam.”

 

Em recente entrevista a AutoData o presidente da General Motors América do Sul, Carlos Zarlenga, calculou que o México terá condições de exportar 750 mil unidades para o Brasil em 2021 com o livre comércio, apenas com os investimentos já anunciados.

 

“Se acelerar até 2024 esse volume pode superar 1 milhão de unidades.”

 

Estima-se em 20% a 25% a ineficiência da produção local comparada com o México, em boa parte dos portões para fora – impostos, custos logísticos, etc. Em uma indústria global, com produtos semelhantes oferecidos a diferentes mercados, é natural que as planilhas apontem na direção de um país com custos menores na hora de decidir onde colocar o dinheiro.

 

O recado que a indústria deseja passar para o governo é que os investimentos no País devem ser pensados de forma global. Os R$ 10 bilhões anunciado por Zarlenga na terça-feira, 19, não o são: “É para o mercado local, Brasil e Argentina. Temos que exportar mais, para fora do Mercosul. E não podemos exportar impostos, nossa competitividade é baixa porque exportamos impostos”.

 

Zarlenga defende um programa de investimento para exportação, como é feito no México e na Coreia do Sul. O país asiático, segundo o executivo, tem mercado interno de 1 milhão de unidades por ano e exporta 4 milhões de unidades: “Aqui nós temos mercado próximo a 3 milhões. Imagina o que poderíamos fazer se tivéssemos competitividade para exportar”.

 

Para isso o executivo pede tratamento fiscal diferenciado para os produtos exportados: “Acredito que conseguiríamos atrair muitos investimentos para o Brasil. Essa é a conversa que precisamos ter, é a oportunidade para fazer crescer nossa produção”.

 

Mais setores – O Ministério da Economia divulgou na tarde da terça-feira, 19, nota com alguns pormenores a respeito do agora livre comércio do Brasil com o México. Além da elevação de 35% para 40% do conteúdo regional informou que acabou a lista de exceções, que previa regras de origem especificas para autopeças.

 

O livre comércio automotivo é o primeiro passo para aprofundar as relações comerciais dos dois países latino-americanos. No ano que vem ele deve ser estendido ao segmento de veículos pesados, conforme previsto, e o governo brasileiro tem interesse em ampliar para outros setores industriais e agrícolas.

 

Diz a nota: “Dentro de uma dinâmica de abertura e de aproveitamento do pleno potencial das duas maiores economias da América Latina o governo brasileiro pretende retomar as negociações para um acordo mais abrangente de livre comércio com o México, paralisadas desde 2017”. 

 

Foto: Ivan Bueno/APPA.