Ford Caminhões e rede discutem futuro da operação

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São Paulo – A Ford Caminhões e a sua rede de concessionários discutem, ainda, os pontos para a atuação após o fechamento das operações locais, previsto para até o fim de novembro. Independentemente de um eventual grupo assumir a fábrica de São Bernardo do Campo, SP, todos os revendedores serão indenizados – e haverá um redesenho para reduzir o número de pontos de atendimento.

 

Segundo Paulo Matias, presidente da Abrafor, associação que representa a rede Ford Caminhões, a montadora trabalha para reduzir o número de grupos de investidores dos atuais 58 para 35. A meta estipulada, ele contou, é o que há de concreto de um planejamento maior que contemplará indenizações e novo modelo de negócio

 

Neste momento fabricante e Abrafor executam a primeira fase do conjunto de medidas pós-saída do mercado: trata das garantias de que a rede será indenizada pela Ford. Matias disse que está em curso levantamento de dados a respeito de vigência de contratos de concessão e investimentos feitos para que a montadora consiga saber com quais valores relacionados à indenização de distrato está lidando.

 

Pela Lei Renato Ferrari a montadora precisa recomprar as peças de reposição em estoque, a preço de custo, e indenizar a concessionária pelos ferramentais, a bandeira e custos trabalhistas. Mas há espaço para negociação.

 

No comunicado em que confirmou sua saída do mercado de caminhões a companhia informou que dispõe de US$ 460 milhões para arcar com os custos da medida. Do total cerca de US$ 100 milhões estão relacionados à depreciação dos ativos fixos, e os US$ 360 milhões restantes serão utilizados em indenizações de funcionários, concessionários e fornecedores.

 

Em momento posterior a empresa e a associação dos concessionários tratarão de definir a nova capilaridade da rede pelo País, utilizando como critério posicionamento geográfico das lojas existentes. Será neste momento, disse Matias, que a montadora fará propostas aos grupos que representam hoje a Ford Caminhões: “Garantidas as compensações financeiras a Ford iniciará as negociações com as empresas que desejam permanecer no mercado como suas representantes. O ideal é que sejam mantidas representações nas capitais dos grandes centros”.

 

Matias afirmou que a Ford indenizará todos os grupos de investidores que controlam a rede de concessionários, ainda que alguns estejam interessados em permanecer no negócio. Procurada pela reportagem de AutoData a Ford informou que não comentará o assunto.

 

A terceira etapa do planejamento consiste em criar um novo modelo de negócio. A Abrafor confirma que haverá um novo tipo de contrato, uma vez que as concessionárias deixarão de comercializar caminhões para prestar serviços de manutenção dentro da garantia e vender componentes. Distribuidoras ouvidas por AutoData, no entanto, afirmaram que o modelo já foi definido e que seria baseado no formato franquia, com contratos de três anos renováveis por mais três, até que seja completado o período estabelecido pelo direito do consumidor, que é de dez anos.

 

Outro ponto definido é a priorização para grupos que atuem tanto no negócio de automóveis quanto no de caminhões. A ideia é que as revendas de carros usem suas oficinas para atenderem, também, aos serviços pós-venda de caminhões, especialmente para aqueles que ainda dispõem de garantia de fábrica.

 

Foto: Divulgação.