Ford volta a produzir no Taboão

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São Paulo – Os trabalhadores da fábrica Ford do bairro do Taboão, em São Bernardo do Campo, SP, retornaram aos seus postos na manhã de terça-feira, 2, após 42 dias de braços cruzados em protesto contra a decisão da companhia de fechar a unidade. A decisão foi aprovada em assembleia e, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, tem como objetivo mostrar aos potenciais interessados na aquisição da fábrica como está a situação nas linhas.

 

“Para a companhia interessa produzir pois tem compromissos comerciais”, afirmou Wagner Santana, o Wagnão, presidente do sindicato. “A nós interessa que os investidores conheçam o funcionamento da fábrica, como é o processo de produção e, principalmente, a qualificação dos trabalhadores.”

 

Antes do anúncio da Ford, em fevereiro, Taboão operava três dias por semana, alternando a produção de carros e caminhões. Nesta nova etapa ficou acordado um dia a menos de trabalho, mas mantida a montagem do Fiesta e da linha Ford Caminhões. Segundo o sindicato serão produzidos ainda 1,7 mil automóveis e 843 caminhões até o fechamento da unidade.

 

Ainda não foi estipulada uma data para o fechamento, mas, embora o sindicato tenha acordo de estabilidade até novembro, deverá ocorrer antes. A preocupação dos metalúrgicos é negociar o encerramento dos contratos: segundo José Quixabeira de Anchieta, coordenador do Comitê Sindical na Ford, estão em discussão temas como PLR, data-base e valor das indenizações. Os valores serão submetidos a assembleia quando definidos.

 

“A Ford precisa pagar um preço pela sua decisão. Temos um acordo que garante a estabilidade até novembro, porém não queremos aguardar até lá. Nós gostaríamos de já em abril realizar uma assembleia trazendo uma boa notícia."

 

Negociações prosseguemAutoData apurou que, embora as conversas para a compra da operação estejam bem adiantadas, ainda não há acordo assinado com nenhum grupo – com exceção do acordo de confiadencialidade, revelado pelo governador João Dória ao sindicato na semana passada.

 

Na semana passada representantes do governo de São Paulo afirmaram que havia três propostas à mesa, de grupos nacionais e internacionais. Até o momento apenas o Grupo Caoa, que produz automóveis Caoa Chery em Taubaté, GO, e Anápolis, GO, e caminhões Hyundai na fábrica goiana, admitiu estar interessado na operação da Ford em São Bernardo do Campo.

 

Foto: Adonis Guerra/SMABC.