Nova gestão da Anfavea quer inserir Brasil na revolução automotiva

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23/04/2019

São Paulo – A competitividade é, mais uma vez, o foco da gestão das novas diretorias da Anfavea e do Sinfavea, que tomaram posse na terça-feira, 23, em cerimônia no Clube Monte Líbano, em São Paulo. Para o presidente Luiz Carlos Moraes a indústria brasileira só tem uma alternativa para crescer em meio à revolução pela qual o setor passa em âmbito global: ser mais competitiva.

 

Mesmo sabendo que os grandes temas que norteiam as discussões no setor fora do País – carros elétrico, autônomos e serviços de mobilidade – possam levar mais tempo para se tornar realidade no mercado brasileiro, Moraes acredita que o Brasil não pode ficar totalmente alheio a esse novo comportamento do consumidor global. Porque, hoje, a indústria não tem fronteiras.

 

“A Anfavea quer aumentar o fluxo comercial da indústria brasileira, não só o saldo. Precisamos importar mais e exportar mais, por isso precisamos de mais acordos comerciais. Temos acordos assinados com três países e o México com mais de quarenta”, disse o economista Moraes, que trabalha há quarenta anos na Mercedes-Benz, em seu discurso de posse. “Nós apoiamos a abertura de mercado. Mas ela só será possível se houver um avanço simultâneo na questão do custo Brasil.”.

 

Para ele a aprovação da reforma da Previdência é urgente, “para ontem”. Sem ela o executivo acredita que a economia começará a patinar e o crescimento se tornará um voo de galinha. E colocou a reforma tributária como um próximo, e importante, passo.

 

Mas o presidente da Anfavea evitou falar em corte de impostos. Focou seu discurso em questões que considera mais simples de serem resolvidas, como redução de burocracia, ineficiências e complexidade tributária. A percepção de Moraes é a de que os ministérios da Economia e da Infraestrutura têm a mesma visão da associação – o que é fundamental, uma vez que essas questões estão acima da alçada da associação.

 

Luiz Carlos Moraes colocou a diretoria da Anfavea à disposição para encontrar, em conjunto com os governos, soluções para eliminar as ineficiências e melhorar a competitividade. Seu primeiro foco são os governos estaduais: quer resolver a questão do saldo credor de impostos de exportação – como o ICMS retido pelo governo de São Paulo -- “São bilhões de reais parados, sem perspectiva e nem cronograma para liberação.”

 

A preocupação do novo presidente da Anfavea, e de grande parte da indústria, é a de que a revolução da indústria automotiva deixará as matrizes descapitalizadas, pois elas precisarão direcionar um elevado volume de investimento para desenvolver novas tecnologias. Assim, será muito difícil pedir socorro às matrizes para seguir crescendo no País. Ou seja: para se inserir no jogo de cartas global as operações brasileiras precisam da sua independência financeira.

 

Foto: Divulgação.