Nissan e Unicamp juntas em pesquisa de etanol em elétricos

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Campinas, SP – A Nissan testará no Brasil aplicação de etanol de segunda geração em motor próprio. E na sexta-feira, 26, assinou contrato com a Unicamp, a Universidade Estadual de Campinas, que trata do primeiro estágio de um programa de longo-prazo que envolve pesquisa sobre o combustível nos seus veículos no mercado global. O termo tem quatro anos de vigência.

 

Segundo seu presidente, Marco Silva, o programa consiste em testes de bancada no Nissan SOFC, uma van elétrica movida a célula de combustível com etanol. O modelo ainda está no Japão e deverá chegar à universidade em breve. A iniciativa envolve investimento, disse o executivo sem citar as cifras, mas contou que será usado para custear as horas de pesquisa no laboratório da Unicamp.

 

A pesquisa faz parte do planejamento global Nissan Intelligent Mobility por meio do qual a montadora busca tornar viável novas matrizes energéticas para os veículos elétricos. As pesquisas com o SOFC começaram em 2016, mas sem a profundidade que a montadora espera ter a partir de agora. Isso porque, afora o interesse no desenvolvimento da tecnologia, há o objetivo de desenvolver uma cadeia produtora do combustível.

 

O etanol de segunda geração, ao contrário do que ocorre com o da primeira geração, não depende exclusivamente da cana de açúcar para gerar álcool, o que permite sua produção em locais que não são fortes produtores da commodity -- como o é o Brasil. O acordo Nissan-Unicamp também abordará os melhores meios para produzir o etanol de segunda geração para sua célula de combustível.

 

De acordo com Gonçalo Pereira, professor titular da instituição, há estudos na indústria em torno de um tipo de cana chamado cana-energia, que consegue produzir maior quantidade de sacarose e, consequentemente, de álcool: “Em uma área de produção para 80 toneladas por hectare de cana comum a mesma área, com cana-energia, produz 240 toneladas por hectare”.

 

No Laboratório de Genômica e BioEnergia da Unicamp, onde será conduzido o estudo, outros projetos envolvendo etanol já foram desenvolvidos. No espaço, segundo contrato, serão feitas análises, pesquisas e o desenvolvimento de produtos e processos relacionados a tecnologias veiculares e biocombustíveis, afora avaliações das tendências do setor sucroenergético. PSA, Bosch e Honda também mantêm pesquisas na instituição.

 

O professor contou que uma célula de combustível a etanol funciona com a extração de elétrons do combustível, gerando a energia elétrica que alimenta o motor do SOFC. A combinação dessa com outras duas tecnologias, o motor e as baterias elétricas que têm como base o conjunto tecnológico do Nissan Leaf, garantem ao Nissan SOFC uma autonomia superior a 600 quilômetros, segundo a montadora.

 

Esta não é a primeira iniciativa da Nissan no País em torno de matriz energética. No ano passado, por exemplo, a empresa e a Universidade Federal de Santa Catarina assinaram memorando de entendimento com o objetivo de estudar soluções para o futuro das baterias usadas de veículos elétricos.

 

Durante o Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro passado, a Nissan e a UFSC demonstraram na prática uma das possibilidades de uso das baterias de segunda vida do Nissan Leaf. Também durante o evento a empresa firmou parceria com a distribuidora de energia Enel X para promover desenvolvimento de soluções de mobilidade elétrica no país. Em fevereiro teve início a parceria com o Parque Tecnológico de Itaipu e o Instituto de Tecnologia Aplicada e Inovação com foco no desenvolvimento nacional de carregadores bidirecionais para veículos elétricos.

 

Foto: Divulgação.