FPT testa motor gás-etanol em Betim

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São Paulo – A FPT testa no Brasil um novo motor que combina aplicação de gás natural e etanol, no centro de pesquisa e desenvolimento que a empresa, subsidiária da CNH Industrial, mantém em Betim, MG. Estão debruçados sobre o conjunto powertrain engenheiros brasileiros e também uma equipe de técnicos da fábrica de Arbon, Suíça.

 

Segundo Marco Rangel, presidente da companhia para a América do Sul, os testes constituem demanda para o mercado local -- ainda que um mercado para este tipo de matriz energética combinada, de fato, seja algo embrionário no País no mercado de caminhões, vans, máquinas agrícolas e de construção.

 

No entanto, com o governo sinalizando para abertura da exploração de gás pela iniciativa privada, e para eventual aumento da oferta gerado a partir da medida, o executivo disse, na quarta-feira, 24, durante a 30ª Feira Internacional da Indústria Elétrica, realizada em São Paulo, que é tempo de se preparar para atender uma demanda que se aproxima:

 

“Veículo com motor movido a gás natural ainda é algo desconhecido por parte dos frotistas, há insegurança com relação à distribuição do combustível e sobre a relação do seu preço com o diesel. Por outro lado se apresentamos uma alternativa que utiliza um combustível nosso, como é o caso do etanol, pode ser que essa tecnologia se torne realidade mais rápido aqui”.

 

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Rangel evitou pormenores a respeito do tipo de motor FPT utilizado nos ensaios. Contudo indicou que a subsidiária brasileira utilizou um motor movido a gás natural e aplicou tecnologias que tornam viável a combinação com o etanol, algo concebido pela engenharia nacional. Uma das vantagens da combinação dos combustíveis é o aumento da autonomia em veículos comerciais, afora, claro, a redução das emissões.

 

O executivo, porém, não confirmou que o teste está sendo feito para aplicação em caminhões e/ou vans da Iveco, outra subsidiária na CNH Industrial, ou em veículos de clientes tradicionais da companhia, como Hyundai Caoa, FCA, no campos dos veículos comerciais, ou no segmento agrícola e de construção, com as marcas New Holland e Case.

 

O motor em questão, de acordo com ele, pode ser utilizado também para a geração de energia elétrica e, em tese, equipar os produtos que a FPT tem em oferta para o segmento.

 

Na Argentina, por exemplo, a Iveco tem versões de veículos comerciais a gás natural desde o ano passado em sua rede de concessionários, uma decisão tomada pela companhia em função da alta disponibilidade do gás na matriz energética daquele país e por seu preço mais competitivo na comparação com o diesel. No Brasil o cenário é inverso, o que faz do etanol um componente-chave para uma eventual oferta de veículos ou geradores com motores FPT bicombustível.

 

O centro de P&D de Betim também realiza, por ora, teste em modelos de motores movidos a biodiesel por causa do futuro aumento do combustível na mistura com o diesel. Neste caso, assim como no do motor gás-etanol, a FPT utiliza como base um motor já produzido em Turim, Itália. Saem das linhas desta unidade os motores a gás que equipam os veículos Iveco na Argentina.

 

É na Itália, também, que desenvolve novos motores movidos a gás, conjuntos exclusivos para o mercado europeu, onde, segundo Rangel, o uso do gás em veículos é representativa. A FPT, no ano passado, chegou a apresentar um conceito que ilustra bem suas pretensões acerca da combinação de combustíveis em seus motores.

 

Rangel não confirmou, mas comentou, que a matriz designa testes à filial brasileira como forma de desenvolver tecnologias em propulsão locais que também têm potencial para ser exportadas para aplicações em mercados similares, como China e Índia. Por enquanto o volume de motores FPT movidos a gás natural na América do Sul não ultrapassa 1,5 mil. Mas pode ser que, no curto-prazo, seja mais:

 

“Depende de como o mercado se comportará a partir da abertura do mercado de gás. Produtos na prateleira já existem”.

 

Foto: Divulgação.