Remessas de lucro somaram US$ 219 milhões até junho

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São Paulo – As fabricantes de veículos instaladas no Brasil enviaram às suas matrizes US$ 219 milhões no primeiro semestre, menos da metade do valor enviado em todo o ano passado, US$ 516 milhões. Com a expectativa de crescimento de 11% nas vendas de veículos este ano, é possível que 2019 feche com remessas similares às de 2018.

 

Os dados são do Banco Central do Brasil. O fato de haver remessas de dinheiro ao Exterior no primeiro semestre não significa, no entanto, que há lucratividade no mercado brasileiro: talvez nem todas as montadoras tenham contribuído com essas remessas da primeira metade do ano.

 

Segundo Osmair Garcia, consultor especializado no setor automotivo da Turbay & Garcia, existe a possibilidade de que as remessas tenham sido efetuadas pelas montadoras asiáticas uma vez que, "apesar do baixo volume, possuem operações mais lucrativas" do que as montadoras do grupo denominado Big Four - FCA, Ford, General Motors e Volkswagen, que passam por processos de reestruturação em suas operações em busca de melhor resultado.

 

A GM, líder do mercado e com o Chevrolet Onix sendo o mais vendido do País, precisou buscar auxílio junto ao governo do Estado de São Paulo, por meio do IncentivAuto, para manter a produção no País ao alegar sucessivos prejuízos na região. Além de São Paulo a companhia ainda busca alternativas no Rio Grande do Sul, onde tem fábrica em Gravataí, e também encabeça campanha no âmbito nacional pela volta do Reintegra, como meio de alavancar as exportações do setor. A Ford, outro exemplo, fechou a fábrica do Taboão em função de prejuízos.

 

Estas empresas com operação mais antiga no País, disse Garcia, contribuem para o crescimento de outro indicador, no caso, o de empréstimos intracompany, quando são as matrizes que enviam recursos para suas subsidiárias instaladas aqui.

 

No ano passado, ainda segundo dados do Banco Central, o volume chegou a cerca de US$ 10 bilhões, 6,8% a mais do que em 2017. Até junho os desembolsos somaram US$ 4,6 bilhões, volume também próximo à metade do realizado no consolidado de 2018 pelas matrizes.

 

"O que existe é uma entrada de capital maior do que a saída, uma vez que as montadoras estão aplicando recursos para começar uma nova fase no mercado brasileiro, já com ajustes para uma nova realidade", disse Antonio Jorge Martins, especialista em cadeia automotiva da FGV SP. "Manufatura 4.0 e desenvolvimento de SUVs para o mercado brasileiro, um segmento com vendas em ascensão, estão dentro deste novo contexto."

 

Para Martins a tendência é a de que a lucratividade destas companhias mais consolidadas no mercado nacional venha por meio das vendas destes veículos, um movimento que deverá contracenar com as vendas diretas: "Elas vieram para ficar, é um mercado importante em termos de volume, ainda que a rentabilidade não seja tão alta".

 

Foto: Divulgação.