HVO ganha espaço como alternativa de biodiesel

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26/09/2019

São Paulo – Uma alternativa ao biocombustível, mais limpa e com características muito próximas ao diesel comum, começa a ganhar espaço nas mesas de discussão de fabricantes e operadores de caminhões e ônibus. Trata-se do HVO, Hydrotreated Vegetable Oil, óleo diesel limpo produzido a partir do óleo vegetal da soja ou outras fontes de matéria-prima vegetal ou animal, permitindo, inclusive, a mistura delas. Com processo produtivo diferente, sua aparência é semelhante à do diesel fóssil vendido nos postos – segundo técnicos, é impossível notar a diferença dos dois a olho nu.

 

“Tanto o HVO quanto o biodiesel usam o óleo vegetal extraído da soja como principal fonte de matéria-prima, mas o HVO permite mesclar as matérias-primas, como usar gordura animal na produção e outras fontes de óleo vegetal”, explica Paulo Jorge Antonio, diretor de pesados da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

 

A diferença, segundo ele, está no processo produtivo: o HVO é extraído a partir da hidrogenação, que ajuda a tirar as impurezas e permite deixa-lo com aparência mais próxima à do diesel fóssil. Já o biodiesel é produzido a partir do processo de transesterificação, o que faz com que ele tenha mais oxigênio e água – que podem gerar problemas no futuro para os motores. “O HVO é mais puro”.

 

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Não significa, porém, que basta trocar o diesel por HVO e o motor funcionará normalmente. Segundo Rogerio Gonçalves, diretor de combustíveis da AEA, existe uma questão na lubricidade – que tem resolução simples: “Basta usar um aditivo de lubrificação junto com o HVO. Os danos que o biodiesel comum pode causar aos motores são mais difíceis de solucionar”.

 

O HVO reduz as emissões de NOx e CO2, enquanto o biodiesel reduz apenas a de CO2 – as de NOx até aumentam, pela maior presença de oxigênio em sua fórmula. O governo federal já anunciou que a mistura de biodiesel ao diesel fóssil subirá de 10% para 15% em 2023, chegando ao B15. Mas o B10 já pode gerar problemas aos motores, segundo Antonio:

 

“O biodiesel comum gera oxidação de alguns componentes. A sua textura também traz problemas de borras no motor, que podem entupir filtros e bicos injetores”.

 

Para ele o ideal seria que a partir do B10, combustível vendido atualmente nos postos, o HVO fosse usado na mistura, porque tem as mesmas características específicas do diesel comum. O resultado da mistura seria um biocombustível igual ao fóssil e mais puro:

 

“Isso ajudaria a reduzir possíveis problemas futuros dos motores. Na Europa, por exemplo, se o diesel tiver mais do que 7% de mistura de biocombustível é obrigatório que seja HVO, para garantir que a mistura não gerará problemas no funcionamento dos motores”.

 

Segundo o diretor de pesados os caminhões e ônibus que já atendem às normas do Proconve 3 e rodam com diesel B10 estão prontos para circular com diesel misturado ao HVO . No caso dos motores movidos a biocombustíveis, também não há necessidade de mudanças para utilizar o HVO.    

 

Foto: Divulgação.