Ao apresentar seus elétricos, Volvo abre discussão sobre emissão em toda a cadeia

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Foto Jornalista  Leandro Alves

Por Leandro Alves

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10/12/2019

Gotemburgo, Suécia – A corrida pelo transporte limpo de emissões começou e muitas iniciativas das fabricantes estão em testes finais para a produção em série. Em 2020 teremos muitos modelos de caminhões rodando e estradas e cidades europeias – e, também, no Brasil. Trata-se de um movimento sem volta e que, neste momento, suscita algumas discussões sobre pontos até então pouco abordados na estratégia de eletrificação das empresas. Por exemplo: as emissões de CO2 na produção e utilização de energia elétrica podem melhorar? E no caso das baterias? A matriz energética para sua produção também causa impacto no meio ambiente?

 

A Volvo tocou no assunto durante o primeiro test drive, na Suécia, dos seus novos caminhões elétricos, cuja produção terá início em março. Os até agora conceitos das linhas FL e FE – que já podem ser encomendados pelos operadores na Europa –, destinados a transportes urbanos, regionais e para o segmento de construção, com capacidade de carga de 16 e 27 toneladas, respectivamente, entregarão uma nova experiência para o motorista e o operador. Abordaremos esses atributos mais adiante.

 

Antes, porém, é preciso mostrar a preocupação da marca sueca com a geração de emissões em todos os processos de produção e utilização de caminhões e ônibus. “Com a eletrificação haverá uma mudança no ciclo de vida dos produtos. Não podemos pensar apenas na pegada de CO2 durante a utilização do veículo. É necessário mapear todas as emissões nessa longa cadeia”, disse Lars Martensoon, diretor de inovações e meio ambiente da Volvo.

 

Isso quer dizer que conta muito para a Volvo as emissões de CO2 na fabricação das células da bateria. A fornecedora para seus caminhões, a Samsung, que produz na Coreia do Sul, emite quase 20 toneladas de CO2 equivalente para fazer quatro baterias, o conjunto básico que equipa seus novos FL e FE – é possível configurar os produtos com até seis baterias. Já a China, dentre as emissões para obter a matéria-prima e produzir as quatro baterias, tem uma emissão de quase 25 toneladas de CO2 equivalente. É muito.

 

Um dos principais impactos que é pouco discutido dentre as fabricantes – e que fará muita diferença nos objetivos de atingir as metas do Acordo de Paris para as reduções das emissões globais – é a geração de energia limpa para utilizar em veículos elétricos. A Volvo é uma das primeiras fabricantes a discutir esse tema, e isso é muito importante no negócio de caminhões e ônibus – os segmentos automotivos que demandam a maior redução de CO2.

 

De acordo com estudos da fabricante o uso de energia elétrica cuja sua produção demanda a utilização de carvão é capaz de emitir de 800 a mais de 900 toneladas de CO2 equivalente durante seu ciclo de vida. Já o gás natural – uma fonte especulada para ser uma das opções bastante utilizada na frota brasileira – emitirá mais de 400 toneladas de CO2 equivalente neste mesmo período. Em comparação, o diesel com 7% de mistura com matriz vegetal, ou biodiesel, emitem hoje na Europa mais de 500 toneladas de CO2 equivalente o que, de novo, é muito para as ambições de limpar a matriz energética nos próximos dez anos.

 

A geração de energia elétrica a partir de usinas nucleares, assim como por meio de hidrelétricas e fontes eólicas, geram uma emissão acumulada no ciclo de vida dos caminhões de até 100 toneladas de CO2 equivalente. O que é muito pouco, ou o suficiente para atingir as ambições do Acordo de Paris.

 

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Primeiro Volvo elétrico – Os novos veículos elétricos que já estão sendo encomendados na Suécia, Alemanha, Suíça, França e Holanda, chegarão a partir do primeiro trimestre de 2020 com capacidades de carga que podem modificar também a eficiência do transporte, principalmente em centros urbanos.

 

Segundo a Volvo, com 16 e 27 toneladas de capacidade de carga, os novos FL e FE poderão otimizar não apenas o consumo de energia, mas também o espaço nas ruas e a necessidade de muitos veículos para transportar coisas nas cidades. Um modelo com 17 toneladas de capacidade substitui até 11 veículos com 3,5 toneladas, os mais tradicionais no transporte urbano.

 

Outra vantagem é a ausência de ruído do motor e de eventuais trancos na cabine por conta das mudanças de marchas dos modelos com motor a combustão e transmissão manual. Durante o curto test drive em um circuito controlado em Gotemburgo, esses foram os principais atributos destacados pelos especialistas da Volvo.

 

O conforto e a comodidade realmente são diferenciais nas jornadas urbanas em baixa velocidade, como foi possível verificar dirigindo esses caminhões. Será argumento de vendas na Europa – e também no Brasil, quando caminhões elétricos entrarem em operação. No caso da Volvo ainda não há expectativa de importação, tampouco de produção dos caminhões FL e FE no País.

 

Segundo Jonas Odermalm, vice-presidente de eletromobilidade da Volvo, 85% dos transportes feitos na Europa são em percursos regionais e não ultrapassam 80 mil km ao ano. “Acreditamos que a eletrificação dos caminhões podem contribuir para os desafios do aquecimento global com a redução de mais de 90% das emissões ao longo da vida útil do veículo”.

 

Fotos: Divulgação.