Produção de etanol cresce à espera do Renovabio

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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17/12/2019

São Paulo – A Unica, União da Indústria de Cana-de-Açúcar, divulgou na terça-feira, 17, os dados referentes à produção do setor sucroalcoleiro até novembro. A indústria paulista produziu mais cana e beneficiou mais etanol, quadro que produz reflexos em dois segmentos do setor automotivo: caminhões e veículos leves.

 

No caso dos caminhões a safra 2019-2020, que terminará em março, movimentou os negócios com veículos pesados e implementos rodoviários. E há a expectativa de que a nova safra siga dando sustentação às vendas no ano que vem. Diretor técnico da Unica, Antonio de Paula Rodrigues disse que “os produtores investiram mais de R$ 10 bilhões em meios para renovar o plantio no País, e isso movimentou uma cadeia extensa que vai do caminhão, passa pela máquina agrícola e chega até áreas de pesquisa e desenvolvimento”.

 

Segundo levantamento da entidade, 575 milhões 29 mil toneladas foram moídas no Estado de São Paulo até novembro e espera-se um volume total no final do ano de 590 milhões de toneladas. Caso se confirme a produção o volume será 3% maior do que o moído no ano passado. A moagem é o processo posterior ao corte e é realizado antes que o insumo seja beneficiado nas usinas, seja para ser transformado em açúcar, seja em etanol.

 

Do total processado a Unica estima que 34,3% serão destinados à produção de açúcar, porcentual menor do que a fatia de 35,2% da safra passada. A produção esperada para o fim da safra é de 26,7 milhões de toneladas, 0,72% superior do que no período anterior. A parcela restante será utilizada para a produção de etanol – é esperada produção recorde na atual safra, cerca de 33,1 bilhões de litros, 7% a mais do que o volume produzido na safra 2018-2019.

 

Deste volume projeta-se que 9,7 bilhões de litros correspondam ao etanol anidro, que é misturado à gasolina, e 23,4 bilhões de litros ao etanol hidratado, aquele que sai da bomba direto para o tanque do veículo.

 

Segundo Evandro Gussi, presidente da Unica, o volume que representa a diferença do volume produzido nesta safra, na comparação com a anterior, ocorrerá porque os produtores se prepraram para as demanda do Renovabio:

 

“A expansão da capacidade de fabricação do biocombustível está alinhada à necessidade de maior oferta nos próximos anos para atendimento das metas de descarbonização do Renovabio".

 

O presidente da entidade disse, ainda, que o programa deverá cumprir o seu cronograma para entrar em vigência: “Tudo corre bem para que entre em vigor em 24 de dezembro. A ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis] trabalha para finalizar a sua regulamentação no prazo”.

 

Afora a demanda do Renovabio, Gussi disse que a maior produção do etanol também reflete melhor competitividade do preço do produto frente ao açúcar, o que direciona o processamento da cana-de-açúcar. O preço da commoditie perdeu competitividade no mercado externo para o açúcar indiano e para o chinês.

 

Segundo dados da ANP, 199 produtores de biocombustível estão com a certificação no programa em andamento, dos quais 86 já estão em fase final de consulta pública. Cinco empresas já tiveram a nota de eficiência energética publicada no site da agência.

 

O RenovaBio tem como objetivo reduzir o carbono da matriz de transportes brasileira por meio do aumento da participação dos biocombustíveis.

 

Foto: Divulgação.