Montadoras e startups moldam o futuro do transporte de cargas

Imagem ilustrativa da notícia: Montadoras e startups moldam o futuro do transporte de cargas
Foto Jornalista Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

CompartilheTransporte
15/01/2020

São Paulo – Da mesma forma como avançam os recursos tecnológicos nas cabines dos caminhões produzidos no Brasil segue em curso o desenvolvimento de novos modelos de negócios na distribuição de cargas. Ambos tem um mesmo objetivo: reduzir o custo operacional do frotista. Neste universo montadoras coexistem com startups na corrida para atender à demanda do mercado.

 

Na onda da nova economia, que popularizou a exploração de serviços na estrutura de terceiros, a Unpark, em operação desde julho, desenvolveu plataforma que agrega vagas ociosas de estacionamento. A partir da base a startup oferece o espaço a operadores de transporte instalarem contêineres de carga. O serviço é vendido como forma mais barata e rápida de distribuir produtos em grandes centros urbanos, que possuem restrições de horário de circulação.

 

“Nossa ideia é transformar espaços urbanos ociosos em pontos de distribuição, de forma a que empresas possam armazenar seus produtos mais perto do cliente", disse Michele Dim D'Ippolito, CEO e co-fundador da companhia. "Em termos logísticos reduz o custo operacional porque, por exemplo, diminui o número de deslocamentos em locais marcados pelo trânsito intenso.”

 

Nas contas da empresa o seu modelo de negócio reduz o frete em 30%. Afora o barateamento do serviço de transporte a ideia da Unpark pode transformar a frota circulante das empresas que atuam na distribuição urbana. Isso porque, segundo D'Ippolito, o serviço possibilita aplicação de menor número de caminhões na operação:

 

“Dependendo da demanda uma empresa pode estocar sua carga na quantidade necessária próximo ao seu destino final porque ali há uma vaga ociosa, onde pode ser instalado um contâiner. Assim, deixam de ser necessárias viagens recorrentes até um centro de distribuição, de onde partem outros veículos para levar a carga até o destino final”.

 

Diminuir o número de caminhões na operação não significa necessariamente menos caminhões nos frotistas, disse o executivo: “O que deve acontecer na prática é a melhor utilização das frotas. O veículo que deixa de ser utilizado em uma aplicação deverá ser usado em outro serviço, melhorando o fluxo na transportadora, que passa a atender mais pedidos, por exemplo”.

 

O mercado de distribuição urbana é visto pela indústria como promissor para este ano. De acordo com Roberto Cortes, presidente da VWCO, no Congresso AutoData Perspectivas 2020, realizado em outubro, “os leves dependem do varejo, no qual observamos uma retomada”.

 

Mais modelos de negócio que envolvam distribuição urbana podem, em tese, injetar ânimo nas vendas de caminhões leves. No ano passado, segundo dados da Anfavea, foram emplacadas 11 mil 242 unidades, volume que representou queda de 2,6% ante o resultados registrado pelo mercado em 2018.

 

A Unpark, por ora, tem 285 mil vagas de estacionamento cadastradas em sua base. Os espaços estão pulverizados em cerca de 1 mil endereços em 102 cidades de 23 estados. Este ano a meta é fechar com trinta pontos logísticos – atualmente têm ativos dois – e aumentar de vinte para cinquenta o número de vagas onde são instalados armários inteligentes que armazenam carga fracionada, os chamados Unpods.

 

A distribuição urbana e as startups são tema recorrente em debates nas fabricantes de veículos comerciais. Um fato que pode ser usado para ilustrar a sua importância é a parceria costurada por Volkswagen Caminhões e Ambev naquilo que foi denominado e-consórcio.

 

Dentre outras coisas a parceria funciona como laboratório de testes para modelos que envolvam produto-oferta, e isso mostra de certa maneira como a indústria está ocupada em acompanhar – ou criar – novas tendências de negócio, contou Marco Saltini, diretor de relações governamentais e institucionais da VWCO -- este mês a empresa sediará um programa global de aceleração de startups: “Acreditamos no grande potencial das startups na busca de soluções para situações concretas relativas ao transporte e a toda a mobilidade, de uma forma geral. Avaliamos que a indústria é parte importante desse processo de transformação e procuramos dar a nossa contribuição”.

 

A Mercedes-Benz, empresa que encerrou 2019 na liderança das vendas no mercado interno, também mantém contato com o universo das startups como forma de manter sua oferta atualizada segundo as novas demandas. Em março, por exemplo, adquiriu o aplicativo de logística Habbl – se pronuncia hábil –, o qual deve chegar ao mercado brasileiro a partir deste mês, segundo Érico Fernandes, gerente sênior de soluções integradas da Mercedes-Benz:

 

“Por ora a plataforma está em fase de testes dentro da operação de transporte de cabines, em Juiz de Fora, em Minas Gerais, para São Bernardo do Campo. Passando esta etapa entra no mercado a partir de janeiro. É o primeiro país fora da Alemanha onde a plataforma estará ativa”.

 

Imagem ilustrativa da notícia: Montadoras e startups moldam o futuro do transporte de cargas

 

A ferramenta estabelece conexão do embarcador da carga com o transportador, criando padrões para procedimentos, mostrando deslocamento em tempo real da carga, dentre outras funções que são oferecidas em outras plataformas de startups que já atuam no Brasil. Na Europa são quase 220 clientes ativos da plataforma, que funciona em 4 mil caminhões conectados.

 

Foto: Divulgação.