Governo reduz subsídios, mas libera recursos para Plano Safra

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14/02/2020

São Paulo – Os recursos que o Mapa, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, liberará em março para atender a grandes e médios produtores, dentro do Plano Safra 2019-2020, não terão mais subsídios. Estes produtores pagarão juros integrais ao adquirir financiamentos por meio do Banco do Brasil ou BNDES, assim como nos demais bancos que possuem linhas para o agronegócio.

 

A decisão foi oficializada para representantes da Anfavea e do setor agrícola durante reunião realizada na terça-feira, 10, em Brasília, DF. Segundo Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea – que participou da conversa – este é o início de um “desmame” de subsídios que o ministério já sinalizava e discutia internamente.

 

"Esse é o começo da redução de subsídios em algumas áreas do Plano Safra e deverá avançar no próximo programa, que começa em julho".

 

O setor agrícola esperava a liberação de recursos para linhas de financiamento de máquinas, como o Moderfrota e o Pronaf, o que o governo confirmou que acontecerá a partir de março, porém, em um novo formato e sem subsídio. Segundo Miguel Neto o valor que ficará disponível será suficiente para atender esses produtores até o fim do Plano Safra e, mesmo sem a equalização, as taxas continuarão atrativas:

 

"No caso do BNDES a taxa de juros ficará em torno de 9,1% e no Branco do Brasil de 8,5% a 9%, dependendo de cada caso. As condições continuam interessantes para os produtores e o problema de falta de recurso acabou para esse Plano Safra".

 

Para os pequenos produtores, que utilizam o Pronaf, os juros continuarão em torno de 4%, subsidiados. A expectativa do setor é a de que em torno de R$ 1 bilhão seja liberado em breve – mas o Mapa não confirmou a data, mantendo a linha operando, ainda, sem recursos.

 

Plano Safra 2020-2021 – O setor acredita que o ministério fará outras mudanças nos subsídios oferecidos nas linhas de financiamentos no próximo programa. A expectativa é a de que os grandes produtores busquem cada vez mais os recursos de bancos privados, nos quais conseguirão taxas e condições mais atrativas.

 

Para os médios produtores ainda existem algumas dúvidas: o Mapa estuda maneiras de promover o chamado “desmame” nessa faixa e a mudança nas linhas de financiamentos que os atendem: "Esses produtores usavam recursos subsidiados pelo Moderfrota, mas isso deverá mudar. O ministério ainda estuda qual fatia dos médios terá acesso a linhas equalizadas e quais terão que migrar para os financiamentos sem subsídios".

 

Com as mudanças ainda em discussão o setor agrícola solicitou durante a reunião que elas sejam graduais e comunicadas de maneira clara e com antecedência, para que os produtores tenham tempo de estudar outras opções de financiamento oferecidas pelo mercado.

 

O Pronaf não deverá sofrer alteração para o próximo Plano Safra, mantendo as condições de financiamento. Essa é uma área considerada muito sensível a qualquer aumento de custo ou a mudanças nas linhas de crédito.

 

Foto: Divulgação.