Juros para compra de veículos recuam após forte alta

Imagem ilustrativa da notícia: Juros para compra de veículos recuam após forte alta
Foto Jornalista  André Barros

Por André Barros

CompartilheFinanciamentos
27/03/2020

São Paulo – Os juros cobrados nos financiamentos de veículos para pessoas físicas voltaram a cair em fevereiro, após a forte alta de janeiro, considerada “inexplicável” pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes. A média do mês passado, segundo dados divulgados pelo Banco Central do Brasil na sexta-feira, 27, chegou a 19,4%, 0,3 ponto porcentual abaixo de janeiro – em dezembro estava em 19,2%, menor nível dos últimos anos.

 

O recuo da taxa média veio acompanhado de uma nova alta na inadimplência para pessoas físicas no setor, que subiu de 3,5% em janeiro para 3,6% no mês passado. Em dezembro o índice estava em 3,4%.

 

Ou seja, tanto inadimplência quanto taxa de juros médias subiram 0,2 ponto porcentual de dezembro para fevereiro. Mas a taxa Selic, referência para os juros, recuou 0,75 ponto no período, de 4,5% em dezembro para 3,75% na última reunião do Copom, em 18 de março. Ou seja: a redução da taxa de juros não está chegando na ponta do processo.

 

O problema não é exclusivo dos financiamentos de veículos para pessoas físicas. As taxas médias para compra de veículos para pessoas jurídicas, em fevereiro, ficaram em 12,1%, 0,4 ponto porcentual abaixo de janeiro e 0,2 ponto superior a dezembro, enquanto a inadimplência, de 1%, manteve o índice de janeiro e estava em 0,9% ao fim do ano passado.

 

Empresários também reclamam dos bancos de varejo, que anunciam medidas para facilitar o crédito para empresas, sejam grandes, médias ou pequenas, mas, na prática, seguram o crédito – ou elevam a taxa de juros, como relatou o presidente da Zen, Gilberto Heinzelmann.

 

Na sexta-feira, 27, o presidente da República, Jair Bolsonaro, anunciou financiamento para folha de pagamento de empresas que faturam de R$ 360 mil a R$ 10 milhões. O governo cobrirá dois meses da folha, até dois salários mínimos, por meio do BNDES a taxas de juros de 3,75% ao ano, o equivalente à Selic. Segundo o BC a medida beneficia cerca de 1,4 milhão de empresas e deverá estar disponível em uma a duas semanas.

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens.