Doria pede à indústria ajuda com a produção de respiradores

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Foto Jornalista  Bruno de Oliveira

Por Bruno de Oliveira

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15/04/2020

São Paulo – Representantes do governo do Estado de São Paulo se reuniram na terça-feira, 14, com executivos da indústria automotiva local para discutir a possibilidade da produção de respiradores nas fábricas instaladas no Estado. Segundo relatou uma fonte à Agência AutoData o governador João Doria alegou que há demanda relevante que não está sendo atendida pelos produtores locais dos aparelhos, e as importações da China tardam a chegar. As empresas, no entanto, alegaram haver entraves técnicos e administrativos que impedem que assumam a tarefa.

 

Mas não impossibilita que a indústria automotiva colabore de outras formas. Doria ouviu dos executivos que suas empresas podem auxiliar em duas frentes: no campo do desenvolvimento, colaborando com as fabricantes dos respiradores com consultorias técnicas lideradas por seus engenheiros – algo proposto e já conduzido por algumas montadoras – e no campo da manufatura: neste caso a ajuda aos fabricantes de respiradores viria por meio do reparo de equipamentos com avarias, e também por meio da produção de componentes, desde que o processo de execução fosse viável com o ativo que as montadoras possuem em seus domínios, seja ele o maquinário ou o humano.

 

A produção integral dos aparelhos respiradores, disseram os representantes do setor automotivo na reunião com o governo estadual, afora demandar tempo, aprendizado e adaptações, requereria alguns movimentos, como autorização governamental e concessão de isenção tributária, pois produzir respiradores não constitui a atividade-fim das montadoras. Procurada pela Agência AutoData a Anfavea confirmou as informações.

 

Fonte consultada pela reportagem disse, ainda, que há também aspectos legais envolvidos que tornam ainda mais complexa a produção de respiradores nas montadoras: “Considerando que as fabricantes produzam estes equipamentos, o que aconteceria, por exemplo, se um deles apresentasse falha e comprometesse o tratamento de um paciente. Quem responderia por isso?”.

 

Tais respiradores possuem componentes fabricados com um grande nível de precisão, algo que demanda equipamento específico que as montadoras não dispõem porque não precisam: “Deixamos de fabricar tudo em casa há muito tempo, e esse ativo, hoje, está instalado na cadeia de fornecedores. O que as montadoras fazem hoje é montar. Se recebermos as peças, sim, é possível montá-los [os respiradores]”.

 

Ainda que tenham exposto aos representantes paulistas as dificuldades envolvidas em uma eventual produção de respiradores, as montadoras devem intensificar o auxílio àquelas empresas que produzem o equipamento – há quatro fabricantes que mantêm produção local –, caminho que, segundo a fonte ouvida pela reportagem, deve ser mesmo o escolhido pela indústria.

 

“Há montadoras propondo produção dos respiradores nos Estados Unidos, mas há uma política pública por trás, há investimento. Aqui, por ora, o que deve ser feito é ajudar o fabricante que já está preparado para a demanda. A ajuda poderá ser, por exemplo, com deslocamento de parte do quadro de trabalhadores se precisarem aumentar turnos. Ceder espaço físico para receber máquinas e equipamentos é outra alternativa.”  

 

O governador João Doria pediu então, durante a reunião, que as montadoras desempenhem o papel de intermediárias do Estado em conversas com as casas-matrizes a respeito do empréstimo ou doação de respiradores sobressalentes aos hospitais das suas regiões.

 

Foto: Divulgação.