Montadoras congelam e reavaliam investimentos

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Foto Jornalista  Bruno de OliveiraFoto Jornalista Caio Bednarski

Por Bruno de Oliveira

e Caio Bednarski

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03/04/2020

São Paulo – Os efeitos da pandemia da covid-19 já vão além do desempenho negativo de vendas de veículos e do fechamento da produção do parque instalado no Brasil. O cenário adverso na economia em função do coronavírus reflete no planejamento de longo prazo das empresas fabricantes de veículos, a ponto de alguns investimentos anunciados para os próximos anos terem sido colocados na geladeira ou reavaliados.

 

A Volkswagen, segundo apurou a Agência AutoData, interrompeu as tratativas com a casa matriz a respeito do seu próximo ciclo de investimento na operação brasileira, que pode incluir a produção local de uma nova plataforma compacta. Segundo a empresa, tão logo a situação se normalize o assunto voltará a ser discutido em seus domínios.

 

Por ora está próximo de conclusão o programa de investimento de R$ 7 bilhões. A última etapa deste programa é o lançamento do VW Nivus, primeiro veículo desenhado e desenvolvido no Brasil que será produzido também na Europa. O novo modelo está previsto para ser lançado no fim do primeiro semestre de 2020.

 

O aporte de R$ 10 bilhões programado pela General Motors para suas fábricas instaladas em São Paulo até 2024 foi adiado, ainda sem prazo definido. A empresa vem adotando outras medidas em suas fábricas para mitigar os efeitos da pandemia em sua operação.

 

Por meio de nota a GM afirmou que “vem tomando medidas que visam proteger a saúde dos colaboradores em meio à pandemia da covid-19, ao mesmo tempo em que busca alternativas para garantir o futuro do negócio. Neste sentido foram implementadas medidas como banco de horas, férias coletivas, planos de redução de custos e, inclusive, adiamento de investimentos”.

 

Situação similar na Mercedes-Benz, que tem em curso ciclo de investimento de R$ 2,4 bilhões até 2022 e já aportou boa parte dos recursos em suas unidades, a exemplo da construção da linha 4.0 em São Bernardo do Campo, SP, e fábrica de cabines em Juiz de Fora, MG. Desse total restam R$ 700 milhões que, segundo a montadora, estão à espera do fim da pandemia.

 

Outra que reavaliou seu plano de investimento, embora sem colocar na geladeira, foi a FCA. O presidente Antonio Filosa disse que os R$ 16 bilhões programados para o País estão mantidos, mas o prazo foi alongado: antes seria de 2018 a 2024 e agora será até 2025.

 

Por outro lado o investimento recente da Toyota na fábrica de Sorocaba, SP, para a construção de uma linha de produção de um novo modelo, segue normalmente. Sem citar cifras, a companhia informou que já aplicou parte dos recursos antes da eclosão da pandemia na compra de equipamentos e que o emprego da parte restante está mantido. O plano de lançamento de um modelo em 2021 também não está em discussão: os planos seguem inalterados.

 

Foto: Divulgação.