São Paulo – Os impactos da pandemia da covid-19 no mercado de veículos fizeram com que a Anef, associação que representa as empresas financeiras das montadoras, revisasse suas projeções de liberação de crédito para aquisição de veículos. Dos 24,3% de alta estimados em janeiro, a entidade alterou seus cálculos para recuo de 22,6% com relação a 2019.
A Anef prevê demanda mais fraca por financiamentos na segunda metade do ano. Até o fim de junho foram liberados R$ 63,7 bilhões em financiamentos de veículos, valor 12% inferior ao registrado no primeiro semestre de 2019 – e interrompeu uma série de resultados positivos contínuos desde 2017.
O saldo da carteira, porém, segue em alta: 16,7% no acumulado dos últimos doze meses, R$ 262 bilhões. “Os resultados das carteiras de crédito, ainda que positivos, infelizmente não representam a nova realidade do segmento e da economia como um todo”, analisou Paulo Noman, presidente da Anef. “Os bons números atingidos no primeiro trimestre do ano contribuíram para segurar os indicadores, mas o período requer cautela.”
No primeiro trimestre a liberação de crédito cresceu 13,3%, de acordo com a entidade. A partir de abril a situação sofreu inversão – o mês foi o pior dos últimos doze meses, com apenas R$ 5,6 bilhões liberados por meio de CDC, recuo de 58% com relação a abril de 2019.
O prazo médio de financiamentos é de 44,4 meses, com planos máximos de 60 meses: “Neste momento o consumidor está cauteloso, observando as diversas variáveis econômicas na hora de realizar investimentos que requerem descapitalização de recursos. A curva de queda nas taxas de juros também torna atrativos financiamentos com prazos mais longos, que devem aumentar nos próximos meses”.
A inadimplência, foco de atenção, manteve-se estável no primeiro semestre: alta de 0,4 ponto porcentual em doze meses para pessoa física. Para empresas o índice caiu 0,6 ponto porcentual no período.
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