São Paulo – Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, defende um trabalho de planejamento conjunto por montadoras, sistemistas e a cadeia de fornecedores, com o governo, sobre os caminhos que o Brasil deverá seguir no campo dos combustíveis. Ele participou de um webinar organizado pela Bright Consulting na segunda-feira, 12, com representantes do Sindipeças, AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, no qual foram discutidos aspectos do setor ligado às matrizes energéticas da frota circulante futura.
“Apenas por meio de uma política pública podemos ter previsibilidade para poder investir nas tecnologias certas. E o Estado precisa criar infraestrutura adequada para tornar viável essas tecnologias”.
Moraes citou o Rota 2030, política setorial que é lei desde 2018, como iniciativa que representa ponto de partida no sentido de se criar ambiente de fomento e de debate sobre as novas matrizes energéticas e tipos de propulsão: "No entanto regulamentar é fácil, mais complexo é criar de fato um ambiente de estímulo à adoção de tecnologias mais sustentáveis".
Ainda que os representantes das entidades acreditem que é preciso manter o debate aceso para elevar de patamar o nível de desenvolvimento de propulsão no País, é consenso que seja conveniente ao Brasil, e à indústria automotiva, a aposta na diversificação da matriz como forma de aproveitar a vocação que existe para produção de biocombustíveis.
"Estamos sentados em uma mina de ouro chamada biocombustível", disse Besaliel Botelho, presidente da AEA e também da Bosch América Latina. "Temos um parque produtivo e um mercado desenvolvidos, o que poderá nos dar certa vantagem competitiva no Exterior quando o assunto, que é global, se consolidar. Temos muito a ensinar sobre aplicação de etanol e biogás, por exemplo."
Dan Ioschpe, presidente do Sindipeças, acredita que o Rota 2030 é um sinal de que a indústria segue no caminho certo para as empresas construírem um ambiente favorável à inovação em combustíveis: "A política industrial significa, e significará ao longo do tempo, uma oportunidade de aprendizado dentro das dificuldades do País que habitamos".
O webinar realizado pela Bright Consulting integra o projeto Automotive Restart, que também tem em seu escopo a produção de artigos que tratam do futuro pós-covid 19 e sobre como as empresas do setor automotivo deverão se adaptar a ele. O projeto será entregue ao governo após o encerramento dos debates.
Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas.