São Paulo – Uma das possibilidades aventadas por trabalhadores da Ford, aqueles que ficarão sem emprego após o fechamento das três fábricas da companhia no País – Camaçari, BA, Horizonte, CE, e Taubaté, SP –, é a nacionalização da empresa. Este é o foco atual da questão, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, região onde a Ford manteve fábrica até 2019, e que participa das conversas.
Metalúrgicos participaram, na semana passada, de debate virtual na Câmara dos Deputados e articularam com deputados, de vários partidos, a possibilidade de um PL, projeto de lei, que nacionalizaria a companhia e transferiria sua gestão para os próprios trabalhadores. Assim o impacto dos fechamentos seria revertido.
Fundamenta o argumento dos sindicatos a dívida que a Ford teria com o Estado brasileiro, como expôs o diretor executivo do sindicato do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva: “Temos discutido seriamente sobre a nacionalização do parque industrial da Ford porque ela deve para o Estado brasileiro. Teve isenção fiscal, teve um regime tributário diferente no Nordeste, tem empréstimos ativos junto ao BNDES. Quando um cidadão comum deve ao Estado a União cobra essa pessoa e pega os bens para quitar a dívida, então nada mais justo do que ter essa iniciativa com a pessoa jurídica”.
O caminho é longo: para nacionalizar é preciso desenvolver um projeto de lei, que precisa ser aprovado em diferentes comissões da Câmara dos Deputados, depois ir ao plenário e ser aprovado, e depois seguir para o Senado. E por fim chegar à sanção presidencial.
De concreto, até o momento, o que os trabalhadores conseguiram foi a suspensão das demisões nas fábricas baiana, cearense e na paulista de Taubaté. Liminar obtida na noite da sexta-feira, 5, pelo MPT, Ministério Público do Trabalho, determinou que a Ford não poderá demitir ninguém até que as negociações com os sindicatos sejam concluídas. Salários e licenças devem ser pagos normalmente e negociações individuais estão proibidas.
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