São Paulo — O City nunca foi exatamente a menina dos olhos da linha nacional da Honda Automóveis. Desde seu lançamento, aqui, em 2009, já em sua terceira geração global, vendeu ao todo cerca de 260 mil unidades. Como comparação no mesmo período os outros dois modelos mais desejados, o Fit e o Civic, chegaram a mais de 400 mil unidades cada.
Mais: nesses últimos doze anos o Civic foi o Honda nacional mais vendido em seis oportunidades e o Fit nas outras seis. O City? Em nenhuma. Seus melhores desempenhos foram em 2010 e 2011, quando vendeu mais do que o Civic – mas não mais do que o Fit. Nos demais anos, de lá para cá, foi sempre o de menor volume de emplacamentos dos três.
Isso tudo não impediu a Honda de entregar ao City o papel de protagonista de sua linha nacional a partir de 2022, substituindo nos corações e mentes dos clientes justamente o Fit e o Civic. Em apresentação ao vivo pela internet para jornalistas especializados a Honda revelou a nova geração do modelo, a quinta globalmente falando e a terceira nacional.
A maior novidade é a chegada da inédita versão hatch do City, que ocupará exatamente o espaço do Fit, que se despede. A apresentação mostrou justamente a comparação de ambos: segundo a fabricante o City hatch é maior e mais espaçoso do que o Fit, mantendo suas características como a modularidade dos bancos, tanto traseiros quanto dianteiros, o que ajuda a acomodar melhor diversos tipos de carga.
No caso do City sedã a Honda disse que ele “não substitui o Civic, que chegará em breve em nova geração”, sem mais informações. Mas sabe-se que ele virá importado, em menor volume, e provavelmente dotado de tecnologias de propulsão mais modernas, como híbrida ou elétrica. Assim, terá preço ainda maior e acabará por ficar posicionado no mercado mais próximo do Accord do que exatamente do atual Civic nacional. Assim, na prática, o papel de combatente de frente nos sedãs médios caberá mesmo ao novo City.
Tanto assim que na apresentação a Honda fez questão de frisar que o novo City “cresceu em todas as dimensões”, sendo seu interior maior que o do Toyota Yaris e seu porta-malas maior que o do Corolla, sempre de acordo com a Honda.
Seja como for é assim que será a Honda Automóveis no mercado nacional a partir de agora. A mudança é tamanha que durante a apresentação os seus executivos usaram com toda a vontade expressões como “novo momento”, “nova era”, “nova fase” e “novo ciclo”.
O City sedã chega às lojas só em janeiro, com pré-venda a partir de 23 de novembro. O hatch só em março, com pré-venda em janeiro. Assim, os preços divulgados foram somente para o sedã: R$ 108,3 mil para a versão de entrada, a EX, R$ 114,7 mil para a intermediária, EXL, e R$ 123,1 mil a topo de linha, Touring. Segundo o site da Honda o Civic nacional mais barato hoje é o EX, a R$ 134,5 mil.
Os dois são produzidos em Itirapina, SP, e marcam a despedida oficial de Sumaré, SP, da fabricação de veículos – mas seguem sendo feitos lá os motores. Que para o City agora são os 1.5 litro equipados com injeção direta e duplo comando variável de válvulas. É um caminho diferente do que escolheu a maioria dos concorrentes para o segmento que a Honda considera compactos premium, com motores 1.0 turbo de três cilindros.
Para Diego Fernandes, gerente geral comercial da Honda Automóveis, o quatro cilindros aspirado do City “oferece a melhor relação desempenho-consumo dessa faixa”: 126 cv e 14 km/l no consumo combinado, números com o modelo abastecido 100% a gasolina. Não foram divulgados os dados do novo City com etanol. O câmbio é sempre o CVT com sete marchas simuladas.
O pacote de itens é recheado: de série são seis airbags, multimídia com tela de 8 polegadas e sensor de pressão dos pneus, por exemplo. A oferta de equipamentos vai subindo até chegar à Touring, que traz sistemas de segurança e conveniência semi-autônomos como frenagem de emergência, manutenção do veículo no centro da faixa de rodagem, piloto automático adaptativo e farol alto-baixo automático.
O novo City também será exportado, segundo a Honda, mas não foram divulgados pormenores dos destinos. Também não foi revelada projeção de vendas, segundo Fernandes, dado o “cenário complexo devido à crise dos semicondutores”.
Fotos: Divulgação/Honda