São Paulo — O caminho para a descarbonização de veículos pesados na Europa, com meta para até 2040, deverá ser diferente do de veículos leves. Por causa do peso das baterias e da autonomia necessária para caminhões e ônibus percorrerem longas distâncias, parte do segmento deverá utilizar célula de combustível de hidrogênio, mas em um futuro um pouco mais distante.
Thomas Fabian, diretor de veículos comerciais da Acea, apresentou projeções da associação que representa as montadoras na União Europeia durante o Simea 2022. Os europeus esperam 40 mil caminhões elétricos rodando no continente até 2025, sendo 10 mil leves e médios e 30 mil pesados. Até 2030 os veículos movidos a célula de combustível de hidrogênio representarão 60 mil unidades, com mais 270 mil caminhões elétricos leves e pesados fazendo parte da frota.
Para que o transporte europeu seja neutro em carbono até 2040 Fabian citou três pontos principais: “Desenvolvimento de veículos confiáveis, funcionais e eficientes, criação de políticas que permitam impulsionar essa transformação e investimento na infraestrutura necessária para recarga e abastecimento dos novo veículos”.
O sucesso dos veículos elétricos e movidos a célula de hidrogênio está diretamente ligado ao tempo que a região gastará para desenvolver e instalar a infraestrutura para recarga, que deverá acontecer de forma rápida, segundo o diretor. Também há a necessidade de que todas as partes envolvidas, setores público e privado, trabalhem juntas e correspondam ao nível de ambição para a transformação da indústria automotiva.
Até 2020 o avanço dos veículos comerciais mais amigos do meio ambiente foi lento na União Europeia, somando 3,4% de participação nas vendas anuais, com os combustíveis alternativos representando 2,9%, os elétricos 0,4% e os híbridos 0,1%. Os caminhões com o tradicional motor movido a diesel ainda representam 96,5% das vendas.