São Paulo – Uma história iniciada em 1998, com a aquisição da fundição da Cofap, terá seu capítulo final em 30 de setembro, quando a Fundição Tupy fechará as portas de sua unidade em Mauá, SP. Na fábrica do bairro Capuava, onde tradicionalmente eram feitos os processos de fundição e usinagem de blocos e cabeçotes de caminhão, desde 2017 as atividades já não eram mais as mesmas. Eram realizados apenas os serviços de rebarba e acabamento. Tanto que naquele ano o efetivo foi reduzido de 1,4 mil para duzentos operários.
Após diversas crises que fizeram com que o volume de trabalhadores oscilasse ao longo da última década a multinacional brasileira decidiu encerrar as atividades no Grande ABC. Aos funcionários remanescentes, 70% deles com sequelas de acidente de trabalho ou doença profissional, foi ofertada a possibilidade de transferência para uma das unidades Tupy no País: em Joinville, SC, onde está a sede que emprega 10 mil profissionais, ou em Betim, MG, onde trabalham outros 4 mil.
Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Firmino Martinha, até o momento, 69 dos duzentos aceitaram. Eles poderão indicar a planta em que desejam trabalhar e deverão se apresentar ao novo local de trabalho em 19 de outubro. A empresa custeará a mudança e pagará auxílio-aluguel de até R$ 1,5 mil por três meses. Por trinta dias a Tupy proverá hospedagem. Haverá também bônus de um salário nominal, uma passagem de ônibus para o destino, caso a família não se mude junto, e até dezembro uma passagem por mês para visitá-la.
Sobre a existência de estabilidade no contrato de trabalho Martinha disse que apenas os que apresentam doença ou sequela é que gozam do benefício. Entretanto, dos 69 que serão transferidos, quarenta contam com essa condição. Caso haja dispensa sem justa causa em até um ano a empresa auxiliará com a mudança de volta.
Com relação aos que serão desligados o sindicalista contou que a entidade negociou o pagamento de valores adicionais à rescisão salarial, nos mesmos moldes que foram aplicados em 2017, divisor de águas da Tupy em Mauá: “A empresa custeará seis meses de convênio médico, seis meses de vale compras de R$ 1,2 mil e três salários nominais além das verbas rescisórias. O valor que há cinco anos era de R$ 1 mil foi corrigido para R$ 1,2 mil”.
Martinha lamentou o fato de, desde aquele ano, quando a empresa vinha agonizando no Grande ABC, a unidade ter perdido importância para o grupo, embora um de seus principais clientes, a Mercedes-Benz, esteja bem próxima à Tupy, em São Bernardo do Campo, SP:
“Os custos que a empresa tinha na região acabaram pesando na decisão. Quando parou de fundir blocos aqui já ficamos receosos, mas como boa parte dos funcionários tinha estabilidade a operação foi mantida, ainda que com tamanho muito menor. Acredito que os salários nessas outras regiões equivalham a 70% do que é remunerado em Mauá, o que, entretanto, não é garantia de mão de obra qualificada. Houve empresas que saíram e levaram cinco anos para retomar o padrão e muitas outras ainda estão na tentativa. Além disso, em cidades menores ou não tão industrializadas os benefícios pagos são mais modestos. O que é muito ruim para o Grande ABC, pois só acelera o processo de desindustrialização e precarização do mercado de trabalho.”
A Tupy concentra quase 90% das atividades de fundição dos blocos, segundo Martinha, o que reduz a possibilidade de que alguma outra empresa ingresse no vácuo deixado pela metalúrgica no ABC. Além das unidades no País a companhia possui outras duas plantas, no México e em Portugal.
Em nota a Tupy não justificou sua decisão mas confirmou a data do encerramento das atividades em Mauá e a proposta de transferência para todos os empregados. Afirmou, ainda, que “sindicato e empresa estão acompanhando e orientando os colaboradores de forma ainda mais próxima, neste momento de transição”.