Crise dos semicondutores está menos grave mas ainda persiste
São Paulo – A falta de semicondutores disponíveis para as empresas produtoras de veículos fez com que a indústria nacional deixasse de produzir, este ano, em torno de 250 mil unidades, segundo Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea. A situação melhorou nos últimos meses, de acordo com ele, mas ainda não está totalmente normalizada.
“Tivemos algum alívio com relação ao ano passado, quando a crise nos tirou em torno de 350 mil unidades da produção. Mas segue sendo um problema para o setor e deverá prosseguir ao longo de 2023, com resolução somente, talvez, em 2024. Porque a cada fábrica nova de semicondutores que abre mais demanda vem da indústria automotiva, pois os carros estão saindo cada vez com mais chips.”
Saíram das linhas de montagem 2 milhões 178 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus de janeiro a novembro, crescimento de 6,9% com relação aos primeiros onze meses de 2021: “Nesta primeira semana de dezembro a produção de veículos acumulada superará todo o volume do ano passado”.
Em novembro foram produzidos 215,8 mil veículos, segundo melhor resultado do ano depois de agosto, quando a produção somou 219 mil unidades. O volume superou em 4,7% o resultado de outubro e em 4,9% o de novembro do ano passado: “Vale destacar que em novembro tivemos dois feriados e o início da Copa do Mundo, com impacto na produção”.
Por causa da competição de futebol e outros fatores, como o fato de dezembro do ano passado não ter tido férias coletivas nas montadoras – elas ocorreram nos meses anteriores, como forma de contornar o começo da crise dos chips –, Lima Leite não está tão confiante com o volume que sairá das linhas em dezembro:
“A Copa do Mundo e as férias coletivas são alguns desafios que a indústria terá em dezembro. Acredito em um volume de produção bom, mas inferior ao do último mês do ano passado”. Em dezembro do ano passado foram produzidos 210,9 mil veículos.
Os empregos seguem estáveis: 104,5 mil trabalhadores diretos nas fabricantes de veículos, saldo de 3,4 mil postos de trabalho gerados desde o começo do ano. Em novembro foram feitas cerca de duzentas contratações.