Indaiatuba, SP – Crédito presumido de IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, para todos. É o que propôs Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais e governamentais da Great Wall Motors, a Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com quem se reuniu nos últimos dias.
O mecanismo criado no início do século para compensar os custos logísticos que a Ford teria ao produzir na Bahia, que ficou conhecido como Regime do Nordeste – e que hoje abrange também fabricantes de veículos instaladas no Centro-Oeste –, foi sugerido como alternativa para quem investir em produção de veículos com tecnologias que colaborem com a descarbonização. E aí Bastos cita também soluções com o etanol.
“Claro que não seria como o Regime do Nordeste é hoje, pois seus termos não são mais como os originais, mais coisas foram incorporadas. Mas a ideia é mais ou menos essa: crédito presumido do IPI para o pagamento da PIS/Cofins para quem investir em tecnologias de descarbonização. E aí cabe ao governo, com seu corpo técnico, calibrar este valor.”
Segundo Bastos somente em 2021 cerca de R$ 5 bilhões foram desonerados para fabricantes do Nordeste e do Centro-Oeste. Ele sugere que este valor seja melhor dividido e passe a ser concedido pelo governo para que a indústria avance no sentido da descarbonização.
A proposta foi passada ao governo, mas Bastos não entrou em pormenores. Disse, apenas, que a conversa não foi no âmbito da indústria – a GWM não é associada da Anfavea – mas que acredita haver apoio de outras empresas. Sua expectativa é que, junto com a segunda fase do Rota 2030, o governo apresente propostas de incentivos às novas tecnologias.
O executivo reiterou, também, a necessidade da manutenção do imposto de importação zero para veículos eletrificados ao menos até que as definições a respeito da produção local sejam alinhadas.