São Paulo – Em março as vendas de caminhões acusaram o peso da motorização Euro 6, adotada com sensível aumento de preços para atender à nova fase o programa brasileiro de redução de emissões de veículos pesados, o Proconve P8, em vigor desde o início deste ano. Com o fim dos estoques de modelos Euro 5, produzidos só até dezembro de 2022 e que podiam ser vendidos até o fim do mês passado, os emplacamentos embicaram, como já era esperado.
Segundo números divulgados na terça-feira, 4, pela associação que reúne os concessionários, a Fenabrave, o segmento de veículos de carga foi o único do mercado nacional de veículos a indicar queda nos emplacamentos do mês.
Foram vendidos apenas 9,4 mil caminhões nos 23 dias úteis de março, o que representou alta de 19,7% sobre o fraco fevereiro passado que teve somente 18 dias úteis, mas em comparação com o mesmo mês de 2022 houve retração de 7,3%.
No primeiro trimestre os emplacamentos somados de 27,4 mil caminhões indicam tímida expansão de 2,6% sobre o mesmo período de 2022: é o menor porcentual de crescimento registrado dentre todos os segmentos automotivos do mercado nacional.
Segundo Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, não é possível estabelecer neste momento um número exato, mas ele afirma que “a maioria das vendas de caminhões no primeiro trimestre foram de modelos Euro 5”, produzidos até o fim de dezembro passado. Por isto em março, quando estes estoques começaram a rarear, o mercado caiu puxado pelos preços mais altos dos veículos Euro 6.
Impacto menor
Mas Franciulli avalia que não foi só a motorização Euro 6 que derrubou as vendas: a economia em retração também não ajuda. “Sabemos que o mercado de caminhões é movido pelo PIB. Sem crescimento econômico ninguém investe em veículos novos, muito menos se eles estiverem mais caros”.
Apesar do solavanco inicial a Fenabrave mantém a projeção de vendas de caminhões para 2023, que é de empate com 2022, somando 124,6 mil unidades vendidas. Se este cenário for confirmado o Euro 6 terá impacto bem menor nas vendas deste ano do que ocorreu em 2012, quando a legislação fez os veículos de carga adotarem os motores Euro 5, provocando recorde histórico de vendas de modelos Euro 3 em 2011, com 173 mil emplacamentos, sucedido por tombo de quase 20% no ano seguinte.
A diferença é que, desta vez, os fabricantes não conseguiram produzir tantos caminhões Euro 5 para atender toda a demanda, porque não tinham componentes eletrônicos suficientes. Assim os estoques de veículos produzidos até o fim de 2022 foi menor, limitando a pré-compra para fugir dos preços mais altos do Euro 6.
Ônibus ainda aquecidos
Já as vendas e ônibus, que também adotam motores Euro 6 desde o início deste ano, ainda não sentiram tanto impacto, pois os estoques de modelos Euro 5 eram maiores em relação à demanda e o processo de emplacamento de é mais longo, pois o chassi precisa ser encarroçado antes de o veículo receber as placas, o que pode demorar um par de meses.
Pior causa desta característica as vendas de ônibus ainda apontam para cima: em março foram emplacadas 2,9 mil unidades, em crescimento de 28,4% sobre fevereiro e de expressivos 68,6% na comparação com o mesmo mês de 2022.
No primeiro trimestre foram emplacados 7,4 mil ônibus, o que representa expansão de 74,4% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.
Franciulli pondera que quase todos os emplacamentos, até aqui, foram de modelos Euro 5 e ainda há mais deles em processo de encarroçamento. Por isto os porcentuais de crescimento do segmento ainda seguem altos, mas sobre base de comparação bastante baixa, o que distorce o resultado.
Da mesma forma a Fenabrave manteve sua projeção de vendas de ônibus este ano, que aponta para quase 23 mil unidades, o que representa crescimento de 5% sobre 2022.