Presidente mudou a agenda e decidiu participar do encerramento do evento na Fiesp
São Paulo – Antes confirmado para discursar na abertura da cerimônia que celebrará o Dia da Indústria, na quinta-feira, 25, na sede da Fiesp, Federação da Indústria do Estado de São Paulo, na Capital paulista, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou sua agenda e decidiu participar do encerramento do evento, no fim da tarde. Para a parte da manhã convocou uma reunião com lideranças da indústria automotiva, com a intenção de alinhar possíveis medidas que possam ajudar a alavancar o desempenho do setor, que, embora tenha crescido 5% no primeiro quadrimestre, sobre uma base baixa de igual período do ano passado, acendeu o sinal amarelo por causa das dificuldades de financiamento e do esfriamento do mercado, hoje impulsionado pelas vendas diretas, com destaque para a demanda das locadoras.
A expectativa é que finalmente saia anúncio a respeito do ex-carro popular, agora chamado carro verde de entrada, mas há ainda arestas a serem aparadas. Antes de se reunir com o presidente Lula e Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, na quarta-feira, 24, Fernando Haddad, ministro da Fazenda, afirmou à imprensa que as medidas podem até ser anunciadas, mas só poderiam ser processadas em 2024 em virtude das regras fiscais. Mas garantiu que “várias possibilidades” estão em estudo.
A agenda oficial do presidente confirma que Lula e os dois ministros participarão do evento, que conta ainda com a presença de Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e a do anfitrião, Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp.
O presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, deverá participar da reunião com Lula pela manhã em Brasília, DF, e depois viajará a São Paulo para estar presente no evento da Fiesp. A reunião com os executivos da indústria automotiva e de outras entidades, como Fenabrave, e representantes sindicais também consta na agenda oficial do presidente da República, que diz: “Na reunião, Lula e Alckmin anunciarão medidas de curto prazo para ampliar o acesso da população a carros novos e alavancar a cadeia produtiva ligada ao setor automotivo brasileiro”.
Reunião de Haddad com Filosa
Antes de conversar com Lula e Alckmin, Haddad se reuniu com Antonio Filosa, presidente da Stellantis América do Sul. A proposta do arcabouço fiscal, capitaneada pelo ministro, fora aprovada pela Câmara dos Deputados horas antes, uma vitória para a equipe econômica. Filosa afirmou que a aprovação é uma sinalização positiva.
“A reunião foi ótima. Encontramos muita abertura junto ao ministro para falar sobre a indústria automobilística e a indústria em geral”, disse Filosa. “Há forte intenção de apoiar a reindustrialização do país, para acelerar o desenvolvimento do pais. Há planos e estratégias de desenvolvimento para todas as regiões do Brasil, como é necessário em um país continental como o nosso”.
O presidente da Stellantis disse que o carro verde acessível não esteve em pauta na reunião, embora ele considere a possibilidade positiva. “Mas esta é uma receita complexa. No mundo todo, a inflação da indústria automobilística foi uma das maiores entre todos os setores produtivos. Por exemplo: o aço sofreu aumentos de preços de 30 a 45% ano sobre ano. Além disto, estamos em um momento macroeconômico global em que os juros estão elevados para conter a inflação”.
Filosa propôs que uma eventual medida neste sentido privilegie a produção nacional: “Este deve ser um programa que facilite o acesso ao veículo, mas a demanda deve ser atendida com veículos produzidos no Brasil, com fornecedores nacionais, garantindo e gerando empregos na produção e no desenvolvimento dos veículos. Seria muito negativo se a demanda fosse atendida por importação de veículos ou de componentes”.