Em destaque

Vendas de agosto retornam aos níveis de maio e Fenabrave prepara estudo para entregar ao governo

Sem incentivo Andreta Jr. diz que aprovação de retomada do bem e Renave a usados pode ajudar

São Paulo – Passado julho, em que as vendas de veículos leves dispararam e as médias diárias giraram em torno de 10 mil a 11 mil unidades emplacadas puxadas pelo programa do governo que ofereceu descontos de R$ 2 mil a R$ 8 mil para estimular a aquisição de carros 0 KM, em agosto os volumes estão retornando ao patamar dos meses anteriores. Em dezesseis dias úteis deste mês foram emplacadas 7,7 mil unidades por dia, média similar a maio, que contou com média de 8 mil veículos diários, segundo dados divulgados pela Fenabrave na quarta-feira, 23.

Embora o vice-presidente da República e ministro do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, tenha ressaltado o volume de vendas do programa em vídeo gravado durante visita ao 31º Congresso & Expo Fenabrave, no São Paulo Expo, antes da abertura oficial, nenhuma outra medida para o setor foi anunciada.

Alckmin colocou-se à disposição para ouvir propostas futuras para esse setor mas, no dia anterior, em que disse que o governo quer prorrogar o prazo do programa para pesados, que consumiram apenas R$ 270 milhões de R$ 1 bilhão, até que os recursos se esgotem, ele descartou, por ora, outra remessa de incentivos sob a forma de desconto.

José Maurício Andreta Jr., presidente da Fenabrave, mais uma vez disse que a entidade está trabalhando em plano para apresentar ao governo a fim de estimular novamente o comércio de 0 KM. Ele, no entanto, não pormenorizou que propostas estariam endereçando à União e nem o prazo. Afirmou apenas que será “em breve”, sem estimar se poderá ocorrer ainda este ano: “O que está claro é que precisamos de escala, o que facilitará a aprovação de crédito e a redução de juros”.

Andreta Jr. apontou que a extensão de medidas que facilitem a venda de usados terá reflexo no comércio de novos, o que pode ocorrer, por exemplo, se o Renave, Registro Nacional de Veículos em Estoque, passe a ser aplicado também aos usados, o que trará maior segurança às transações e aos bancos que, de acordo com ele, estão tomando muito calote nas operações de compra e venda.

Outro ponto mencionado pelo dirigente é a aprovação pelo Congresso de lei que permite a retomada do veículo, em até noventa dias, diante da falta de pagamento, o que, segundo ele, dará mais segurança às instituições financeiras: “Se o risco do empréstimo diminuir será possível diminuir os juros cobrados e ampliar a oferta de crédito”.

Andreta Jr. lembrou, ainda, que é possível pensar em saída que mantenha ou até eleve a arrecadação do governo com a redução de impostos de qualquer uma das três esferas: “Se diminuir a alíquota é possível ganhar escala”.

Disse que, em paralelo, aguarda pela aprovação da reforma tributária, que pode solucionar diversas dores do setor. Para ele também é fundamental que haja redução do preço de carros de entrada para reaquecer vendas.

Durante a abertura do congresso o dirigente cobrou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a respeito do que ele poderia fazer pelo setor: “Precisamos de previsibilidade. De um plano de longo prazo. De escala em todos os setores automotivos para tratar de reduzir tributos sem a perda de arrecadação”.

Ele fez analogia do setor como um paciente na UTI e que, com o programa do governo, obteve melhora, mas que ainda requer cuidados para a plena recuperação.

“E buscamos, também, isonomia de impostos, pois as concessionárias recolhem mais do que outros setores. Isso não está certo e precisa ser reparado.”

Queda da Selic pouco impactou financiamentos até o momento

Tereza Fernandes, economista da consultoria MB Associados, que elabora cenários econômicos para a Fenabrave, avaliou que a baixa da taxa Selic, no início do mês, de 13,75% ao ano para 13,25% ao ano por enquanto ainda não refletiu na ponta, nos custos dos financiamentos.

Ela justificou que, a despeito da pequena redução, de 0,5 ponto porcentual, contou contra nesse cenário o fato de o preço da gasolina ter aumentado: “Acredito que demorará dois ou três meses para que os financiamentos sintam o impacto da queda da Selic. O que poderá ser refletido, também, na ampliação do prazo”.  

vwco

Notícias relacionadas

vwco
vwco

Receba as principais notícias do setor automotivo diretamente no seu WhatsApp.

Receba diariamente as principais notícias do setor automotivo, análises de mercado e tendências da indústria no seu e-mail corporativo.

vwco