São Paulo – Embora ainda não consiga medir todo impacto que será causado pelas enchentes no Rio Grande do Sul, Cláudio Brizon, diretor de compras da CNH América Latina, já sabe que terá falta de peças de cerca de cinquenta fornecedores instalados no Estado, todos com problemas em maior ou menor grau: “Eles não conseguem produzir porque houve alagamentos nas instalações, funcionários não conseguem ir ao trabalho e há dificuldades para receber insumos e para escoar a produção”.
Brizon afirmou que todos os problemas causados pelas enchentes não devem ser resolvidos antes de trinta dias, no mínimo, e que por isto recorrerá às importações para evitar interrupções na produção de máquinas agrícolas e de construção Case e New Holland do grupo na região, que tem quatro fábricas no Brasil e uma na Argentina.
“Ainda não houve paralisações por falta de peças mas se continuar assim teremos. Então, para evitar isto, estamos em contato com alguns fornecedores no Exterior para amenizar o problema. Aprendemos muito com a pandemia e hoje somos bem mais flexíveis e rápidos para contornar este tipo de situação. Os processos de compras estão digitalizados e podemos acessar os fornecedores muito rapidamente.”
Mas Brizon sublinhou que as importações são temporárias: “Não queremos abandonar nenhum dos fornecedores no Rio Grande do Sul, inclusive vamos ajudá-los no que pudermos. Só vamos importar o necessário para não parar a nossa produção”.
Ajuda aos fornecedores
Segundo o executivo é bem variada a lista de componentes que vêm de fornecedores do Sul, de parafusos a fixadores passando por mangueiras de borracha e conjuntos fundidos e soldados: “Nós estamos antecipando pagamentos para que todos possam se recuperar, porque eles ficaram sem faturamento de uma hora para outra, pararam de fornecer não só para nós mas também para todos os nossos concorrentes”.
O diretor de compras reconheceu que os efeitos da catástrofe no Sul ainda não estão completamente contabilizados e prevê impacto nos resultados de todas as empresas do setor. Ele lembra que quase todas as vendas de máquinas agrícolas são financiadas e que boa parte dos agricultores gaúchos ficarão sem safra para pagar estes empréstimos e também não poderão contrair outros para renovar suas frotas.