Fabricante de máquinas agrícolas e de construção inclui empresas brasileiras em sua cadeia global de suprimentos estratégicos
São Paulo – O orçamento de compras caiu mas a relação com os fornecedores locais segue subindo em qualidade e em nacionalização ano a ano. Assim pode ser definido o atual momento da CNH, fabricante de máquinas agrícolas e de construção com quatro fábricas no Brasil, uma na Argentina e cerca de quinhentas empresas da cadeia de suprimentos no País, que juntas fornecem 70% do valor dos produtos.
Este ano Cláudio Brizon, diretor de compras da CNH América Latina, estima que o orçamento destinado à cadeia de suprimentos deverá ficar em US$ 1,4 bilhão, sendo US$ 600 milhões, perto de 40%, para importações de componentes e sistemas. O valor está 17% abaixo dos US$ 1,7 bilhão de 2023, por razões conhecidas: “Nossas vendas de máquinas agrícolas tiveram quedas importantes e as de máquinas de construção um pouco menos porque exportamos mais”.
Mas um problema adicional entrou no horizonte: as enchentes no Rio Grande do Sul, onde estão localizados perto de cinquenta fornecedores, todos com problemas para produzir, e muitos clientes do segmento agrícola que certamente terão quebras de safras e dificuldades para pagar os financiamentos ou tomar novos para renovar seu maquinário: “É uma situação muito complicada e ainda não conseguimos estimar todo o impacto que teremos”.
Mesmo antes das enchentes no Sul já eram esperadas quedas nas safras brasileiras deste ano, mas a tonelagem das colheitas segue em patamar elevado e o executivo prevê que a Argentina e o Chile possam compensar parte das perdas: “Temos fábricas flexíveis que nos ajudam a equilibrar essas variações de produção”.
Apesar dos problemas a CNH segue acelerando seu plano de nacionalização de componentes. Hoje o índice médio de conteúdo local das máquinas produzidas pela empresa no Brasil gira em torno de 60% a 62%, porcentual que Brizon espera elevar gradualmente: “Nos últimos dois anos localizamos perto de US$ 5 milhões em compras de itens que antes eram importados. Pretendemos localizar mais e não é só para ficar mais barato mas para evitar desabastecimentos que nos obriguem a gastar mais com transporte de componentes por avião, por exemplo”.
Cláudio Brizon durante o Suppliers Excellence Awards 2024: busca por mais fornecedores locais com qualidade e competitividade internacionais.
Brizon afirma estar contente com os crescentes níveis de produtividade e qualidade de sua cadeia de fornecedores, mas pede mais: “Não há mais espaço para problemas de qualidade que provocam problemas para nossos clientes, que também são dos fornecedores, pois 70% do valor das máquinas que produzimos são de itens que compramos da cadeia. É preciso que nossos fornecedores continuem investindo em automação, equipamentos modernos e processos mais robustos, que aumentam qualidade e produtividade para reduzir custos e aumentar nossa competitividade”.
Internacionalização
Outro estímulo dado aos fornecedores nacionais é a possibilidade de eles se tornarem internacionais, por meio do SSP, Strategic Sourcing Program. Traduzindo: trata-se do programa de compras do Grupo CNH, que habilita os melhores e mais estratégicos fornecedores da empresa em todo o mundo para contratos globais de longo prazo com prazos e obrigações mútuas.
“Estes fornecedores têm preferência em todos os nossos novos projetos”, contou o brasileiro Álvaro Pacini, vice-presidente global de compras da CNH que veio ao Brasil para visitar fábricas e fornecedores e participou da cerimônia de premiação Suppliers Excellence Awards 2024, que reconheceu o desempenho das empresas parceiras em 2023.
Segundo Pacini a primeira onda do SSP foi iniciada há dois anos e já selecionou 1 mil empresas em todo o mundo, sendo que trezentas já estavam na base de fornecedores do grupo e outras setecentas são novas. Cerca de cinquenta fabricantes de componentes que participam do SSP estão no Brasil.
“Nos últimos dois anos e meio tivemos inflação de custos equivalente a US$ 1,2 bilhão. Nesta primeira onda do SSP já identificamos oportunidades de melhorar qualidade e competitividade da cadeia.”
Na mão contrária o executivo afirma que a intenção é estreitar laços com os fornecedores dando mais voz a eles nos processos da empresa. Para isto foi criado o programa VOS, Voice of Suppliers: “Medimos de forma constante o grau de satisfação deles conosco porque queremos ser o seu cliente preferencial”.