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Fenabrave estima ano recorde para o setor de duas rodas

Vendas deverão superar pela primeira vez as 2 milhões de unidades, com avanço de 10%

São Paulo – Caso seja concretizada a estimativa da Fenabrave para o segmento de motocicletas, divulgada na quarta-feira, 8, 2025 deverá ser ano recorde em vendas, com a indústria superando pela primeira vez a faixa das 2 milhões de unidades. A entidade acredita em alta de 10% nas vendas dos veículos de duas rodas, o dobro da projeção para automóveis e comerciais leves.

No ano passado foram licenciadas 1 milhão 876 mil motocicletas, crescimento de 18,6% sobre o resultado de 2023. Foi o seu terceiro melhor ano em vendas, superado apenas por 2011 e 2009. E poderia ter vendido mais, segundo o diretor executivo da Fenabrave, Marcelo Franciulli:

“Faltou motocicleta no fim do ano por causa da redução no ritmo das linhas de Manaus [AM], que teve sua logística prejudicada pela seca. Desde a pandemia o setor vem registrando bons resultados, puxado pelo uso da motocicleta como ferramenta de trabalho e como alternativa para o segundo veículo das famílias”.

Com a chegada de novos competidores, disse Franciulli, a tendência é que a demanda cresça, embora em ritmo menos acelerado: a alta dos juros traz o encarecimento que limitará o acesso ao crédito e que, de certa forma, preocupa. Enquanto sete a cada dez fichas de compradores de automóveis são aprovadas no segmento de duas rodas as aprovações são quatro para cada dez.

Mesmo assim existe demanda e alternativas – o consórcio é forte modalidade para as motocicletas, representando em torno de um terço das vendas, segundo afirmou Marcos Antônio Bento, presidente da Abraciclo, que representa a indústria de motocicletas, no Congresso AutoData Tendências e Perspectivas 2025, em novembro. Os outros dois terços são as vendas à vista e as financiadas.

O consultor Milad Kalume Neto afirmou que, embora existam as restrições para se obter a aprovação do financiamento para compra de motocicletas, o processo é menos complicado do que para um automóvel: “O valor do bem é muito menor. Enquanto um carro de entrada está na faixa dos R$ 70 mil encontramos motocicletas por R$ 10 mil. O valor financiado, caso seja dado um usado de entrada, chega a ser sete vezes menor”.

Para o consultor a projeção de 10% de crescimento nas vendas de motocicletas divulgada pela Fenabrave faz sentido: “A motocicleta faz uma dupla função: pode ser usada para o trabalho, no caso dos delivery, e como meio de mobilidade individual, substituindo o transporte público. Além de ser alternativa para o segundo veículo de algumas famílias, são muitos os que compram um modelo para usar durante a semana e deixam o carro na garagem”.

Kalume Neto destacou, também, o crescimento de locação de motocicletas: “A Abla já relatou que vem crescendo bastante e estão surgindo empresas especializadas. É uma alternativa para aqueles que não conseguem o crédito”.

A Abraciclo divulgará suas projeções para o setor, produção e vendas, na semana que vem. Para a Fenabrave o recorde será batido, com 2 milhões 63 mil motocicletas emplacadas em 2025.

castertech

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