Linha de Montagem AutoData entrevistou o vice-presidente de vendas e marketing da Volkswagen Caminhões e Ônibus, José Ricardo Alouche
São Paulo – O mercado brasileiro de caminhões começou o ano ainda pressionado por juros elevados e pela cautela dos transportadores, mas março poderá marcar o início de uma recuperação do ritmo de vendas. A avaliação é de José Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas e marketing para a América do Sul da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em entrevista ao Linha de Montagem AutoData.
Segundo ele a combinação do custo elevado do financiamento com a incerteza de receita, detectada especialmente em transportadores ligados ao agronegócio, levou muitas empresas a adiar a renovação de frota ao longo do ano passado: “Nesse ambiente a decisão de compra passou a ser cada vez mais orientada pelo custo total de operação do veículo”.
Alouche observou que o programa Move Brasil, lançado recentemente pelo governo com taxas próximas de 1,05% ao mês, está realmente ajudando a reativar negociações de caminhões no Brasil. Parte das vendas, no entanto, acabou sendo postergada nos primeiros dois meses deste ano por questões operacionais relacionadas principalmente ao estabelecimento da linha de crédito.
Na avaliação do executivo isso ajuda a entender o desempenho mais fraco dos emplacamentos registrado em janeiro e fevereiro, que teria refletido principalmente adiamentos de negócios e não cancelamentos de pedidos. Com isto a expectativa é de recuperação já nos próximos meses.
“Minha impressão é que veremos uma reação mais forte do mercado e dos emplacamentos, provavelmente já a partir de março, com volumes que poderão até superar as 10 mil unidades mensais, patamar que marcou a média de vendas de caminhões ao longo de praticamente todo o ano passado.”
Apesar do efeito positivo Alouche lembrou que o Move Brasil é um instrumento temporário e com recursos limitados. Para ele o setor requer uma solução permanente de financiamento, nos moldes históricos do Finame, que seja capaz de sustentar a renovação de frota e dar maior previsibilidade ao mercado.
Na avaliação de Ricardo Alouche o mercado de caminhões tem potencial para crescer em 2026 com relação ao desempenho de 2025 desde que o ambiente de crédito melhore e as medidas de estímulo tenham continuidade.