Em meio à invasão de pneus importados no mercado brasileiro a fabricante optou por interromper a produção da linha agrícola em Santo André
São Pedro, SP – Desde meados do ano passado a área de produção de pneus agrícolas da fábrica da Bridgestone em Santo André, SP, está parada. Embora tenha investido US$ 26 milhões para atualização do maquinário a companhia optou por transferir os cerca de 150 funcionários para a área de pneus de veículos comerciais pesados que, graças a um acordo de exportação para os Estados Unidos, está com demanda.
Os distribuidores e clientes não estão desabastecidos: mesmo depois de quase um ano sem produzir ainda existem pneus em estoque, segundo o presidente Lafaiete Oliveira: “Optamos por parar as linhas porque ficou muito difícil competir no mercado de pneus agrícolas com produtos que entram com preços muitas vezes abaixo do nosso custo de matéria-prima”.
“A linha está ali. Mantivemos os trabalhadores, que fazem um produto muito específico e tecnológico, estão treinados, e os direcionamos para outras linhas. Se for novamente viável podemos rapidamente voltar a produzir. Todos os cenários ainda estão na mesa, mas por enquanto ainda temos estoque.”
Oliveira reforçou o pedido da Anip ao governo: quer condições iguais de competição a todos. Citou alguns exemplos de distorções competitivas: embora produza pneus no Estado de São Paulo a Bridgestone não recebe incentivos fiscais. Importadores, no entanto, conseguem benefícios para desembarcar seus produtos em portos do Espírito Santo e Santa Catarina, afirma.
Outro ponto que reforça é a questão da logística reversa: toda associada da Anip recicla um pneu para cada um produzido. O mesmo não é feito por alguns importadores, acusa: “A fiscalização não é bem feita. Houve anos em que o Reciclanip superou a meta e os importadores não chegam nem perto”.
Pneus não têm a mesma qualidade
Medidas antidumping, explicou Oliveira, não são eficazes: os pneus vêm de diversas origens, “China, Vietnã, Camboja, Indonésia. Quando aplicamos a um país, começa a vir de outro”.
O presidente da Bridgestone Brasil garante que, com equidade de mercado, seu produto se sobressai: “O produtor rural sabe que o nosso pneu, por exemplo, reduz a compactação do solo, o que ajuda na produtividade agrícola. Não existe preocupação quanto às nossas questões técnicas, mas o importador precisa seguir as regras do fabricante nacional”.
Ele advertiu, também, que nem todos os importadores estão no mesmo patamar: “Existem empresas sérias, que cumprem as regras. Com eles podemos competir”.
Oliveira disse que a questão está com o governo, que está sabendo da situação. E manteve o otimismo: “A Bridgestone é competitiva nos 150 países em que está presente. E seguirá sendo competitiva em todos eles”.
Estados Unidos
No ano passado, em meio às turbulências do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um contrato da Bridgestone entrou em xeque. A situação foi contornada, garantiu o presidente: “Ajustamos um pouco as condições mas o contrato se mantém, continuamos fornecendo para lá. Os governos se entenderam, a tarifa baixou e está em um patamar que nos mantém em competitividade”.
Lançamentos
Os investimentos seguem, destacou o presidente. Começam a frequentar a rede de distribuição mais pneus com a tecnologia Enliten, que chegou ao Brasil com os investimentos de R$ 1 bilhão que a Bridgestone fez em cada uma de suas fábricas, Santo André, para pneus de carga, e Camaçari, BA, para a linha de passeio.
Produzidos no Brasil chegam às lojas o Turanza 6 e o Duelet A/T Ascent, para veículos de passeio com aros acima de 17 polegadas, e o R289, para pneus de carga.