Presidente Arcélio Júnior acredita em nova rodada do programa com oferta semelhante de recursos
São Paulo – Diante do esgotamento dos R$ 10 bilhões de recursos direcionados pelo governo federal ao programa Move Brasil, que buscou fomentar a venda de caminhões a juros subsidiados, o presidente da Fenabrave, Arcélio Júnior, afirmou que fez um pleito para a renovação da iniciativa e sua ampliação para ônibus e implementos rodoviários.
A entidade acredita que equipe do MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços, vá se debruçar para encontrar soluções em busca de tornar o programa perene, embora não aposte que isso seja para já, mesmo com a urgência de iniciativa. A aposta está em mais uma rodada de liberação de recursos que alcancem metade do valor da primeira, de R$ 10 bilhões, ou empatem com ela.
O Move Brasil amenizou a intensidade da queda nas vendas deste ano, que já chegou a 28%, mas não foi suficiente para estancá-la. Foram emplacados 21,7 mil caminhões de janeiro a março, 19,3% abaixo do mesmo período em 2025, quando as vendas somaram 27 mil unidades.
Marcelo Franciulli, diretor executivo da Fenabrave, afirmou que “melhorou um pouco”, apesar do crédito, que segue caro, e mesmo com a expectativa pela liberação de novos recursos, “que faz com que o empresário do setor de transporte breque o apetite pela renovação de sua frota”.
No mês passado foram comercializados 8,7 mil caminhões, 3,6% abaixo de março de 2025, que registrou 9,1 mil unidades, mas 32,6% acima de fevereiro, quando as vendas haviam alcançado 6,6 mil unidades.
“Os recursos se esgotaram mas promoveram certa recuperação no setor. E ainda há veículos que não foram emplacados e, portanto, não estão nos números do trimestre. E como o programa permitia a compra de caminhões usados a partir de 2012, uma parte da verba não refletiu no setor de 0 KM.”
A importância do programa cresce em tempos de incertezas, em que a guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã tende a elevar os preços dos combustíveis, apesar da ação do governo, o que pode pressionar a inflação. Na avaliação da economista Tereza Fernandez, da TF Consultoria, o cenário tende a refletir em uma queda menos acentuada da taxa básica de juros, hoje em 14,75% ao ano, para 13% ao ano.
“As projeções estão sub judice. São muitas as variáveis e, a depender dos juros, algumas delas, como crédito e inadimplência, serão prejudicadas”, disse Fernandez, para quem, neste momento, fica difícil realizar qualquer projeção. Tanto é que a Fenabrave só revisará suas projeções em julho, na expectativa de que haja mais clareza da situação.