São Paulo – Antes que a bolha, que começou a inflar no fim da pandemia, estourasse o governo chinês resolveu interceder no livre comércio local e baixou uma série de medidas que visam a acabar com a guerra de preços que vinha sendo praticada no maior mercado do mundo. No ano passado as vendas de veículos superaram 34 milhões de unidades na China, o equivalente a mais de um carro vendido por segundo.
Está proibida a venda a custo abaixo da produção. Pode parecer contraproducente, mas vinha ocorrendo na China e prejudicando, especialmente, montadoras menores, que têm menos fôlego financeiro. Segundo relatam agências de notícias internacionais algumas estavam pedindo trezentos dias para pagar seus fornecedores e outras, como a Neta Auto, que chegou a ensaiar uma entrada no mercado brasileiro, simplesmente não pagaram.
Neste custo de produção, que será relatado às autoridades chinesas, não entra apenas o material e a mão-de-obra, mas toda a estrutura administrativa e de vendas. Será preciso provar quando efetivamente custa cada carro.
As promoções também devem, a partir da publicação das normas na sexta-feira, 13, ser mais transparentes. As concessionárias estão proibidas de ofertar carros a preços abaixo do mercado – o setor é um dos que enfrenta prejuízo, segundo as agências de notícias.
Relatório da consultoria GlobalData estima que metade das concessionárias opera no vermelho. O setor perdeu também a confiança dos consumidores ao passar a abusar de práticas prejudiciais, como etiquetas de preços enganosas, taxas ocultas e carros que não são 0 KM vendidos como novos.
Diz a consultoria que grandes montadoras, como BYD, Xpeng, GWM, Chery e BAIC, dentre outras, foram a público apoiar as medidas e se comprometer com elas. Em janeiro as vendas caíram 16% na China, para 1,7 milhão de unidades, ao passo em que as exportações subiram 45%, para 681 mil unidades.