São Paulo – O conflito dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã reduziu o abastecimento do gás hélio e começa a preocupar os fabricantes de semicondutores, que têm no insumo importante componente de sua produção. Segundo reportagem do portal Automotive News os estoques ainda estão elevados, duram cerca de seis meses, mas a guerra já tem dois meses e não está perto de alguma solução, apesar das declarações dos governantes.
Vêm do Catar 30% do fornecimento global de hélio do mundo e uma de suas usinas foi atingida por mísseis iranianos em março, ocasionando danos significativos. A paralisação na produção, segundo a empresa estatal catari, reduzirá em 14% as exportações do gás.
Os Estados Unidos são os maiores produtores de hélio, mas nem toda a produção serve para a indústria de semicondutores. A ExxonMobil, em Wyoming, produz o gás em grau semicondutor mas sua capacidade é limitada pela infraestrutura de contêineres e logística.
Isto porque em geral o hélio não é estocado: ele é transportado em forma liquida e depois vaporizado para ser usado como gás. Mesmo os melhores recipientes podem perder hélio acidentalmente por meio da evaporação, pois ele possui o ponto de ebulição mais baixo da Terra. Utilizando uma tecnologia de isolamento típica um tanque cheio de hélio líquido se esvazia após seis meses em um armazém. Ainda assim as empresas têm um volume considerável de hélio circulando por gasodutos.
Semicondutores para a indústria automotiva
Os chips que abastecem sistemas de infoentretenimento, Adas e veículos elétricos dependem do hélio no processo de eliminação de potenciais contaminantes e para pemitir a impressão fina e pormenorizada na pastilha de silício. O gás é usado também para resfriar a parte de trás do wafer.
“O hélio é um gás inerte, o que significa que não reage a nada, e isso é absolutamente crucial para evitar contaminações durante o processo de fabricação de semicondutores”, disse à Automotive News Stephan Keese, sócio sênior da Roland Berger América do Norte. “Assim que as fábricas começarem a ficar com pouco hélio terão que reduzir a produção.”