São Paulo – Caso o conflito no Oriente Médio, decorrentes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, se estenda por mais de dois meses a indústria automotiva europeia poderá enfrentar escassez crítica de semicondutores e células de bateria. É o que aponta estudo do Supply Chain Intelligence Institute Austria, sediado em Viena, Áustria, de acordo com informações publicadas no Automotive News Europe.
O documento alerta para “consequências desproporcionalmente severas” caso se prolongue o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima importante pela qual passa boa parte do petróleo e do gás natural liquefeito que abastece o mundo. O autor do estudo e chefe do instituto, Peter Klimek, disse que “se o conflito durar dois meses ou mais a situação se tornará crítica”.
Klimek apontou riscos como choque de preços de energia, transporte e matérias-primas e possíveis faltas de chips e baterias para veículos elétricos. Uma parcela significativa de gases nobres, essenciais para a fabricação de semicondutores, tem origem na região: “Cerca de um terço do hélio necessário para a produção de chips vem do Catar. Tudo dependerá de quão rápido os fabricantes de chips conseguirão garantir fontes alternativas”.
O diretor do instituto acrescentou que qualquer interrupção na produção de chips por falta de insumos-chave poderá desencadear falta de semicondutores em níveis semelhantes aos da pandemia de covid-19: “No caso de falta de chips a indústria automotiva provavelmente seria bem afetada, pois a prioridade seria dada a setores como de aplicações médicas”.