GM une-se aos chineses, mas mantém esperança de produzir elétricos no Brasil

São Paulo – Os dois veículos chineses que serão vendidos no mercado brasileiro com o emblema Chevrolet, Spark e Captiva EV, são, para Santiago Chamorro, perfeitos para serem produzidos em alguma fábrica local da General Motors. “Veja bem, é um SUV B e um SUV C, dois segmentos bem aquecidos do mercado”, disse o presidente da General Motors América do Sul a jornalistas, após uma cerimônia em que a marca apresentou cinco lançamentos – os dois chineses e os novos Onix e Onix Plus, que saem de Gravataí, RS, e o SUV Tracker, montado em São Caetano do Sul, SP.

O que não bate é a equação para a fabricação local: “Os chineses possuem custo muito inferior ao nosso e mesmo com os 25% de imposto de importação [atualmente aplicados para veículos elétricos importados] compensa trazer de lá”.

Chamorro disse que a competitividade chinesa é justificada por dois fatores: o primeiro é a larga escala de produção. “As fábricas de lá podem produzir 45 milhões de veículos. As nossas, 4 milhões. Eles produzem 1 bilhão de toneladas de aço por ano, em boa parte com minério de ferro exportado do Brasil. As siderúrgicas locais produzem pouco mais de 30 milhões de toneladas”.

O outro fator, segundo ele, são os subsídios que as fabricantes chinesas têm e que, no Brasil, é justamente o oposto, com uma pesada carga tributária. O presidente da GM América do Sul disse que a Anfavea prepara um estudo para apresentar estes fatores ao governo e debater, em conjunto, medidas para uma “verdadeira política industrial”.

“Os mais de R$ 130 bilhões em investimentos anunciados recentemente pela indústria estão em risco com os carros chineses chegando tão facilmente ao nosso mercado”.

Então por que a GM importa os carros elétricos da China? A resposta, segundo o executivo, está no ditado “se não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele”. Mas ele deixa claro que a sua vontade é reforçar a industrialização, trazendo veículos tecnológicos como o Spark e a Captiva para as fábricas locais.

“Meu sonho é poder produzir esses veículos aqui. O Brasil possui fonte de energia limpa, é perfeito para o carro elétrico. Mas precisamos resolver a equação”.

Liderança é bem-vinda, mas não o objetivo

Os cinco lançamentos simultâneos, considerados por Chamorro “a maior ofensiva de produtos da história da Chevrolet no Brasil”, chegam em um momento em que a rede de concessionárias ansiava por novidades. As vendas caíram 15% no primeiro semestre, para cerca de 120 mil unidades. A renovação de três dos campeões de vendas, Onix, Onix Plus e Tracker, pode ajudar a reverter os números negativos. Mas esta não é a grande preocupação do presidente:

“Participação de mercado é a estatística da vaidade, não paga a conta no fim. O mercado brasileiro é complicado, é difícil combinar bom resultado comercial com o financeiro”.

Tanto que a Chevrolet equipou seus modelos com tecnologia, oferecendo, de série, itens como faróis full-Led, painel digital integrado ao multimídia formando uma tela de 11 polegadas, wi-fi nativo e chave presencial. O preço do Onix parte de R$ 103 mil, acima de seus concorrentes, como Volkswagen Polo e Hyundai HB20.

“O brasileiro quer carro com tecnologia, segurança e qualidade”, justificou Chamorro. Mas houve a preocupação em adequar o modelo aos requisitos do programa do Carro Sustentável, que será apresentado pelo governo federal na quinta-feira, 10. “Nossa engenharia trabalhou para que o Onix se enquadrasse. Ele perdeu um cavalo de potência, algo que nossos consumidores não sentirão falta”.

Ford mantém o preço do Territory e aumenta o conteúdo

São Paulo – A Ford renovou o visual, acrescentou tecnologia embarcada e segurou o preço do novo Territory, que começa a ser vendido nas concessionárias: R$ 215 mil, o mesmo valor da linha anterior. Apresentado globalmente no Festival Interlagos 2025 o SUV teve sua dianteira redesenhada, com nova grade frontal integrada aos novos faróis, agora com formato de L, e ao novo para-choque dianteiro.

Na traseira, o para-choque também é novo, assim como algumas leves mudanças na tampa do porta-malas:

“O desenho do veículo é um ponto muito importante, segundo as pesquisas que fizemos com nossos clientes”, disse Dennis Rossini, supervisor de marketing da Ford para América do Sul. “Por esta razão apostamos que o Territory renovado seguirá sua trajetória de crescimento no Brasil: desde o lançamento da primeira geração a América do Sul foi a região em que a Ford mais vendeu o modelo, correspondendo por 64% do total vendido no mundo”.

O Territory registrou 2,3 mil emplacamentos no primeiro semestre, alta de 9% na comparação com igual período do ano passado. A expectativa é de que, com o SUV renovado, o porcentual de crescimento seja mantido ou avance mais. 

Segundo Rossini o estoque do modelo anterior que estava na rede já foi todo comercializado e o novo Territory já está à venda nas concessionárias. O plano da Ford é importar mensalmente um lote do SUV, de acordo com a demanda do mercado. O modelo chega calibrado para o mercado brasileiro.

“A nossa engenharia local realizou uma série de mudanças no modelo para adaptá-lo ao mercado nacional, enviou os padrões nacionais para a China, que os aplicou na produção e os exporta para o Brasil.”

A lista de itens ganhou novos equipamentos como novas rodas aro 19, conectividade com aplicativo Fordpass, interior com novo acabamento, bancos com aquecimento e resfriamento e novo encosto de cabeça, iluminação interna em led com 26 cores disponíveis, assistente de permanência em faixa e novo efeito de audio 3D.

Outros itens que já estavam presentes no modelo anterior seguem no atual, como kit multimídia com tela sensível ao toque de 12,3 polegadas, quadro de instrumentos digital de 12,3 polegadas, ar-condicionado digital e automático de zona dupla com saídas para o banco traseiro, teto solar panorâmico.

O motor segue o mesmo Ecoboost 1.5 de 169 cv de potência com câmbio automático de dupla embreagem e sete marchas. De acordo com Ariane Campos, supervisora de engenharia da Ford para América do Sul, o motor já chega calibrado para rodar com a gasolina nacional, que terá 30% de etanol misturado a partir de 1º de agosto.

Mário Paziani é o novo diretor de vendas da Omoda Jaecoo 

São Paulo – Mário Paziani é o novo diretor de vendas e marketing de varejo da Omoda Jaecoo. O executivo terá a missão de acelerar e consolidar os planos comerciais da empresa no País, com a meta de fazer com que o ritmo de vendas alcance volume mensal de 1 mil unidades até dezembro.

A nomeação ocorre em meio à fase de expansão da rede de concessionárias e à chegada de novos produtos ao mercado, e conclui ciclo de construção e planejamento completo de toda a área comercial.

Assim como o responsável pelo desenvolvimento de rede, Felipe Amaral, que tem a meta de chegar a setenta lojas até o fim de 2025, e André Maranhão, que responde por pós-vendas e atendimento ao cliente, Paziani também responde a Peng Hu, diretor geral para o Brasil.

Com mais de vinte anos de experiência no setor automotivo Paziani tem passagem por fabricantes e grupos de concessionárias de marcas premium como Jaguar Land Rover, na qual trabalhou por doze anos e, mais recentemente, liderou a área de vendas.

Graduado em administração pela Universidade Anhembi Morumbi ele tem especialização em finanças e marketing pela Universidade de Newcastle e MBA de executivo em marketing pela FGV.

HC Hornburg investe R$ 3,5 milhões na fábrica de Guaramirim

São Paulo – A HC Hornburg investiu R$ 3,5 milhões para estabelecer fábrica em Guaramirim, SC, distante 9,4 quilômetros da matriz em Jaraguá do Sul, SC. A unidade que acaba de ser inaugurada produzirá carrocerias frigoríficas três quartos para VUCs, dos modelos liso e palleteiro.

A fábrica em Guaramirim recebeu estrutura de produção completa com a aquisição de novas injetoras, laminadoras, mesas de vácuo, aparelhos de solda, ponte rolante, prensas e outros equipamentos.

Com 5 mil m² a unidade tem a capacidade de produzir quarenta carrocerias por mês. O plano, de acordo com a empresa, é reduzir prazos de entrega, tanto que alguns funcionários foram realocados para a nova fábrica.

Investimentos poderão ser revistos caso regras do jogo mudem, diz Anfavea

São Paulo – Fabricantes de veículos poderão rever seus planos de investimentos para o Brasil caso haja alguma mudança nas regras. Quem afirmou foi Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, quando questionado, na segunda-feira, 7, sobre a possibilidade de o governo aplicar descontos no imposto de importação de kits CKD e SKD, atendendo a um pleito da BYD.

Segundo ele os R$ 180 bilhões que a Anfavea calcula estarem sendo investidos pela indústria automotiva no País foram desenhados diante de um cenário de previsibilidade reforçado pelo Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, e qualquer alteração poderia provocar uma revisão.

“Em momento algum foi colocado sobre a mesa que os investimentos eram condicionados a alguma alteração. Eles foram feitos com a previsibilidade do Mover e estão garantidos, não há conversa para revisão. Agora, uma alteração na alíquota do imposto de importação prejudica muito as contas feitas e sinaliza às empresas que o governo aceita investimentos com baixa sofisticação tecnológica. Pode nos levar a revisitar as contas”.

Para Calvet a produção a partir de kits SKD ou CKD não traz sofisticação tecnológica e gera poucos empregos, razão pela qual a entidade não vê sentido em reduzir, ainda que temporariamente, as alíquotas, como pede a BYD.

A montadora chinesa, que está prestes a iniciar sua produção em Camaçari, BA, a partir de kits SKD, alega que seria uma medida provisória enquanto prepara a fábrica para a produção plena, e diz que a montagem destes kits gera empregos e tem custos superiores à importação de um carro completo. Segundo seu vice-presidente sênior, Alexandre Baldy, a cobrança da mesma alíquota no carro completo e no kit SKD ou CKD torna a importação de modelos montados mais vantajosa.

O pedido da BYD está em análise pela Camex, Câmara de Comércio Exterior, e pode ser atendido ou rejeitado nas próximas semanas. Enquanto a montadora está confiante que será atendida, pelos seus argumentos, a Anfavea acredita que o governo negará:

“As forças desindustrializantes não prevalecerão no País. Reduzir a alíquota de CKD e SKD é perpetuar movimento de baixa geração de emprego e de baixa sofisticação tecnológica e é a razão de nós, Anfavea, defendermos a não aceitação de um pleito como este. Precisamos fomentar empregos e industrialização”.

Com relação à afiliação da BYD à Anfavea, respondendo a Baldy, que disse esperar por um convite, Calvet deixou as portas abertas: “A associação à Anfavea se dá quando se inicia a produção no País. Se algum dos novos entrantes quiser se associar que conversem conosco: não há na Anfavea qualquer discriminação por origem de capital de qualquer empresa. A conversa é em duas vias, não há obrigatoriedade de nenhuma das partes em iniciar. Estamos abertos a conversar com qualquer empresa que vier a produzir aqui”.

IPI verde e Carro Sustentável

Calvet disse que ainda espera pela publicação do decreto com as regras do IPI Verde que, com base em quesitos como eficiência energética, reciclabilidade, conteúdo local e preço, decidirá a nova tributação de IPI dos veículos, enquanto não vem a reforma tributária.

“Não temos ideia ainda de quando será publicado. Como é previsto em lei [na lei do Mover] o rito é simplificado por ser um decreto. Estamos conversando com o governo”.

Calvet evitou entrar em pormenores a respeito do plano do Carro Sustentável, que zerará o IPI para alguns modelos, conforme antecipou a Agência AutoData, mas disse também aguardar para breve a sua publicação.

Caminho da Escola sustenta indústria de ônibus no primeiro semestre

São Paulo – O programa do governo federal Caminho da Escola continua sustentando o crescimento da indústria de ônibus no mercado brasileiro. Pedidos estimularam a produção, de janeiro a junho, de 15,7 mil unidades, 7,3% acima das 14,6 mil unidades fabricadas no mesmo período em 2024.

Os dados, divulgados pela Anfavea na segunda-feira, 7, mostram ainda que, assim como visto com os caminhões, as exportações de ônibus dispararam 52,3%, com 3,2 mil unidades ao longo do primeiro semestre, com demanda principalmente da Argentina, o que também ajudou a produção das montadoras.

Em junho saíram das linhas 2,7 mil chassis, 4,9% abaixo dos 2,9 mil de maio, mas 5,2% acima dos 2,6 mil do sexto mês do ano passado. Quanto aos embarques foram enviados a outros países 629 ônibus, 0,2% acima de maio e 23,6% além de junho de 2024.

Vice-presidente da entidade, Gustavo Bonini reforçou ser preciso, nesta análise, considerar o tempo que demora para um ônibus ficar pronto: “O veículo emplacado hoje teve seu chassi produzido cerca de seis meses atrás”.

Sendo assim o crescimento da fabricação é um bom indício: significa que a demanda continua aquecida e que os números refletirão novas vendas até o fim do ano.

De janeiro a junho foram emplacados 11,6 mil ônibus, o que representou alta expressiva de 31,3% em comparação ao mesmo período de 2024. Bonini ressaltou que o volume de veículos entregues por meio da iniciativa pública triplicou no primeiro semestre, ao totalizar 1,8 mil unidades, frente a seiscentas no acumulado do ano passado.

Somente em junho foram comercializadas 1,9 mil unidades, 1% acima de maio, que contou com praticamente o mesmo número de vendas, e 13% acima das 1,7 mil registradas no sexto mês de 2024.

Produção de caminhões cresce 3% puxada por exportações

São Paulo – Estimulada pela alta nas exportações a produção de caminhões cresceu 3,1% no primeiro semestre, totalizando 66,4 mil unidades, 2 mil a mais do que no mesmo período em 2024. No mesmo período, de acordo com dados da Anfavea divulgados na segunda-feira, 7, as próprias exportações cresceram 91%, somando 13,4 mil unidades.

“A produção está sendo impulsionada pela exportação e a Argentina é o mercado de maior destino dos caminhões”, contou Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea. “No comparativo do acumulado dos anos de 2024 e 2025 houve acréscimo de 266% nas compras.”

O dirigente disse que o Chile ampliou suas encomendas em 35% no período e países como Peru, México e Uruguai também compraram mais do Brasil. Apenas África do Sul apresentou recuo, mas com volumes menos expressivos.

Em junho o volume de 11,3 mil unidades representou queda 8,4% com relação a maio, que contou com 12,3 mil unidades, e 7,7% frente ao mesmo mês do ano passado, com 12,2 mil unidades. Foi o segundo mês consecutivo com redução de volumes.

No mês passado foram exportados 2,5 mil caminhões, 10,8% a menos do que em maio, com 2,8 mil unidades, mas 103,3% acima de junho de 2024, que havia registrado 1,2 mil unidades.

“Apesar da alta da exportação a queda mais acentuada na procura por caminhões está resultando em adequações das fábricas, que estão ajustando sua produção à demanda.”

Vendas de caminhões caem pelo terceiro mês consecutivo

A escalada da Selic, hoje em 15% ao ano, reflete em taxa média de juros para pessoa jurídica de 19,3% ao ano, que traz na esteira uma inadimplência aproximada de 3,1%, o maior porcentual desde 2017.

Nas vendas de caminhões o reflexo é imediato: foi o único segmento a diminuir as vendas no primeiro semestre, sendo que há três meses seguidos têm sido vistos recuos nos emplacamentos.

Foram comercializadas de janeiro a junho 54,8 mil unidades, 3,5% abaixo das 56,8 mil do mesmo período em 2024. Somente em junho as vendas alcançaram 8,5 mil unidades, 7% a menos do que em maio, 9,1 mil, e 14,7% abaixo de junho do ano passado, 10 mil.

De acordo com Bonini o impacto da alta dos juros é ainda mais intenso nos veículos pesados, que, somado ao seu custo mais elevado, faz com que o transportador opte por postergar a compra. No primeiro semestre do ano passado eles representavam 52% do total comercializado e, neste, caiu para 45%.

Venda de veículos importados cresce seis vezes mais do que a de nacionais

São Paulo – Os veículos importados, especialmente os eletrificados produzidos na China, capturaram a maior parte do crescimento de 4,8% nas vendas de janeiro a junho, quando foram emplacadas 1,2 milhão de unidades. Segundo divulgou a Anfavea os automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus produzidos no Brasil tiveram crescimento de 2,6% no primeiro semestre, para 970,6 mil unidades, e os importados avançaram 15,8% no período, somando 228,5 mil.

Foi um crescimento seis vezes superior dos importados. Em um ano as vendas cresceram, em números absolutos, 55,1 mil unidades, das quais 24,3 mil produzidas no Brasil e 30,8 mil importadas.

E a tendência é a destes números avançarem mais no caso dos importados: segundo Igor Calvet, presidente executivo da Anfavea, o primeiro semestre encerrou com mais de 110 mil veículos chineses em estoque nas concessionárias e pátios de importação: “Como em 1º de julho o imposto de importação para eletrificados subiu, houve, como no ano passado, uma antecipação das importações”.

Destes veículos importados licenciados, segundo a Anfavea, a maior parte, 102,8 mil, foram produzidos na Argentina, país com o qual há intercâmbio por causa de acordo comercial bilateral. A segunda maior origem, porém, é a China, com 71 mil veículos:

“E as importações da China cresceram 37,2%, enquanto as da Argentina 13,6%. No caso da China não tem movimento de exportação, só de importação, então este crescimento só aprofunda o processo de desindustrialização, gerando perda de empregos e enfraquecimento da cadeia de fornecedores”.

Varejo mais fraco

Calvet destacou também a queda nas vendas dos veículos nacionais no varejo. No primeiro semestre houve recuo de 10%, enquanto os importados cresceram 15%.

As vendas de veículos nacionais cresceram apenas por meio de faturamento direto, 16%. As de importados, nesta modalidade, avançaram 17%.

As locadoras seguem como principal cliente dos carros vendidos no País, somando 255,6 mil unidades adquiridas no primeiro semestre.

Em junho as locadoras adquiriram 56,3 mil dos 212,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos. O mercado registrou queda de 0,6% com relação a junho do ano passado e de 5,7% na comparação com maio.

Exportações disparam 60% no primeiro semestre

São Paulo – As exportações brasileiras somaram, ao longo do primeiro semestre, 264,1 mil veículos, aumento de 59,8% em comparação aos 165,3 mil embarques realizados de janeiro a junho de 2024. E o responsável por este impulso foi a Argentina, de acordo com dados da Anfavea divulgados na segunda-feira, 7.

O país vizinho adquiriu 157,3 mil veículos fabricados no Brasil, o correspondente a 59,6% do volume total exportado. E que representou alta de 183,1% com relação ao mesmo período do ano passado, quando a participação foi de 33,6%, ressaltou o presidente executivo da Anfavea, Igor Calvet:

“O mercado argentino tem surpreendido positivamente. No primeiro semestre as vendas locais foram ampliadas em 77,8%. E este crescimento robusto, que deve continuar até o fim do ano, chegando a até 650 mil unidades, tem sustentado os níveis de produção brasileiros”.

O México, que adquiriu o segundo maior volume nos seis meses iniciais de 2025, quase 37 mil veículos, reduziu em 18,4% suas compras em comparação ao mesmo período no ano passado. A Colômbia, por seu lado, recebeu 19,9 mil unidades, 38% a mais no mesmo comparativo. 

O Chile também aumentou suas encomendas, em 34,7%, totalizando 12,7 mil veículos. Já o Uruguai, com 16,6 mil unidades, apresentou leve recuo de 0,9%.

“Os dados de vendas crescentes para a Argentina nos deixam muito satisfeitos, mas não podemos deixar todo o excedente para um só destino. É preciso fortalecer também os embarques a outros países, como Colômbia, Equador, Uruguai e Paraguai.”

Em junho as exportações somaram 50,7 mil unidades, 1,7% a menos do que em maio, 51,5 mil. Ao comparar com o sexto mês de 2024, porém, quando 29 mil unidades foram embarcadas, o acréscimo é de 75%.

Em valores as exportações de janeiro a junho renderam US$ 6,8 bilhões, incremento de 43,1% frente ao resultado do primeiro semestre do ano passado, que totalizaram US$ 4,7 bilhões. No mês passado foi obtido US$ 1,2 bilhão, 48,5% acima de junho de 2024 mas 7,5% abaixo de maio.

Produção de veículos cresce no semestre, mas recua nos dois últimos meses

São Paulo – Somados 1 milhão 227 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus a produção brasileira de veículos encerrou o primeiro semestre com crescimento de 7,8% sobre os seis primeiros meses do ano passado, divulgou a Anfavea na segunda-feira, 7.

Apesar das quase 90 mil unidades produzidas a mais no período o presidente executivo Igor Calvet chamou a atenção para a desaceleração neste crescimento, porque em junho, comparado com maio, houve recuo de 6,5%, e com o mesmo mês de 2024 de 4,9%, com 200,8 mil unidades fabricadas.

“Foi o segundo mês consecutivo de queda, porque maio teve produção 5,4% inferior à de abril”, disse Calvet em entrevista coletiva à imprensa. “Há uma aceleração na queda de produção de veículos e precisaremos compensar no segundo semestre para alcançar as nossas projeções que, coincidentemente, são de alta de 7,8%.”

A Anfavea estima a produção de 2 milhões 750 mil veículos, o que significa que, no segundo semestre, as fábricas precisam produzir 1 milhão 523 mil unidades. Na segunda metade de 2024 a produção somou 1 milhão 412 mil veículos.

Calvet destacou que são as exportações que estão puxando o crescimento da produção de veículos leves. De janeiro a junho os embarques cresceram 59% ao passo em que a venda de veículos nacionais subiu 3%, abaixo da média de crescimento do mercado, que avançou 5%.

Ele chamou a atenção, também, para a redução de 460 postos de trabalho na indústria em junho, que fechou com 108,9 mil trabalhadores. Pode ser algo pontual, mas ligou o sinal de alerta na Anfavea. Apesar disso em um ano a indústria agregou 4,9 mil trabalhadores.