São Paulo – Estimulada pela alta nas exportações a produção de caminhões cresceu 3,1% no primeiro semestre, totalizando 66,4 mil unidades, 2 mil a mais do que no mesmo período em 2024. No mesmo período, de acordo com dados da Anfavea divulgados na segunda-feira, 7, as próprias exportações cresceram 91%, somando 13,4 mil unidades.
“A produção está sendo impulsionada pela exportação e a Argentina é o mercado de maior destino dos caminhões”, contou Gustavo Bonini, vice-presidente da Anfavea. “No comparativo do acumulado dos anos de 2024 e 2025 houve acréscimo de 266% nas compras.”
O dirigente disse que o Chile ampliou suas encomendas em 35% no período e países como Peru, México e Uruguai também compraram mais do Brasil. Apenas África do Sul apresentou recuo, mas com volumes menos expressivos.
Em junho o volume de 11,3 mil unidades representou queda 8,4% com relação a maio, que contou com 12,3 mil unidades, e 7,7% frente ao mesmo mês do ano passado, com 12,2 mil unidades. Foi o segundo mês consecutivo com redução de volumes.
No mês passado foram exportados 2,5 mil caminhões, 10,8% a menos do que em maio, com 2,8 mil unidades, mas 103,3% acima de junho de 2024, que havia registrado 1,2 mil unidades.
“Apesar da alta da exportação a queda mais acentuada na procura por caminhões está resultando em adequações das fábricas, que estão ajustando sua produção à demanda.”
Vendas de caminhões caem pelo terceiro mês consecutivo
A escalada da Selic, hoje em 15% ao ano, reflete em taxa média de juros para pessoa jurídica de 19,3% ao ano, que traz na esteira uma inadimplência aproximada de 3,1%, o maior porcentual desde 2017.
Nas vendas de caminhões o reflexo é imediato: foi o único segmento a diminuir as vendas no primeiro semestre, sendo que há três meses seguidos têm sido vistos recuos nos emplacamentos.
Foram comercializadas de janeiro a junho 54,8 mil unidades, 3,5% abaixo das 56,8 mil do mesmo período em 2024. Somente em junho as vendas alcançaram 8,5 mil unidades, 7% a menos do que em maio, 9,1 mil, e 14,7% abaixo de junho do ano passado, 10 mil.
De acordo com Bonini o impacto da alta dos juros é ainda mais intenso nos veículos pesados, que, somado ao seu custo mais elevado, faz com que o transportador opte por postergar a compra. No primeiro semestre do ano passado eles representavam 52% do total comercializado e, neste, caiu para 45%.