Com Stellantis, DPaschoal já prepara plano de expansão

São Paulo – Pouco mais de um ano após a aquisição do controle pela Stellantis a rede de oficinas e de distribuição de peças DPaschoal começa a aproveitar as primeiras sinergias com o grupo fabricante de veículos no Brasil e já prepara um plano de expansão, ainda cercado de sigilo, que deve aumentar ainda mais o tamanho de um dos maiores players do aftermarket independente no País.

Para mostrar seu já bastante avantajado tamanho a DPaschoal decidiu participar pela primeira vez da Automec – de 22 a 26 de abril no São Paulo Expo – com um grande estande para mostrar todas as suas divisões, como assinalou Paulo Solti, vice-presidente da Stellantis América do Sul responsável pela divisão de peças e serviços e chairman da DPaschoal: “Pensamos em vir ao evento como Stellantis mas decidimos mostrar DPaschoal e toda sua força no aftermarket, com negócios que vão além das oficinas. Eu atendo diversas demandas de quem vem à feira”.

Para além de suas 123 oficinas próprias em oito estados e a rede credenciada Top Service com mais 120 pontos de atendimento, onde clientes podem trocar pneus, filtros, baterias, amortecedores, pastilhas, discos e uma infinidade de outras peças, a DPaschoal também tem forte atuação no atacado com seus 28 centros DPK, terceiro maior distribuidor de autopeças do País. Adicionalmente a empresa tem sete recapadores de pneus que atendem, principalmente, seus dezoito Truck Centers especializados em veículos comerciais pesados.

Também faz parte dos negócios a AutoCred, financeira que funciona como banco que antecipa recebíveis de clientes, e a Maxxi Trainning, plataforma de capacitação técnica que, em pouco mais de uma década de funcionamento, já formou 160 mil reparadores.

“Com todas essas operações a DPaschoal representa uma oportunidade muito grande para a Stellantis aumentar sua participação no varejo do aftermarket independente, que representa ao menos 80% do mercado de manutenção de veículos no País”, justificou Solti. “Para nós significa um verdadeiro MBA do varejo automotivo.”

O executivo afirma que existem muitas possibilidades para aumentar as sinergias da DPaschoal com a Stellantis, como em compras de componentes, treinamento de profissionais e até algumas parcerias com as redes de concessionárias das diversas marcas de veículos do grupo.

Uma das sinergias já em curso e foi apresentada no estande na Automec: a linha de autopeças private label Bproauto, que é comercializada pela DPaschoal e pela rede de concessionárias das marcas Stellantis. São produtos, comprados de diversos fornecedores, projetados e adaptados para o aftermarket independente, que incluem linha de peças de reparação e lubrificantes.

Conceito independente

Solti sublinhou que a DPaschoal já tem um nome muito forte nos mercados de reposição e de reparação de veículos, portanto é uma marca que não precisa ser associada necessariamente às marcas de veículos da Stellantis. Para ele, inclusive, neste negócio a independência é uma vantagem competitiva: “A Stellantis pode dominar cerca de 30% do mercado de carros mas quero atender aos outros 70%”.

Também faz parte do grupo a rede de oficinas franqueadas Eurorepar, que pertencia à PSA antes da fusão com a FCA que criou a Stellantis. A franquia tem presença em países da Europa e também no Brasil e na Argentina. Solti veio da PSA, já foi diretor geral da Citroën no Brasil, de 2015 a 2018, e também trabalhou nas áreas de aftermarket e planejamento de negócios da companhia, e ainda é, desde outubro de 2021, o CEO da Eurorepar na Argentina. Segundo ele o negócio, ao menos por enquanto, segue operando independentemente da DPaschoal.

O executivo afirma que todos os negócios da DPaschoal estão crescendo mas que, por norma corporativa, não revela números nem porcentuais. Apesar de operar com certa independência comercial a empresa tornou-se bastante dependente das regras de opacidade adotadas desde a criação da Stellantis, em 2021, que impõem intermináveis “períodos de silêncio” meses antes da divulgação de balanços trimestrais globais.

Por esta razão, disse Solti, “somente em maio divulgaremos os planos de expansão e de novos negócios”.

Perfect Automotive pretende unificar fábrica e centro de distribuição em Arujá

São Paulo – A Perfect Automotive, que opera exclusivamente no mercado de reposição, tem uma fábrica em Itaquaquecetuba, SP, onde também está localizado o seu centro de distribuição. Com a projeção de crescente demanda no aftermarket nacional a empresa investiu na compra de terreno de 64 mil m² onde pretende unificar as duas operações, em Arujá, SP:

“Finalizamos a compra do terreno recentemente e avançaremos com as obras nos próximos anos. Vou buscar financiamento junto ao BNDES para conseguir finalizar em dois anos, caso não seja possível o tempo de construção será maior”, disse o CEO Gérson Coronado durante entrevista na Automec 2025 — de 22 a 26 de abril no São Paulo Expo. 

Para 2025 a empresa projeta crescimento acima de 27%, superando o porcentual de alta registrado em 2024. Segundo o executivo este avanço será puxado por demanda da frota circulante de veículos leves e pesados, que aumenta e envelhece a cada ano. 

A Perfect produz, em Itaquaquecetuba, os cilindros de roda de alumínio que fornece ao mercado nacional, pois a matéria-prima é considerada competitiva no País, o que torna viável a produção local. As demais peças do portfólio são todas importadas, principalmente da China e da Índia. A lista de produtos já tem 5,6 mil itens, número que deverá aumentar em 11% até o fim do ano, com a chegada de mais componentes para a linha pesada.

Com este portfólio a empresa cobre 95% da frota circulante de veículos leves e 90% dos pesados.

Todos esses produtos são vendidos no aftermarket nacional com a marca Perfect Automotive, mas a empresa também tem outro braço de negócios que é o fornecimento dos seus componentes para as montadoras revenderem com sua própria marca nas concessionárias.

Audi do Brasil reconhece concessionários com as melhores práticas ESG

São Paulo – A Audi do Brasil reconheceu as melhores práticas ESG dos seus concessionários durante o Dealer Awards ESG, encontro com a rede que também serviu para debater os próximos passos da empresa no País. A premiação é dividida em quatro categorias: Platinum, Ouro, Prata e Bronze.

Na categoria mais alta, a Platinum, a Audi Blumenau foi reconhecida pelo treinamento que ofereceu sobre mecânica básica para as suas funcionárias durante o dia da mulher.

Na categoria Ouro a Audi Alto da XV recebeu a premiação, seguida pela Audi João Pessoa na categoria Prata e pela Audi Teresina na categoria Bronze.

Mercedes-Benz amplia portfólio com o lançamento do chassi de micro-ônibus LO 916R

São Paulo – A Mercedes-Benz lançou o chassi de micro-ônibus LO 916R, indicado para operações de fretamento em zonas rurais, em estradas não pavimentadas. O novo chassi, produzido em São Bernardo do Campo, SP, pode receber carrocerias com capacidade para transportar 32 passageiros sentados e já vem preparado de fábrica para ser adaptado com poltrona móvel para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

O chassi foi desenvolvido com base no LO 916, que já era indicado para o segmento de fretamento mas não tinha todo o preparo do 916R para encarar as operações em estradas de terra, disse Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de ônibus: “O segmento de fretamento vem crescendo no Brasil como reflexo do bom momento da economia do País e a geração de emprego. Isto se reflete não só nas cidades como também no potencial das atividades do campo, daí o desenvolvimento de um produto para as novas demandas desse mercado”.

Segundo o executivo a empresa já recebeu uma encomenda de dezesseis unidades do chassi LO 916R.

Rio mira ampliar a exportação para um terço de sua produção

São Paulo – Aos 79 anos a Rio-Riosulense, fabricante de peças de motores para reposição e estruturas metálicas para montadoras de pesados, enxerga oportunidade ímpar no mercado externo para continuar crescendo dois dígitos ao ano e triplicar sua fatia de exportação a um terço da produção. Foi o que contou o seu gerente geral, Gustavo Piovesan Correa, durante a Automec 2025, feira dedicada ao mercado de reposição realizada até sábado, 26, no São Paulo Expo.

Com a escalada dos juros o poder de compra dos clientes diminuiu, disse o executivo, e por causa disto a empresa está ampliando seus prazos e desenvolvendo mais parceiros em busca de maior competitividade.

“Se faz necessário ainda mais porque, de um ano e meio para cá, a concorrência tornou-se mais acirrada. Se antes havia duas empresas fornecendo determinado item hoje há até oito e a maior parte delas é chinesa.”

O que se agravou recentemente, uma vez que as barreiras impostas pelos Estados Unidos com sobretaxação de 145% a itens made in China fazem com que eles busquem colocar seus produtos em outros mercados, como o Brasil.

Para equilibrar esta balança a fabricante de Rio do Sul, SC, tem redirecionado mais seus esforços para as exportações, que representam em torno de 10% da produção para 25 países e, em quatro ou cinco anos, o objetivo é ampliar para 30%.

“Este é o momento, uma vez que as empresas estadunidenses ficarão, de alguma forma, desabastecidas da fonte da qual sempre compraram, pois quando falamos em exportação o nosso principal concorrente é a China, seguido da Índia.”

Para ele agora o Brasil começa a ser visto mais fortemente como uma alternativa e, ainda que, eventualmente, nos próximos seis meses esta situação da sobretaxação se resolva, esta é a possibilidade de cobrir este espaço e conquistá-lo: “Em outro cenário não ganharíamos esta oportunidade, só mesmo pela escassez ou pela situação atual”.

Hoje os Estados Unidos representam 36% das exportações da Rio.

Correa: 50% dos lucros obtidos no ano passado serão investidos em 2025. Foto: Divulgação.

Com isto seguem os planos de elevar o faturamento em dois dígitos. No ano passado a companhia ampliou em 14% a sua receita e, para este ano, o plano é incrementar mais 16%, para R$ 550 milhões.

O setor automotivo representa 74% do faturamento da companhia, e em torno de 70% da receita provêm do aftermarket, sendo que 70% das peças são para automóveis e comerciais leves. A linha fornecida para montadoras é toda dedicada a veículos pesados e responde por 24% das receitas, sendo deste total 9% gerados por ônibus e 91% por caminhões. Os outros 6% são do ramo ferroviário e itens não automotivos.

Rio colhe frutos de prêmios como fornecedor em 2024

Gustavo Correa reforçou a importância de manter-se atento tanto ao negócio da companhia como aos movimentos do mercado que, em sua avaliação, tem espaço para todos que possuem estratégia bem definida: “No ano passado, para se ter ideia, a empresa foi premiada por seis multinacionais, como John Deere, Cummins, Maxion e MWM. O que, inclusive, levamos como grande argumento de vendas na hora de fechar negócio”.

Ele contou que, com estas premiações, a Rio está sendo solicitada para participar de cotações no mercado externo. E, assim, aproveita para ampliar visibilidade e contatos.

No fim do ano passado a Rio começou a fornecer as primeiras peças para o ônibus elétrico da Volvo, em Curitiba, PR, suportes estruturais de ferro e aço: “A eletrificação não nos impacta tanto, até traz oportunidades, uma vez que cerca de 80% das peças continuarão as mesmas e nós seguiremos inovando para atender as tendências”.

De acordo com o executivo, sem falar em números, será investida em 2025 a metade dos lucros do ano passado para verticalização e ampliação da área produtiva. Em 2024 foram injetados R$ 30 milhões. Nos próximos três anos a Rio investirá R$ 8 milhões apenas em pesquisa e desenvolvimento, sendo R$ 1 milhão em 2025.

Cummins cresce com remanufatura, combate à falsificação e novos produtos

São Paulo – A Cummins divulgou durante sua participação na Automec – de 22 a 26 de abril no São Paulo Expo – seus avanços expressivos no mercado de reposição. Na divisão de motores diesel as vendas de peças e remanufaturados cresceram 20% no ano passado em comparação com 2023 e a projeção é de nova expansão de 10% em 2025.

A Cummins tem mais de 70 mil peças em seu portfólio de reposição com giro de vendas de 22 mil itens por mês. Os produtos mais vendidos são kits de reparo, pistões, cabeçotes, juntas, injetores, bombas d’água e de óleo.

Segundo o gerente de produto, Edivaldo Portugal, o mercado de reposição já representa 20% do faturamento da divisão de motores da Cummins no Brasil e cerca de um terço desta receita vem da linha de produtos remanufaturados, a ReCon, que cresceu 37% em 2024 com adição de novos produtos no portfólio, como injetores Euro 5, e simplificação com maior uso de componentes reaproveitados. A empresa já atua com a linha de recondicionados há 75 anos globalmente e há 35 anos no Brasil.

“Os nossos motores já são projetados para serem recondicionados e quando fazemos o serviço também atualizamos as peças e os materiais aplicados”, informou o executivo. De acordo com ele o motor recondicionado é 30% mais barato do que o novo e tem o benefício adicional de reduzir em 85% o consumo de energia no processo de produção.

Combate a perdas de R$ 220 milhões com falsificações

Outra frente considerada para atingir o crescimento esperado de 10% este ano, segundo apontou Portugal, será o combate a componentes falsificados que circulam no mercado. Do giro anual de cerca de R$ 1,1 bilhão de peças comercializadas para aplicação em seus motores a Cummins estima que perde de 15% a 20% do faturamento, em torno de R$ 220 milhões, com as falsificações.

Para tentar reverter para seu caixa a receita perdida para os falsificadores a Cummins passou a adotar uma etiqueta holográfica que comprova a originalidade do produto, que passou a ser fixada em todas as embalagens de suas peças.

Divisões de eixos e emissões também crescem no aftermarket

As demais unidades de negócios da Cummins também estão crescendo no aftermarket brasileiro. A divisão de eixos trativos – incorporada desde 2022 com a compra da Meritor por US$ 3,7 bilhões – aumentou em 16% suas vendas no mercado de reposição em 2024 sobre 2023 e este ano a expectativa é de crescer mais 12%, segundo Kleber Assanti, diretor geral da unidade.

Eixos são duráveis e demoram a precisar de manutenção, mas a divisão – hoje chamada CDBS, Cummins Drivetrain and Braking Systems – mantém o nome Meritor no aftermarket, com 170 itens paralelos de reposição à venda em uma rede de 1 mil distribuidores no País, que cobrem 75% dos caminhões em circulação e representam algo em torno de 20% do faturamento da unidade.

Dentre estes componentes estão elementos de freios acoplados aos eixos, produzidos pela Master Freios, em sociedade que a empresa tem com o Grupo Randoncorp.

Um dos lançamentos de pós-venda da divisão de eixos é o CalibrAR, sistema automático de calibragem que pode ser instalado em carretas novas e usadas, que já equipa 1,5 milhão de semirreboques nos Estados Unidos e que a CDBS já homologou para vender no Brasil a partir do segundo semestre deste ano.

O CalibrAR não tem ligação com o cavalo mecânico e, segundo Assanti, aumenta em cerca de 10% a vida útil dos pneus e também reduz consumo de combustível. Além disto detecta aquecimento na ponta do eixo, alertando o motorista sobre problemas nos freios.

Uma aposta da divisão Cummins Emissions Solutions que começa a se pagar no aftermarket é seu sistema patenteado de tratamento de emissões Euro 6, dividido em quatro módulos: DOC catalisador de oxidação de partículas, DPF filtro de particulados, misturador de gases e partículas de ureia com injeção de Arla e catalisador SCR de redução de NOx. Segundo a empresa o sistema completo é 60% menor, 40% mais leve e reduz o consumo de Arla em comparação com módulos integrados.

A principal vantagem na manutenção é a economia de custos pois apenas o módulo com problema é trocado e não é necessário trocar o conjunto todo. De acordo com Daniel Malaman, gerente geral da Cummins Emissions Solutions, “quando projetamos o sistema já pensamos no pós-venda na rede de manutenção e também no recondicionamento das partes”.

Duas montadoras chinesas ocuparão complexo produtivo no Ceará

Xangai, China – A Comexport, que anunciou investimento de R$ 400 milhões para a produção de veículos no Ceará, montou um estande no Auto Shanghai 2025, em parceria com a Adece, a agência de desenvolvimento do Estado. O objetivo principal seria anunciar os novos parceiros chineses que ocuparão o complexo automotivo que está sendo construído onde foi a unidade da Troller, em Horizonte, CE, além de prospectar novos negócios com as fabricantes locais. No entanto pormenores técnicos inviabilizaram o anúncio oficial.

Mas o negócio acontecerá em breve, segundo Rodrigo Teixeira, vice-presidente da Comexport: “No segundo semestre uma marca chinesa estará produzindo no complexo de Horizonte. No ano que vem um segundo modelo desta marca será adicionado à linha de montagem e no segundo semestre de 2026 outra montadora também passará a produzir no Ceará”.

Segundo profissionais que estão a par do acordo e falaram sobre o assunto sob a condição de anonimato o contrato da Comexport com seu primeiro parceiro chinês está redigido e pendente de validação das assinaturas. Trata-se apenas de uma questão burocrática para dar início a uma nova operação de produção no Nordeste, utilizando todos os incentivos concedidos para a região e também podendo credenciar-se ao Mover.

O Pace, ou Polo Automotivo do Ceará, pretende tornar-se o primeiro hub automotivo multimarcas do Brasil. E suas credenciais estão sendo apresentadas para diversos empreendedores chineses interessados em internacionalizar suas operações.

Em Horizonte o Instituto de Tecnologia Aeronáutica, o famoso ITA, está construindo uma nova base para formação de profissionais porque o Ceará é o único estado brasileiro que já atingiu as exigências da Unesco para formação educacional de jovens até 2030.

Além disto 88% da produção de energia limpa a partir de usinas solares e de vento estão instaladas no Nordeste, com o Ceará oferecendo grande potencial de investimento em ampliação desta oferta.

Os portos de Pecém e Mucuripe oferecem custos logísticos interessantes por causa da sua posição geográfica, próxima do canal do Panamá, dos Estados Unidos e da Europa, e a rede de comunicação por fibra ótica já está disponível por 5,8 mil quilômetros no Estado.

“Temos capacidade de oferecer a mão de obra mais qualificada do Brasil e uma infraestrutura que qualquer parceiro global procura. Com o espaço que está sendo desenvolvido no Pace seremos tão competitivos em termos de custo quanto qualquer outra região do Brasil.”

GWM começa a montar os primeiros Haval no Brasil em setembro

Xangai, China – A longa espera para que a GWM passe a produzir no Brasil está chegando ao fim. Após alguns adiamentos e mudança de rotas está confirmado que, de junho para julho, a fábrica em Iracemápolis, SP, será inaugurada com a presença do presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, e a do fundador da companhia, Jack Wei.

A partir daí as linhas passarão pelos testes finais de montagem de protótipos do SUV Haval H6, em quatro versões e com as tecnologias de propulsão já disponíveis nos modelos importados da China. Considerando este cronograma os primeiros modelos prontos para o consumidor deverão ser entregues a partir de setembro.

Segundo Parker Shi, presidente da GWM International, estão sendo preparadas duas linhas de montagens, uma para os SUVs e outra para o chassi da picape Poer, que passará a integrar a produção nacional da GWM ainda este ano: “Após estas duas carrocerias passarem pela cabine de pintura serão finalizadas em apenas uma linha de montagem”.

Ainda não está confirmada qual será a versão da picape Poer que iniciará a produção nacional. Serão duas opções de motorização, uma com motor 2.4 turbodiesel e outra híbrida plug-in: “Guardaremos o segredo de qual delas se tornará nacional primeiro. Mas podemos dizer que depois da picape temos a opção de montar um SUV sobre chassis, que poderá ser um Tank 400 ou 700, ainda inéditos no Brasil”.

De acordo com Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM Brasil, a fábrica de Iracemápolis conta com quatrocentos funcionários sendo preparados para o início da produção, número que chegará a quinhentos até setembro.

A operação será iniciada com a montagem de kits importados da China totalmente desmontados, os CKDs, e com baixo conteúdo nacional. Trata-se da versão atual do Haval H6, o mesmo que é importado nos últimos dois anos. Especula-se algumas mudanças pontuais no visual, porém não será o mesmo design da nova geração do H6, que é um dos destaques no estande da GWM em Xangai.

O incremento de itens nacionalizados na produção brasileira é um desafio para a engenharia, pois o fundador da GWM, Jack Wei, pretende tornar o País uma base exportadora para toda a América Latina: “Para ele a operação de exportação a partir do Brasil precisa gerar valor para a marca, por isto é imperativo aumentar o conteúdo local dos nossos produtos”, contou Bastos.

Hoje as peças importadas estão incluídas no sistema ex-tarifário, sendo alguns componentes taxados com 2%, 14%, 16% e até 18%, como é o caso das baterias utilizadas nos sistemas de propulsão híbridos.

“Precisamos de dois anos para atingir um porcentual de nacionalização que nos permita exportar. O regime especial com a Argentina regula em 35% o índice mínimo de nacionalização [para exportação dentro de uma cota específica para carros híbridos], mas nosso foco é chegar a mais de 40% para estarmos habilitados a exportar para o México também.”  

Taiwanesa Master planeja produzir chassis de ônibus elétrico no Paraguai

Taipei, Taiwan – Em março o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou a chegada dos primeiros vinte ônibus elétricos da Master, importados de Taiwan, ao país vizinho ao Brasil. Outros dez estão a caminho, bem como carregadores para criar a infraestrutura necessária para a recarga. É a primeira etapa de um plano acertado no ano passado, com a assinatura de um memorando de entendimento do governo local com a fabricante taiwanesa.

O objetivo deste acordo, segundo contou Kai Lin, coordenador da divisão de exportação da Master, é montar uma fábrica de ônibus elétricos no Paraguai. “Primeiro faremos um teste com esta frota de trinta veículos, o início das operações está previsto para agosto. Depois poderemos mostrar nossa capacidade para clientes do Brasil, Argentina e Chile. A etapa seguinte seria a fábrica”.

Lin disse que a ideia é montar chassi, bateria e motor no Paraguai e deixar a carroceria a cargo de empresas especializadas – citou a Marcopolo e a argentina Ugarte como potenciais parceiros. “Eles possuem o know-how, conhecem todas as legislações e exigências locais”.

O plano, divulgado ano passado, envolve investimentos na casa dos US$ 30 milhões e geração de 2,3 mil empregos na região da Ciudad del Este, pela proximidade com Brasil e Argentina. A exportação seria fundamental para tirar a intenção do papel.

O ônibus da Master que circula em Taiwan é todo fabricado localmente. O chassi e a carroceria saem de Pingtung, a bateria de Taoyuan e o motor de Taichung. Com 12 metros a versão exposta na 360º Mobility Mega Shows, feira dedicada ao setor automotivo que segue até o sábado, 26, em Taipei, pode transportar de 30 a 42 pessoas sentadas.

Foxtron é a aposta de Taiwan para ter sua marca automotiva global

Taipei, Taiwan – É com orgulho que o atendente do estande da Foxconn na 360º Mobility Mega Show, feira dedicada ao setor automotivo que tem portas abertas até sábado, 26, no Taipei Nangang Exhibition Center, onde estão expostos três carros da Foxtron, conta à reportagem que um dos modelos, o Model C, foi o terceiro elétrico mais vendido em Taiwan: “Só vendeu menos do que dois da Tesla”.

A Foxtron é a aposta automotiva da Hon Hai Technology, dona da Foxconn, a fabricante do iPhone. Além do Model C estão no estande o Model B e o Model D, estes ainda sem produção iniciada.

Model D. Foto: André Barros.

Embora seja formada por montadoras locais tradicionais, que produzem sob licença carros de marcas como Toyota, Honda e Mitsubishi, a indústria de veículos de Taiwan não tem uma marca global forte sua: “Perdemos a oportunidade em termos de ICE [veículos a combustão]”, disse James Huang, chairman do Taitra, Conselho de Desenvolvimento de Comércio Exterior de Taiwan. “Somos bons em autopeças e em componentes eletrônicos. Mas eu acho que temos uma chance em EVs: a Foxconn já produz localmente e busca parcerias para expandir no Exterior”.

Model B. Foto: André Barros.

Curiosamente a Foxconn não produz seu carro em Taiwan, e nem está com o logo Foxtron: o Model C é vendido como Luxgen N7, a marca de sua produtora local. As duas empresas formaram parceria e desde o fim de 2023 fabricam o modelo, exclusivamente para o mercado local. A Luxgen pertence ao Grupo Yulon, responsável pela produção de alguns carros Nissan e Mitsubishi para os taiwaneses.

O objetivo agora é levar uma variação do Model C para os Estados Unidos, com produção local ainda em 2025. O modelo de negócio é o mesmo: a Hon Hai busca parceiros interessados em produzir e vender o SUV. É o oposto do que a Apple faz com o iPhone, que deixa aos cuidados da Foxconn a produção de seu smartphone.

Recentemente a Nissan abriu conversas com a Foxconn para uma parceria. Huang afirmou que até uma eventual aquisição da montadora japonesa, que passa por crise financeira, não pode ser descartada. De toda forma o conglomerado taiwanês negocia também com Honda e Mitsubishi a terceirização da produção de seu modelo elétrico, de olho nos Estados Unidos.

O mercado automotivo de Taiwan

Em março foram emplacadas 305 unidades do N7, abaixo das 359 do Model Y e das 764 do Model 3, ambos Tesla. Os elétricos somaram 2,7 mil unidades no mês, em um mercado de 37,3 mil veículos. As vendas da Luxgen cresceram 38% no primeiro trimestre, puxadas pelo sucesso do modelo criado pela Foxconn.

Os dados são da consultoria Auto Future. No ano passado foram vendidos 457,8 mil veículos em Taiwan, recuo de 4% com relação a 2023. Deste volume 51,9% foram produzidos na ilha e 48,1% importados. A Toyota domina o mercado, com mais de 30% dos emplacamentos – a segunda colocada, Honda, somou 7,5% no ano passado. 

A produção, de acordo com a TTVMA, associação dos fabricantes locais, somou 275,2 mil veículos. A Yulon, que fabrica o N7, entregou 23,7 mil unidades, das quais 8,2 mil Luxgen – existem outros veículos afora o elétrico da Foxtron no portfólio da marca.