Brotas, SP – No Seminário Megatendências 2025, em 8 e 9 de abril, em São Paulo, AutoData reunirá os líderes do setor automotivo para discutir o futuro da indústria no Brasil e no mundo. Será uma grande oportunidade para entender o que pensam estes executivos, presidentes de montadoras, de empresas sistemistas, de entidades ligadas ao setor, especialistas e demais convidados a respeito do anúncio do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Além das megatendências este polêmico momento da ordem mundial e empresarial será um dos temas centrais deste Seminário.
Mas ainda há mais: pela primeira vez um executivo chinês estará presente em um evento AutoData. Trata-se de Andy Zhang, presidente da GWM Brasil e México. Ele fará palestra magna apresentando as megatendências na visão da única fabricante chinesa com capital 100% privado a atuar no País. É mais uma ótima razão para não perder este evento AutoData. Ainda dá tempo de fazer a sua inscrição por aqui.
Durante o lançamento do GWM Tank 300 Zhang conversou rapidamente com a imprensa. Ele começou sua carreira na própria GWM na área de vendas, operando inicialmente no mercado chinês e logo depois em outros negócios internacionais. Após doze anos migrou para outras fabricantes no seu país e retornou à GWM como especialista em mercados internacionais, posição que ocupa atualmente liderando importantes operações, a do Brasil e a do México.
“Esses dois mercados são estratégicos para a GWM porque, somados, são mais de 4 milhões de veículos vendidos ao ano. São maiores que o mercado canadense”, lembrou Zhang, para reforçar o compromisso de fixar uma base de operações nestes países.
Primeiramente a intenção é desenvolver a operação produtiva, de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, compreendendo cada vez mais os interesses dos consumidores e oferecendo soluções para suas demandas não só no País mas em toda a América do Sul. A segunda etapa, de acordo com Zhang, será a intenção de criar o mesmo ecossistema da GWM no México.
A expectativa inicial é de que a fábrica de Iracemápolis, SP, passe a operar no terceiro semestre deste ano, mas Zhang afirma que “estamos acelerando o processo internamente para poder antecipar o máximo possível esta data”.
Sobre a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas a praticamente todos os países com alguma relação comercial, o que pode ter impactos em toda a cadeia produtiva global, Zhang procurou minimizar as dificuldades procurando valorizar uma das fortalezas da GWM: a verticalização da sua produção.
Segundo ele a GWM tem “muita tecnologia dentro de casa” a ponto de mais de 70% do veículo que produz utilizar componentes feitos por eles. Por exemplo: baterias, caixa de transmissão e motor, itens de alto valor agregado, são produzidos internamente. “Por isto acredito que estamos em melhores condições para enfrentar qualquer protecionismo na comparação com outra empresa que depende de uma cadeia externa de fornecimento”.
Para saber mais sobre as megatendências da GWM participe do primeiro evento presencial AutoData este ano. Veja a programação completa.
Campinas, SP – A John Deere realizou o maior lançamento de sua história no Brasil, apresentando quinze novidades para cerca de 2 mil clientes que passaram pelo John Deere Space, uma enorme estrutura montada para apresentar todas as máquinas novas. Segundo Antônio Carrere, vice-presidente de vendas e marketing para a América Latina, o espaço montado é quatro vezes maior do que o estande que a empresa terá na Agrishow, maior feira de agronegócio no País:
“Junto com os 2 mil clientes também trouxemos nossos grupos concessionários de toda a América Latina para o evento, pois entendemos que a região é muito relevante para o agronegócio global. Estes grupos somam mais de seiscentos pontos de vendas”.
As novidades começam pelas colheitadeiras S5 e S7, que serão produzidas em série a partir de maio na fábrica de Horizontina, RS. A unidade atualmente está parada para que as atualizações necessárias sejam realizadas nas linhas de produção. As novas colheitadeiras possuem sistema semiautônomo que ajusta a velocidade ideal para cada tipo de colheita, elevando o rendimento, junto com as atualizações do visual e da cabine.
O novo trator 9RX, o maior produzido em série no mundo, segundo a John Deere, chega ao país nas potências de 710 cv, 770 cv e 830 cv, capaz de cobrir até 40 hectares a mais de eficiência operacional por dia. O trator dispõe do motor JD18, também da John Deere, que foi atualizado, e o sistema de recirculação de gases de escape, eliminando o uso de fluido de exaustão de diesel, conhecido como Arla, reduzindo os custos operacionais.
Trator 9RX
Outras dez máquinas foram lançadas pela John Deere: colhedora de algodão CP770, plantadeira 1200, plantadeira 3100FT, pulverizador 230M, aplicador de bioinsumos GreenSystem, carreta Graneleira GreenSystem, forrageiras 8000 e 9000, kits para modernização de máquinas mais antigas, pá Carregadeira 524 P e a nova Série H, composta por dois modelos de harvesters e dois de forwarders.
Junto com os treze novos equipamentos duas novas tecnologias fecham a lista de lançamentos. Uma é o JDLink Boost, solução de conectividade via satélite, que usa a rede Starlink para conectar equipamentos em áreas mais remotas. A novidade permite conectar máquinas novas e antigas e, desta forma, a meta da John Deere é chegar a 1,5 milhão de máquinas conectadas até 2026, usando como base o número atual de 775 mil.
A segunda tecnologia apresentada é a Precision Upgrades, que permite atualizar máquinas da geração anterior com alguns sistemas das mais novas, possibilitando que o produtor tenha um equipamento mais moderno e tecnológico sem precisar comprar um novo. Com as atualizações disponíveis os equipamentos ganham em produtividade e ajudam a reduzir os gastos na operação.
São Paulo – A New Holland Construction iniciou sua trajetória no Brasil em 1950, com a montagem de máquinas em um galpão no bairro do Brás, em São Paulo. Passados 75 anos de história, hoje a fábrica, inaugurada em 1970, está estabelecida em Contagem, MG, onde estão sendo injetados R$ 106 milhões para modernização e aumento de capacidade desde 2023.
A marca inaugurou, recentemente, em Sarzedo, MG, o Centro de Experiência do Cliente, após investimento de R$ 12 milhões. O espaço oferece demonstrações de produtos e serviços, realiza testes de engenharia e dispõe de capacitação técnica e comercial da rede de concessionários.
A companhia fabrica no país portfólio com cinco linhas de produtos: retroescavadeiras, escavadeiras, pás carregadeiras, motoniveladoras, tratores de esteira, além dos rolos compactadores, mini escavadeiras e minicarregadeiras. Todos 100% conectados com telemetria embarcada.
Como forma de celebrar os 75 anos no Brasil a New Holland Construction lançou a motoniveladora Titanium, versão comemorativa e limitada. Trata-se de releitura da RG170.B EVO, com pintura especial na cor cinza e placas personalizadas com numeração sequencial de 1 a 75.
São Paulo – De olho nas novas regulamentações de emissões, como a Euro 7 que pela primeira vez incluirá as emissões de partículas de freios, a Frasle Mobility decidiu antecipar novas soluções para o mercado com foco em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e aplicações sustentáveis, com novos materiais e nanotecnologia.
A próxima legislação de emissões estabelece limites para os lançamentos de partículas de freio, PM10, para carros e vans: 3 mg/km para veículos elétricos, 7 mg/km para veículos de passeio movidos à combustão interna e híbridos e 11 mg/km para vans.
Para tanto a empresa começou a estudar o desenvolvimento de novas formulações para freios a disco e a tambor, em cooperação com diferentes fornecedores de matéria-prima e montadoras de veículos. Em parceria com o Instituto Hercílio Randon está em desenvolvimento solução de disco de freio com nanotecnologia para a redução do desgaste e das emissões de partículas.
A fim de sustentar este movimento a empresa ampliou o investimento na infraestrutura própria de engenharia avançada, com a instalação, em 2025, de um dinamômetro para caracterização da emissão de particulados de sistemas de freio nos laboratórios de Caxias do Sul, RS.
A Volkswagen tem reorganizado sua produção na América do Sul. No Brasil foi concluída no início do mês a transferência de parte do volume do Virtus para São José dos Pinhais, PR, em paralelo com os volumes da Anchieta, São Bernardo do Campo, SP. Com isto abriu espaço para que sejam produzidas mais Saveiro na unidade – o aumento será de 10% a 15%, por um modelo que tem sido muito demandado pelos brasileiros.
Anchieta começa a produzir também o Polo Track, antes exclusivo em Taubaté, SP. Assim a fábrica terá condições para entregar volumes do Tera, próximo lançamento da Volkswagen.
Possobom disse que o plano na unidade argentina tem como objetivo ampliar a produção da Amarok em Pacheco, projetando altos volumes para a nova geração, que chega ao mercado em 2027. Seu desenho foi feito pela equipe brasileira de design, liderada por José Carlos Pavone.
A Volkswagen destacou que com a soma dos investimentos na Argentina a América do Sul receberá ciclo de R$ 20 bilhões até 2027.
Londrina, PR – A Volkswagen ampliou a gama do T-Cross, SUV mais vendido do mercado brasileiro – 18,4 mil unidades de janeiro a março, segundo a Fenabrave. Com pegada aventureira a versão Extreme, herdada das picapes Saveiro e Amarok, chega ao catálogo do modelo produzido em São José dos Pinhais, PR. Com inovação sem precedentes na indústria brasileira: opção por pintura fosca de fábrica.
É a primeira vez que um carro produzido em série no Brasil tem opção de cor fosca. Para isto a fábrica paranaense, desde 2022, tem se preparado: após um benchmark com outras unidades Volkswagen do mundo os testes foram iniciados, como contou o gerente da fábrica Cesar Drazul: “Precisamos de mais de 1,2 mil horas de parametrização para chegar ao tom que desejávamos”.
O verniz de baixo brilho demanda um cuidado maior na aplicação, explicou o gerente, para que fique homogêneo e consiga reduzir corretamente a refração da luz. No caso do T-Cross com a cor fosca apenas de 20% a 25% da luz é refletida – na pintura metálica ela chega a 100%.
O resultado começou a sair das linhas de montagem e chega às concessionárias nas próximas semanas. Serão apenas 1,7 mil unidades produzidas com o novo tom, chamado de cinza oliver. A nova versão tem ainda rodas de liga-leve escurecidas, teto bicolor com barras longitudinais e adesivos Extreme. Internamente traz bancos com partes em couros com costura alaranjada.
Mas não é a única cor do T-Cross Extreme, que terá opções sólidas e metálicas. Com a preta parte de R$ 189 mil – a cor fosca acresce R$ 3,5 mil à conta.
A novidade foi apresentada no ExpoLondrina, feira dedicada ao agronegócio realizada no Interior do Paraná. A Volkswagen mostrou também uma nova versão do Nivus, a Sense, de entrada, que parte de R$ 119 mil 990, com VW Play 2.0.
Brotas, SP – A GWM terá agenda bastante agitada em 2025: ficou para o terceiro trimestre o início da produção nacional em Iracemápolis, SP. Um pouco antes chega o Wey 07, SUV da grife de luxo do grupo e muito em breve, segundo os executivos, a picape Poer.
Mas a primeira novidade dessa ofensiva da única marca chinesa com capital 100% privado a atuar no Brasil começa a ser vendido na sexta-feira, 4: o SUV Tank 300, modelo que combina propulsão híbrida plug-in com sofisticação e luxo para os ocupantes e uma série de tecnologias que oferecem robustez e uma condução off road considerada impressionante.
“Queremos chegar com força no universo do agro no Brasil”, contou Diego Fernandes, COO da GWM no Brasil. “O Tank 300 é o primeiro grande produto que temos a oferecer e, com a chegada da picape Poer muito em breve, teremos um posicionamento ainda mais forte nesse segmento.”
O preço de lançamento do Tank 300, R$ 333 mil até 30 abril, demonstra que a GWM quer se posicionar de forma competitiva neste segmento premium. Considerando todos os modelos com alguma similaridade – já que nenhum SUV off road de luxo ainda possui powertrain híbrido plug in – não há ninguém com preços nessa faixa. Toyota, Mitsubishi, Land Rover e Audi são algumas das marcas com produtos importados nessa categoria. Até mesmo o Jeep Commander nacional, com uma proposta um pouco diferenciada das características do Tank 300, na sua versão top de linha custa mais caro.
“No programa de pré-venda tivemos mais de 250 unidades encomendadas e agora esperamos um volume considerável com este preço promocional de lançamento. A partir de 1º de maio definiremos nova estratégia de preços para o Tank 300.”
Off road raiz
O GWM Tank 300 é produzido numa plataforma exclusiva denominada Hi4T que permite a utilização de um motor elétrico e um 2.0 turbo que, combinados a câmbio de nove marchas, oferecem 394 cv e 750 Nm de torque. O powertrain híbrido tem uma bateria de 37,1 kWh que leva a condução somente no modo elétrico a até 75 km de autonomia no padrão Inmetro.
O motor elétrico tem a seu lado, o motor a combustão e a entrada da transmissão de nove marchas. Nesta configuração os dois motores enviam todo o torque gerado diretamente para o câmbio, que o distribui mecanicamente aos eixos dianteiro e traseiro.
Obviamente toda a capacidade off road está disponível a um botão de distância das mãos do condutor: o sistema de tração 4×4 conta com opções de 2H, 4H e 4L ou reduzida, além de bloqueio eletrônico de diferencial dianteiro, traseiro e central, dentre outras possibilidades de ajustes de acordo com o terreno.
Com essa combinação de bloqueios de engates foi possível realizar manobras em diversos terrenos durante as primeiras impressões em circuito controlado e até desatolar um Tank 300 com três rodas sem nenhuma aderência.
Uma das novidades desse chinês off road é sua capacidade de alimentar rapidamente sua bateria. Quando conectado a um carregador de corrente direta, DC, ele aceita até 50 kW de potência, permitindo que sua bateria seja carregada de 30% a 80% em apenas 24 minutos, segundo a GWM. Que informa que o Tank é único no mercado brasileiro nesta categoria com esta capacidade de recarga rápida. Alguns poucos modelos com preço acima de R$ 600 mil oferecem essa tecnologia, além do próprio GWM Haval H6 plug-in.
Além disso o GWM Tank 300 conta com o sistema Vehicle to Load, ou V2L, que fornece a sua energia para outros dispositivos. Esse sistema oferece potência máxima de uso de 3,3 mil W, permitindo que uma máquina de café e uma pequena geladeira possam funcionar utilizando a bateria de alta voltagem de 37,1 kWh do SUV. O V2L pode fornecer energia por até oito horas e meia, aproximadamente, segundo a GWM.
Outro recurso exclusivo e bem interessante é o chamado Tank Steering ou assistente de manobra em curva fechada. Acionando o sistema no console central um veículo do tamanho do Tank 300, com 4m76, passa a ter um raio de giro até 20% menor. Isto permite que o veículo faça retorno de 180 graus num espaço muito menor.
Suas características off road raiz são demonstradas pelos impressionantes 700 milímetros de profundidade máxima de travessia de água, 32° de ângulo de entrada, 33° de ângulo de saída, 222 milímetros de vão livre do solo, 440 kg de capacidade de carga, 750 kg de capacidade de reboque sem freio e 2,5 mil kg de reboque com freio.
Off road de luxo
O Tank 300 possui dimensões generosas, com 4m76 de comprimento, 1m93 de largura, 1m90 de altura com distância entre-eixos de 2m75. Estas características permitem um ótimo espaço para os passageiros da segunda fileira, motorista, e seu acompanhante na frente.
O acabamento interno é sofisticado e de bom gosto para um público exigente tanto na China quanto no Ocidente. Painéis de portas com acabamento de toque suave e refinado, volante de couro com aquecimento e bancos também com funções de aquecimento e de massagem, são recursos de estilo, conforto e conveniência bem interessantes para um modelo com proposta off road.
Outro destaque do Tank 300 é seu baixíssimo nível de ruído para um veículo 4×4. Segundo a GWM seu sistema eletrônico de cancelamento de ruído analisa o som que vem do motor e depois reproduz ondas sonoras opostas para reduzir o nível de ruído. O para-brisa e as janelas dianteiras trazem uma dupla camada de vidro acústico separada por material fonoabsorvente.
O Tank 300 tem painel de instrumentos com computador de bordo integrado e duas telas Full HD de 12,3 polegadas cada, conectividade com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, wi-fi e conexão 4G, sistema de navegação GPS nativo, comandos de voz em português e atualização dos softwares pela nuvem.
Ele é o primeiro GWM a trazer uma App Store integrada em seu sistema multimídia. Além de oferecer uma variada opção de aplicativos também permite usar os dados da internet do carro – a GWM oferece dois anos de wi-fi gratuito.
Os 250 clientes que fizeram a encomenda levaram wallbox instalado para casa e ainda um ano de seguro do Tank 300. A partir de agora quem comprar este SUV pode escolher um dos dois benefícios. O Tank 300 tem garantia de cinco anos sem limite de quilometragem e a GWM estende a garantia do powertrain híbrido para oito anos.
São Paulo – A Prefeitura de São Paulo incorporou 115 novos ônibus elétricos à sua frota, ampliando para 527 a quantidade de modelos movidos à bateria disponíveis para o transporte urbano municipal. Outros 201 trólebus completam a frota sem emissão paulistana, de acordo com o prefeito Ricardo Nunes – ainda bem abaixo da meta de 2,5 mil unidades.
Os modelos novos são com chassis Mercedes-Benz, BYD e Eletra e carrocerias Caio e Marcopolo. Serão operados pelas concessionárias Movebuss, Sambaíba, Express, Transcap e Campo Belo, em todas as regiões da cidade.
“São ônibus de muita qualidade e que, evidentemente, por serem elétricos não emitem dióxido de carbono. Cada um desses ônibus representa a não emissão, não utilização de 35 mil litros de óleo diesel por ano”.
O prefeito disse que estão sendo avaliados novos tipos de veículos movidos à energia limpa para a frota, como os ônibus movidos a gás natural e biometano.
São Paulo – Apesar do temor causado pelo tarifaço sancionado por Donald Trump, que implicará alíquota adicional de 10% a todo produto importado do Brasil a partir de sábado, 5, e de 25% para autopeças como motores, transmissões, sistemas elétricos e componentes eletrônicos automotivos, de 3 de maio em diante, empresas que exportam para os Estados Unidos estão vendo oportunidade de se tornarem mais competitivas e ampliarem volumes no país.
Uma delas é a Forbal Automotive, de Flores da Cunha, RS, que investiu R$ 4 milhões para abrir centro de distribuição em Tampa, Flórida, no fim de março, estimulada pela demanda de fabricantes de máquinas agrícolas como John Deere, CNH Industrial e AGCO, suas clientes no Brasil. O CEO Giuliano Santos contou à Agência AutoData que as peças e componentes que produz para indústria agrícola, fabricantes de caminhões e de implementos rodoviários se enquadram na alíquota de 10%. Já os seus concorrentes da China terão taxa adicional de 34%, de Taiwan 32%, do Japão 24%, da Coreia do Sul 25%, e do Vietnã 46%. Seus produtos, portanto, tendem a ser mais competitivos.
“Tudo ainda é muito recente. Apesar de a sobretaxação ser um pênalti para nós acredito que o produto brasileiro será fortalecido nos Estados Unidos. Ainda mais porque todo este cenário deverá gerar uma pressão inflacionária forte no país, o que poderá nos trazer outra vantagem.”
Santos contou que o planejamento em torno do centro de distribuição começou em 2022 e que, ainda em janeiro, prevendo que haveria mudanças drásticas após Trump assumir o governo, propôs aos clientes alterações em produtos. Um de seus componentes que era enviado puramente em alumínio, por exemplo, passou a ser embarcado usinado, pintado e semi-montado, a fim de desviar da taxação sobre insumos de alumínio e aço, o que deu certo.
“Estaria mais preocupado se fosse o inverso, a China sobretaxada em 10% e o Brasil em 34%. A única questão nisto tudo é que esses países que sofreram maiores sanções têm estoque e darão um jeito de embarcar seus produtos para outros lugares, o que poderá nos prejudicar indiretamente. Por exemplo: estamos de olho na África, onde pode ser que enfrentemos uma competição mais acirrada daqui para frente.”
Para a Rio-Sulense, fabricante de peças para motores a combustão de Rio do Sul, SC, a expectativa também é positiva, de acordo com o gerente geral Gustavo Piovesan Correa: “Uma vez que as tarifas são aplicadas não só para o Brasil, mas para os demais países, ou seja, afetando também nossos concorrentes, do ponto de vista de competitividade esperamos manter e até melhorar”.
Ele acredita que haverá uma readequação de todo o mercado, o que poderá resultar em uma baixa na importação dos Estados Unidos em termos de volumes, de forma geral. Ao mesmo tempo, como não há alternativas suficientes internas no país para atender à demanda, é provável que o Brasil possa aumentar a quantidade exportada em comparação a fornecedores de países com tarifas maiores – e que não reduzirem suas margens para compensar esta diferença.
Correa enxerga duas alternativas neste contexto: “Uma delas é sermos consultados sobre a possibilidade de ofertamos desconto proporcional que cubra a tarifa que o importador, no caso, os Estados Unidos, pagará a mais ou, pelo menos, parcialmente. É possível negociarmos uma divisão 50% a 50%, em que ele poderá ficar com metade do prejuízo ou do aumento do preço e, na outra metade, o fornecedor reduz seu preço. Ou, caso sejam mantidos os valores na mesma condição, o repasse será integral para o mercado dos Estados Unidos. Teremos de acompanhar o jogo dos planos de cada um.”
Rio acredita que poderá manter ou até melhorar sua presença no mercado estadunidense. Foto: Divulgação.
Aumento de preços imediato deve ser inevitável, segundo especialista
Na análise de Jackson Campos, especialista em comércio exterior e diretor de relações institucionais da AGL Cargo, que realiza logística internacional, inicialmente os impactos diretos sobre o mercado automotivo brasileiro podem parecer moderados. Em um horizonte mais longo, porém, o setor poderá enfrentar aumento de preços devido ao encarecimento de componentes importados dos Estados Unidos, assim como veículos montados lá, que chegarão aqui mais caros, refletindo o custo mais elevado de fabricação.
Segundo Campos os setores mais impactados serão aqueles que dependem intensamente do comércio bilateral, especialmente equipamentos automotivos, metais, como aço e alumínio, eletrônicos e componentes de tecnologia: “Autopeças terão impacto expressivo, uma vez que representam parcela significativa da pauta comercial dos dois países. Particularmente itens como motores, transmissões, sistemas elétricos e componentes eletrônicos automotivos”.
A Toyota, que exporta motores desde Porto Feliz, SP, para o sedã Corolla fabricado nos Estados Unidos, afirmou que “neste estágio as implicações práticas destas medidas ainda não estão claras, e que ainda é incerto se haverá algum impacto concreto”.
Indústrias brasileiras com produção nos Estados Unidos sofrerão pressão maior
Empresas brasileiras com manufatura nos Estados Unidos, de acordo com o especialista, serão fortemente afetadas, pois precisarão incorporar custos adicionais ao importar insumos brasileiros, o que elevará o custo final dos seus produtos fabricados localmente, ainda mais em um cenário de alta da inflação. “Poderá gerar perda de competitividade frente às empresas locais ou que importam de outras origens com tarifas menores”.
Os preços de produtos importados deverão aumentar imediatamente, refletindo diretamente as novas tarifas impostas por Trump. No médio prazo a solução predominante deverá ser buscar fornecedores alternativos ou mesmo aumentar esforços na diversificação dos mercados-alvo, reduzindo dependência dos Estados Unidos.
“Pode ser uma oportunidade para que indústrias brasileiras explorem novos acordos comerciais com mercados latino-americanos ou europeus que estejam fora das sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.”
No ano passado, de acordo com o Sindipeças, os Estados Unidos foram o segundo maior destino das peças brasileiras, com total de US$ 1,4 bilhão, respondendo por 17,5% das exportações de autopeças. Este comércio, porém, é superavitário para os estadunidenses, com importações brasileiras totalizando US$ 2,2 bilhões ou 10,7% das compras externas. Quanto aos veículos a Anfavea informou que não há exportação de veículos prontos desde o Brasil, mas 3,9 mil unidades foram importadas em 2024.
Abimaq teme concorrência com produtos fabricados nos Estados Unidos?
A Abimaq também se manifestou, uma vez que do total de receitas da máquinas e equipamentos 20% provêem de exportações. No ano passado os embarques renderam US$ 13,2 bilhões e, destes, 25% ou US$ 3,5 bilhões, foram provenientes dos Estados Unidos, o equivalente a 7% do faturamento total do ramo. Porém, como o Brasil importou cerca de US$ 4,7 bilhões em produtos estadunidenses, a relação é deficitária.
“Com a medida anunciada o Brasil será impactado negativamente em suas exportações para os Estados Unidos, pois seremos menos competitivos com relação à indústria local de máquinas e equipamentos”, afirmou a Abimaq, em nota. “Podemos citar como exemplo máquinas agrícolas, rodoviárias e máquinas para a indústria de transformação. Esses produtos, dentre outros, são fabricados tanto pelo Brasil como pelos Estados Unidos, assim o aumento da tarifa significará perda de competitividade com relação aos itens locais”.
A Abimaq afirmou ainda que tem a expectativa de que o governo brasileiro consiga renegociar as tarifas, a fim de que a relação comercial seja preservada.
São Paulo – Mais uma vez a Fiat Strada liderou as vendas de veículos no mercado brasileiro, pelo terceiro mês do ano, e desta vez com a companhia do Fiat Argo na segunda posição, garantindo a dobradinha à marca em março. O hatch produzido em Betim, MG, superou seu concorrente Volkswagen Polo, que ficou na terceira posição no mês.
Embora a Fiat tenha conquistado a dobradinha foi a Volkswagen que colocou mais modelos no Top 10: além do Polo teve o T-Cross, SUV mais vendido e quarto do ranking, e a surpreendente picape Saveiro, oitava mais vendida.
Toyota Corolla Cross e Honda HR-V continuam se destacando e se mantiveram no Top 10 do mês. Junto ao T-Cross, os SUVs mais vendidos do mercado brasileiro.