Tesla vive inferno astral de Musk

A meteórica valorização da Tesla, que em apenas duas décadas de existência virou marca queridinha dos mais descolados eletroentusiastas da transição energética dos automóveis, sempre se confundiu com o desempenho empresarial de seu maior acionista e CEO, Elon Musk. É natural, portanto, que a recordista perda de valor de mercado das ações em bolsa, de eletrizantes US$ 795 bilhões apenas no decorrer dos últimos três meses, também seja debitada da conta de seu chefe maior – agora mais entretido com suas funções exóticas de gestor de eficiência do governo imperial de Donald Trump nos Estados Unidos.

As ações da Tesla na Nasdaq – bolsa de valores especializada em empresas de tecnologia – fizeram no último ano uma curva parecida com a silhueta da cadeia de montanhas do Himalaia. A velocidade da escalada de subida e descida dos papeis foi rápida, puxada pela eleição de Trump e o alinhamento canino de Musk à política de extrema direita de seu atual chefe.

Por causa de resultados financeiros frágeis e tendência de queda de vendas de carros elétricos até agosto do ano passado a ação da Tesla estava cotada na Nasdaq a US$ 190 – o papel já tinha perdido muito valor com relação aos picos de 2020 e 2021, quando a empresa ganhou cotação de mercado superior a de companhias tradicionais do setor como General Motors e Ford. Mas após a vitória de Trump, em novembro, a ação mais que dobrou, saltou ao pico de US$ 480 e a Tesla chegou a valer US$ 1 trilhão – o equivalente à metade do PIB brasileiro de 2024.

Contudo a baixa também veio a galope texano, este ano, logo depois que o republicano e seu séquito exótico assumiram o poder total nos Estados Unidos. Com ameaças e adoções de tarifas pesadas a parceiros comerciais que mais atrapalham do que ajudam a indústria do país, somadas às ações intempestivas de Musk após sua nomeação como chefe do Departamento de Eficiência Governamental – até agora mais empenhado em demitir funcionários públicos e fechar seus departamentos – a realidade bateu nas cotações da Tesla, que em poucos dias perdeu cerca de metade de seu valor de mercado.

No início de março o papel caiu a US$ 220 e terminou o dia 24 cotado a US$ 278. Mas o problema maior parece ainda estar por vir: a maioria dos investidores não acredita em recuperação e muitos já venderam suas posições na Tesla. O JP Morgan projeta que a ação poderá descer a US$ 120 até o fim de 2025: “Nós nunca vimos nada parecido na indústria automotiva, uma empresa que perdeu tanto valor tão rápido”, escreveram os analistas do banco em relatório.

Tiro pela culatra

Ironicamente, como companhia aberta negociada em bolsa, recentemente a Tesla se viu obrigada a enviar ao mercado e a seus acionistas um comunicado de alerta, afirmando que a empresa está sujeita a potenciais tarifas de retaliação por causa das sobretaxações impostas por Trump, o que deve encarecer seus custos de produção nas fábricas dos Estados Unidos, Alemanha e China, reduzindo os lucros.

Sócio do fundo de investimento Clean Energy Transition – o nome parece autoexplicativo –, que tem US$ 1,5 bilhão aplicados em empresas de risco, o investidor Peter Lakander é mais assertivo: “Musk está do lado errado de seus clientes, não são pessoas que usam botas de cowboy que compram um Tesla”, disse, talvez em alusão ao fato de que Musk está transferindo boa parte dos novos investimentos da Tesla nos Estados Unidos para a fábrica do Texas, em detrimento de novos aportes nas plantas da Califórnia, onde a empresa foi originalmente fundada.

Como já disse Trump em seu recente discurso ao Congresso, ao elogiar os feitos de Musk no governo e com olhar solidário para o empresário sentado na plateia: “Ele não precisava disso, ele não precisava disso”. De fato a aventura política já custou US$ 100 bilhões ao patrimônio líquido pessoal de Musk, segundo calculam analistas, que já preveem problema maior se as cotações continuarem a cair para níveis abaixo dos US$ 150 por ação: neste caso o empresário será obrigado a aportar mais dinheiro para compensar as perdas das ações da Tesla que ele deu como garantia nas transações financeiras que fez para comprar o Twitter, atual X, também usado como canal preferencial para expansão de suas polêmicas.

Todos os analistas atribuem a queda de valor da Tesla às recentes estripulias políticas de seu dono, como a tentativa de interferência nas eleições da Alemanha ao apoiar o partido de extrema direita AfD, de ideário nazista, ou mesmo as muitas idas e vindas de suas intervenções em diversos órgãos da administração pública dos Estados Unidos.

Se a ideia de entrar para o governo foi para promover seus interesses pessoais e os ganhos de suas empresas no caso da fabricante de carros elétricos o tiro saiu pela culatra, como diz o analista Lakander: “A Tesla tinha valor de mercado muito forte que Musk manejou para destruir totalmente”.

Esta destruição parece atingir até a alta administração da Tesla: no que se assemelha ao abandono de um navio prestes a naufragar fontes de mercado dizem que executivos e conselheiros, incluindo o chefe financeiro, Vaibhau Taneja, e o presidente do conselho de administração, Robyn Dunholm, estão vendendo suas ações da empresa.

Valorização irreal

A verdade é que a Tesla já vinha apresentando resultados ruins e a eleição de Trump, com Musk ao seu lado, foi capaz de puxar uma recuperação irreal típica de especulação em bolsas de valores, sem lastro no balanço da companhia que justificasse tamanha valorização. Em 2024 a Tesla apurou receitas de US$ 97,7 bilhões, praticamente iguais às de 2023, e queda de 53% no lucro líquido, que fechou o ano passado em US$ 7 bilhões.

Foi necessário dar muitos descontos para enfrentar a concorrência cada vez mais acirrada, especialmente de fabricantes da China, com a BYD à frente. Assim as vendas globais em 2024 ficaram estagnadas em 1 milhão 790 mil carros e a Tesla perdeu para BYD o posto de maior fabricante de veículos elétricos do mundo.

Desde 2019 a Tesla não lança nenhum carro de volume como o Model 3. Com isto os concorrentes chineses não só alcançaram como ultrapassaram a icônica empresa de Musk, que prometeu muitas evoluções, como robotáxis e plataforma própria de inteligência artificial, mas entregou poucas dessas promessas até agora. A grande aposta da companhia no momento é o lançamento, este mês, do novo SUV Model Y, já produzido em três países: Estados Unidos, Alemanha e China.

O provável recall de todas as picapes Cybertruck já produzidas no Texas, que estão soltando partes da carroceria por problemas de fixação da cola, também é visto como de grande potencial para ampliar as perdas da Tesla este ano – neste caso a irônica sorte é que o estranho modelo nunca foi um sucesso de vendas.

Tempestade perfeita

E o ano não começou nada bem para a Tesla, com ataques diretos à marca. No início de março uma dúzia de seus carros foram incendiados no sul da França e nos Estados Unidos em Boston, Las Vegas e no Oregon. Com a escalada de violência contra a empresa e seu CEO o Vancouver Autoshow, no Canadá, quer remover a Tesla da exposição por preocupações com a segurança.

Evidências apontam que as ocorrências são a reação negativa às ações de apoio à extrema direita de Elon Musk, que já foi tema de recentes protestos populares na Alemanha, no Reino Unido, no Canadá e nos Estados Unidos.

O desempenho de mercado neste início de ano está em linha com a imagem arranhada da marca. No primeiro bimestre, em comparação com o mesmo período de 2024, as vendas da Tesla caíram 11% nos Estados Unidos, na Europa houve retração de 44% e na China o tombo foi de 49% – lá a empresa produz os Model 3 e Y e tem sua maior fábrica, com capacidade de produzir 950 mil carros por ano.

Também na Europa a competição está muito maior para a Tesla. A Volkswagen, por exemplo, oferece generosos descontos em seus modelos elétricos rivais dos Model 3 e Y para atingir metas de emissões mais restritivas da União Europeia em 2025.

“Os competidores não só alcançaram a Tesla em termos de portfólio e tecnologia mas também cortaram preços porque precisam atender à legislação europeia para não pagar multas”, contou Benjamin Kibies, analista da Dataforce, em entrevista ao Autonews Europe. Ele acrescentou que “a Tesla está passando por uma tempestade perfeita.”

Diante da piora rápida da situação alguns de seus maiores investidores já pedem que Musk se afaste da direção da empresa, ao menos enquanto estiver envolvido na aventura política de impor seu padrão de governança ao governo dos Estados Unidos.

O sentimento é que a Tesla está em um estágio crítico e sem um CEO totalmente engajado em sua gestão será difícil superar as adversidades – menos ainda quando o próprio dono impõe novas dificuldades à empresa.

Fiat Pulse alcança 150 mil emplacamentos no Brasil

São Paulo – O Fiat Pulse, lançado em outubro de 2021, atingiu a marca de 150 mil unidades emplacadas no Brasil. O SUV é produzido na fábrica de Betim, MG, de onde também saem as versões que são vendidas em dez mercados da América Latina. 

O modelo foi o primeiro SUV compacto da Fiat e, posteriormente, foi escolhido para ser o primeiro modelo híbrido flex nacional da marca, junto com o Fastback. A Fiat comercializa o Pulse híbrido nas configurações Audace e Impetus. 

No primeiro bimestre de 2025 o Fiat Pulse somou 6,9 mil vendas, o décimo-nono modelo mais vendido de acordo com o ranking de automóveis e comerciais leves da Fenabrave.

Vendas na Europa caem 3% no primeiro bimestre

São Paulo – As vendas de automóveis e comerciais leves, na Europa, somaram 1,7 milhão de unidades no primeiro bimestre, queda de 3% na comparação com iguais meses do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Acea, entidade que representa o mercado automotivo local. 

Esse recuo foi puxado pela menor demanda em três dos quatro principais mercados, com queda de 6% na Itália, 4,6% na Alemanha e 3,3% na França. A Espanha registrou alta de 8,4%.

No primeiro bimestre os veículos eletrificados continuaram ganhando espaço na região, representando 57,8% do total comercializado, sendo 35,2% híbridos convencionais, 15,2% elétricos e 7,4% híbridos plug-in. Os veículos movidos a gasolina e diesel conquistaram fatia de 38,8%. 

Em fevereiro a retração nas vendas foi de 3,4%, com 853,7 mil unidades comercializadas. De acordo com a Acea esse recuo foi puxado por dois países, Alemanha e Itália, que registraram quedas de 6,4% e 6,2%, respectivamente.

Compra de pesados para locação segue tendência de alta

São Paulo – A mudança da mentalidade de transportadores quanto à propriedade de veículo aliada ao momento de juros altos, o que torna o crédito caro para a compra de caminhões, tem estimulado a locação destes veículos. De acordo com dados da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, divulgados durante entrevista coletiva à imprensa na terça-feira, 25, a aquisição de caminhões para locação cresceu 31,4% no ano passado, para 13,4 mil unidades. A frota de 50,9 mil unidades foi ampliada em 19,2%.

“Este é um setor que vem crescendo”, constatou Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da entidade. “Empresas de transporte perceberam que seus negócios são de logística e não de veículos, portanto estão migrando suas frotas, ao optarem por pagar pelo uso e não pela posse.”

O dirigente acrescentou que como os setores de construção civil, logística e agronegócio seguem aquecidos, este produto deve continuar sendo buscado para ser ofertado por meio de aluguel, tanto que todas as montadoras dispõem de empresa própria para esta finalidade.

Os emplacamentos de ônibus e micro-ônibus também tiveram destaque no ano passado, ao expandir 27,9%, com 2,7 mil unidades, o que levou a frota total a 8,8 mil veículos, avanço de 10,5%.

“Tivemos um ano aquecido em 2024 e, talvez em 2025, com a continuidade de investimentos de programas públicos, a demanda deverá se manter em alta.”

A compra de motos disparou quase 90%, com 70,5 mil unidades. A frota foi ampliada em 81,4%, para 140,8 mil veículos: “Este é um mercado que está crescendo muito no Brasil. Seja para logística, entregas de supermercados, drogarias e outras encomendas, além do serviço de moto táxi”.

Os emplacamentos de automóveis e de comerciais leves pelas locadoras cresceram 9,9%, tendo sido adquiridas 649,4 mil unidades em 2024. A frota expandiu 3%, para 1,6 milhão de veículos.

O número de locadoras no Brasil aumentou 19,2%, no ano passado, para 31,4 mil empresas – inclusas as 7,7 mil dos outros meios de transporte, como motos, caminhões e ônibus. Com isto o número de empregos foi ampliado em 7,5%, superando, pela primeira vez, a marca de 100 mil funcionários: 105,6 mil.

Locadoras planejam comprar 650 mil veículos em 2025

São Paulo – Os juros elevados, com a Selic a 14,25% ao ano, também têm mexido com as operações das locadoras de veículos: embora elas tenham ampliado em 9,9% suas compras de 0 KM no ano passado, ao adquirir 649,4 mil automóveis e comerciais leves, para este ano a perspectiva é a de manutenção deste volume, com 650 mil unidades, ou até um pouco menos, a depender das condições do mercado.

Foi o que afirmou o presidente da Abla, Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis, Marco Aurélio Nazaré, durante entrevista coletiva de imprensa na terça-feira, 25:

“Existe um forte potencial no negócio de aluguel de carros apesar do momento em que vivemos. A questão é que a atividade demanda muito capital intensivo e com custo muito alto, com o maior juro real do mundo. Ao mesmo tempo temos procura por nossos produtos e serviços, o que faz com que tenhamos de seguir investindo. E nos obriga a ajustar as tarifas para termos a sustentabilidade do nosso negócio”.

O dirigente relatou, ainda, que nos últimos dois anos foi observada forte depreciação dos seminovos, o que fez com que o intervalo da compra do 0 KM para a venda do usado aumentasse, o que coincidiu com o aumento do custo do capital:

“Temos nos perguntado: como conviver com esses problemas? Precisamos ser resilientes o suficiente para nos adaptarmos e ajustarmos nossa gestão para manter a capacidade de geração de caixa. Por este motivo comparemos o mesmo número de carros de 2024, cerca de 650 mil, ou até um pouco menos, o que dependerá do quão agressivas as montadoras serão com suas políticas comerciais, cientes de que compramos de 25% a 30% da produção nacional”.

Nazaré afirmou que se a Selic subir mais – o que é aguardado, uma vez que a projeção do Boletim Focus é que a taxa encerre 2025 a 15% ao ano – o volume de emplacamentos deverá diminuir. Ele reconheceu, contudo, que o potencial de crescimento deste mercado “é muito grande, podendo duplicar ou triplicar”.  

O reflexo na redução da rentabilidade das locadoras foi mostrado no ano passado com a renovação de frota em detrimento da ampliação do volume, que aumentou 3%, para 1,6 milhão de unidades. Com isto a idade média da frota baixou de 18,3 meses para 17,5 meses.

Aquisição de veículos para locação é focada em modelos de entrada

Outro ponto é que os veículos adquiridos tiveram seu tíquete médio reduzido de R$ 112,6 mil em 2023 para R$ 105,9 mil em 2024, o que deverá seguir baixando este ano, segundo Paulo Miguel Júnior, vice-presidente da Abla.

Os modelos mais adquiridos no ano passado foram veículos de entrada, como hatches e sedãs pequenos que, somados, representaram 50% das compras. Os SUVs ainda têm participação relevante na frota, de 22,4%, decorrente de aquisições de anos anteriores, mas a tendência é que a aquisição diminua.

“Trata-se de mix de veículos mais baratos que se enquadram ao perfil atual do usuário brasileiro, que não tem tanta renda disponível para a locação de veículos”, disse Miguel Júnior. “Por isto tivemos de baixar o tíquete médio, o que não quer dizer que o custo do carro diminuiu. E esta é tendência explicitada por empresas de mercado aberto.”

Dados da Abla mostram que o Volkswagen Polo Track foi o modelo mais emplacado pelas locadoras no ano passado, com quase 65 mil unidades. Junto com a Fiat, as fabricantes representaram mais da metade das aquisições das locadoras, tendo a GM na terceira colocação, com 14,8% de participação.

Quanto aos eletrificados foram emplacadas 7,9 mil unidades, alta de 108,5%, sendo a maioria híbridos leves e plug-ins, o que compõe frota de 14,9 mil unidades, que avançou 77,4% no ano passado. Segundo o vice-presidente modelos 100% elétricos têm mais saída em carros por assinatura e logística.

Em 2024 foram investidos R$ 68,7 bilhões para a compra dos automóveis e comerciais leves novos, alta de 17,8%. Sobre a destinação dos veículos alugados 54% foram de longo prazo, em contratos feitos por empresas ou clientes de carro por assinatura. Enquanto que o de curto prazo, dedicado ao turismo de lazer e negócios e para motoristas de aplicativo, respondeu por 46%.

Nazaré acredita que, dadas as condições econômicas, a procura pela locação de longo prazo aumentará em maior escala do que a de curto prazo, que sofre mais com capacidade de pagamento limitada: não raro as empresas parcelam em até dez vezes valores a partir de duas diárias.

“Neste cenário de crédito caro e escasso e de preços dos carros ainda elevados a locação torna-se mais vantajosa do que a compra de veículos, que implica, principalmente, custos de aquisição, manutenção e depreciação.”

Volare apresenta Fly 10 a gás ou biometano

São Paulo – A Volare apresentou seu primeiro micro-ônibus movido a GNV, gás natural veicular, ou biometano: unidades do Fly 10 estão em circulação em Guarulhos, SP, e em Belo Horizonte, MG, e foram apresentadas no Seminário do Seclima, organizado pela Prefeitura de São Paulo. 

Equipado com três cilindros de combustível, capazes de armazenar 360 litros de GNV ou biometano, proporciona autonomia de até 450 quilômetros, dependendo da aplicação. O sistema está disponível no Fly 10 para segmentos urbano, executivo e escolar.

A tecnologia deverá ser expandida para outros modelos do portfólio Volare, que conta também com o Attack 10 híbrido, elétrico e flex, apresentado no ano passado. Seu desenvolvimento demorou quatro anos e a sua operação reduz em até 96% as emissões de material particulado e em até 84% os gases que causam efeito estufa.

Ducati apresenta nova motocicleta nacional com produção limitada

São Paulo – A Ducati anunciou a chegada de uma nova motocicleta para o mercado brasileiro, a Hypermotard 698 Mono RVE, que teve sua montagem limitada a cem unidades na fábrica de Manaus, AM. Elas foram distribuídas para as concessionárias, com preço de R$ 95 mil, e algumas já foram vendidas.

O CEO Daniel Paixão disse que a expectativa para o ano é de produzir cerca de 1,3 mil motocicletas na fábrica instalada no PIM, Polo Industrial de Manaus: “Nosso portfólio é todo nacional. A fábrica é dedicada ao mercado brasileiro e não exportamos, mas buscamos localizar todos os produtos que vendemos por aqui”.

Daniel Paixão, CEO da Ducati no Brasil

Na comparação com 2024 o volume de produção e vendas ficará estável, segundo o CEO.

A Hypermotard 698 Mono é a primeira Ducati supermotard monocilíndrica de uso urbano, equipada com o motor Superquadro Mono de 695 cm³, o mais potente da sua categoria no País, com 77,5 cv de potência. Este motor é derivado do Superquadro de 1 mil 285 cm³ de cilindrada que equipa a 1299 Panigale, utilizando algumas tecnologias de ponta como válvulas de admissão em titânio e camisas do cilindro em alumínio.

Marcas chinesas invadem o mercado brasileiro com planos ainda tímidos de produção

São Paulo – A explicação para a chegada de tantas marcas chinesas ao mercado brasileiro nos últimos meses está nos números: o Brasil é sexto maior mercado do mundo, com vendas projetadas na faixa de 2,8 milhões de unidades, somados leves e pesados, em 2025.

“Não existe marca global, seja asiática ou europeia, que não tenha o Brasil no radar”, disse Ronaldo Znidarsis, CEO da Zeekr. Ele participou do Fórum Direções: Conexão Brasil-China, organizado pela revista Quatro Rodas na terça-feira, 25, em São Paulo. Henrique Sampaio, diretor de marketing e produto da SAIC, que planeja começar a vender seus carros no segundo semestre, concordou e acrescentou: “O brasileiro absorve muito rápido as novidades. E hoje o que há de mais novo na indústria automotiva vem da China”.

Para fazer companhia à Chery, agora Caoa Chery, e Jac, já por aqui há mais de uma década, chegaram GWM e BYD e, mais recentemente, anunciaram início de operações, somente no segmento de leves Neta, Zeekr, Omoda Jaecoo, Leapmotor, Geely, GAC e SAIC – e há outras em tratativas avançadas e em outros segmentos, como a Foton.

“Temos contrato assinado com duas marcas e estamos fechando com uma terceira, de vários segmentos”, afirmou Oswaldo Ramos, consultor da PRA Consultoria e Serviços Automotivos. “Não posso revelar os nomes pelos contratos de confidencialidade. Mas existem mais negociações.”

A atratividade do mercado brasileiro serve ao planejamento, na China, de ampliar suas exportações de veículos devido ao excesso de capacidade. Segundo Cláudia Trevisan, diretora executiva do CEBC, Conselho Empresarial Brasil China, de sexto em 2019 a China passou a maior exportador do mundo no ano passado, superando Estados Unidos, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e México: “Eles miram a Rússia, de onde as montadoras ocidentais saíram [por causa da guerra com a Ucrânia], os países do Golfo, a África e a América Latina”.

Esta visão para o Exterior mexe também no planejamento de desenvolvimento de produto: os chineses começaram a pensar em carros que não sejam para seu público doméstico, segundo Sampaio, da SAIC: “As áreas overseas das empresas chinesas são as que mais crescem. Com a competitividade do mercado local, onde existem mais de 150 marcas, é na exportação em que estão as maiores margens. Nos bastidores eles trabalham mais em desenvolvimento de híbridos, já de olho no Brasil”.

Preço por aqui não deverá ser problema, mesmo com a recomposição do imposto de importação para eletrificados.

“Os planos da GAC foram feitos já prevendo o retorno do imposto”, disse Marcello Braga, diretor de marketing da empresa que tem planos de iniciar sua operação ainda no primeiro semestre. “Haverá esforço para não repassá-lo ao consumidor e, mais à frente, pretendemos a produção local para escapar desta questão tributária.”

Produzir no Brasil está nos planos

A Caoa Chery é, hoje, a única a produzir carros, em Anápolis, GO – e tem uma fábrica parada em Jacareí, SP, na qual a Omoda Jaecoo, que é do Grupo Chery, está de olho. Mas quase todas divulgam plano de produzir seus veículos por aqui.

Das que participaram do Fórum Quatro Rodas as exceções são a Jac, que chegou, no passado, a anunciar produção em Camaçari, BA, mas abortou o plano, e a Zeekr, que pertence ao Grupo Geely e foca no segmento de luxo. A GAC tem plano de investir US$ 1 bilhão, a BYD constrói sua fábrica na cidade onde a Jac cancelou seus planos e a GWM programa ainda para o primeiro semestre a inauguração de sua unidade em Iracemápolis, SP. A Leapmotor, que integra a Stellantis, não confirmou oficialmente, mas tem à disposição toda a estrutura do grupo por aqui. 

E a SAIC, que entrará com a marca MG, disse que seus planos serão divulgados no segundo semestre, segundo Sampaio: “Quem vem com intenção de entrar forte no mercado brasileiro precisa ter uma fábrica”.

No início de abril a Geely, que fez parceria com a Renault, revelará seu primeiro carro e seu planejamento de vendas e produção local, na fábrica de São José dos Pinhais, PR.

“Nós vendemos quase 30 mil unidades no ano passado e temos uma fábrica com capacidade para 50 mil veículos por ano”, disse Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais da GWM. “Inauguraremos uma fábrica com mais de 50% de capacidade usada.”

Até que ponto é uma invasão chinesa?

Para Sérgio Habib, presidente da Jac Motors, os chineses estão chegando em grande número de marcas mas não devem ameaçar os volumes das montadoras já consolidadas: “Para competir aqui, de igual para igual, é preciso ter um hatch com motor 1.0 flex. Sem essa jabuticaba, sem carros com preços inferiores a R$ 160 mil, a chamada invasão chinesa não deverá superar os 10% do mercado”.

Ele alertou também para as vendas de 100% elétricos, que têm caído – embora a dos híbridos, puxados pelos MHEV da Fiat, e dos PHEV tenham seguido trajetória oposta: “Ao fim deste ano os elétricos não representaram mais do que 2,3% das vendas”.

Grupo Sada anuncia Luísa Medioli como diretora de sustentabilidade

São Paulo – O Grupo Sada anunciou Luísa Medioli como responsável pela recém-criada diretoria de sustentabilidade e pela condução de todas as iniciativas da empresa nesta área. Formada em relações internacionais pelo IBMEC a executiva também tem MBA em administração de negócios pela Rotterdam School of Management.

Antes de assumir a posição Medioli trabalhou diretamente na agenda de inovação e estratégia do Grupo Sada, liderando o estabelecimento do mapa estratégico dos cinquenta anos da empresa.

Em outra vertical de negócios, a rede de concessionárias Deva, também foi anunciada mudança, tendo Luca Medioli como responsável pela nova gerência comercial. Com a reorganização as gerências comerciais de vendas a governos e de vendas corporativas estão subordinadas à gerência executiva.

O executivo anteriormente integrou a área de planejamento e análise financeira. Formado em administração pela PUC MG ele está concluindo o MBA em engenharia de produção na USP.

Phinia anuncia novo gerente de marketing para a reposição

São Paulo – A Phinia anunciou David Angelo como o novo gerente de marketing para o mercado de reposição da América do Sul. Sua missão será reforçar a presença da marca por meio do desenvolvimento de produtos e da comunicação com diferentes públicos de interesse estratégico para a empresa.

Com 22 anos de carreira, dos quais oito deles na Alemanha, o executivo acumula experiência com consultoria de campo e treinamento para empresas do mercado de reposição além de gestão de categorias de produtos e desenvolvimento de marca própria para empresas do segmento de distribuição.

Formado em mecatrônica automotiva pela BK Lüttfeld, com especialização em tecnologia de automóveis pela IHK Darmstadt/SEAT, na Alemanha, David trabalhou na Agria-Werke e na Autohaus Stegelmann, e na Rede Pitstop e Fortbras, no Brasil.