Brasil amplia acordo automotivo com a Argentina

São Paulo – O presidente em exercício Geraldo Alckmin assinou na terça-feira, 17, decreto que amplia o acordo automotivo do Brasil com a Argentina. Segundo o MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do qual Alckmin também é titular, a nova regra facilita as condições de acesso para ônibus, vans e caminhões de até 5 toneladas em ambos os mercados.

O decreto também mexe com as regras as tarifas de importação de autopeças que não são produzidas na região. Elas serão zeradas e as empresas obrigadas a investir 2% do valor das importações em pesquisa e inovação, ou em programas industriais com foco no setor automotivo.

A lista será constantemente revista e atualizada, de acordo com o decreto.

Hyundai anuncia Lauro Gonçalves como diretor de P&D

São Paulo – A Hyundai anunciou a contratação de Lauro Gonçalves como seu novo diretor de Pesquisa & Desenvolvimento para a operação nacional. O executivo será responsável pelos laboratórios do centro de P&D em Piracicaba, SP, o único da marca no Hemisfério Sul, e por equipe composta por cerca de cem engenheiros. Ele se reportará diretamente ao COO para o Brasil e às Américas Central e do Sul, Marcos Oliveira.

Com mais de três décadas de experiência no setor, com passagens por General Motors e Honda, Gonçalves é formado em desenho industrial com habilitação em projeto de produto pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Tem MBA em gestão empresarial pela FGV e especializações internacionais, como a de aerodinâmica veicular pela ALE, Universidade de Stuttgart.

Brasil segue rota de crescimento em uma Nissan em reorganização

Mogi das Cruzes, SP – A operação brasileira da Nissan trafega em sentido oposto ao da global. Enquanto a ordem, lá fora, é cortar custos e readequar volumes produtivos, por aqui a perspectiva é crescer a produção em Resende, RJ, e adicionar novos modelos às linhas de montagem. O plano de R$ 2,8 bilhões em investimentos até o fim do ano fiscal de 2026 segue firme e inalterado. Nos próximos dias chega às revendas a nova geração do Kicks e em mais alguns meses o novo SUV, ainda cercado de mistério, deverá entrar em produção.

“Na Nissan enxergamos o Brasil como uma grande oportunidade”, disse Christian Meunier, chairman da Nissan Américas, ao comentar sobre o plano Re:Nissan a um grupo de jornalistas. “O desempenho aqui está bom, no México estamos indo bem e na América do Norte estamos em recuperação. O que precisamos, globalmente, é reduzir os custos, fixos e variáveis, para que a Nissan se adeque ao seu tamanho.”

Na divisão Américas, a maior da Nissan, responsável por 45% das vendas globais, em torno de 1,5 milhão de unidades, e com mais peso em termos de receita, o objetivo é reduzir US$ 1 bilhão em custos fixos e US$ 1 bilhão em variáveis no ano fiscal de 2025, iniciado em março. O encerramento da operação fabril na Argentina, com a transferência da produção da Frontier para o México, e o fechamento do escritório da Nissan no Rio de Janeiro, RJ, são dois exemplos de cortes de custos fixos na América do Sul. Meunier não entrou em pormenores, mas as ações mais robustas deverão ocorrer na América do Norte.

“Precisamos voltar ao básico. Engajar funcionários e concessionários, especialmente nos Estados Unidos. Aguardem os resultados: faremos a Nissan voar.”

No Brasil a expectativa é reduzir custos ganhando escala. Na fábrica de Resende, que produz o Kicks Play e o Kicks, para Brasil, Argentina e Paraguai, quatrocentos trabalhadores estão sendo incorporados para elevar de 24 para 32 veículos por hora a cadência produtiva.

Guy Rodriguez, presidente da Nissan América Latina, disse que o plano de ampliação terminará quando o segundo SUV, que terá produção exclusiva no Brasil e será exportado para mais de vinte países, incluindo o México, entrar em linha. E deixou escapar: será no ano fiscal atual, ou seja, até o fim de março de 2026.

Tarifas

Questionado sobre o vai e vem de tarifas aplicadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Meunier, que liderou a operação brasileira da Nissan de 2010 a 2012, brincou: “Sou muito bem treinado nesta questão de tarifas, porque eu estive no Brasil”.

Disse o chairman da Nissan Américas que este movimento em nada afeta o Brasil e que pouco deverá mudar com relação ao México, local que abastece o mercado estadunidense com os veículos de entrada, como Kicks Play, Kicks, Versa e Sentra:

“Manteremos a produção no México, onde somos a empresa que mais vende produto local, e buscaremos ampliar os volumes nos Estados Unidos”.

Não há planos de transferir produtos de fábricas de um país para o outro – e Meunier acrescentou que são movimentos que demandam um prazo mínimo de um ano e meio. E insistiu: “Não há efeitos das tarifas dos Estados Unidos no Brasil”.

Trabalhadores da Mercedes-Benz aprovam acordo salarial por dois anos

São Paulo – Os cerca de 6 mil trabalhadores da linha de produção da Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo, SP, aprovaram em assembleias realizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC na terça-feira, 17, acordo salarial coletivo válido por dois anos, com o objetivo de garantir maior previsibilidade.

Para este ano o reajuste salarial será de 7%, sendo 5,3% referentes ao INPC, Índice Nacional de Preços ao Consumidor, acumulado nos doze meses terminados em maio, mais 1,6% de aumento real, retroativos a 1º de maio, data-base dos operários da empresa. Em 2026 serão aplicados a reposição da inflação além de 1% de ganho real.

O vale-alimentação será corrigido em 16,6% em 2025, retroativo a 1º de maio e, a partir do quinto mês do ano que vem, será injetado novo reajuste neste mesmo porcentual. As cláusulas sociais também foram renovadas.

Sérgio Habib é denunciado por discriminação contra pessoas com deficiência

São Paulo – Sérgio Habib, dono do Grupo SHC e presidente da Jac no Brasil, deverá responder por crime de discriminação contra pessoas com deficiência. Uma denúncia foi entregue à Justiça de São Paulo pela promotora Natália Rosalem Cardoso, do Gecradi, Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância, em 5 de junho, segundo o MPSP, Ministério Público do Estado de São Paulo.

A denúncia tem como base uma declaração de Habib durante o podcast Primocast, em 13 de maio de 2024. Na ocasião ele sugeriu que o governo acabasse de forma silenciosa com as vantagens fiscais para pessoas com deficiência para que a indústria pudesse reduzir o preço dos carros:

“O governo deveria acabar com o deficiente no Brasil e a indústria reduzir em 5% o preço dos carros. Nós vendemos carro para deficiente mas as pessoas que compram são gente como a gente: ele é surdo de um ouvido e compra carro PcD. Isso é uma vergonha”.

Segundo a promotora, a fala configura o uso de meios de comunicação para praticar discriminação. O estatuto da Pessoa com Deficiência prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, mais multa. Na denúncia a promotora solicitou que a Justiça estabeleça indenização mínima de vinte salários mínimos para reparação dos danos morais coletivos causados por Habib.

Em nota oficial o empresário disse que o tema do podcast era o preço dos veículos, as tributações e a isenção de impostos para PcD e, quando ele disse para acabar com os deficientes físicos, ele se referia ao fim da isenção, e não com as pessoas portadores de deficiência:

“No processo mencionado ainda não houve a citação para apresentação das respectivas defesas processuais”, afirmou a nota, “que esclarecerão que as falas foram direcionadas exclusivamente aos impostos desta categoria de veículos. Inclusive, em caso análogo derivado desta mesma entrevista, o Ministério Público do Rio de Janeiro já promoveu o arquivamento de outro inquérito por entender que não houve qualquer prática de crime, uma vez que as falas pinçadas do contexto se referiam exclusivamente aos impostos dos veículos PCDs, e não às pessoas”.

Locadoras puxam vendas de veículos na primeira quinzena

São Paulo – Durante os quinze dias iniciais de junho foram emplacados 96,9 mil automóveis e comerciais leves, avanço de 4,5% comparado ao do mesmo período do ano passado, em que foram vendidos 92,8 mil unidades, e aumento de 2,9% frente às duas primeiras semanas de maio, com 94,2 mil unidades.

Em dez dias úteis foram emplacados, em média, 9,7 mil automóveis e comerciais leves por dia. No ano passado o número havia sido, aproximadamente, 9,3 mil unidades diárias.

Os dados, obtidos a partir de levantamento da Bright Consulting, indicam que a venda direta foi a responsável pelo crescimento: respondeu por 52,7% dos emplacamentos, a maior participação observada no ano. Em maio o porcentual foi de 50% e, em junho de 2024, 43,5%.

Por sua vez as vendas nos showroons, fundamentais para a rentabilidade das redes de concessionários, apresentaram recuo em sua participação durante as duas semanas iniciais de junho, de 50% para 47,3%.

“Os dados mostram avanço consistente nas operações com frotistas, locadoras e clientes corporativos, que vêm impulsionando o mercado em 2025, com média acumulada de 46,1% no ano, contra 42,1% em 2024”, informou o documento da Bright.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano somado à quinzena de junho o mercado registrou 1 milhão 24 mil veículos leves emplacado, 6% acima dos 966,3 mil de igual período do ano passado.

Por marcas

No ranking por marcas o destaque foi a Volkswagen, que avançou 3,5 pontos porcentuais e sua fatia passou de 16,4% para 19,9%, com 19,2 mil unidades – ainda assim manteve-se na segunda colocação na quinzena. A líder Fiat perdeu 0,7 ponto porcentual, mas assegurou sua posição, com market share de 20,7% e 20 mil veículos vendidos. Para fechar o pódio a Chevrolet comercializou 10,2 mil unidades e respondeu por 10,6% do total.

Na quarta posição vem a Hyundai, com 9,4 mil emplacamentos e participação de 9,7%. E, na quinta colocação, a Toyota, que vendeu 7,4 mil unidades ficou com fatia de 7,7%.

Eletrificados continuam ampliando presença

As vendas de automóveis e comerciais leves elétricos e híbridos na quinzena somaram 8,8 mil unidades, 36% acima do mesmo período em junho do ano passado, 6,5 mil veículos, e 1,1% além das 8,7 mil unidades das duas semanas iniciais de maio. Os eletrificados representaram 9,2% do comércio do período.

No acumulado dos cinco primeiros meses de 2025 mais a quinzena o crescimento é de 40,7% quando se compara os 99,3 mil eletrificados emplacados contra os 70,5 mil em igual período de 2024. A participação subiu de 7,3% para 9,7% neste período.

Governo da Argentina busca facilitar importação particular de veículos novos e usados

São Paulo – O governo argentino trabalha para facilitar a importação particular de veículos novos e usados, afirmou o ministro da Desregulamentação, Federico Sturzenegger. As resoluções necessárias para facilitar este processo serão publicadas nos próximos dias.

De acordo com reportagem do Motor 1 Argentina a Resolução 222/2025, publicada na segunda-feira, 16, no Diário Oficial, ampliou o leque de órgãos que podem homologar veículos e peças para registro, seguro e circulação na Argentina.

Até então, a homologação era de responsabilidade do Instituto Nacional de Tecnologia Industrial e do Instituto Argentino de Normalização. E, agora, serão considerados também certificados emitidos por organizações como os institutos TRANS/WP.29/343, reconhecidos pela Organização das Nações Unidas, entidades aprovadas pela Cooperação Internacional para Acreditação de Laboratórios e instituições que reportam conformidade regulatória de laboratórios cujos ensaios seguem a norma ISO 17025.

Pressupõe-se, desta forma, que se um carro atender aos requisitos de emissões, segurança e qualidade para venda em mercados como Europa, Estados Unidos, Japão ou Austrália, também estará apto para circular na Argentina.

A falta de procedimentos de aprovação flexíveis, de acordo com a reportagem, era um dos obstáculos que impediam indivíduos de participar da cota de importação de veículos de energia alternativa sem pagar direitos aduaneiros.

O conceito de importadores privados estava incluído na regulamentação mas, na prática, eles eram obrigados a concluir os procedimentos de aprovação como se fossem fabricantes de automóveis.

Audi abre pré-venda de mais dois modelos elétricos

São Paulo – A Audi já aceita encomendas para dois novos modelos elétricos que chegarão ao Brasil no segundo semestre: o Q6 Sportback e-tron e o SQ6 Sportback e-tron. Os dois serão vendidos em versão única, com preços de R$ 625 mil e R$ 685 mil, e já podem ser reservados nas quarenta concessionárias que a empresa mantém no Brasil.

Os dois modelos são produzidos na PPE, nova plataforma elétrica premium, com arquitetura elétrica de 800 volts, o que permite recargas mais rápidas e maior autonomia. A bateria é de íons de lítio de 100 kWh que pode ser recarregada de 10% a 80% em 20 minutos em eletropostos ultrarrápidos.

Audi SQ6

O Q6 Sportback e-tron tem potência de 387 cv e autonomia de até 427 quilômetros e o SQ6 Sportback e-tron tem 517 cv com a mesma autonomia.

Revo encomenda 50 eVTOLs da Eve por US$ 250 milhões

São Paulo – A Revo assinou acordo com a Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, para a aquisição de até cinquenta eVTOLs no valor de US$ 250 milhões. O contrato é o primeiro deste tipo assinado com a Eve em todo o mundo, e a Revo estreará a operação de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical da marca em São Paulo.

Dedicada à mobilidade aérea de alto padrão e pertencente ao grupo multinacional de origem portuguesa Omni Helicopters International, a Revo foi lançada há dois anos quando passou a oferecer voos de helicóptero com serviço de primeira classe e reserva em poucos minutos.

São Paulo é hoje a cidade com a maior frota de helicópteros do mundo, com mais de 410 aeronaves registradas e 260 helipontos, onde são realizados 2,2 mil pousos e decolagens todos os dias. Uma das rotas diárias ofertadas pela empresa é a ligação do Aeroporto de Cumbica à Avenida Brigadeiro Faria Lima, que faz trajeto aéreo em 10 minutos, em vez de 90 minutos a três horas horas de carro.

A entrega da primeira aeronave está prevista para o fim de 2027.

Mercado peruano de veículos registra o melhor resultado desde 2013

São Paulo – De janeiro a maio a venda de veículos leves no mercado peruano atingiu o melhor resultado para o período desde 2013, com 74,1 mil unidades, crescimento de 14,5% na comparação com iguais meses do ano passado. Segundo a AAP, entidade que representa o mercado local, esse avanço foi puxado pelos SUVs, que representaram a maior parte da demanda, com 37,4 mil unidades: são os preferidos dos consumidores.

O crescimento do mercado de veículos leves foi alavancado por fatores como a melhora da economia local, maior geração de empregos, maior disponibilidade de financiamento e uma maior oferta de modelos e de campanhas comerciais realizadas pelas montadoras.

Em maio as vendas de veículos leves somaram 14,4 mil unidades, o terceiro melhor resultado do ano, atrás de janeiro e março. Na comparação com igual mês do ano passado houve crescimento de 19,7% e com relação a abril o incremento foi de 0,1%.

No acumulado do ano as vendas de caminhões somaram 7,8 mil unidades, volume 22% maior do que o de iguais meses de 2024. Em maio foram vendidos 1,6 mil caminhões, avanço de 24,7% na comparação com idêntico mês do ano passado e queda de 15% com relação a abril.

A demanda por ônibus cresceu 45,6% de janeiro a maio, com 1,5 mil veículos vendidos. Em maio foram comercializados 327 unidades, alta de 44,1% sobre igual mês do ano passado e de 5,5% na comparação com abril.