ABG amplia atuação em OEM

O Grupo ABG atende aos principais mercados de montadoras e sistemistas, tanto para veículos leves como comerciais, ônibus e pesados, assim como equipamentos de construção, agrícolas e até empilhadeiras. Seus produtos servem aos segmentos de rodas em alumínio, estruturas de bancos, conjuntos de aço estampados e soldados, peças técnicas em alumínio injetado, peças em polímeros injetadas e sopradas, peças usinadas, conjuntos montados, peças eletrônicas para motores e extintores de incêndios.

Com um planejamento estratégico denominado ABG Way, que tem como foco o crescimento sustentável, através de novos negócios e investimentos, impulsionando as receitas e atendendo às crescentes demandas por qualidade e inovações do setor, o Grupo ABG segue investindo em pessoal qualificado nas engenharias, nos laboratórios e nas unidades produtivas, tanto para suportar ampliação da capacidade produtiva, como em novas tecnologias. O conglomerado conta com mais de 100 profissionais de engenharia e laboratórios, desenvolvendo simultaneamente mais de 150 novos produtos, espalhados por seus centros de desenvolvimento e unidades produtivas.

O ABG Way norteou a decisão de abrir uma futura fábrica de rodas na Argentina, bem como instalar novas unidades no Brasil, fortalecendo sua presença em termos de capacidade, tecnologia, competitividade e atendimento logístico dos clientes. Alexandre Abage, presidente e CEO do Grupo ABG, destaca a importância do plano: “Estamos fazendo uma mudança na cultura organizacional visando atender as necessidades e o crescimento dos nossos clientes, o que vai ao encontro do nosso novo Modelo de Gestão, com foco em potencializar as oportunidades que tem colocado o Grupo em destaque no cenário nacional e global”, explica.

Unidade especializada em soluções power train, a Neo PWT está localizada em Salto/SP

Ricardo Guerini, vice-presidente executivo do Grupo, completa. “As empresas do Grupo ABG vêm sendo nomeadas por montadoras instaladas no Brasil e na Argentina para projetos que irão fortalecer a nossa presença no mercado OEM nos próximos anos. Com a entrada de produtos e soluções em todas as suas unidades fabris que agregam novas tecnologias, estão sendo realizados investimentos em expansão da nossa capacidade produtiva, ampliação do parque de equipamentos e contratação de pessoal qualificado.”

Além de novos negócios, essas ações têm trazido importantes reconhecimentos para o Grupo ABG. Desde 2016 o Grupo recebeu diversos prêmios de clientes, da mídia (incluindo o Prêmio Autodata em 2017, recebido pela Neo Rodas) e de instituições ligadas ao setor. Recentemente, as unidades Neo Parts e Neo PWT foram premiadas pelo Instituto Metropolitano de Engenharia e Tecnologia de Minas Gerais (Imet) com o prêmio Top Master Engenharias 2024, em função da qualidade de suas soluções.

Além disso, a Neo Rodas foi reconhecida em maio de 2024 pela Volkswagen, com indicação ao prêmio “The One”, que homenageia os melhores fornecedores do ano em várias categorias. Em setembro de 2024, a Neo Rodas também foi indicada como uma das melhores fornecedoras globais da Stellantis, sendo convidada para o evento de premiação anual em Turim, na Itália. Em dezembro de 2024, duas unidades do Grupo foram reconhecidas pela Volkswagen, como fornecedores de destaque em qualidade, na planta de motores em São Carlos/SP.

A empresa também foi uma das finalistas do Prêmio Autodata 2024, na categoria de Fornecedor do Ano. Alexandre Abage foi finalista na categoria de Personalidade do Ano, confirmando a relevância do executivo e da empresa no cenário automotivo brasileiro. “Ser reconhecido entre os principais executivos do setor e entre as principais empresas do universo automotivo brasileiro, por uma entidade tão tradicional e respeitável como Autodata, é uma grande honra e a confirmação de que estamos no caminho certo, na nossa trajetória do crescimento sustentável e excelência junto ao mercado”, salienta Abage.

Não olhe para cima

As intensas chuvas que têm atingido a cidade de São Paulo, causando um tremendo estrago, estão intimamente conectadas com as condições climáticas de Vancouver, no Canadá. Por aqui as últimas semanas foram um desastre climático experimentado pela última vez há noventa anos. Em janeiro a expectativa dos meteorologistas era de 22 dias com chuva e precipitação em torno de 162 mm. Hoje é o vigésimo-oitavo dia que estou em Vancouver e em apenas cinco deles choveu. Foram 30 mm de água até agora.

Desde 1º de janeiro fomos obrigados pelos eventos extremos a apreciar o céu azul e o sol iluminando a cidade pouco antes das 8 da manhã. Aqui no Hemisfério Norte, especificamente na ilha de Vancouver, ele se põe de forma exuberante em dois pontos: no píer da Granville Island e na English Bay Beach, minutos antes das 5 da tarde.

Faz calor. Órgãos especializados em condições meteorológicas informam que já ocorreram picos de 14,3º C, mas agora as expectativas de máximas e mínimas oscilam de 0º C na madrugada para 6º C boa parte do dia. Nesta quarta-feira, 29, a previsão do tempo de sol o dia todo era máxima de 8º C e mínima de 2º C, o que, convenhamos, para um canadense, dá para sair na rua de bermuda e camiseta. Este é o cenário do extremo climático que uma cidade que está a apenas 4 mil quilômetros do Círculo Polar Ártico enfrenta neste inverno: todo mundo nas ruas, tomando sol no rosto às 2 da tarde, frequentando os muitos bares e restaurantes ou ainda promovendo encontros ao ar livre durante o dia como se estivéssemos no verão.

Mas assim como pouco se tem feito na cidade de São Paulo para enfrentar as surpresas dos extremos climáticos Vancouver não está nem aí para o Global Warming. O governo da Columbia Britânica encaminhou projetos para a expansão do setor de combustíveis fósseis, mesmo tendo o compromisso de reduzir as emissões na província do litoral Oeste do Canadá em 40% até 2030 e em 80% até 2050. Algumas poucas notícias nas mídias do Canadá dão importância para o registro do aumento das emissões na Província da Columbia Britânica desde o fim da pandemia. Quanto tempo para o extremo climático ocorrido em Los Angeles, Califórnia, chegar aqui, distante apenas 2 mil quilômetros?

Diante desses acontecimentos e a reação que deveria ser imediata mas que quase nunca acontece, parece que a vida em 2025 reproduz o filme da Netflix Não Olhe para Cima, uma sátira ao negacionismo.

Esta é uma reflexão para lembrar que a indústria automotiva, especialmente a indústria nacional, tem muitas oportunidades de apresentar alternativas que diminuirão o impacto que a humanidade tem feito na biosfera. O aquecimento global, que produz eventos extremos, não vai deixar de existir de uma hora para outra, mas com ônibus elétricos circulando nas grandes cidades, veículos mais novos, movidos a etanol, e uma frota de caminhões que utilize combustíveis renováveis, já estaríamos dando um grande passo.

A segunda grande oportunidade para o Brasil seria tornar viável o hidrogênio verde como combustível. A matriz energética é tão importante quanto os produtos com tecnologias limpas, pois é a partir dessa eficiência em termos de emissões que será possível descarbonizar de fato a atmosfera

2025 está aí. Só é preciso ter coragem para assumir que a emergência climática é, de fato, algo emergencial e lutar para que as coisas certas realmente aconteçam. Já.    

Mais perdedores do que vencedores

São Paulo — Em 2024 foi consolidada a recuperação do mercado brasileiro de veículos leves, após dois anos de oferta reduzida, em 2021 e 2022, por falta de componentes eletrônicos que paralisou linhas de produção, e de 2023 com queda de demanda que foi parcialmente compensada pelo programa de descontos patrocinado pelo governo federal. Já no ano passado oferta e demanda flutuaram em níveis mais normais. Com pleno emprego, aumento de renda e crédito disponível as vendas surpreenderam e cresceram 14%, bastante acima das projeções iniciais, fechando doze meses com quase 2,5 milhões de automóveis e comerciais leves emplacados.

Mas desta vez boa parte do crescimento ficou concentrado nos modelos nacionais mais baratos, nas vendas diretas e nos carros híbridos e elétricos importados da China por BYD e GWM, provocando muitas subidas e descidas nas listas de marcas e de veículos mais vendidos, que tiveram mais perdedores do que vencedores.

Das dez marcas mais vendidas de veículos leves, que representaram 87% das vendas no Brasil em 2024, duas, GM/Chevrolet e Jeep, foram as únicas duas que anotaram quedas de volumes com relação a 2023. Outras quatro, Fiat, Hyundai, Toyota e Renault, tiveram crescimentos abaixo da média de expansão do mercado, de 14%. Apenas quatro fabricantes registraram porcentuais acima deste: Volkswagen, Honda, Nissan e BYD. Destas dez seis perderam participação de mercado e quatro ganharam.

Com estas variações as três maiores fabricantes do País – pela ordem Fiat, Volkswagen e General Motors – reduziram seu domínio do mercado brasileiro de 52,7% em 2023 para 49,8% em 2024, mas conseguiram se sustentar no pódio do ranking de vendas.

Daí para baixo tudo mudou. A Hyundai subiu à quarta colocação, ultrapassando a Toyota, que desceu à quinta. A Renault escalou um degrau, foi para o sexto, trocando de lugar com a Jeep, que baixou para o sétimo. Também trocaram posições Honda e Nissan, agora respectivamente em oitavo e nono no ranking.

E o décimo posto tem uma nova integrante, a BYD, que galgou cinco posições de um ano para outro, vendendo somente carros eletrificados importados da China, e empurrou para fora da lista das dez mais vendidas marcas com produção nacional como Caoa Chery, Ram, Peugeot, Citroën e Mitsubishi.

SÓ SUVs E PICAPES AVANÇAM

Dentre os vinte veículos mais vendidos de 2024 cinco registraram quedas de volumes com relação a 2023, oito observaram crescimento abaixo da média de 14% e apenas sete avançaram mais do que isto – dentre estes estão duas picapes e quatro SUVs, representando os dois segmentos que mais cresceram em 2024.

Dos quatro maiores segmentos de veículos leves do mercado brasileiro, em 2024, SUVs e picapes cresceram acima da média e seguiram ganhando participação de mercado, enquanto hatches e sedãs continuaram a encolher suas fatias com avanços abaixo da média geral.

A maior porção segue sendo dominada pelos SUVs, com 939,3 mil emplacamentos em 2024 e crescimento de 20%, 6 pontos acima da média, o que garantiu aumento de 1,9 ponto porcentual na participação de mercado, para 37,8%, com liderança do VW T-Cross, seguido por Chevrolet Tracker e Hyundai Creta.

O segmento de hatches, embora tenha perdido quase 1 ponto de participação, que baixou para 27,5% em 2024, ainda ocupa segunda maior porção do mercado, com crescimento de 10,1% no ano passado, somando 682,1 mil vendas, embaladas por modelos como VW Polo, Chevrolet Onix, Hyundai HB20 e Fiat Argo, que ocuparam as quatro primeiras posições no segmento de carros de passeio mais vendidos do ano passado.

Com bons desempenhos de modelos leves de volume como Fiat Strada e VW Saveiro as picapes continuaram a ganhar terreno em 2024, com 474,7 mil unidades, crescimento de 17,7% e expansão da participação de mercado em 0,6 ponto, para 19,1%.

O desempenho dos sedãs é o pior: 295,8 vendas, quase o mesmo número de 2023, com avanço insignificante de 0,7% e perda de 1,6 ponto de participação, que declinou para 11,9%.

Com Strada à frente Fiat lidera vendas pelo quarto ano consecutivo. Foto: Divulgação.

FIAT SEGUE LÍDER

No topo do ranking a Fiat segue soberana pelo quarto ano consecutivo, com 521,3 mil vendas em seu maior mercado do mundo. Única que vendeu mais de 500 mil veículos manteve folgada margem de 121 mil unidades à frente da Volkswagen, segunda colocada. No entanto as vendas da marca cresceram 9,6%, abaixo da média do mercado, o que custou perda de 0,8 ponto porcentual de participação, baixando para 21%.

Sem muitos lançamentos relevantes no ano a Fiat conseguiu sustentar sua liderança graças às vendas diretas para frotistas, locadoras, pequenos empresários e pessoas com deficiência, assim como o seu programa de assinaturas da Flua!, que oferece locações de um a três anos dos modelos Strada, Argo, Fastback e Pulse. Estes canais somados absorveram 62% dos Fiat faturados em 2024, com destaque para a líder Strada, com 65% de vendas diretas, e os hatches Argo, com 69%, e Mobi, com 82% – este último muito vendido para frotistas e locadoras.

Argo foi o segundo Fiat mais vendido de 2024, com força das vendas diretas. Foto: Divulgação.

Com isto a marca colocou cinco produtos na lista dos vinte mais vendidos do ano: Strada em primeiro, Argo em quinto, Mobi em nono, Toro em décimo-sexto e Fastback em vigésimo. A picape Strada, líder de vendas do País também pelo quarto ano consecutivo, registrou crescimento anual acima da média de quase 20% com 144,7 mil unidades, aumentando sua participação no mercado total para 5,8%.

Outro bom desempenho foi registrado pelo Argo, segundo Fiat mais vendido do País, que teve o maior crescimento de vendas, de 36,6%, dentre os vinte veículos mais vendidos do ano.

VW CRESCE, GM CAI

As outras duas integrantes do pódio do mercado brasileiro de veículos leves tiveram desempenhos opostos: a Volkswagen manteve sua segunda colocação, capturada da GM em 2023, com o maior crescimento de vendas das três grandes, enquanto a concorrente, com a marca Chevrolet, foi das poucas a registar queda, mas se sustentou na terceira colocação.

 Polo, segundo veículo mais vendido de 2024, garante segunda posição à Volkswagen. Foto: Divulgação.

As vendas da Volkswagen avançaram 16% sobre 2023, sendo a única a emplacar pouco mais de 400 mil carros, o segundo maior volume da fabricante nos últimos dez anos, só abaixo dos 411 mil de 2019. O resultado rendeu pequeno ganho de 0,3 ponto em sua participação de mercado, que fechou 2024 em 16,1%. Com este desempenho, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil continuou sendo o terceiro maior mercado da marca no mundo, atrás de China e Alemanha.

As vendas diretas também tiveram papel fundamental no resultado da Volkswagen em 2024, com participação de 61,7% nas vendas. O Polo – principalmente a versão de entrada Track – foi o hatch mais vendido e o segundo veículo mais vendido no País, reduzindo a distância da Fiat Strada para apenas 4,5 mil unidades, e assim puxou o desempenho da empresa com 140,2 mil vendas, crescimento expressivo de 26% sobre 2023 graças ao aumento das suas vendas diretas, que lideraram esta modalidade em 2024 com 68% de suas vendas por este canal.

Também fez bem à Volkswagen a renovação do T-Cross, o primeiro dos dezesseis lançamentos prometidos pela fabricante até 2038, dentro do pacote de investimento de R$ 16 bilhões. O T-Cross foi o SUV mais vendido do País, terminando 2024 na sexta colocação geral, com crescimento das vendas de 15,5%.

Além destes dois modelos a Volkswagen colocou outros dois na lista dos vinte mais vendidos de 2024, com destaque para o desempenho da picape Saveiro, que subiu seis posições no ranking e terminou o ano na décima-terceira posição, com crescimento nas vendas de 22,3%, o terceiro maior porcentual da lista. Já o SUV-cupê Nivus caiu um andar, para o décimo-quarto, com crescimento menor de 7,3%, devido principalmente à renovação do modelo ocorrida só no último trimestre. As perspectivas são boas: com o lançamento de mais um SUV de entrada em 2025, o compacto Tera, a fabricante pode ter um ano ainda melhor.

Renovação fez bem ao VW T-Cross, que foi o SUV mais vendido de 2024. Foto: Divulgação.

Já a GM, sem lançamentos relevantes por ora, evitou vendas de baixa rentabilidade a locadoras e foi das poucas que registraram queda de vendas em 2024, ainda que pequena, de pouco menos de 4% sobre 2023. Ainda assim manteve a terceira posição do mercado – para onde desceu em 2023 após perder a vice-liderança para a Volkswagen –, com quase 315 mil vendas, mas foi a que mais perdeu participação, 2,4 pontos, baixando sua cota para 12,7%.

O desempenho mais fraco da GM pode ser explicado pela menor participação nas vendas diretas, que representaram 48,7% de seus emplacamentos em 2024, em linha com a média do mercado e bastante abaixo dos principais concorrentes.

No ano passado três modelos Chevrolet integraram a lista dos vinte veículos mais vendidos do País: o Onix se manteve na terceira posição, com queda de 4,5% nas vendas, seguido pelo SUV Tracker, que teve o menor crescimento da tabela, de 4,2%, mas o suficiente para subir do nono para o sétimo lugar e tornar-se o segundo SUV mais vendido, e o sedã Onix Plux registrou a maior retração de vendas do ranking, de 20%, e caiu para o décimo-terceiro posto, após ocupar a quinta colocação em 2023.

A PORÇÃO DE BAIXO

No mercado em que dez marcas dominaram 87% das vendas de veículos em 2024 as sete de baixo dividiram 37,3% das vendas, com a Hyundai à frente do bloco após tomar da Toyota a quarta posição, com 206 mil unidades mas em crescimento abaixo da média do ano, de 10,6%, perdendo 0,25 ponto de participação, que caiu para 8,3%.

A Hyundai também evitou vendas de baixo rendimento a locadoras. Dois de seus três carros produzidos em Piracicaba, SP, estão na lista dos vinte mais emplacados de 2024. O hatch HB20 manteve a quarta posição de 2023 com 97 mil vendas, crescimento de 9,2% e 55% das vendas feitas pela via do faturamento direto. Já o SUV Creta teve o design renovado, foi apresentado em outubro, e somado à antiga geração foi o oitavo veículo mais vendido do País, mas o primeiro em vendas de varejo nas concessionárias, que responderam por 81% dos negócios.

O novo Hyundai Creta: carro mais vendido do varejo em 2024. Foto: Divulgação.

Com menos vendas diretas do que a Hyundai, sem lançamentos relevantes e vítima da redução significativa do segmento de sedãs médios no qual o Corolla ainda domina, a Toyota desceu ao quinto lugar do ranking mas perdeu o posto para a concorrente por apenas 2,3 mil unidades, vendendo 203,8 mil veículos em 2024, com pequeno crescimento de 6% sobre 2023 – o menor porcentual da lista das dez principais marcas –, fechando o ano com participação de 8,2%.

A Toyota colocou apenas um modelo na tabela dos vinte mais emplacados, a picape Toyota Hilux, em décimo-nono lugar, enquanto o SUV Corolla Cross, apesar da renovação de design, ficou em vigésimo-primeiro, ainda à frente do sedã Corolla, em vigésimo-quarto, após mais de uma década figurando entre os dez automóveis mais vendidos do Brasil.

O relevante lançamento do SUV compacto Kardian, ainda no primeiro trimestre de 2024, não foi suficiente para impulsionar muito o desempenho da Renault – o modelo foi o trigésimo-quarto mais emplacado do ano passado. Mas ainda assim a fabricante passou a Jeep e subiu ao sexto lugar no ranking, com 139,3 mil vendas, 58% delas por venda direta. O modelo de melhor desempenho da marca foi o popular Kwid, décimo-segundo mais vendido do País mas o sétimo nas vendas ao consumidor por concessionárias.

A Jeep perdeu parte da força que vinha demonstrando nos últimos anos e perdeu uma posição no ranking, descendo à sétima. Na lista das dez mais vendidas foi uma das duas únicas marcas, ao lado da Chevrolet, que registraram queda de vendas em 2024. A Jeep vendeu 121,3 mil veículos no ano passado, retração de 4,5% sobre 2023, com perda de quase 1 ponto porcentual de market share, que declinou para 4,9%. O velho Renegade, seu produto mais barato, ganhou sobrevida por ser o modelo mais vendido, subiu três degraus, para a décima-quinta colocação, enquanto o SUV médio Compass desceu cinco andares para o décimo-oitavo, anotando a segunda maior perda do ano, de 15,3% ante 2023.

Honda e Nissan, que negociam uma fusão global, já estão bem próximas no mercado brasileiro. As duas trocaram de lugar no ranking em 2024, mas ambas tiveram bom desempenho, acima da média do mercado.

A Honda ganhou força com seus produtos e subiu de nono para o oitavo lugar, especialmente por causa dos modelos fabricados em Itirapina, SP – a linha City, hatch e sedã, e o HR-V –, que passaram por renovações e foram responsáveis por 98% das suas 91,4 mil vendas em 2024, em crescimento de expressivos 26,9% sobre 2023. O HR-V, décimo-sétimo veículo mais vendido do País, sozinho, foi responsável por 55% do volume. O novo WR-V, com produção nacional programada para o segundo semestre, promete impulsionar mais as vendas da Honda em 2025.

Já a Nissan, com apenas um produto fabricado em Resende, RJ, o Kicks, e em fase de lançamento da sua nova geração, desceu para a nona posição do ranking mas registrou crescimento das vendas de 20,5%, acima da média do ano. O Kicks representou 69% das 87,4 mil vendas da marca em 2024.

O FENÔMENO BYD

Com política comercial agressiva e mais de uma dúzia de modelos importados da China à venda no Brasil, todos plug-in elétricos e híbridos, a BYD foi o grande fator de disrupção do mercado em 2024. Aproveitando-se da redução de imposto de importação para modelos eletrificados lançou modelos com preços mais acessíveis e em apenas dois anos decolou como foguete.

No ano passado, com 76,8 mil emplacamentos – 10 mil só em dezembro –, a BYD bateu recorde de crescimento: 328% em comparação com 2023. Assim entrou para a lista das dez marcas de veículos mais vendidas do País, na décima posição, com participação de 3%, ganho de 2,3 pontos sobre o ano anterior.

A BYD é a grande responsável pela expansão das vendas de carros com origem na China no Brasil, em 2024 foi responsável por 64% das 120,3 mil unidades da China vendidas no País. E igualmente a marca é a maior vendedora de modelos eletrificados plug-in no mercado brasileiro, dominando 63% das vendas: um a cada quatro híbridos plug-in e sete a cada dez elétricos vendidos são da BYD.

O ritmo forte deve continuar pelos próximos meses, pois a empresa investiu R$ 4 bilhões para formar estoques antes do aumento do imposto de importação, em julho de 2024, e vem oferecendo descontos de mais de R$ 20 mil em alguns modelos. Hoje ainda deve ter mais de 40 mil unidades estacionadas prontas para encontrar um dono no Brasil.

E para 2025, ainda no primeiro trimestre, está previsto o início da montagem nacional, em Camaçari, BA, de kits importados dos carros mais vendidos da BYD no País, o elétrico Dolphin Mini e o híbrido plug-in Song Pro.

Dolphin Mini ajudou a BYD a multiplicar vendas de carros elétricos no Brasil. Foto: Divulgação.

DESTAQUES FORA DA TABELA

Também chamam a atenção, para o bem e para o mal, alguns desempenhos de marcas que ficaram de fora da tabela das dez mais vendidas de 2024, dividindo apenas 13% do mercado brasileiro. Olhando para os maiores crescimentos do ano nesta faixa outras duas marcas chinesas, Chery e GWM, tiveram os desempenho mais notáveis.

A Caoa Chery, com seus carros montados pelo Grupo Caoa em Anápolis, GO, cresceu 93,5%, com 60,9 mil unidades e ganho de 1 ponto porcentual de market share, que subiu para 2,4%, garantindo o décimo-primeiro lugar no ranking, com impulso das vendas de versões mais baratas dos SUVs Tiggo 5X e 7.

Já a GWM subiu três degraus no ranking de 2023 para 2024, terminando o ano na décima-quinta posição dentre as mais vendidas, mas com vistoso crescimento de 154,5% sobre o ano anterior. Aproveitando-se da redução do imposto de importação sobre modelos eletrificados vende atualmente apenas dois modelos importados da China, o elétrico Ora 03 e o híbrido mais vendido do País, o Haval H6 – que deverá ter sua montagem iniciada em Iracemápolis, SP, no segundo semestre. O SUV foi responsável por 78,4% das 29,2 mil vendas da GWM, que assim garantiu seu lugar ao sol no mercado brasileiro, com participação de 1,2%.

Depois de fechar suas fábricas no País, em 2021, a Ford embalou ritmo de crescimento com modelos importados e fechou 2024 com vistosa expansão de 68,3% nas vendas, que somaram 48,3 mil unidades, 66% só da Ranger produzida na Argentina, que foi a quinta picape mais vendida no Brasil no ano passado e ajudou a marca a subir um degrau no ranking, para o décimo-segundo, com participação de 1,9%.

Pelo lado dos desempenhos negativos chamam a atenção os resultados das marcas francesas do Grupo Stellantis, Peugeot e Citroën, que após a fusão da PSA com a FCA, em 2021, ensaiaram recuperação no mercado mas perderam força em 2024. A Citroën, mesmo após lançar três novos carros com os preços competitivos em seus segmentos, desceu duas posições para o décimo-terceiro lugar, com 33,9 mil vedas e pequeno crescimento de quase 5% sobre 2023, inferior à média do mercado.

Já a Peugeot, com produtos mais caros, mesmo após lançar a nova geração do SUV 2008 caiu do décimo para o décimo-sexto lugar no ranking e foi a marca que apresentou o desempenho mais sofrível, com 28 mil vendas, queda de quase 20% em comparação com o ano anterior.

Outra marca da Stellantis, a Ram foi bem melhor e confirmou seu rápido crescimento após o lançamento, no fim de 2023, de sua primeira picape projetada e produzida no Brasil, em Goiana, PE, a Rampage, que respondeu por 80% das 29,5 mil vendas, um robusto incremento de 74% ante 2023.

Embora tenha crescido acima da média do mercado em 2024, 18,8%, com 22,2 mil veículos vendidos, a maioria produzida pela HPE em Catalão, GO, a Mitsubishi seguiu perdendo posições no ranking, desceu mais três degraus no ano passado, figurando na décima-sétima posição.

Vendas da Implementos São Paulo crescem 60%

São Paulo – Em 2024 a Implementos São Paulo comercializou quatrocentos equipamentos, avanço de 60% na comparação com 2023, de acordo com comunicado divulgado pela empresa. A maior parte das vendas foi dedicada aos segmentos de exploração de petróleo e gás onshore.

Segundo Matusalém Oliveira, gerente comercial da Implementos São Paulo, no ano passado o plano de vendas foi focado nestes dois segmentos e o resultado surpreendeu a empresa. Em 2024 a sua fábrica instalada em Mossoró, RN, atingiu a capacidade máxima de produção — quatrocentas unidades.

4Truck projeta crescimento de 20% em 2025

São Paulo – A 4Truck, fabricante de implementos rodoviários instalada em Guarulhos, SP, projeta crescimento de 20% para as suas vendas em 2025. O avanço será puxado pelo bom momento do segmento de caminhões, que no ano passado registrou crescimento de 17,4% e tem projeção de expansão de 4,5% em 2025, de acordo com a Fenabrave. 

Para 2025, mesmo com projeção de alta de 20%, o CEO da empresa, Osmar Oliveira, classificou o ano como desafiador: “O cliente precisa ter confiança no País e no governo, disponibilidade de crédito e taxas de juros competitivas. Não acreditamos que teremos essas três condições de forma ideal em 2025 mas, mesmo assim, estamos confiantes”.

Segundo a 4Truck, que cresceu 10% em 2024, a venda de caminhões continuará sendo puxada em 2025 pelo agronegócio, construção civil e indústria geral.

Produção de etanol bate recorde em 2024

São Paulo – A produção de etanol, no Brasil, chegou a 36,8 bilhões de litros em 2024, alta de 4,4% sobre 2023, o maior volume já produzido no País, de acordo com a UNICA, União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, que divulgou dados do setor na terça-feira 28. Os números colocam o Brasil como segundo maior produtor de etanol no mundo depois dos Estados Unidos.

Do total fabricado em 2024 7,7 bilhões de litros foram produzidos a partir do milho, volume 32,8% superior ao produzido em 2023 a partir da mesma matéria-prima. 

No ano passado a frota de veículos leves no Brasil consumiu 59,3 milhões de litros de etanol, aumento de 10% sobre 2023. Segundo a Unica a paridade de preço do etanol com relação à gasolina comum foi de 65,3% em 2024, sendo a melhor competitividade desde 2010:

“Diante dos desafios no combate à mudança do clima o etanol se apresenta como uma das soluções tecnológicas para uma mobilidade sustentável”, disse o presidente Evandro Gussi. “Pode ser usado puro, ou seja, o etanol hidratado, ou misturado à gasolina, o etanol anidro.”

Honda projeta mercado global de 60 milhões de motocicletas em 2030

São Paulo – A Honda projeta que o mercado global de motocicletas chegará a 60 milhões de unidades em 2030, usando como base o volume anual atual de vendas, que é de 50 milhões. Para acompanhar o avanço do mercado a empresa “continuará desenvolvendo novas motocicletas, reduzindo as suas emissões e lançando modelos elétricos, para conquistar 50% do mercado global”, segundo informações que divulgou durante entrevista coletiva concedida à imprensa em Tóquio, Japão. 

Algumas regiões terão participação relevante no crescimento global das vendas de motocicletas, caso do Brasil e de outros países da América do Sul e Central. Índia, Indonésia e Filipinas, na Ásia, também deverão ter alta demanda, segundo as projeções da Honda.

Para o ano fiscal que será encerrado em 31 de março a expectativa da Honda é a de vender 20,2 milhões de unidades, conquistando um novo recorde e 40% do mercado global de motocicletas. A maior parte do volume projetado será vendida no mercado asiático, que representa 85% das vendas da Honda.

Nos próximos anos, para avançar com as vendas de motocicletas elétricas, a Honda também cuidará da reutilização e da recirculação de baterias. Já existe um projeto na Índia para a segunda aplicação das baterias por meio do Honda Mobile Power Pack, que será usado para fornecer energia em áreas instáveis ou fora da rede de abastecimento.

A montadora também pretende construir uma cadeia de valor circular para a reciclagem das baterias, incluindo metais preciosos e outros materiais.

GWM assina 52 contratos de confidencialidade com fornecedores brasileiros

São Paulo – A GWM assinou contratos de confidencialidade com 52 fornecedores brasileiros para que eles possam submeter seus projetos à montadora, que planeja o início de sua operação em Iracemápolis, SP, ainda no primeiro semestre. A informação foi dada na terça-feira, 28, pelo diretor de assuntos institucionais, Ricardo Bastos.

“Ontem [segunda-feira, 27] tivemos reunião com sistemistas que fornecem a outras montadoras e podem se agregar ao nosso processo produtivo ao entregarem conteúdo local. Isto permite que tiremos atividades de dentro da fábrica que podem ser feitas por outras empresas para, então, que possamos agregar processos industriais.”

Embora a empresa não divulgue os nomes das fornecedoras a reportagem da AutoData apurou com fontes de mercado que integram a lista empresas como Iochpe Maxion, Petronas, Total, Basf, PPG e Dupont e Total. Além delas já eram sabidas Bosch e WEG, parcerias que já haviam sido divulgadas para o desenvolvimento do sistema híbrido plug-in flex.

Dentre os segmentos destas 52 companhias estão, portanto, líquidos fluidos, como óleos e fluidos de freios, filtros e ar-condicionado: “Não é interessante trazer isto da China. Pretendemos nacionalizar tudo o que for relacionado ao motor a combustão e, portanto, aplicado na tecnologia híbrida”.

Rodas e pneus também integram a lista, pois, segundo Bastos, isto é interessante para auxiliar o pós-venda, uma vez que pneus são peças de reposição constante. Partes dos bancos, como a espuma e a tapeçaria, igualmente fazem parte. Assim como conectores e chicotes elétricos, estes últimos com a possibilidade de virem do Paraguai, que se especializou no produto.

Os vidros serão brasileiros, apesar de inicialmente ter havido ressalva quanto ao para-brisa, por não terem conseguido encontrar quem atendesse às especificações. Recentemente, porém, encontraram empresa que disponibilizou tecnologia igual ou superior à usada na China: “Nos foi perguntado se teriam de seguir nossa especificação, mas deixamos abertos para que seja proposto algo diferente, contanto que o resultado seja o mesmo ou melhor”.

Bastos ressaltou ainda que as tintas usadas nos veículos serão daqui. Quanto à estrutura física da área da pintura alguns equipamentos da antiga fábrica da Mercedes-Benz, adquirida pela GWM em 2021, foram mantidos: “A unidade de pintura é muito moderna, então vamos aproveitá-la. Não é comum iniciar um processo produtivo com pintura local, mas incorporamos a infraestrutura e encontramos fornecedor de tintas que atende às necessidades. Apenas algumas máquinas virão de fora”.

O executivo assinalou que, com estas 52 companhias, é possível começar a rumar ao plano de que 60% do conteúdo dos veículos sejam do Mercosul, o que permitirá a exportação desde o Brasil. Segundo ele com a concretização do fornecimento delas será possível caminhar para 35% em 2026 ou 2027, para que em 2028 vá para os 50% e, então, caminhe para o objetivo de 60%, divulgado durante evento realizado pelo Sindipeças em dezembro, quando a negociação foi aberta.

“Este é o nosso compromisso, e com o dólar como está, na casa de R$ 6, tudo faz ainda mais sentido. Conseguimos escapar da flutuação cambial, garantir o produto e exportar”, disse. “Para não ficarmos com processo engessado não estamos trazendo CKD. Optamos por trazer peça por peça: assim, por exemplo, se conseguimos o amortecedor não precisamos trocar toda a suspensão.”

GWM planeja nacionalizar montagem de baterias

Para avançar mais rapidamente no índice de conteúdo local Bastos contou que a empresa está estudando forma de viabilizar a montagem de baterias no Brasil, da mesma forma como hoje fazem BYD, WEG e Livoltek, por exemplo, no fornecimento para ônibus elétricos.

Tal planejamento deverá se concretizar por meio da SVolt, fabricante pertencente à GWM na China: “Em um primeiro momento pensamos em trazê-la para fazer a montagem, mas agora buscamos um parceiro local para fazer parte deste processo e partilhar os investimentos”.

Desta forma a bateria, ainda que com as células importadas, entraria como conteúdo nacional e seria contemplada, inclusive, pelo Mover, por se tratar de nova tecnologia, assinalou o diretor, ao complementar que já discutiu esta possibilidade com algumas pessoas do governo, sem pormenorizar.

“Isto dará escala para começar a fabricar células futuramente. O Brasil possui lítio e materiais raros que vão para baterias de celular, powerbank e, a partir de então, poderão começar a integrar veículos.”

Ford <Enter> tem novas vagas e conteúdo ampliado

São Paulo – A Ford abriu novas vagas para o seu programa Ford <Enter> em São Paulo e na Bahia, com a intenção de oferecer 540 vagas até o fim do ano, sendo trezentas na Bahia e 240 em São Paulo. Os interessados podem se inscrever por meio do link até a sexta-feira, 7 de fevereiro.

A montadora também anunciou que o conteúdo foi ampliado e que, agora, além de oferecer ensinamentos sobre programação front-end, também inclui treinamento de Power BI e Phyton. A primeira turma do Ford <Enter> começou na Bahia em 7 de janeiro.

Volkswagen Caminhões e Ônibus treinou 138 mil na rede em 2024

São Paulo — Em balanço sobre o alcance de treinamentos realizados para a rede concessionária a Volkswagen Caminhões e Ônibus contabilizou 138 mil matrículas concluídas no ano passado, sendo 2 mil 930 presenciais, com mais de 80% de índice de capacitação profissional em seus cerca de 150 pontos de atendimento do País.

Os profissionais das revendas cursaram 134 mil horas de treinamento em atividades que se estenderam a todas as equipes de operação das concessionárias. O objetivo, segundo a montadora, foi “buscar a excelência em atendimento no portfólio da marca tanto em vendas quanto pós-vendas”.

Para este ano a novidade na capacitação dos funcionários da rede será a inclusão do e-Volksbus.