GAC espera vender 6 mil GS3 movidos a gasolina

São Paulo – A Guangzhou Automobile Company ainda não completou um ano no Brasil e já dá passos largos com o objetivo de ganhar participação no mercado. Além do anúncio da parceria industrial com a HPE Automotores, que será responsável pela logística e produção de seus veículos em Catalão, GO, a GAC espera vender até seis mil unidades do GS3, seu primeiro SUV com motor a combustão interna, ainda este ano.

A expectativa dos executivos durante o lançamento é de que o GS3 seja o modelo mais vendido da GAC este ano, não apenas pela oferta da propulsão exclusivamente térmica, que pode ser uma opção muito mais interessante do que os outros seis modelos eletrificados, especialmente no interior do País.

Os preços, R$ 130 mil para a versão Elite e R$ 160 mil na Premium, estão posicionados dentre os competidores dos compactos, mas o GS3 tem porte de SUV médio, com 4,41m de comprimento, 1,85m de largura, 1,6 m de altura e entre-eixos de 2,65m, medidas muito próximas ao líder desse segmento, o Jeep Compass.

Para Leonardo Lukacs, diretor de engenharia e manufatura, outros fatores como a calibração do propulsor para atender os requisitos do condutor brasileiro, seu design, realmente marcante, e a tecnologia embarcada, são outros diferenciais importantes na estratégia de lançamento de um inusitado automóvel chinês com motor a combustão: “É o nosso primeiro SUV movido só a gasolina no País, mas não será o último. Há uma oportunidade no mercado que vamos procurar aproveitar”.

Um programa de pré-venda, com quase quinhentos clientes que fizeram depósito de R$ 4 mil no Mercado Livre sem mesmo saber o preço do GS3, foi aberto. Aliás, o preço promocional de R$ 130 mil da versão Elite é valido apenas até o dia 31 de março. Depois ele será ofertado a R$ 140 mil.

“Os clientes que fizeram a pré-reserva sem saber o preço já começam a receber a partir da semana que vem” contou Eduardo Sato, diretor de venda e rede, que confirmou a intenção de negociar seis mil unidades do GS3 até o fim do ano. “Vamos avaliar a demanda, sentir qual o melhor mix, a cor mais procurada e o interior também. Mas a expectativa é essa: de 5, a 6 mil unidades. Temos foco no crescimento sustentável. A ideia é, nesse primeiro momento, fechar o ano com 22 mil unidades negociadas. Por enquanto é esse o objetivo, mas estamos otimistas em melhorar esse desempenho para que até 2030 possamos vender 100 mil carros no Brasil”.

Outro fator importante para atingir o crescimento desejado é o número de concessionários da marca. Hoje são 50 casas, mas até o fim do ano a GAC deve nomear outras 50. “Estamos sendo agressivos agora já pensando nos próximos anos”, disse Sato.

Preço de compacto e estilo de SUV médio

O novo SUV da GAC vai chamar a atenção nas ruas. Seu estilo, com vincos que são notados na enorme grade, mas também por toda sua superfície e, inclusive, nas lanternas traseiras salientes à carroceria, é um dos diferenciais que pode realmente cair no gosto do consumidor brasileiro. O GS3 é um dos modelos com aparência mais moderna dentre as opções que utilizam somente combustível fóssil.

É o motor 1.5 turbo com injeção direta de 170 cv e 25,5 kgfm o grande diferencial desse chinês, pois estamos acostumados a modelos eletrificados vindos do outro lado do mundo. Ele foi recalibrado para vir ao Brasil, melhorando a relação entre motor e transmissão WDCT de sete velocidades, segundo Lukacs para garantir “respostas mais rápidas e acelerações vigorosas, uma exigência do motorista brasileiro, que prefere uma condução mais prazerosa tanto no trânsito urbano quanto na estrada”.

Seu interior é bastante agradável e como todo bom carro da atualidade apoia quase todas as suas funções em um sistema multimídia com tela de 14,6 polegadas. Menos o ar-condicionado, que deve ser acionado e ajustado por botões físicos logo abaixo das saídas de ar centrais.

O motorista também tem um painel digital à sua disposição, mas a organização das informações e seu layout não são tão atuais quanto o de outros modelos chineses. Assim como os controles do volante, que parecem datados para a tendência de concentrar todas as funções do sistema ADAS, e outros controles em apenas dois botões.

O GS3 chega com cinco anos de garantia sem limite de quilometragem e a GAC diz que já tem em estoque mais de 95% das peças de reposição necessárias. Além disso, seu programa de revisão coloca o modelo dentre os quatro mais competitivos do mercado, de acordo com comparativo com quase uma dezena de SUVs, dentre compactos e médios, ofertados no mercado brasileiro.

Ainda este ano a GAC deve ter outras três novidades: no segundo trimestre, provavelmente em maio, quando completa um ano no Brasil, passará a importar o elétrico compacto Aion UT. E no segundo semestre trará dois SUVs grandes. É possível que um deles, ou os dois também tenham uma versão com motorização a gasolina.

ZF melhora margem e avança na redução da dívida

São Paulo — A ZF encerrou 2025 com melhora nos indicadores operacionais e avanço no processo de redução de endividamento, em meio a um cenário global ainda marcado por demanda fraca e incertezas, especialmente no setor automotivo. A empresa sistemista registrou receita de 38,8 bilhões de euros, queda nominal com relação ao ano anterior mas com leve crescimento de 0,6% quando desconsiderados efeitos cambiais e aquisições.

Mesmo com vendas menores a rentabilidade avançou: a margem EBIT ajustada subiu para 4,5%, acima das projeções internas, enquanto o fluxo de caixa livre atingiu 1,4 bilhão de euros, mais do que quadruplicando o resultado de 2024.

O desempenho operacional contrasta com o resultado líquido negativo de 2,1 bilhões de euros no período. O prejuízo é justificado, principalmente, por baixas contábeis relacionadas ao encerramento antecipado de projetos de eletrificação considerados não rentáveis. A decisão reflete uma revisão mais ampla da estratégia diante de um ritmo de compra de veículos elétricos abaixo do esperado.

No campo financeiro a companhia reduziu a dívida líquida para 10,2 bilhões de euros, com queda de cerca de 250 milhões no ano. A desalavancagem é tratada como prioridade pela gestão, que busca ampliar a geração de caixa e simplificar a estrutura do grupo. Como parte deste plano a ZF também recorreu ao mercado de capitais e emitiu, já em 2026, um título de 1 bilhão de euros com forte demanda dos investidores.

O ajuste operacional inclui ainda redução de quadro: o número de funcionários caiu 5% globalmente em 2025, movimento concentrado principalmente na Alemanha e conduzido por programas de demissão voluntárias.

Para 2026 a empresa projeta estabilidade nas vendas, com faturamento acima de 38 bilhões de euros e margem EBIT de 4% a 5%. A expectativa é de manutenção da disciplina de custos e da continuidade na geração de caixa, em um ambiente que segue sem sinais claros de recuperação da demanda, sobretudo em veículos comerciais.

Ao mesmo tempo a companhia aponta incertezas regulatórias na Europa como um fator adicional de pressão, especialmente com relação às metas de emissões e ao papel de tecnologias de transição, como os híbridos plug-in, no processo de descarbonização do setor.

Extensão do conflito no Irã ameaça fornecimento de chips e baterias

São Paulo – Caso o conflito no Oriente Médio, decorrentes dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, se estenda por mais de dois meses a indústria automotiva europeia poderá enfrentar escassez crítica de semicondutores e células de bateria. É o que aponta estudo do Supply Chain Intelligence Institute Austria, sediado em Viena, Áustria, de acordo com informações publicadas no Automotive News Europe.

O documento alerta para “consequências desproporcionalmente severas” caso se prolongue o fechamento do Estreito de Ormuz, uma rota marítima importante pela qual passa boa parte do petróleo e do gás natural liquefeito que abastece o mundo. O autor do estudo e chefe do instituto, Peter Klimek, disse que “se o conflito durar dois meses ou mais a situação se tornará crítica”.

Klimek apontou riscos como choque de preços de energia, transporte e matérias-primas e possíveis faltas de chips e baterias para veículos elétricos. Uma parcela significativa de gases nobres, essenciais para a fabricação de semicondutores, tem origem na região: “Cerca de um terço do hélio necessário para a produção de chips vem do Catar. Tudo dependerá de quão rápido os fabricantes de chips conseguirão garantir fontes alternativas”.

O diretor do instituto acrescentou que qualquer interrupção na produção de chips por falta de insumos-chave poderá desencadear falta de semicondutores em níveis semelhantes aos da pandemia de covid-19: “No caso de falta de chips a indústria automotiva provavelmente seria bem afetada, pois a prioridade seria dada a setores como de aplicações médicas”.

Cenário do transporte é de incerteza mas ameaça de greve dos caminhoneiros foi postergada

São Paulo — A pressão crescente provocada pela alta do diesel segue em curso e o risco de tensão no transporte rodoviário está no radar, ainda que os caminhoneiros tenham, por ora, afastado o risco de entrar em greve, possibilidade que vinha sendo ventilada nos últimos dias. Segundo Lauro Valdívia, assessor técnico da NTC&Logística, a defasagem no repasse do combustível ao frete é o principal ponto de atenção do setor.

Em assembleia realizada no Sindicam na quinta-feira, 19, considerada representativa para a categoria, os caminhoneiros decidiram não iniciar paralisação neste momento. A mobilização foi adiada por sete dias, com nova avaliação marcada para 26 de março. Segundo o presidente da entidade, Luciano Santos, o cenário ainda é de negociação com o governo.

Para Valdívia a ausência de greve neste momento se justifica pelo estágio inicial da escalada de preços: “Ainda é muito recente. Não dá para afirmar que o aumento do diesel não está sendo repassado ao frete. Por isto não vejo motivo para paralisação agora”.

Apesar disso ele destacou que a pressão sobre as transportadoras já é relevante. O diesel representa cerca de um terço dos custos operacionais e, quando há aumento sem repasse imediato, o impacto é direto no caixa das empresas: “O problema não é o aumento em si mas a falta de repasse. Quando o diesel sobe e a receita não acompanha na mesma velocidade a pressão vai aumentando até estourar”, disse, ao citar como referência a greve dos caminhoneiros de 2018.

Hoje, segundo ele, há uma tentativa de diminuir este efeito com o piso mínimo do frete, que vem sendo reajustado conforme o diesel. Ainda assim o intervalo do aumento do combustível à revisão dos contratos, que pode levar de trinta a sessenta dias, mantém o setor sob pressão. Neste período empresas recorrem a caixa próprio e adiam investimentos: “Muita gente vai postergar a renovação de frota para bancar este aumento. Mas isto tem limite”.

Valdívia avaliou que não há, por ora, risco relevante de desabastecimento, apesar de relatos pontuais. O principal ponto de atenção continua sendo uma eventual paralisação com bloqueio de rodovias: “O setor está estruturado, mas depende da circulação. Se travar a estrada não adianta ter caminhão disponível”.

No campo político a expectativa se volta para as negociações com o governo federal. O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Guilherme Boulos, deve se reunir com representantes da categoria nos próximos dias.

Para o executivo o cenário ainda é de incerteza, com risco de agravamento caso a alta do diesel persista sem repasse ao frete: “Por enquanto está sob controle, mas este equilíbrio é frágil.”

Efeito da primeira queda na Selic será baixo nos negócios automotivos

São Paulo – Depois de permanecer por nove meses no patamar de 15% ao ano a Selic foi reduzida em 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano, na reunião do Copom de quarta-feira, 18. Embora em escala menor do que se esperava, de 0,5 ponto porcentual, esta foi a primeira redução determinada pelo Banco Central em quase dois anos, desde maio de 2024, quando a taxa passou de 10,75% para 10,5% ao ano.

A decisão, que na opinião da indústria demorou a ser tomada, foi mais branda devido aos reflexos da guerra movida por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que segue pressionando o preço do barril do petróleo: anteriormente ao conflito gravitava em US$ 60 e, agora, em US$ 115, praticamente o dobro. Justamente pelo cenário, na avaliação de Ricardo Balistiero, professor do núcleo de negócios do Instituto Mauá de Tecnologia, demorará para chegar na ponta do crédito tanto por se tratar de uma redução muito pequena quanto pela possibilidade de o recuo da Selic ser neutralizado pela alta no petróleo:

“Até o mercado refletir a baixa nos juros serão necessários alguns meses. Caso o Banco Central continue reduzindo a taxa pode ser que no fim do ano o consumidor sinta impacto no crédito”, afirmou Balistiero. “Mas, vale dizer: a queda deverá seguir em velocidade menor. Antes era esperado que em 2026 a Selic terminasse em 12% ao ano e, agora, de 12% a 13% ao ano.”

Sílvio Paixão, professor da Fipecafi e do Pecege, concorda que a queda de 0,25 ponto porcentual tem caráter mais simbólico, uma vez que, segundo ele, seu efeito é praticamente nulo na ponta do custo dos financiamentos.  

Paixão assinalou que, de fato, é preciso aguardar a evolução do conflito para traçar qualquer projeção, uma vez que a insegurança mundial será a principal bússola do Copom: “Qualquer inferência sobre os próximos episódios seria imprudência. Tecnicamente falando o Copom não deveria pautar a atividade econômica nem a taxa de desemprego em suas decisões acima das tendências inflacionárias”.

Impopular nos Estados Unidos guerra pode não se estender muito

Sobre os ataques de Israel e Estados Unidos no Irã Balistiero ressaltou que a ação está consumindo US$ 1 bilhão por dia, o que a torna bastante impopular com os estadunidenses, com reflexos não somente na imagem do presidente Donald Trump como sobre a economia local. Isto o leva a crer que o conflito não se estenda por muito mais tempo e a projeção do preço do barril de petróleo futuro, de US$ 79, possa se concretizar. 

Enquanto isso, no Brasil, até o momento os estados não atenderam ao apelo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada, após desonerar o diesel e pleitear que as alíquotas de ICMS também sejam reduzidas temporariamente a fim de reduzir a pressão sobre o setor do transporte, o que já está se demonstrando insuficiente

“Em 2022 algo semelhante ocorreu e houve impacto fiscal superior a R$ 50 bilhões, com a conta ficando para o governo seguinte, em 2023, no caso, do próprio Lula”, lembrou o professor da Mauá, ao ponderar que desta vez a história não se repetirá com o PIS/Cofins devido à compensação na sobretaxa das exportações: “A grande questão é que a medida tem prazo de validade e, se o governo emparedar os estados, assim como em 2022, a conta poderá, mais uma vez, sobrar para o próximo governo”.

Alta nos preços do diesel pressiona o transporte

São Paulo — A escalada do preço do diesel, provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ganhou intensidade e já anula, na prática, os efeitos das medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta. Dados do IBPT, Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, mostram que gasolina acumula aumento superior a 19% no mês e levantamento da Veloe/Fipe indicam que o litro já chegou a R$ 7,17.

O movimento ocorre mesmo após a isenção de PIS/Cofins e a criação de uma subvenção para produtores e importadores. Segundo o Ministério da Fazenda o pacote poderia reduzir o preço em até R$ 0,64 por litro. Na prática, porém, o efeito foi neutralizado poucos dias depois com o reajuste promovido pela Petrobras para as distribuidoras.

Em entrevista à Agência AutoData, Vinícios Fernandes, diretor de unidades de negócio da Edenred Mobilidade, avaliou que os dois movimentos tendem a se compensar no curto prazo: “A desoneração deveria gerar uma redução de cerca de 32 centavos, mas o reajuste da Petrobras, mesmo não chegando integralmente à bomba, acaba praticamente anulando este efeito”.

Além disso há um intervalo que separa os anúncios do impacto efetivo nos postos: “Não é imediato. Existe o tempo de repasse das distribuidoras, então esses efeitos acabam se equilibrando ao longo dos dias”.

Pressão internacional

A alta recente está diretamente ligada ao cenário externo com a escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel com o Irã. O conflito elevou o preço do petróleo e aumentou a volatilidade global, com reflexos imediatos no Brasil. Segundo o IBPT o avanço deixou de ser pontual e passou a ganhar tração ao longo do mês, com aumentos mais disseminados, inclusive acima de 20% em regiões como Centro-Oeste e Nordeste.

Fernandes reforçou que o ambiente externo tem sido determinante: “Desde o começo do conflito o diesel já acumula alta próxima de 20%. O Brent subiu muito e o câmbio também segue pressionado”.

Outro fator é a dependência de importações. De acordo com o analista de 20% a 25% do diesel consumido no País vem do Exterior, o que amplia a exposição às oscilações internacionais.

Medidas perdem força

Diante da alta o governo federal tentou ampliar o pacote de contenção e propôs que estados e o Distrito Federal zerassem temporariamente o ICMS sobre a importação do diesel, com compensação de 50% das perdas de arrecadação pela União. A medida surgiu após resistência inicial dos governadores em reduzir o imposto, que representa cerca de 20% do preço final do combustível.

Mesmo com as iniciativas os preços seguem em alta. Levantamento da ANP aponta que o diesel subiu mais de 11% em apenas uma semana, evidenciando a dificuldade de conter o avanço. Na avaliação de Marcelo Rodrigues, presidente da Setcesp, o efeito das ações é limitado.

“São medidas paliativas. O gesto do governo é importante, mas não tem eficácia neste momento porque o preço disparou.”

Para ele uma solução mais efetiva dependeria de atuação direta sobre o preço: “Se houvesse a possibilidade de subsidiar parte do diesel, principalmente considerando a participação da Petrobras, poderia ser uma medida mais eficaz”.

Impacto direto no transporte

Como o diesel é o principal custo do transporte rodoviário o movimento já pressiona toda a cadeia logística. De acordo com Fernandes, da Edenred, o combustível representa de 35% a 45% dos custos operacionais de uma transportadora: “Se o aumento não for repassado ele impacta diretamente a margem, ou pode levar a prejuízo”.

Já Marcelo Rodrigues pontuou que o impacto é imediato na operação: “A velocidade de reajuste na bomba é muito mais rápida do que a atualização dos contratos. Existe um prazo até que o transportador consiga repassar este custo”.

Ele também apontou preocupação adicional com o abastecimento: “Além do preço o que preocupa é uma eventual falta de diesel, que impactaria diretamente a operação”.

Na prática as empresas buscam renegociar contratos com clientes, mas o processo não é imediato. Em operações sem contratos estruturados, especialmente no mercado spot, há casos em que transportadores optam por não rodar: “Houve relatos de empresas recusando cargas por não conseguirem repassar o custo do frete”.

A volatilidade também já levou a ajustes regulatórios. A ANTT realizou recentemente uma revisão extraordinária do piso mínimo do frete após variação superior a 5% no diesel.

O impacto, segundo o presidente da Setcesp, é imediato para transportadores autônomos e para pequenas empresas, que não contam com contratos atrelados ao diesel nem com estruturas de abastecimento próprias: “Eles sentem muito mais rápido. Têm menor poder de negociação e abastecem diretamente no preço do posto”.

Já grandes frotistas conseguem amortecer parte da volatilidade com contratos e gestão de abastecimento.

Efeito na economia e risco inflacionário

Com cerca de 65% das cargas transportadas por rodovias no Brasil a alta do diesel tende a se espalhar pela economia. O aumento do frete eleva o custo dos produtos e pode pressionar a inflação. De acordo com o diretor de unidades de negócio na Edenred Mobilidade o impacto é mais intenso em setores de menor valor agregado, como o agronegócio, onde o frete pode representar até 25% do custo final. Em segmentos como eletrônicos e farmacêuticos esse peso varia de 5% a 10%.

Rodrigues, da Setcesp, afirmou que o repasse ao consumidor é inevitável, embora não imediato: “Este aumento chegará ao consumidor final. No setor alimentício o impacto tende a aparecer mais rápido”.

Segundo o IBPT o avanço dos preços dos combustíveis em março já deve se refletir no índice de preços do mês.

Tendência incerta

Apesar das medidas em discussão o cenário segue indefinido. A evolução do conflito no Oriente Médio, a variação do câmbio e eventuais mudanças tributárias continuam sendo os principais fatores de influência, segundo Fernandes: “Ainda é muito difícil prever. Temos variáveis externas muito fortes e possíveis movimentos internos, como mudanças no ICMS”.

Do lado das transportadoras o cenário é de cautela, apontou Rodrigues: “Estamos aplicando reajustes, mas não vemos uma luz clara no curto prazo”.

Ele também apontou que empresas têm buscado alternativas para reduzir impactos, como diversificação de fornecedores de combustível, diante de um ambiente de forte volatilidade. Além disso o setor acompanha com preocupação o risco de paralisações.

“Há um risco iminente de mobilização de caminhoneiros autônomos. Qualquer interrupção pode trazer impactos relevantes para a logística.”

Fiat apresenta Toro comemorativa para o Lollapalooza

São Paulo – Patrocinadora do Lollapalooza Brasil 2026 a Fiat desenvolveu uma edição especial da Toro em alusão ao festival e aos 50 anos da marca no País. O carro, conceito, ganhou cor roxa exclusiva com carroceria que apresenta efeito em degradê e traz diversos elementos em pixels, reforçando a nova linguagem de design da Fiat.

Há, ainda, uma logo dos 50 anos em frente a um conjunto de pixels que formam o mapa da América do Sul, intensificando a ligação da picape com o mercado da região.

Na parte frontal o veículo vem com nova grade com blocos que fazem menção ao novo design, enquanto a barra de proteção combina resina e aço. As rodas têm, em seu interior, cor esmeralda nos revestimentos e detalhes em verde cítrico.

Ao longo dos dez anos desde seu lançamento a Toro, que em meados de 2025 recebeu facelift para a linha 2026, teve mais de 550 mil unidades produzidas.

A edição especial da picape não será comercializada, mas ficará exposta em um segundo estande da Fiat no Lolapalooza, dos dias 20 a 22 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo.

Jetour faz sua estreia oficial e contabiliza 500 unidades reservadas na pré-venda

São Paulo – Centenas de convidados da Jetour estiveram presentes à Oca do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, na noite da quarta-feira, 19, para acompanhar o lançamento oficial da marca do Grupo Chery no mercado brasileiro. Os primeiros clientes receberam as chaves de seus carros, que começam a ser entregues após o período de pré-venda – segundo a empresa em torno de quinhentas unidades de S06, T1 e T2, todos híbridos plug-in importados da China, foram reservadas.

Ke Chuandeng, presidente da Jetour Internacional, confirmou a instalação de um Centro de P&D no País, que trabalhará neste primeiro momento na tecnologia flex para os conjuntos híbridos. E adiantou que, no planejamento de longo prazo, a produção local é um dos itens previstos.

Fundada em 2018 a Jetour está em processo de expansão internacional. Opera em 91 países e vendeu, no ano passado, 623 mil veículos, dos quais 270 mil fora da China. A marca do Grupo Chery compartilha plataformas e fábricas com as outras marcas da empresa, como Omoda, Jaecoo e Chery. A base industrial está em três fábricas na China, em Wuhu, Kaifeng e Fuzhou.

Chuandeng disse que o plano é estabelecer mais uma fábrica na China e quinze em outros mercados até 2030, em operações que chamou de KDs. A meta é produzir 600 mil veículos fora de seu país de origem, suprindo metade da demanda prevista para os mercados internacionais, de 1,1 milhão de unidades.

“O Brasil é uma das principais economias do mundo e possui uma indústria automotiva com grande potencial de crescimento e evolução, especialmente no campo da eletrificação híbrida. Esses fatores estão alinhados à estratégia global de expansão da Jetour.”

Cem concessionárias

Mais três lançamentos estão programados para 2026, para enriquecer o portfólio formado pelos T1, T2 e S06. Dois deles já foram confirmados: o T2 com tração integral e o G700.

Em paralelo ao início das vendas estão sendo inauguradas as concessionárias. Durante a pré-venda os modelos foram expostos em catorze pontos e agora a meta é superar cem concessionárias e pontos de vendas até o fim do ano.

Os preços dos veículos foram mantidos até o fim de abril: R$ 199,9 mil para o S06 Advance e R$ 229,9 mil para o Premium, R$ 249,4 mil para o T1 Advance e R$ 264,4 mil para o Premium e R$ 289,9 mil para o T2 Advance e R$ 299,9 mil para o Premium. A partir de maio os preços das versões Advance serão acrescidas de R$ 5 mil e os das Premium, com exceção do S06, de R$ 10 mil.

GWM coloca barco a hidrogênio em tour pelo Brasil

São Paulo — A GWM inicia em abril um tour pelo Litoral brasileiro com a embarcação JAQ H1, equipada com sistema de geração de energia a hidrogênio. Após estreia durante a COP30, em Belém, PA, o projeto entra agora em fase de demonstração prática em diferentes regiões do País.

Com 36 metros de comprimento o barco utiliza células a combustível para transformar hidrogênio em eletricidade, abastecendo todos os sistemas a bordo. O processo tem como subproduto apenas vapor d’água e, segundo a empresa, pode reduzir em até 80% as emissões de CO₂ durante a navegação.

Durante a rota a embarcação funcionará como plataforma itinerante de demonstração tecnológica, recebendo especialistas, autoridades e representantes do setor para discutir o papel do hidrogênio na transição energética.

O roteiro inclui paradas em Belém, Fortaleza, CE, João Pessoa, PB, Recife, PE, Salvador, BA, Vitória, ES, e Rio de Janeiro, RJ. No Rio o barco participará de agendas ligadas ao Energy Summit, no fim de junho.

Hyva investe R$ 50 milhões e abre nova fábrica em Caxias do Sul

São Paulo – A Hyva do Brasil inaugurou uma nova fábrica em Caxias do Sul, RS, na quarta-feira, 19. O investimento foi superior a R$ 50 milhões. Localizada no bairro Industrial tem 17 mil m² de área construída e foi projetada para elevar a produtividade e dar suporte ao avanço da demanda no mercado interno e externo.

A unidade nasce com capacidade anual de cerca de 52 mil cilindros hidráulicos, 1,5 mil sistemas de piso móvel e 40 mil kits hidráulicos. O projeto também prevê expansão futura, com espaço para novos aportes em máquinas e automação.

No campo industrial a empresa já prepara a unidade para avanços em robotização e digitalização de processos, com impacto direto na eficiência e no consumo de insumos. Um dos objetivos é reduzir o uso de gás argônio — relevante nas emissões de CO₂ deste tipo de operação.

A fábrica também traz uma série de soluções visando à sustentabilidade e à redução de custos operacionais. Dentre elas estão sistema de reaproveitamento de água da chuva com capacidade de 30 mil litros, iluminação 100% em LED e estrutura preparada para instalação futura de painéis solares.

Outro destaque é a ampliação em 50% da área de armazenamento de resíduos, medida que reduz a frequência de coletas e o impacto logístico associado. A unidade ainda conta com soluções para conforto térmico e ventilação natural nos pavilhões, com o objetivo de melhorar as condições de trabalho e reduzir o consumo energético.