Licitações estimulam alta de 35% na fabricação de chassi ônibus

São Paulo – Os pedidos do programa do governo federal Caminho da Escola e as licitações para a renovação de frotas de veículos urbanos estimularam a produção de 27,7 mil chassis de ônibus no ano passado, avanço de 34,7% com relação a 2023. Quanto às vendas, ajudadas também pela maior oferta de crédito, o volume de 22,4 mil unidades avançou 9,8% sobre os doze meses anteriores e configurou o melhor ano desde 2014.

Os dados foram divulgados pela Anfavea na terça-feira, 14. De acordo com Eduardo Freitas, vice-presidente da entidade, destacaram-se os modelos urbanos, que registraram aumento de 41,3% na fabricação, e os rodoviários, com alta de 5%.

“Observamos em 2024 um crescimento muito grande na parte de fretamentos, linha que cresceu 80% no ano passado. Este segmento de ônibus também tem muito a ver com o avanço do PIB, entretanto, quando olhamos no todo, acaba representando menos”, afirmou Freitas. “Quanto aos urbanos, que é o setor mais expressivo, houve incremento de 11%.”

Em dezembro saíram das linhas de produção 1,7 mil chassis de ônibus, incremento de 34,7% frente ao último mês de 2023, e sobre novembro houve redução de 30,7%, movimento esperado por causa das férias coletivas.

A expectativa para este ano, de acordo com o dirigente, é que o desempenho do ano passado seja reproduzido, com uma variável: dos cerca de 7 mil pedidos de ônibus aprovados pelo Caminho da Escola 2,5 mil foram entregues em 2024 “e os demais devem aparecer em 2025. Também aguardamos expansão por parte de urbanos e fretamentos”.

Em 2024 foram exportados 4,8 mil ônibus, 3,1% abaixo dos doze meses anteriores. Em dezembro foram 394 unidades, volume 37,5% inferior ao de novembro e 5,1% menor que o do mesmo mês em 2023.

Abraciclo projeta produção de 1 milhão 880 mil motocicletas e recorde de vendas este ano

São Paulo — A Abraciclo acredita que a produção de motocicletas, este ano, deverá alcançar 1 milhão 880 mil unidades, alta de 7,5% na comparação com o ano passado. A marca superaria o volume de produção de 2010, mas ainda ficaria atrás do recorde de 2011, quando foram produzidas mais de 2,1 milhões de unidades.

As projeções foram divulgadas pela entidade na terça-feira, 14. Mesmo diante das incertezas macroeconômicas do País o presidente Marcos Bento acredita que a demanda por motocicletas seguirá em alta: “Por causa dos atributos das motocicletas, como preço mais acessível, baixo custo de manutenção e agilidade nos deslocamentos”. 

A meta das fabricantes é seguir oferecendo motocicletas com mais tecnologia, segurança e baixo nível de emissões. Segundo Bento em 2024 houve crescimento de 25% na venda de motocicletas de média cilindrada, dado que mostra que os consumidores que compram sua primeira motocicleta, de baixa cilindrada, querem seguir usando esse meio de transporte e buscam trocar por um modelo mais potente. 

Como pontos de atenção a entidade monitora possíveis secas na Amazônia, como em 2023 e 2024 e que afetou a logística de escoamento e chegada de componentes. A recente escalada do dólar também poderá trazer efeitos para o setor de duas rodas, assim como a conjuntura política no Exterior. 

No varejo o setor deverá atingir o seu novo recorde de vendas, com 2 milhões 20 mil unidades. Seria o maior volume registrado na história: o recorde atual é de 2011, 1 milhão 941 mil. Caso a projeção se concretize o crescimento em 2025 será de 7,7% sobre 2024. 

A Fenabrave, que representa os concessionários que operam no Brasil, projetou um volume ainda maior, de 2 milhões 63 mil vendas, com alta de 10% sobre 2024. O presidente da Abraciclo reconheceu que esse volume é possível de ser atingido, uma vez que as projeções da entidade são mais precisas na produção, enquanto nas vendas poderá acontecer uma oscilação para cima:

“Nosso número não é conservador, mas ele considera a projeção dos nossos associados e ponderamos também a situação econômica do Brasil nesse início de ano, que pode sofrer um pouco mais por causa da escalada do dólar. Ainda assim, as duas projeções são de recorde nas vendas”. 

As exportações, que sofreram em 2024, deverão crescer 13% em 2025, com 35 mil unidades embarcadas. O volume ainda é considerado baixo pelo presidente da Abraciclo, que lembrou das dificuldades que o setor enfrenta na América do Sul para elevar o nível dos embarques pois a região tem sido abastecida por motocicletas asiáticas que, embora sejam mais baratas, poluem mais e oferecem menos segurança aos motociclistas.

Produção de motocicletas registra o melhor resultado desde 2011

São Paulo — A produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus, AM, alcançou, no ano passado, o maior volume desde 2011, somando 1 milhão 748 mil unidades, expansão de 11,1% na comparação com 2023. Os dados foram divulgados pela Abraciclo, entidade que representa o setor de duas rodas.

O volume foi superior ao projetado pela entidade, que esperava produção de 1 milhão 720 mil unidades no ano passado, classificado pelo seu presidente, Marcos Bento, como desafiador: “Conseguimos contornar os efeitos da seca em Manaus, com o aprendizado de 2023, e o setor cresceu acima dos dois dígitos. Este resultado só foi possível pelo planejamento da indústria, que manteve o ritmo das linhas de produção mesmo com todos os desafios”.

As vendas somaram 1 milhão 876 mil unidades, aumento de 18,6% sobre 2023, também o melhor resultado desde 2011. O avanço, segundo Bento, foi puxado pelos 37 lançamentos, pelo maior volume de crédito liberado para financiamento e pela força do sistema de consórcio, que representou 34% do total.

As exportações caíram 5,9% em 2024 na comparação com 2023, somando 31 mil unidades. Além da invasão asiática na América do Sul, que dificulta os avanços das exportações nacionais, que são mais caras pois atendem níveis mais altos de controle de emissões e de tecnologia, também houve queda na demanda em dois mercados importantes, Colômbia e Austrália.

Produção de caminhões dispara 40% em 2024

São Paulo – Saíram das linhas de produção, no ano passado, 141,3 mil caminhões, volume 40,5% superior ao registrado em 2023, 100,5 mil unidades. O expressivo crescimento deve-se, em parte, à base depreciada pela mudança de tecnologia de Euro 5 para Euro 6 do ano passado que, em 2024, foi assimilada. Contribuiu também para a maior demanda a maior oferta de crédito.

O ano da retomada também registrou aumento do comércio em 15,7%, totalizando 124,9 mil caminhões. Em dezembro foram vendidas 11,4 mil unidades, 12,6% acima de novembro e 10,7% superior a dezembro de 2023. A média de vendas diária alcançou a melhor marca desde agosto de 2021, 572 unidades.

Os dados divulgados pela Anfavea na terça-feira, 14, apontam também que a produção do mês passado, 10,7 mil unidades, ficou 18,9% abaixo de novembro, como era de se esperar, por causa das férias coletivas, mas cresceu 29,3% com relação a dezembro do ano anterior.

O vice-presidente da Anfavea, Eduardo Freitas, ressaltou que infraestrutura e construção civil foram os setores responsáveis por estimular o setor em 2024. E que o desempenho só não foi melhor porque o agronegócio passou por dificuldades como a quebra de safra provocada por mudanças climáticas – a exemplo das enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul – e também pelos preços das commodities, o que deverá ser revertido este ano.

“Observamos em 2024 um início de processo de renovação das frotas por parte de grandes transportadoras e locadoras. A maior oferta de crédito ajudou bastante nisto. E caminhão é PIB: quando a economia reage, a procura por caminhões cresce junto.”

Segundo Freitas a maior parte dos veículos fabricados no País no ano passado foi de modelos mais robustos, sendo que 46% dos caminhões foram semipesados e 44% pesados.

Para este ano, apesar dos sinais de alerta com dólar na casa de R$ 6 e juros ascendentes com uma Selic que pode terminar o ano aos 15%, Freitas apontou que fatores como melhora nos índices de emprego e a expectativa de safra recorde do agro deverão contribuir à manutenção dos bons números do setor.

No ano passado foram exportados 17,9 mil caminhões, alta de 5,6% frente aos doze meses anteriores. Em dezembro foram escoados 2,1 mil, acréscimo de 5,4% sobre novembro. Comparado ao último mês de 2023, quando foram vendidas 1,1 mil unidades a outros países, no entanto, a quantidade quase dobrou ao crescer 90,4%.

Balança comercial automotiva fecha no vermelho pela primeira vez em uma década

São Paulo – Pela primeira vez em dez anos a balança comercial do setor automotivo fechou as contas no vermelho. O déficit foi provocado pelo crescimento expressivo de 33% nas importações – que registraram, também, a melhor a marca em uma década –, para 467 mil veículos, ao mesmo tempo em que foram exportadas 398,5 mil unidades, 1,3% abaixo de 2023.

Os dados, divulgados na terça-feira, 14, pela Anfavea, mostram que o desempenho só não foi pior por causa da retomada dos apetites da Argentina, principalmente, e do Uruguai. Embora México, Chile e Colômbia também tenham apresentado melhora em seus mercados a preferência foi por veículos de outras nacionalidades devido ao menor custo.

“Precisamos reequilibrar a balança comercial deste ano com a elevação das exportações”, disse o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Estamos perdendo participação em mercados que cresceram. A Argentina está salvando o Brasil. Para piorar o excesso de importações provoca a tempestade perfeita, o que não poderá se repetir em 2025.”

E isto se deu mesmo em cenário de disparada do dólar a níveis recordes que romperam a casa dos R$ 6 e desvalorizaram o real, o que deveria favorecer as exportações: “O problema é que tem havido forte entrada de produtos de outros mercados, principalmente chineses, em que o volume é expressivo e o preço, favorável por causa da escala, inclusive de montadoras tradicionais com fábrica no Brasil”.

Dos 398,5 mil veículos exportados 40%, ou 160,2 mil, tiveram como destino o mercado argentino, que ampliou suas compras em 48% em comparação a 2023 – quando a participação foi de 27%. O Uruguai também reforçou suas encomendas em 22%, com 38,7 mil unidades, representando 10% do total e ganhando 2 pontos porcentuais em um ano. À exceção destes dois todos os demais países reduziram suas aquisições.

O México, segundo maior cliente do setor automotivo brasileiro, comprou volume 25% menor do que em 2023, totalizando 95,5 mil unidades. Com isto sua representatividade passou de 32% para 24%. O Chile recuou em 29%, para 19,3 mil unidades. Manteve a quinta posição e sua fatia caiu de 7% para 4%. E a Colômbia baixou seus pedidos em 2%, somando 33,8 mil veículos — e, embora sua fatia tenha passado de 9% para 8%, ainda permaneceu com o quarto lugar da lista.

Os valores totais obtidos com as exportações somaram US$ 10,9 bilhões, praticamente o mesmo do fechamento do ano anterior, com leve variação negativa de 0,1%.

Em dezembro o valor das exportações chegou a US$ 917 milhões, 8,3% abaixo de novembro mas 27,1% acima do último mês de 2023. Quanto aos embarques no mês passado foram escoados 31,4 mil veículos, 20,3% abaixo de novembro e 22,1% acima de dezembro do ano anterior.     

Agenda prioritária da Anfavea mira os 3 milhões de veículos

São Paulo – Não deverá ser ainda em 2025: as projeções da Anfavea indicam produção de 2 milhões 750 mil veículos e mercado interno de 2,8 milhões de unidades, crescimento de 7,8% e 6,3%, respectivamente. Mas dentre os temas prioritários da agenda da entidade está a retomada do marco de 3 milhões, tanto para a produção como para o mercado doméstico.

De 2008 a 2014 as fábricas brasileiras superaram o marco, interrompido no ano seguinte com o início de crise econômica. O mercado interno alcançou as 3 milhões de unidades um ano depois, em 2019, e também bateu a marca pela última vez em 2014.

“É fundamental para o País voltar ao patamar das 3 milhões de unidades”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Não fosse a questão do dólar e da taxa de juros o Brasil tinha tudo para alcançar este volume em 2025. Estamos otimistas, ainda acreditamos que o mercado continue reagindo, apesar da questão macroeconômica.”

Outro ponto levantado como prioritário é o reequilíbrio da balança comercial. Em 2024 as exportações caíram e as importações cresceram, tornando o resultado deficitário. Lima Leite insiste na retomada imediata dos 35% do imposto de importação para veículos híbridos e elétricos, pleito já levado ao governo e que, por ora, segue com o cronograma anunciado no fim de 2023. Para ele, que cita movimentos semelhantes feitos por outros mercados para tentar barrar a entrada de veículos chineses, é fundamental este retorno imediato.

Compras governamentais e renovação de frota

A Anfavea dará mais atenção também às compras públicas, buscando que a indústria nacional seja priorizada neste movimento. O presidente da Anfavea disse que muitas licitações são ganhas por empresas que não têm grande adensamento de produção local, não geram muitos empregos e nem compram no Brasil:

“Temos conversado com o governo para que existam regras claras e fiscalização. Estes investimentos governamentais precisam gerar crescimento no País, movimentar a indústria do aço, de fornecedores que investem, e não de empresas que importam e não geram empregos por aqui”.

Outro ponto prioritário é, mais uma vez, a renovação da frota. Lima Leite disse que é possível que um programa seja estabelecido ainda em 2025: “Pelo que conversamos com o governo existe a possibilidade de acontecer este ano. Deverá começar primeiro com caminhões para depois avançar aos outros segmentos. Mas é preciso financiamento para o programa, que é importante para a descarbonização e também para a segurança do trânsito”.

Lima Leite permanece presidente da Anfavea até abril, quando uma nova diretoria tomará posse. Ainda não está batido o martelo com relação a seu sucessor, que a entidade busca ser um profissional do mercado e não mais um representante de empresa associada. Disse o executivo que, no fim do ano, em assembleia, foi decidido que não haveria uma chapa concorrente: todas as montadoras concordaram que o processo sucessório seguiria o planejamento de profissionalização. Até abril os nós deverão ser desatados e o futuro da Anfavea encaminhado.

Importações de veículos registram maior volume em dez anos

São Paulo – As importações de veículos somaram 467 mil unidades em 2024, o que representa avanço de 33% na comparação com os doze meses anteriores e configura o maior volume dos últimos dez anos. Até então o volume mais expressivo havia sido registrado em 2015, 414 mil unidades.

O que mais chama atenção, de acordo com os dados da Anfavea divulgados na terça-feira, 14, é que 38% do volume provêm de países fora do Mercosul e México, mercados com os quais o Brasil mantém acordo comercial – em 2022 este porcentual foi 17%. Além disto a participação de empresas que não fabricam no Brasil dobrou – o que já havia sido indicado na última entrevista coletiva à imprensa, em dezembro – e encerrou 2024 aos 28%, enquanto que em 2023 eram 14%.

Outro dado apresentado por Igor Calvet, diretor executivo da Anfavea, é que este movimento foi impulsionado pela eletrificação, uma vez que cerca de 200 mil veículos importados foram híbridos e elétricos.

Calvet ressaltou, neste contexto, que os carros vindos da Argentina reduziram sua participação de 62% para 48% em um ano, embora o país vizinho siga como o maior fornecedor de veículos importados do Brasil, com 224,7 mil unidades em 2024, leve alta de 2%. Ocorre que outras nações ampliaram, ao ritmo de dois dígitos, sua fatia no mercado brasileiro.

A China, por exemplo, embarcou 120,3 mil veículos para cá, alta de 187%, e mais do que dobrou seu market share, de 12% para 26%: “Além deste, que é um dos mais expressivos crescimentos em volume, temos o da Tailândia, que ampliou em 193% o número de veículos enviados ao Brasil. Embora sua fatia seja de 2% e o número pequeno, passou de 2,5 mil para 7,4 mil. A velocidade destes avanços preocupa”.

O presidente da Anfavea observou que, em valores, ingressaram no Brasil veículos que somam US$ 4,5 bilhões ou R$ 30 bilhões, o que representou renúncia fiscal de R$ 6 bilhões em 2024, “isto porque o Brasil não possui uma política de proteção e, sim, apenas medida temporária de elevação progressiva da alíquota de importação. Esta cifra poderia ter gerado postos de trabalho no Brasil e estimulado investimentos em P&D”.

Lima Leite lembrou os R$ 180 bilhões em aportes motivados pelo Programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, sendo R$ 130 bilhões das montadoras e R$ 50 bilhões da cadeia, e exaltou a criação de 107 mil vagas pelo setor no País em 2024, alta de 8,3% frente ao ano anterior. “Não podemos aceitar esta quantidade de importações, o que prejudica fortemente a retomada da nossa competitividade”.

Brasil bate recorde de vendas de veículos, somados novos e usados

São Paulo – Com 14,2 milhões automóveis e comerciais leves, novos e usados, vendidos no mercado brasileiro 2024 registrou o melhor resultado da história, segundo informou a Anfavea na terça-feira, 14. Foi 10,9% maior do que o registrado em 2023, 12,8 milhões de unidades.

Deste volume 82% foram de transferências de usados, ou 11,7 milhões de veículos, resultado também recorde, e 2,5 milhões foram emplacamentos de 0 KM, 18% do total. 

Com a soma dos pesados o mercado brasileiro fechou o ano passado com 2 milhões 634 mil veículos vendidos, alta de 14,1% sobre o ano anterior. Em dezembro foram 257,4 mil unidades, alta de 1,6% sobre novembro e de 2,6% sobre o último mês de 2023.

“Foi o maior crescimento dos principais mercados”, disse o presidente Márcio de Lima Leite. “A média diária cresceu 12%, também o maior avanço nos mercados de mais volume. O Brasil se manteve como sexto maior mercado do mundo”.

A China foi o melhor mercado do mundo no ano passado, com 31,4 milhões de veículos vendidos. Os Estados Unidos somaram 15,9 milhões de unidades, na segunda posição, e o Japão completou o pódio com 4,4 milhões. Índia e Alemanha ficaram na quarta e na quinta posição.

Segundo Lima Leite o crédito foi fundamental para o avanço das vendas: “A concessão de crédito para compra de veículos cresceu 36,4% até novembro, somando R$ 192,1 bilhões. No ano foram vendidos 5,5 milhões de veículos financiados, somados novos e usados, alta de 18,7%”.

A participação das vendas financiadas nos emplacamentos alcançou 44%, em tendência crescente. 1,4 milhão de unidades foram negociadas à vista e 1,2 milhão financiadas.

Por segmento

Os SUVs puxaram o crescimento nas vendas de leves do ano passado, com incremento de 19,4%. As picapes avançaram 17,9% e as vans 16,7%, acima da média do mercado, que cresceu 14,1%. Os hatches e sedãs, por sua vez, registraram alta de 8,1% e perderam espaço.

As concessionárias e pátios de montadoras encerraram o ano com 232,7 mil veículos em estoque, volume suficiente para suprir as vendas por 27 dias.

A Anfavea manteve sua projeção de vendas de 2,8 milhões de veículos em 2025, o que representaria uma alta de 6,3% sobre o resultado do ano passado.

Produção de veículos cresce 10% e Brasil passa a oitavo maior fabricante global

São Paulo – As linhas de montagem instaladas nas fabricantes de veículos brasileiras produziram, no ano passado, 2 milhões 550 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, volume 10% superior às 2,3 milhões de unidades de 2023. Segundo divulgou a Anfavea na terça-feira, 14, o volume coloca o País como oitavo maior produtor global de veículos, superando a Espanha, que um ano atrás ficara à frente.

Em dezembro foram produzidos 190,1 mil veículos, aumento de 10,8% sobre o mesmo mês de 2023, mas redução de 19,5% com relação a novembro, justificada pelas paradas nos períodos de festas e férias coletivas promovidas por algumas associadas.

Com o aumento das importações, que representaram 17,7% das vendas domésticas, o volume de veículos produzidos foi inferior ao de veículos comercializados no mercado interno, que somou 2 milhões 634 mil unidades, avanço de 14,4% sobre 2023. As vendas de importados superaram as exportações em 65 mil unidades.

Para Igor Calvet, diretor executivo da Anfavea, o resultado merece comemoração: “Um crescimento de 10% nos dá satisfação porque o trabalho da Anfavea é fazer a produção crescer e gerar empregos para o Brasil”.

No ano passado foram gerados 8,3 mil novos postos de trabalho pelas montadoras, que somam 107,2 mil pessoas empregadas:

“Foi o maior índice de crescimento de emprego do setor desde 2007”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. “Em 2025 teremos mais inaugurações de fábricas e o início de produção de novos competidores, o que indica que este número deverá continuar crescendo”.

Para 2025 a Anfavea projeta a produção de 2 milhões 750 mil veículos, volume 7,8% superior ao do ano passado, puxado pelo desempenho de automóveis e comerciais leves, com 8,4% de aumento, enquanto a expectativa é de estabilidade em caminhões e ônibus, somando 169,4 mil unidades.

Litens investe R$ 30 milhões para equipar veículos híbridos nacionais

São Paulo – A transição energética da indústria automotiva brasileira está rendendo novos negócios para a Litens, fornecedora com origem no Canadá com fábrica em Atibaia, SP. A empresa aplica, até o meio do ano, R$ 30 milhões para a produção de componentes destinados a veículos híbridos. Um terço deste valor foi direcionado à produção do tensionador V, desenvolvido pela engenharia local em parceria com a Stellantis e já presente no Pulse e no Fastback lançados no ano passado.

Tensionador omega, tensionador alfa e polia de isolamento do virabrequim são outros componentes na fila, que entrarão em produção em 2025. A fábrica de Atibaia foi expandida, segundo o presidente da Litens, Bruno Fragoso: “Investimos na expansão da fábrica e alugamos um prédio próximo para estocar os componentes que usamos na produção, para ganhar mais espaço para instalar as novas linhas”.

Os aportes não se destinam apenas a contratos com a Stellantis, segundo Fragoso, que acompanha de perto a chegada de mais modelos híbridos às fábricas brasileiras e se prepara para atender à demanda que virá. Negociações estão em andamento e novos projetos já foram conquistados, com os nomes dos modelos e das empresas ainda mantidos em sigilo por contrato:

“Todo veículo híbrido nacional que for lançado este ano e no ano que vem terá algum componente produzido pela Litens”.

Tensionador V fornecido para a Stellantis

O investimento também será usado para transformar a fábrica de Atibaia em uma base exportadora de componentes para modelos híbridos, atendendo a demandas na América do Norte e na Europa. Para os próximos anos a meta da companhia é exportar um terço de toda a sua produção. 

Híbridos puxam crescimento

A meta da Litens é dobrar o seu faturamento aqui até 2027 usando como base 2021, e este crescimento deverá ser puxado, principalmente, pelo lançamento de modelos híbridos e pelo avanço de suas exportações. Para 2025, segundo Fragoso, a projeção é de alta de 12% nos negócios depois de crescer 10% em 2024.

Para 2026, quando o País deverá ter um número maior de modelos híbridos produzidos localmente, a Litens projeta incremento de 20%. O executivo acredita que esse tipo de tecnologia, aliada ao etanol, será o pilar para a descarbonização da frota nacional, que também terá um porcentual de veículos elétricos, mas bem menor do que os híbridos.