Faturamento do Grupo Renault cresceu 7% em 2024

São Paulo – O Grupo Renault divulgou o balanço de 2024 no qual o faturamento, de € 56,3 bilhões, avançou 7,4% em comparação a 2023. A receita da divisão automotiva ficou em € 50,5 bilhões, acréscimo de 4,9% no mesmo comparativo – a cifra incluiu 1,4 ponto porcentual de efeito negativo das taxas de câmbio relacionado ao peso argentino, à desvalorização da lira turca e, em menor medida, à do real brasileiro.

A margem operacional bateu recorde, € 4,2 bilhões, alta de 15% ou de € 146 milhões frente ao ano anterior, e representou 7,6% do faturamento. A margem operacional da divisão automotiva, por sua vez, ficou em 5,9% da receita do segmento e apresentou leve recuo de € 3 bilhões para € 2,9 bilhões na comparação anual.

Contribuiu com o resultado automotivo o impacto positivo das taxas de câmbio em € 143 milhões, atribuído, principalmente, ao reflexo da desvalorização da lira turca nos custos de produção.

O fluxo de caixa livre ficou em € 2,8 bilhões, incluindo € 600 milhões de dividendos da Mobilize Financial Services, recuo de € 141 milhões frente a 2023. A posição financeira líquida da divisão automotiva atingiu nível recorde de € 7 bilhões de euros, contra € 3,7 bilhões um ano antes, melhora de € 3,3 bilhões.

Este aumento foi alavancado pelo forte fluxo de caixa livre, impacto positivo das operações da Horse – € 1 bilhão, dos quais € 324 milhões originados da venda de 10% de sua participação no capital para a Aramco –, da entrada em caixa de numerário proveniente da cessão das ações da Nissan, € 852 milhões, e de dividendos recebidos da Nissan, € 142 milhões.

Diante de um mercado ainda marcado por incertezas na demanda e por restrições regulamentares, como o impacto da regulamentação das emissões de CO2 na Europa, para 2025 a expectativa é que o Grupo Renault se beneficie do impacto do ano cheio de 2024 com relação aos lançamentos e à oferta de produtos, associados à aceleração das reduções de custos.

A margem operacional projetada é igual ou superior a 7%. Quanto ao fluxo de caixa livre a perspectiva é que alcance pelo menos € 2 bilhões, incluído € 150 milhões de dividendos da Mobilize Serviços Financeiros. O grupo tem apostado em forte renovação da gama de modelos, com dez lançamentos e duas reestilizações em 2027, além de sete lançamentos e duas reestilizações previstos para 2025.

Omoda Jaecoo nomeia mais de trinta grupos concessionários

São Paulo – A Omoda Jaecoo deu a largada para comercializar seus veículos em território brasileiro. Nomeou, oficialmente, mais de trinta grupos para integrar suas rede de concessionárias. As marcas estarão distribuídas em quarenta cidades de dezessete estados, sendo que mais de cinquenta lojas serão personalizadas com bandeira própria.

Alguns nomes da rede são Amazonas, Andreta, Barigui, Carrera, Euroamericas, Felice, Germanica, Marajó, Primavia, Sinal e Toriba. A previsão de início das operações é março, uma vez que o cronograma das obras começou em dezembro.

De acordo com a fabricante, com origem na China, todas as revendas contarão com estrutura de pós-venda e serviços para clientes das marcas do Grupo Chery. Neste início dois modelos estarão disponíveis, o Omoda 5 e o Jaecoo 7.

Segundo a empresa o crescimento gradual e natural no volume de vendas será fator primordial para começar a produzir no Brasil, o que é planejado para este ano, além da maior oferta de modelos. O objetivo é também ampliar o número de concessionárias até 2028, chegando a 150.

Continental demitirá 3 mil profissionais de P&D em todo o mundo

São Paulo –A melhoria contínua de sua rede global de locais de P&D e a simplificação de processos que permitem adaptação acelerada às necessidades do cliente foram as justificativas da Continental para o corte de 3 mil postos de trabalho na área em todo o mundo até o fim de 2026.

As medidas se fazem necessárias, de acordo com a empresa, em parte devido ao ambiente de mercado dinâmico e desafiador, pois a indústria está passando por uma grande transformação em direção às tecnologias futuras.

“A configuração global aprimorada requer medidas de eficiência adicionais dedicadas a reduzir a taxa de P&D para permanecer competitiva”, afirmou a companhia, em comunicado, ao informar que menos da metade das demissões ocorrerão na Alemanha.

Segundo a Continental “os esforços planejados de otimização da força de trabalho de P&D serão, em grande parte, estabelecidos por meio de flutuação natural, por exemplo, de aposentadorias, e com foco na contratação interna”.

A decisão significa o enxugamento de 10% dos empregos da área em todo o mundo. O setor automotivo do grupo emprega cerca de 92 mil pessoas, das quais 31 mil estão em pesquisa e desenvolvimento.

USP inicia testes de hidrogênio renovável a partir do etanol

São Paulo – A USP, Universidade de São Paulo, iniciou o testes de hidrogênio renovável a partir do etanol na primeira estação experimental do mundo dedicada ao tema, localizada na Cidade Universitária. Conduzido pelo RCGI, Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa, da USP, o projeto recebeu investimento de R$ 50 milhões.

Colaboram com a iniciativa grandes empresas e instituições, como Shell Brasil, Raízen, Hytron – agora parte do Grupo Neuman & Esser –, Senai CETIQT e a própria USP por meio do RCGI, além de Toyota, Hyundai, Marcopolo e da EMTU, Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, de São Paulo.

A planta-piloto tem capacidade para produzir 100 quilos de hidrogênio por dia, volume que será utilizado para abastecer três ônibus coletivos de transporte público da USP e dois veículos leves, o Toyota Mirai e o Hyundai Nexo, ambos movidos a hidrogênio.  

A produção se dá por meio da reforma do vapor do etanol, processo químico no qual o combustível reage com água sob alta temperatura, resultando na liberação de hidrogênio. O método é destacado pela eficiência e possibilidade de reduzir emissões de carbono, uma vez que o CO2 liberado no processo é biogênico, ou seja, pode ser compensado no ciclo do cultivo da cana-de-açúcar.

Mercado colombiano inicia o ano com alta de 24%

São Paulo – As vendas de veículos na Colômbia somaram 14,4 mil unidades em janeiro, volume 24,2% superior ao do mesmo mês de 2024, de acordo com dados divulgados pela Andemos, entidade que representa o mercado local. 

Assim como no Brasil os SUVs representaram a maior parte da demanda com 7,6 mil vendas, seguidos pelos demais automóveis, com 3,5 mil unidades, e pelas picapes, com 1,2 mil.

No primeiro mês do ano a Renault liderou o mercado colombiano com 2,2 mil veículos. Em segundo lugar ficou a Kia, 1,8 mil, seguida por Toyota, 1,4 mil.

Fiat Fastback soma 100 mil unidades vendidas no Brasil

São Paulo – Em janeiro o Fiat Fastback chegou a marca de 100 mil unidades emplacadas no Brasil desde o seu lançamento, em setembro de 2022. Foi o segundo SUV produzido pela Fiat na fábrica de Betim, MG – o Pulse foi o primeiro.

O SUV conta com uma série de versões vendidas no Brasil, incluindo uma esportiva desenvolvida pela Abarth e outra híbrida, lançada no final de 2024. No ano passado o Fastback registrou 48,1 mil emplacamentos.

GM lança projeto para restaurar seus carros antigos no Brasil

São Paulo – Como parte da celebração dos seus primeiros 100 anos no Brasil a General Motors está trabalhando em um projeto, ainda em fase piloto, de reestruturação de seus modelos Chevrolet antigos vendidos no Brasil. Chamado de Vintage, tem como objetivo atender colecionadores e fãs da marca que buscam projetos exclusivos, desenvolvidos e certificados por engenheiros da companhia. 

No projeto-piloto alguns modelos clássicos Chevrolet que foram vendidos de 1960 a 1990 estão sendo restaurados, como o Opala e o Chevette. Duas picapes também estão sendo restauradas, uma 3100 e uma C10, e um Monza Classic EF.

Bosch anuncia R$ 520 milhões em investimentos de P&D

Campinas, SP – A Bosch assinou contratos para captar R$ 521 milhões junto à Finep e ao BNDES, dentro do programa Mais Inovação, que integra o NIB, Nova Indústria Brasil. Com o valor tem planos de investir, até 2027, em pesquisa e desenvolvimento nas áreas de mobilidade sustentável, segura e conectada, indústria 4.0, sistemas inteligentes para o agronegócio e remanufatura de componentes automotivos.

Um dos destinos do investimento é a estruturação do Centro de Competência Global Bosch para o setor do agronegócio: a sede global desta área será em Campinas e a coordenação ficará a cargo da Bosch Brasil. É a primeira vez que um centro do tipo será gerido a partir do País pela companhia.

Somente no agronegócio estão previstos R$ 200 milhões em investimentos nos próximos três anos, criando cem empregos no Brasil e na Argentina.

O valor, dos quais R$ 470 milhões vieram da Finep e R$ 51 milhões do BNDES, crédito subsidiado e subvenções econômicas, se somará ao R$ 1 bilhão que a Bosch investe todos os anos na América Latina, segundo seu presidente e CEO, Gastón Diaz Perez, para modernização das linhas de produção, digitalização e inovação.

Considerando todos os investimentos, de acordo com Perez, a estimativa é gerar cerca de 1 mil empregos nas operações brasileiras até 2027 – atualmente a companhia emprega em torno de 10 mil pessoas no Brasil.

Mercedes-Benz vende a fábrica da Sprinter para grupo argentino

São Paulo – A Mercedes-Benz anunciou a venda da sua fábrica em Virrey del Pino, Buenos Aires, Argentina, para a Open Cars, que assumirá a unidade ao longo de 2025. A negociação envolveu a continuidade da produção da linha Sprinter no local, que ficará também a cargo do grupo argentino, responsável por abastecer o mercado local, o brasileiro e os demais países da América Latina.

Segundo o Motor1 Argentina o acordo de produção fechado pelas duas empresas ficará em vigor até, pelo menos, 2030. Em conferência de imprensa na Alemanha o CEO da Mercedes-Benz, Ola Kaellenius, disse que a decisão foi tomada com o objetivo de cortar custos que podem ajudar na eficiência dos seus próximos lançamentos globais, em busca de mais lucratividade.

Fábrica em Virrey del Pino, Buenos Aires, Argentina.

Em seu comunicado oficial divulgado no Brasil a Mercedes-Benz informou que a negociação garantiu a estabilidade dos empregos na unidade, garantindo um futuro sustentável à fábrica, à empresa e à região. 

A fábrica de Virrey del Pino também produz os caminhões Accelo e Atego, assim como chassis de ônibus. Essas linhas serão transferidas para a nova fábrica da Mercedes-Benz em Zárate, onde a empresa já construiu um novo centro logístico de distribuição de peças, com investimento de US$ 100 milhões.

China lidera exportações com carros a gasolina, por enquanto

Em 2024 a China garantiu o título de maior exportador de veículos do mundo, ultrapassando Japão e Alemanha, ao embarcar 4,7 milhões de automóveis a outros países – volume três vezes maior do que o registrado há apenas três anos e que, segundo recente estudo do Citigroup, em 2030 deverá chegar a 7,3 milhões.

Mas, ao contrário do que possa fazer parecer o grande número de modelos híbridos e elétricos produzidos por fabricantes com origem na China, o grosso é vendido no próprio mercado chinês. São os carros equipados só com motor a gasolina os responsáveis por quase 80% das exportações do país, ao menos por enquanto.

Para além da própria China, de longe o maior mercado de veículos eletrificados, que concentra 67% das vendas globais de híbridos e elétricos, com quase 11 milhões de unidades registradas no ano passado, estes carros encontram barreiras tarifárias e culturais nos países ricos da Europa, os Estados Unidos, o Japão e a Coreia. Assim sobra o resto do mundo para os fabricantes chineses, principalmente mercados que consomem mais carros a combustão porque a eletrificação encontra limites estruturais e de renda para avançar mais rápido.

Mas este resto do mundo é bastante relevante. Ainda que sejam mercados menores a soma desses países na América Latina, África, Oriente Médio e Sudeste Asiático representa vendas de cerca de 20 milhões de veículos/ano.

Além disso são mercados que, ao contrário das nações ricas e da própria China, estão crescendo e são tão ou mais lucrativos, ao passo que têm tarifas de importação menores ou até inexistentes, bem como legislação de emissões e de segurança mais lenientes, facilitando a entrada de carros mais baratos e menos sofisticados.

De dentro para fora

O empoderamento internacional dos fabricantes de veículos da China é recente, reflete mudanças substanciais do mercado interno e oportunidades externas surgidas nos últimos anos.

Primeiro os chineses venceram dentro de casa as grandes corporações estrangeiras que, a partir dos anos 2000, chegaram em massa ao país para produzir em sociedades meio a meio com companhias estatais. Há cerca de dez anos as marcas tradicionais do setor automotivo global, Volkswagen e GM à frente, dominavam 80% das vendas. Hoje o quadro se inverteu: marcas chinesas têm mais de 60% do mercado chinês de veículos, com BYD na liderança.

Esta virada no mercado doméstico não veio sem custos: a capacidade de produção do país, estimada hoje em 45 milhões de veículos/ano, cresceu demais e acima da demanda, que em 2024 ficou estagnada em 31,4 milhões de unidades, ocupando menos de 70% do potencial produtivo das fábricas.

Apesar de ser, por larga margem, o maior mercado de veículos do planeta, a China não consegue mais consumir tudo que produz, principalmente após o crescimento dos volumes dos fabricantes de marcas nacionais. Para compensar ao menos parte da imensa ociosidade a saída, estimulada por incentivos e diretrizes do governo, foi aumentar as exportações.

Justamente neste momento histórico muitos mercados externos abriram espaços que foram ocupados pelos chineses. A crise da falta de chips eletrônicos, em 2021 e 2022, obrigou os fabricantes ocidentais a concentrar a produção nos veículos mais caros e rentáveis, o que deixou caminho livre para modelos mais baratos vindos da China.

Com este movimento a participação em outros mercados de veículos produzidos na China, que antes da pandemia de covid era quase zero, saltou em 2024 para 8% na África e Oriente Médio, 6% na América do Sul, 4% no Sudeste Asiático e relevantes 5% no conjunto de 28 países da Europa, para os quais a China, no ano passado, foi o sexto maior fornecedor de veículos e o maior deles fora do próprio continente, com cerca de 600 mil automóveis registrados, número acima de fornecedores como Turquia, Japão e Reino Unido.

Outra oportunidade foi a Rússia, que passou a ser o maior mercado externo de carros da China, a grande maioria só com motor a gasolina. Há três anos, depois da eclosão da guerra com a Ucrânia e do consequente êxodo de fabricantes europeus, a participação dos veículos chineses no mercado russo saltou de 9% em 2021 para 61% em 2023.

Mercado externo mais lucrativo

Enquanto a porta parece ter sido definitivamente trancada nos Estados Unidos, com imposto de importação de 100% a veículos chineses, as tarifas adotadas pela União Europeia e a própria Rússia – que instituiu uma taxação de reciclagem para proteger o que restou de sua própria indústria – têm poder limitado de barrar fabricantes da China, que dominam toda a cadeia produtiva, têm os custos de produção mais baixos do mundo e encontraram no Exterior margens de lucro de 5 a 10 pontos porcentuais mais altas do que no seu próprio mercado interno.

Um exemplo: o elétrico BYD Dolphin é vendido na China por 99,8 mil yuans, o equivalente a US$ 12,6 mil, enquanto no Reino Unido este valor é quase três vezes maior, chega a US$ 33 mil, mas lá é um carro considerado barato. Uma análise da consultoria Rhodium Group calcula que a BYD poderia cortar os seus preços em 30% na Europa e, ainda assim, teria o mesmo lucro que obtém na China.

No Brasil a lógica parece ser a mesma pois, mesmo após dois aumentos do imposto de importação sobre elétricos e híbridos, o Dolphin 2025 vendido com reajuste de R$ 10 mil, por R$ 159,8 mil, ou US$ 28 mil pela cotação desta semana, também apresenta margem folgada com relação à que o fabricante tem em seu país de origem.

China eletrifica emergentes

Ainda que seja mais lenta a penetração de carros eletrificados nos mercados em que fabricantes da China têm seu melhor desempenho as vendas externas de modelos chineses elétricos e híbridos – e principalmente destes últimos – também estão em franca expansão. Ainda segundo o estudo do Citigroup a estimativa é que os automóveis eletrificados aumentarão sua representatividade nas exportações do país dos atuais 20% para 75% até 2030.

Esta presença mais marcante já acontece em alguns países como o Brasil, sexto maior mercado de veículos do mundo, no qual os carros elétricos e híbridos representam 7% das vendas e de cada dez modelos a bateria vendidos nove são provenientes da China.

Outros emergentes importantes também estão avançando na eletrificação, que já representa 6% dos automóveis comercializados na América Latina, 8% no México e 15% na Tailândia. São proporções em linha ou até maiores do que o de algumas nações ricas, como os Estados Unidos, onde 8% dos registros em 2024 foram de automóveis elétricos.

Mesmo na Europa, que está levantando barreiras tarifárias aos carros eletrificados da China, a proporção de modelos elétricos chineses, que era de 4% do mercado em 2021, saltou para 10% em 2024 e, a partir de agora, deverá crescer mais lentamente, não passando de 11%, segundo análise da Schmidt Automotive Research.

Mas é interessante notar que mesmo fabricantes europeus estão importando da China muitos modelos de marcas europeias. Em 2024 os chineses mais vendidos no continente foram da SAIC Motor, com a marca inglesa MG, da Geely, que é dona da sueca Volvo, e do Grupo BMW, que traz aos mercados europeus veículos produzidos em suas fábricas chinesas. Também foram bem vendidos aos europeus carros da BYD e Chery.

Fábricas em todos os cantos

Não são só carros prontos que navios da China trazem a novos mercados externos, mas também muitas partes de veículos desmontados ou semidesmontados. É assim, com linhas de montagem no Exterior, que os chineses tentam driblar as crescentes barreiras tarifárias.

A BYD é uma das pioneiras desta forma de operar: já tem linhas de montagem em operação na Tailândia e no Uzbequistão e está construindo novas na Hungria, Indonésia, Turquia, no México e também no Brasil, em Camaçari, BA, no mesmo terreno em que operou a Ford até 2021. Chery, Changan, GAC, Great Wall, Geely e SAIC também têm fábricas em construção no Exterior – e o Brasil está nos planos da maioria delas.

Ainda segundo o estudo do Citigroup espera-se que até 2030 fabricantes da China produzirão 2,5 milhões de veículos fora de seu país de origem, 50% deles na Europa e o restante em países emergentes.

Mas que não se espere muita coisa além de linhas de montagem com partes importadas. Alguns fornecedores de componentes no Brasil relatam que, até o momento, fabricantes chineses que estão chegando ao País pouco ou nada conversaram sobre a nacionalização do fornecimento de peças. Pelos próximos três anos o plano seria só de montar carros com 100% de peças importadas das matrizes.

Isto porque a pressão do governo chinês é para que os fabricantes reduzam investimentos no Exterior para ocupar a imensa ociosidade das fábricas no país e, também, como medida de proteção à tecnologia chinesa empregada em modelos elétricos e híbridos.

Ainda assim a consultoria Rhodium calcula que se forem concluídos 80% dos investimentos anunciados por montadoras da China na América do Sul, principalmente no Brasil, os carros chineses aumentarão sua penetração e poderão tomar cerca de 15% do mercado local, aumentando as dores de cabeça de fabricantes ocidentais tradicionais que dominaram a região até agora – e que já pedem aos governos proteções tarifárias e investigações antidumping.

Pelo visto os comunistas chineses souberam adotar o mais competitivo capitalismo para quebrar paradigmas capitalistas. Nem os mais ferrenhos liberais leitores de Adam Smith, defensores do livre mercado, conseguem competir com a China sem a sempre tão criticada intervenção do Estado na economia. É um mundo novo e cheio de contradições.