Guerra investe R$ 85 milhões em máquinas para voltar a produzir seu próprio eixo

São Paulo – Para sustentar seu ambicioso plano de crescer dois dígitos ao ano e retomar fatia de 15% do mercado de implementos a Guerra investe R$ 85 milhões, a fim de flexibilizar sua linha conforme a maior demanda do mercado e para incorporar etapas da produção às linhas.

Em janeiro a companhia adotou mudanças como a exclusão no nome Rodofort de sua marca, a retomada vigorosa do slogan Guerra é Paz na Estrada e o investimento de R$ 60 milhões, dentre outros pontos, para adquirir máquinas e fabricar 100% do eixo utilizado em seu implemento. Até então quem o produzia era o Grupo Ibero, que tem participação da holding Librepar, detentora da Librelato.

“Como marca temos 50 anos mas, como indústria, somos uma criança, indo para o nosso quarto ano de vida. E vimos um desejo do mercado de que a Guerra voltasse a produzir o seu próprio eixo”, afirmou o CEO da Guerra, Ivo Ilário Riedi Filho, durante entrevista coletiva à imprensa na Fenatran. “Em março iniciamos o processo de transição e, em setembro, estávamos com praticamente 100% de produção nossa.”

Os aportes serão continuados em 2025, com a injeção de R$ 25 milhões para a compra de novos equipamentos, segundo a diretora financeira Gisele Bottura de Souza: “Estamos finalizando o projeto do eixo. E então ainda teremos compra de máquinas de corte e dobra e robôs de solda, todos vinculados ao processo produtivo”. 

Quanto à volta do tradicional lema Guerra É Paz na Estrada, que em 2015 saiu da linha: como se tratava de algo patenteado a empresa já rediscutia o seu uso depois que Riedi Filho adquiriu a massa falida da empresa, em 2021.

Tudo isto, na avaliação do diretor executivo comercial, Alves Pereira Júnior, vai ao encontro do plano de conquistar fatia de 15% de mercado nos próximos anos. A ideia era obter 10% já no ano passado, o que acabou não acontecendo: “Nossa meta era 10% de um mercado de 75 mil a 80 mil pinos. Então estamos felizes porque são 9%, mas de 90 mil pinos. Hoje utilizamos 65% da nossa capacidade fabril, ou seja, temos muito a produzir ainda para alcançar a participação almejada”.

Este ano, completou o diretor comercial, foi mais fraco para o agronegócio, principalmente nos últimos meses. O que instalou expectativa de quebra de safra para o próximo ano: “O fator climático tem complicado esta gestão. E a produção foi voltada para a carga industrial”.

Em razão da logística facilitada, e da agilidade na entrega dos produtos, o comércio eletrônico consumiu bastante esse tipo de implemento.   

“Talvez a montadora tenha deixado de produzir o 6×4 e tenha ido para o 6×2 e, nós, dos implementos, em contrapartida, deixamos de produzir no granel e fomos para o contêiner, que exportou bastante.”

Mesmo assim o objetivo é finalizar o ano com produção de 10 mil pinos – 45% mais do que em 2023. E, no ano que vem, de 12 mil a 14 mil unidades, ou seja, de 20% a 40% a mais, dependendo de como o mercado se comportará.

“Sempre buscamos crescimento, mas não a qualquer custo. Um crescimento sustentável e duradouro”, assinalou Riedi Filho. “E isto vai ao encontro do nosso objetivo de ter fábricas que consigam se moldar de acordo com o que o mercado procura. Se no ano que vem ele seguir demandando mais produtos industriais temos os esforços somados da unidade gaúcha de Caxias do Sul ao da paulista de Sumaré.”

Quanto ao mercado externo o plano era que 5% do faturamento fossem gerados por exportações. O ano, contudo, encerrará com algo em torno de 7% a 8%, estimou Pereira Júnior: “Em 2023 exportamos muito mais do que a Guerra embarcou em toda a sua história até 2017, quando quebrou. E este ano continuamos crescendo. O Paraguai demorou a sentir a diminuição da soja e demandou mais produtos. Tínhamos a expectativa de embarcar trezentos itens ao país em dois anos e vendemos quinhentos. Quase dobrou, sendo a maioria de graneleiros”.

A Guerra busca o mercado da Colômbia e de nações africanas, que possuem rodovias semelhantes às brasileiras. Em contrapartida a situação política de alguns países latinos tem feito encolher os pedidos, e a Bolívia, sem dólar, não tem muito dinheiro para comprar. O desafio lançado é de que, no mínimo, 10% do faturamento da fabricante de implementos provenha das exportações.

Fiat Pulse e Fastback híbridos chegam com preços reajustados em R$ 2 mil

Campinas, SP – Os primeiros dos 40 modelos que a Stellantis pretende apresentar no mercado brasileiro até 2030, resultado do investimento inédito na indústria nacional de R$ 32 bilhões, estarão nas concessionárias a partir da semana que vem. Trata-se do SUV compacto Pulse e do Fastback dotados de tecnologia híbrida, que utiliza pequena bateria e motor elétrico para contribuir, em baixas rotações, com o desempenho do motor térmico.

“Vamos renovar o lineup da Stellantis de 2025 a 2030. Serão 40 novidades produzidas na região e oito powertrains, incluindo opções híbridas e 100% elétricas. Este é o primeiro passo para democratizar as novas tecnologias Bio-Hybrid, oferecendo ao consumidor veículos mais eficientes do ponto de vista de emissões e economia de combustível”, comemorou Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis da América do Sul.

Os automóveis que utilizarão esta nova tecnologia Bio-Hybrid, que passa a ser chamada de plataforma Fiat Hybrid, são as versões intermediárias Audace e Impetus de Pulse e Fastback. Além da motorização T200 1.0 litro de 130 cv com auxílio do pequenino motor elétrico de 3 kW e uma bateria de íon de lítio de apenas 12 V, essas versões também recebem uma central multimídia aprimorada com funções que utilizam inteligência artificial e uma tela de 10,1 polegadas. E, ainda, uma cor exclusiva, aplicada somente nas versões híbridas, o azul amalfi.

Os preços estão apenas R$ 2 mil mais altos do que as mesmas versões que ainda não tinham a tecnologia Fiat Hybrid, segundo a fabricante. Aliás, o Pulse e o Fastback nas versões Audace e Impetus apenas com motor térmico T200 continuam sendo ofertados na rede de concessionários. A Fiat diz que esses modelos estarão no catálogo até o fim de 2024, pois ainda há estoque. Mas a produção já está no final e em janeiro de 2025 não serão mais fabricados.

Confira os preços das novas versões de Pulse e Fastback com tecnologia Fiat Hybrid:

Pulse Audace T200 Hybrid AT – R$ 125 mil 990
Pulse Impetus T200 Hybrid AT – R$ 140 mil 990
Fastback Audace T200 Hybrid AT – R$ 151 mil 990
Fastback Impetus T200 Hybrid AT – R$ 161 mil 990

De acordo com Alexandre Aquino, vice-presidente da marca Fiat para a América do Sul, “as duas versões representarão de 40% a 50% das vendas de cada um dos modelos”. Em realidade, ele afirmou que Audace e Impetus já têm uma performance semelhante no mix de vendas tanto de Pulse quanto de Fastback. No entanto, com as novidades tecnológicas voltadas ao entretenimento a bordo, além do Fiat Hybrid que dará, dentre outras vantagens a economia de combustível e menor emissões de CO2 “isenção do rodízio na cidade de São Paulo”, Aquino está confiante em um desempenho um pouco melhor nas vendas.

Outro argumento que conta para atrair o consumidor e colabora para a teoria de democratização dos híbridos no País, como espera a Stellantis, é o interesse de muitas pessoas em utilizar veículos mais modernos, dotados de tecnologias que tragam benefícios. “Vamos contar essa história e valorizar a possibilidade de muitos clientes utilizarem pela primeira vez um veículo híbrido nacional em nossas campanhas”.

A relação de consumo apresentado por Márcio Tonani, vice-presidente do Tech Center da Stellantis para a América do Sul demonstra um dos argumentos que certamente serão explorados junto ao consumidor. No ciclo urbano utilizando etanol o Fastback apresentou consumo de 8,9 km/l [12,6 km/l com gasolina] e o Pulse, 9,3 km/l [13,4 km/l com gasolina], resultado melhor do que o de todos seus concorrentes no mercado nacional. “Não é só redução de emissão, mas um melhor desempenho do veículo, além do conforto acústico, outro atributo que encontramos ao utilizar a tecnologia híbrida”. Na estrada ainda utilizando apenas o etanol o consumo foi de 10,2 km/l [ 14,4 km/l com gasolina] no Pulse e de 9,8 km/l [13,9 km/l com gasolina] no Fastback – ainda melhor do que a concorrência.

Como funciona o Fiat Hybrid

O sistema híbrido possui um motor elétrico multifuncional que substitui o alternador e o motor de partida. Chamado de dual-battery ele é capaz de gerar torque adicional para o motor térmico e, também, energia elétrica para carregar as baterias de chumbo-ácido de 68Ah e de íon de lítio de 11Ah, ambas de 12V, que retribuem devolvendo energia ao motor elétrico. Esse sistema é responsável por gerar a potência de até 3 kW, promovendo uma performance combinada dos dois motores e a redução de consumo de combustível.

É preciso esclarecer que esse sistema híbrido não utiliza em nenhum momento apenas energia elétrica aplicada nas rodas para mover o veículo. Trata-se de tecnologia de auxílio e que está atuando entre 1 mil e 3 mil rotações por minuto do motor. Ou seja, quando o motor térmico gira mais rápido a atuação elétrica deixa de contribuir para a economia de combustível.

Todo esse sistema foi desenvolvido pela engenharia da Stellantis no Brasil. Apenas a bateria de íon de lítio de 12V, que está posicionada abaixo do banco do motorista, é importada da Coreia do Sul.

O sistema dual-battery, ou módulo de comutação de duas baterias, usado para conectar, separar ou controlar as baterias de acordo com a estratégia da central eletrônica, foi desenvolvido pela engenharia e utiliza componentes feitos no País, assim como o motor elétrico de 12V e 3 kW conectado ao propulsor térmico.  

O sistema tem alguns modos de operação, controlado por softwares avançados igualmente desenvolvidos no Brasil. O primeiro estágio tem a atuação do e-Start&Stop: quando o veículo para completamente, ele desliga o motor a combustão, economizando combustível. E nas desacelerações, o motor a combustão permanece em funcionamento sem injetar combustível, priorizando a regeneração de energia da bateria de íon de lítio. Isso pode ser acompanhado pelo motorista no cluster central dos veículos.

Outra operação interessante e que acontece a maior parte do tempo em baixas rotações é o trabalho do e-Assist, que faz a assistência do motor elétrico ao motor de combustão. Durante acelerações e retomadas, as baterias de lítio e chumbo fornecem energia para o motor elétrico, que gera torque adicional para o motor de combustão, por isto há um menor consumo de combustível.

Há ainda o trabalho do alternador inteligente. Ele atua em algumas situações: quando as baterias de chumbo-ácido e/ou íon de lítio estão com baixos estados de carga, o alternador inteligente aciona a função carregamento. No modo neutro, as baterias de chumbo-ácido e/ou íon de lítio estão carregadas, e o alternador inteligente permite que as baterias mantenham as cargas elétricas do sistema.

Tem também um sistema de regeneração de energia que atua durante as desacelerações. A função de regeneração converte energia mecânica em energia elétrica, que é armazenada nas baterias. Esse sistema é capaz de regenerar até 25% da energia que seria desperdiçada em um propulsor convencional.   

O primeiro passo da Stellantis, neste que será o caminho a percorrer para descarbonizar a mobilidade, terá muitos outros capítulos. Cappellano acredita que nos próximos seis anos, até o fim deste ciclo de investimentos das plataformas Bio-Hybrid, as vendas no Brasil desses produtos eletrificados com algumas das várias tecnologias disponíveis passem dos atuais 7,5% de participação para 60%.

Exportações de veículos registram quarto mês seguido de crescimento

São Paulo – As exportações de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus brasileiros têm reagido e, em outubro, foi registrado o quarto mês consecutivo de crescimento. Além disto estes 44 mil veículos compõem o maior volume de 2024. Os dados foram apresentados durante balanço do setor pela Anfavea na quarta-feira, 6.

Apesar da reação de outubro, em que a exportação ficou 4,6% acima das 41,6 mil unidades de setembro e 39,2% maiores do que as 31,3 mil do mesmo mês do ano passado, no acumulado do ano as 327,8 mil unidades exportadas estão 7,4% aquém do período janeiro-outubro de 2023, que registrou 354,2 mil unidades. Estão abaixo também do volume de 2022, 406,3 mil unidades.

De acordo com o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite, há a perspectiva de que essa diferença continue diminuindo pois, além de esta melhora ter sido notada ao longo do segundo semestre, houve reação nos mercados internos dos principais clientes do Brasil, a exemplo de Colômbia, Chile, Argentina, Equador e México: “Só na Colômbia, por exemplo, o mercado cresceu 34% em outubro”.

Tanto que, em julho, quando a Anfavea revisou suas projeções, esperava queda de 20,8% nos embarques, para 320 mil, número que já foi superado.    

Em termos de valores obtidos, de US$ 1 bilhão 165 mil em outubro, houve incremento de 12,7% com relação a setembro, em que entraram US$ 1 bilhão 33 mil, e de 32,6% frente ao mesmo mês em 2023, com registro de US$ 878 milhões.

No acumulado do ano os US$ 8 bilhões 983 mil ainda estão 4,8% abaixo dos dez meses do ano passado. No entanto estão acima das cifras de 2022, de US$ 8 bilhões 649 mil, e de 2021, de US$ 6 bilhões 195 mil.

Mercado brasileiro de veículos supera o alemão em outubro

São Paulo – O volume de emplacamentos de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus em outubro, 265 mil unidades, superou, em uma rara situação, o total de vendas registradas na Alemanha no mês passado, 232 mil unidades. O mercado brasileiro ficou 15% acima do alemão, segundo divulgou a Anfavea na quarta-feira, 6.

“Esta foi uma das únicas vezes que o Brasil superou a Alemanha e passou a ocupar o quinto lugar do mundo em termos de emplacamentos”, afirmou o presidente da Anfavea, Márcio de Lima Leite. O total comercializado no mês passado representa o maior volume de vendas dos últimos dez anos: desde dezembro de 2014 não era alcançado este patamar.

A média diária de vendas, de 11,5 mil unidades, foi a maior do ano. Ficou 11,1% acima do registrado em outubro do ano passado, 10,4 mil unidades, e 2,4% além do volume de setembro, 11,3 mil unidades.

No acumulado ano foram comercializados 2 milhões 124 mil veículos, 15% acima do mesmo período em 2023, 1 milhão 847 mil unidades. É a primeira vez desde 2021, pelo menos, que a barreira dos 2 milhões de veículos foi rompida em outubro. Em 2022 as vendas alcançaram 1 milhão 684 mil unidades e, no ano anterior, 1 milhão 740 mil.

Perguntado se a perspectiva de aumento da taxa básica de juros, a Selic, até o fim de 2024, poderá refletir negativamente na projeção de encerrar o ano com 2 milhões 560 mil vendas, Lima Leite refutou: “2024 já tem horizonte claro e definido”.

Em outubro a participação de veículos importados representou 17,7% das vendas, e a média do ano ficou em 17,4%. De janeiro a outubro quase 370 mil veículos comercializados no Brasil foram importados, acréscimo de 36% com relação ao mesmo período do ano passado, 271,3 mil unidades.

A Argentina perdeu participação, ao recuar de 64% para 48%, apesar de ter ampliado o volume em 1%, de 174,3 mil unidades para 176,1 mil, e ainda ser a principal origem dos veículos de outros países: “As exportações da Argentina para o Brasil refletem positivamente na nossa economia, pois os veículos feitos lá possuem alto conteúdo de peças brasileiras. Mas quando vemos uma diminuição da fatia impacta a nossa balança comercial”.

O movimento tem sido provocado pela maior presença de veículos chineses, principalmente os eletrificados. Nos primeiros dez meses de 2023 entraram no Brasil 26 mil unidades, o que conferiu à China 10% do total das vendas de importados — já no mesmo período deste ano a quantidade saltou 259%, para 93,6 mil unidades, e fatia de 25%.

“Se acrescentarmos o volume importado da China ainda em estoque este número sobe para 163 mil, o que configura alta de 526%, levando o total de veículos importados para 439 mil unidades.”

De acordo com o presidente da Anfavea de cada dois veículos importados de fora do Mercosul um é chinês.   

Governo promete à Anfavea publicar regulamentação do Mover nos próximos dias

São Paulo – Onze meses após sua publicação, no apagar das luzes de 2023, o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, poderá, enfim, ter sua regulamentação publicada. A promessa foi feita pelo vice-presidente da República e ministro do MDIC, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, a Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, na abertura da Fenatran, na segunda-feira, 4.

“Ele disse que será publicada nos próximos dias”, afirmou Lima Leite em coletiva à imprensa na quarta-feira, 6. “A informação que nos foi passada é que o texto já está sendo analisado pela Receita Federal.”

A demora na publicação da regulamentação já incomoda as montadoras, especialmente pelas cobranças das matrizes que aprovaram investimentos com a promessa de segurança jurídica e regras definidas. São mais de R$ 130 bilhões, segundo a Anfavea, de investimentos gerados a partir do Mover.

Temas como o IPI verde, que trará o horizonte tributário dos próximos anos, são de fundamental importância para o planejamento de desenvolvimento das companhias, que precisam, também, conhecer as regras de eficiência energética para definir seus próximos passos. Lima Leite disse que a publicação é algo “emergencial”, fazendo coro à pressão ao governo para que acelere os trâmites.

Taxa de juros, Trump e sucessão

O presidente da Anfavea afirmou que a tendência de elevação na taxa básica de juros, movimento iniciado pelo Banco Central, não afeta a indústria no curto prazo, mas acende sinal amarelo no médio prazo: “Sabemos que juro alto não combina com venda de veículos. Nos números de 2024 não vejo influência, mas certamente será levado em conta na hora de analisar as projeções para o ano que vem”.

Ele também falou sobre os possíveis efeitos da eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, algo que, na sua visão, aumentará o protecionismo da indústria estadunidense: “Especialmente contra os chineses já existe uma tarifa de mais de 100%. O Trump não é novidade, já esteve na Casa Branca e tem essa característica protecionista, o que poderá levantar mais barreiras contra a importação no mercado local. Nossa postura agora é de analisar e esperar”.

Outro tema abordado pelo presidente da Anfavea foi a de sua sucessão: nos próximos dias a KPMG, consultoria contratada para auxiliar no processo de profissionalização da presidência da entidade, deverá apresentar sua proposta para a transição. Lima Leite reafirmou que é consenso das associadas a contratação de profissional do mercado, sem ligação com montadoras, para assumir seu posto, mas ainda não há nomes no horizonte.

Outubro foi o melhor mês de vendas de caminhões em 2024

São Paulo – As vendas de caminhões somaram 12,2 mil unidades em outubro, o melhor resultado mensal do ano, de acordo com dados divulgados pela Anfavea na quarta-feira, 6. Foi também o melhor resultado para o mês desde 2014. Na comparação com outubro do ano passado houve expansão de 29,3% nas vendas e com relação a setembro a alta foi de 6,7%. 

Eduardo Freitas, vice-presidente da Anfavea, disse que o crescimento do PIB está puxando a maior demanda por caminhões: “Os semipesados e pesados estão crescendo acima da média e puxando o segmento, mas os demais também estão em alta. Junto tem a demanda que não veio em 2023 por causa da chegada do Proconve P8, que está vindo agora em 2024”.

No acumulado do ano as vendas superaram as 100 mil unidades, chegando a 103,3 mil, resultado que representa incremento de 16,8% na comparação com iguais meses do ano passado.

A produção de caminhões, de janeiro a outubro, chegou a 117,4 mil unidades, crescimento de 42,8% sobre idênticos meses de 2023 mas ainda distante do volume atingido em igual período de 2022 e 2021, quando a indústria local produziu cerca de 132 mil unidades. Segundo Freitas estes dados mostram que ainda há espaço para elevar a produção, dependendo das condições de mercado e de crédito para financiamentos. 

Em outubro foram produzidos 14,8 mil caminhões, volume 41,2% maior do que o de outubro do ano passado e 12% maior do que em setembro. Freitas disse que a Fenatran registrou bom volume de negócios até agora, mas os efeitos serão sentidos apenas em 2025. A feira segue até a sexta-feira, 8:

“A programação de produção para este ano já está fechada, então o volume de negócios gerados pela Fenatran será absorvido ao longo do primeiro semestre do ano que vem”.

As exportações do mês passado somaram 2,1 mil unidades, alta de 16,8% sobre igual mês de 2023. Na comparação com setembro o incremento foi de 25,7%. Mesmo com resultado positivo em outubro o acumulado ainda é negativo em 3,1%, com 13,9 mil unidades exportadas.

Caminho da Escola deverá impulsionar venda de ônibus até o fim do ano

São Paulo – Apenas 2,1 mil dos 18,3 mil ônibus emplacados de janeiro a outubro são do programa Caminho da Escola, do governo federal. Como existem cerca de 7 mil pedidos a expectativa é que os emplacamentos ndas cresçam até o fim do ano, segundo Eduardo Freitas, vice-presidente da Anfavea, gerando efeito positivo nos volumes.

“Uma parte do volume deve ser registrado nos últimos dois meses do ano, melhorando o acumulado de vendas. O começo de 2025 também deve sentir os efeitos positivos dos pedidos já recebidos.”

O resultado acumulado até outubro foi 5,6% maior do que o registrado em iguais meses do ano passado. Superou, também, as vendas de 2022 e 2021, o que sinaliza tendência de renovação de frota no País, algo considerado positivo por Freitas após os baixos volumes registrados nos últimos anos, influenciados pela pandemia.

As vendas em outubro somaram 2,6 mil unidades, expansão de 62,8% sobre igual mês do ano passado e incremento de 28,5% na comparação com setembro. 

A produção de janeiro a outubro somou 23,6 mil ônibus, alta de 35,3% na comparação com iguais meses do ano passado mas ainda distante do volume produzido nos primeiros dez meses de 2022, quando saíram das linhas de produção 27 mil unidades. Segundo Freitas o dado mostra que ainda há espaço para o segmento crescer, dependendo do cenário do mercado e de crédito para financiamentos.

Em outubro foram produzidos 2,4 mil chassis de ônibus, volume 15,1% maior do que o fabricado em idêntico mês do ano passado. Na comparação com setembro a expansão foi de 10,9%.

As exportações somaram 540 unidades em outubro, crescimento de 32% sobre outubro do ano passado e de 47,9% na comparação com setembro. No acumulado do ano o resultado ainda é negativo em 8,4%, com 3,8 mil veículos exportados.

Volume de produção de veículos fica abaixo das vendas no mercado interno

São Paulo – Saíram das linhas de montagem, de janeiro a outubro, 2 milhões 123 mil 381 automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, segundo apontou balanço divulgado pela Anfavea na quarta-feira, 6. No mesmo período foram comercializados no mercado doméstico 2 milhões 123 mil 974 unidades, uma diferença de quase seiscentas unidades.

Não é usual que o mercado brasileiro seja superior ao ritmo das fábricas. Nos primeiros dez meses do ano, comparado com igual período do ano passado, as vendas cresceram 15% e a produção 8,9%. O que justifica esta inversão na tendência, segundo o presidente Márcio de Lima Leite, é a queda de 7,4% nas exportações, para 327,8 mil unidades, e o crescimento de 36% nas vendas de veículos importados, 369,1 mil.

A balança, que foi superavitária em 82,8 mil veículos de janeiro a outubro de 2023, fechou em déficit de 41,3 mil unidades no mesmo período deste ano. Em dez meses o Brasil aumentou a importação em 97,8 mil veículos e reduziu em 26,4 mil o volume exportado.

“Como nos últimos meses as exportações estão subindo e as importações tendem a cair com a recomposição do imposto de importação [para veículos híbridos e elétricos], naturalmente a produção tende a voltar a crescer em ritmo mais parecido com o mercado interno”, projetou o presidente da Anfavea, sem demonstrar grande preocupação com a tendência que, segundo ele, é algo efêmero.

Em outubro as fábricas produziram 249,2 mil veículos, o segundo melhor resultado do ano, superado apenas por agosto, com cerca de 10 mil a mais. Comparado com setembro a produção avançou 8,3%, 230 mil veículos, e cresceu 24,7% com relação a outubro de 2023, 199,8 mil unidades.

Vem crescendo também o nível de emprego das montadoras: em outubro foram quase 1 mil contratações, elevando para 107,3 o número de trabalhadores diretos. Desde o início do ano foram criados 8,4 mil postos de trabalho. Somados os indiretos, nos cálculos do presidente Lima Leite, foram mais de 70 mil novos empregos gerados pela indústria automotiva em 2024.

Randoncorp mostra o AT4T, protótipo autônomo que movimenta carretas

São Paulo – Uma das grandes atrações da Fenatran 2024 é 100% desenvolvida no Brasil, não é bem um caminhão comum e, embora esteja pela primeira vez aos olhos do público, já opera há quatro anos na fábrica da Randoncorp em Caxias do Sul, RS. Um dos destaques do estande da companhia, o AT4T, ei tí for tí, é um conceito de veículo autônomo, elétrico, que consegue acoplar e movimentar implementos rodoviários.

Desde 2019, segundo relatou Joel Boaretto, diretor de ciência e tecnologia do Instituto Hercílio Randon, que apoia a inovação e desenvolve soluções para a mobilidade, o AT4T trabalha no pátio do estoque da Randon, estacionando as carretas. São três unidades em operação, todas protótipos, dotadas de sensores, câmeras e LiDAR, que mede e detecta objetos ao redor com pulsos de luz. 

“O que fizemos foi juntar todos esses sensores e instalar no veículo, usado a nossa experiência para deixá-lo funcional”, disse Boaretto, acrescentando que em torno de trezentas pessoas trabalharam no projeto. “Não são só engenheiros, temos pessoas de diversas formações contribuindo com os projetos do instituto”.

Motor elétrico, o e-Sys, sistema de tração auxiliar elétrico desenvolvido pela Suspensys, empresa que faz parte do grupo, e baterias compõem o sistema que movimenta o veículo. Elas garantem dezesseis horas de operação, neste protótipo, e podem ser recarregadas em duas horas.

A vantagem com relação a caminhões elétricos apresentados na feira é, principalmente, a ausência de motorista, que permite a operação se estender por longos prazos. E adentrar em locais perigosos sem colocar em risco vidas humanas.

Segundo Boaretto a intenção é operar em locais de acesso restrito, como pátios logísticos, armazém de carga, terminais portuários e aeroportos ou na agricultura e mineração. Ainda não está viável comercialmente, mas a companhia pretende que, uma vez apresentado, parcerias possam surgir para dar um próximo passo e fazer o AT4T operar fora dos portões da Randoncorp.

Veja um vídeo de demonstração do AT4T:

TEVX Higer Bus anuncia investimento de US$ 110 milhões para produzir ônibus elétrico no Brasil

São Paulo – A TEVX Higer Bus, fabricante de veículos comerciais com origem na China, anunciou investimento de US$ 110 milhões para aquisição de uma fábrica no Estado de São Paulo. A ideia, segundo o CEO Carlos Eduardo Souza afirmou durante a Fenatran, é começar a operar no primeiro semestre do ano que vem. Ele se reunirá com executivos da matriz na segunda quinzena de novembro e voltará em dezembro com a definição do local:

“Tínhamos uma lista com oito possíveis locais e restaram duas opções para decidir em qual produziremos nossos veículos comerciais no Brasil. Em ambas já existe uma estrutura construída que compraremos e adaptaremos para iniciar a produção local”.

A companhia anunciou em julho de 2022 a construção de fábrica em Pecém, CE, mas a intenção do investimento freou por causa das mudanças de governo no Estado, segundo o CEO. A solução foi buscar outras opções e foram encontradas alternativas em São Paulo.

A unidade começará a operar com capacidade para fabricar quatrocentos veículos por ano, primeiramente ônibus elétricos dedicados ao segmento urbano. Inicialmente os veículos chegarão ao Brasil parcialmente montados e receberão componentes como motor, câmbio, rodas e pneu. No futuro a intenção é avançar para uma operação CKD, realizando parte da montagem da carroceria por aqui também.

Conversas com fornecedores já estão em curso, como com a Dana, que poderá produzir localmente os motores. A Valeo, que produz ar-condicionado, também é candidata a fornecer para a TEVX Higer.

A empresa ainda não definiu com qual modelo iniciará a produção local. Hoje atende ao mercado brasileiro importando veículos que vão de 9 a 18 metros de comprimento, todos com foco no segmento urbano, no qual já tem 75 unidades elétricas negociadas com algumas prefeituras e está realizando as entregas. 

A operação de importação serviu para a empresa ganhar experiência no mercado e entender as demandas dos clientes. Também serviu para que os clientes pudessem testar os veículos e conhecer de perto sua resistência e durabilidade, uma vez que são produzidos no sistema monobloco: no Brasil o mercado está acostumado a consumir veículos que são produzidos no sistema chassi e carroceria. 

Existe também a intenção de produzir localmente as vans elétricas da TEVX Higer Bus em 2026, No ano que vem a empresa lançará um furgão e uma van de passageiro e pretende sentir o mercado e suas demandas para definir qual modelos localizará na nova fábrica.

O furgão terá 15 m³ de capacidade de carga e a empresa quer entender se esta é a melhor configuração para atender aos clientes ou se inicia as vendas de um caminhão VUC elétrico para distribuição urbana, que também está no radar para vir ao Brasil, junto com um caminhão elétrico rodoviário que tem PBT de 49 toneladas. O furgão e a van de passageiros serão lançados no começo de fevereiro.

Mercado de ônibus elétrico

Carlos Eduardo Souza acredita que este ano o Brasil comercializará quatrocentos ônibus elétricos, número que terá forte crescimento no ano que vem, subindo para um volume em torno de 2 mil unidades. A alta deverá seguir para 2026, ano em que a TEVX Higer Bus pretende ter 30% de participação de mercado.