Anfir projeta estabilidade nas vendas de implementos rodoviários em 2025

São Paulo — A Anfir, entidade que representa as empresas fabricantes de implementos rodoviários, tem expectativa de mercado estável, ou com leve crescimento, em 2025. Durante entrevista coletiva na Fenatran seu presidente José Carlos Sprícigo divulgou projeções de 155 mil unidades vendidas no ano que vem — para este ano as estimativas são de 153 mil a 155 mil equipamentos vendidos.

Por segmento, o pesado, de reboques e semirreboques, deverá ficar em torno de 90 mil unidades no ano que vem, mesmo volume que é esperado para o fechamento deste ano, com uma possível oscilação para cima, chegando a 93 mil unidades até dezembro, porque, segundo o presidente, muitos clientes adiaram as compras de outubro para novembro em busca de melhores condições na Fenatran.

O segmento leve, de carroceria sobre chassi, que voltou a crescer em 2024, deverá manter um patamar próximo do vendido neste ano, de 60 mil a 65 mil unidades, em 2025. Esse volume está sendo puxado pelo maior consumo dos brasileiros, principalmente na área de alimentos como carnes que são transportadas por implementos refrigerados.

A produção deverá ser um pouco maior do que o mercado interno em 2025, chegando a 165 mil, e a diferença de 10 mil implementos terá 3 mil unidades dedicadas ao mercado externo e 7 mil para estoque dos revendedores. Sprícigo disse que o patamar das exportações deverá ser esse para os próximos anos:

“Tivemos uma queda relevante no Chile, que é um mercado muito importante para nós, mas por lá os estoques estão grandes e a demanda está baixa. Na África a concorrência com os chineses dificulta os avanços. Diante deste cenário, não acredito que voltaremos a exportar volumes maiores como no passado. A nova realidade indica algo de 3 mil a 4 mil unidades”.

No balanço de janeiro a outubro foram vendidos 133,4 mil equipamentos, expansão de 6,6% sobre o mesmo período do ano passado. O segmento pesado representou o maior volume, com 75,1 mil vendas, alta de 0,4% sobre iguais meses do ano passado, e os leves representaram a maior expansão, de 15,9% na mesma base comparativa, com 58,3 mil unidades.

Na Fenatran Mercedes-Benz já vende produção de 2025 enquanto planeja investimento

São Paulo – Após o forte tombo do mercado de caminhões em 2023, puxado para baixo devido ao encarecimento de produtos causado pela adoção de motores Euro 6 para atender à legislação de emissões Proconve P8, as vendas retomaram com força este ano e a Mercedes-Benz sente os efeitos positivos deste cenário na Fenatran 2024, feira dedicada ao transporte rodoviário de cargas realizada de 4 a 8 de novembro no São Paulo Expo.

Na feira a fabricante já está vendendo a produção de 2025, relatou Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing da Mercedes-Benz do Brasil: “Em 2022 [última edição do evento] o momento era de transição, vendemos mais caminhões Euro 5, os clientes queriam aproveitar o preço mais baixo. Este ano é diferente: a tecnologia Euro 6 já está consolidada e as vendas voltaram com força. A produção deste ano já está endereçada e estamos captando encomendas de grandes clientes para o ano que vem”.

Ferrarez ponderou, no entanto, que não há falta de produtos nas concessionárias para os clientes de varejo: “O que ocorre na Fenatran é que estamos recebendo encomendas planejadas de grandes frotistas”.

Achim Puchert, presidente da Mercedes-Benz do Brasil que este ano participa de sua segunda Fenatran, concordou: o cenário adiante é positivo, mesmo com alta volátil do dólar e juros com tendência de alta: “O impulso de setores como agronegócio, construção civil e mineração segue forte. O mercado de caminhões deve crescer 15% este ano e em 2025 promete ser mais um bom ano para os negócios”.

O movimento no estande da Mercedes-Benz na Fenatran justifica o otimismo. A empresa e sua rede de concessionárias estão trazendo 2 mil clientes do Brasil e de países da América Latina para visitar a feira e a fábrica de São Bernardo do Campo, SP.

Puchert reafirmou, no entanto, que a capacidade de produção ainda não está no topo, a fábrica trabalha em dois turnos com eventuais horas extras aos sábados: “Ainda temos alguns problemas logísticos em portos e aeroportos, não estamos operando no máximo ainda, mas seguimos confiantes e otimistas com o Brasil que é um dos maiores mercados do mundo para caminhões Mercedes-Benz, se não o maior, que representa cerca de 25% das vendas globais da marca”.

Mais presença nos extrapesados

Apesar de rodar a volumes menores do que o registrado na década passada o mercado brasileiro de caminhões mudou de patamar, com domínio de modelos extrapesados, produtos de maior valor agregado, que representam quase metade das vendas no País atualmente. É justamente neste segmento que a Mercedes-Benz pretende aumentar significativamente sua posição.

“Lutaremos por mais presença no mercado de pesados rodoviários, que é o maior no Brasil”, afirmou Pucher, complementado por Ferrarez: “Lideramos a vendas de pesados rodoviários na Europa e nos Estados Unidos [com as marcas Western Star e Freightliner] e queremos fazer o mesmo no Brasil”.

Para alcançar este objetivo a Mercedes-Benz aposta no seu pesado Actros, que nesta Fenatran é apresentado aos clientes na versão Evolution 2653 6×2, que como diz o nome traz evoluções tecnológicas com vinte sistemas de segurança ativa mais sofisticados, quadro de instrumentos digital, novas baterias e motor de 530 cv calibrado para reduzir o consumo de diesel em até 8%, tudo para competir em pé de igualdade com os líderes do segmento de extrapesados rodoviários no País, Volvo e Scania.

Novo ciclo de investimentos

A Mercedes-Benz segue reticente em divulgar um novo ciclo de investimentos no Brasil – o último, de R$ 2,4 bilhões, foi aplicado de 2018 a 2022. Mas vem mostrando, contudo, que continua a aportar recursos no País com o desenvolvimento de novos produtos, alguns deles apresentados nesta Fenatran.

“Já temos investimentos em andamento e ainda estamos preparando um novo ciclo até 2030, mas ainda não posso divulgar valores”, admitiu Puchert. Segundo ele os recursos serão direcionados a três áreas: desenvolvimento de motores a combustão mais eficientes para diesel e biodiesel, eletrificação e serviços.

Na área da combustão o executivo aponta que os caminhões atuais já estão preparados para usar o B20, diesel mineral com mistura de 20% de biodiesel: “Não fomos tão agressivos quanto outros [os principais concorrentes mostraram na Fenatran caminhões que rodam com 100% de biodiesel] porque precisamos fazer a lição de casa, fomos mais cuidadosos para garantir que os clientes não terão problemas, mas evoluiremos e apresentaremos soluções com biocombustíveis também”.

A empresa também pretende se aprofundar na eletrificação: trouxe à Fenatran os caminhões elétricos eActros e eCanter – este último da japonesa Fuso, que pertence à Daimler Trucks –, que começam a ser testados no Brasil por oito clientes, revelou Puchert: “São produtos que, dependendo dos testes, poderão ser incluídos em nossa linha no País”.

Volkswagen Polo recupera a liderança do mercado em outubro

São Paulo – Seis meses depois o Volkswagen Polo voltou a ocupar a primeira posição do ranking brasileiro de automóveis e comerciais leves. Com quase 15 mil unidade emplacadas o hatch superou a picape Fiat Strada, 14,5 mil. Completa o pódio o Hyundai HB20, com 10,9 mil unidades.

No acumulado do ano, porém, a picape da Fiat segue na liderança. O Polo é o automóvel mais vendido do mercado.

No mercado de SUVs a liderança do mês ficou com o VW T-Cross, com 9,2 mil unidades. Dos dez modelos mais vendidos no mês passado quatro foram SUV: além do T-Cross o Hyundai Creta, o Chevrolet Tracker e o Nissan Kicks estão na lista.

Veja os modelos mais vendidos:

Big Horn amplia alcance do portfólio da Rampage

Elias Fausto, SP – A gama da Ram Rampage estendeu seu alcance com o lançamento de uma nova versão, de entrada, Big Horn. Prevista para as próximas semanas nas concessionárias mira no público que faz uso mais urbano da picape, como aqueles que moram em condomínios no Interior e trabalham na Capital. Segundo o vice-presidente para a América do Sul, Juliano Machado, foi uma versão criada a partir das demandas identificadas por clientes.

Além da nova versão a Rampage ano/modelo 2025, produzida em Goiana, PE, passa a oferecer novo motor turbodiesel de 2.2 litro Multijet, que alcança 200 cv com transmissão automática de nove velocidades. É o que equipa a versão de entrada e está disponível também na Rebel e na Laramie. Ambas ainda contam com opção do Hurricane 2.0 a gasolina de 272 cv, também presente na topo de linha R/T.

Cada versão da Rampage tem uma cara diferente, não deixando as diferenças apenas nos pormenores. Na novidade Big Horn a grade dianteira tem contornos cromados e filetes em preto brilhante, o para-choques dianteiro é na cor da carroceria, os retrovisores são cromados e as rodas de liga leve de 17 polegadas. Na traseira o para-choque e os badges são cromados, bem como as molduras das janelas.

Por dentro a sofisticação de uma picape Ram, com revestimento das portas em couro, bancos em tecido com revestimento em couro, central multimídia de 12,3 polegadas com conexão com Android Auto e Apple CarPlay sem fio e quadro de instrumentos digital com 10,3 polegadas. Volante com ajuste de profundidade, freio de estacionamento eletrônico e auto hold, ar-condicionado traseiro com duas zonas são outros itens de conforto.

Ficaram de fora algumas funções ADAS, mas ela conta com piloto automático, controle de estabilidade, de tração e de mitigação da carroceria. Seis airbags compõem o pacote de segurança.

Machado calcula que a chegada da Big Horn pode ampliar em até 10% as vendas mensais da Rampage, hoje na casa das 2 mil unidades. O mix, de todas as versões, que hoje é 60% diesel e 40% gasolina, subirá para 70% diesel e 30% gasolina com a novidade. As versões a gasolina são mais caras, segundo o vice-presidente, porque o preço segue a potência do motor.

Veja os preços da linha Rampage 2025:

Rampage Rebel 2.2 Turbodiesel 200 cv 4×4 2025: R$ 259.990,00
Rampage Rebel 2.0 Turbo Gasolina 272 cv 4×4 2025: R$ 264.990,00
Rampage Laramie 2.2 Turbodiesel 200 cv 4×4 2025: R$ 272.990,00
Rampage Laramie 2.0 Turbo Gasolina 272 cv 4×4 2025: R$ 277.990,00
Rampage R/T 2.0 Turbo Gasolina 272 cv 4×4 2025: R$ 295.990,00

Flex está no horizonte do desenvolvimento da Ram

Elias Fausto, SP – Apenas motores movidos a gasolina e a diesel com mais de 200 cv de potência empurram as picapes bem acabadas e recheadas de itens de conforto, segurança e entretenimento comercializadas pela Ram no mercado brasileiro. Em tempos de descarbonização e busca por mais eficiência energética a pergunta é inevitável: e quando chegarão os motores flex?

O vice-presidente da Ram para a América do Sul, Juliano Machado, respondeu: ainda não saiu do papel, mas está no horizonte o desenvolvimento de motores flex para as picapes: “Fazemos diversas clínicas com clientes durante o ano e este tema costuma surgir. Especialmente no Interior de São Paulo estamos começando a sentir a demanda. Os clientes perguntam, inclusive falando de motor somente a etanol”.

Machado deixou claro, entretanto, que por enquanto são apenas demandas dos clientes, não existindo desenvolvimentos em curso. Do portfólio da Ram no Brasil a Rampage, sua picape de entrada, seria a candidata a ter motores flex dentro do seu capô.

Atualmente os motores turbodiesel 2.2 litro e Hurricane 4 turbo gasolina, ambos importados da Itália, equipam as Rampage vendidas no País. Outro caminho para a descarbonização seria a eletrificação das picapes, por meio da tecnologia Bio Hybrid – tecnicamente possível mas ainda não cogitada no curto prazo, de acordo com Machado.

Produzida em Goiana, PE, a Rampage é a picape mais vendida da Ram, com 17,7 mil unidades vendidas de janeiro a setembro – da marca foram 22,5 mil emplacamentos. Machado projeta vendas na casa das 33 mil unidades, chegando próximo às 40 mil no ano que vem.

A rede, hoje com 128 concessionárias, partiu de 110 em janeiro e deverá encerrar 2024 com 135, a sua grande maioria dividida com a Jeep – apenas oito casas são exclusivas Ram.

Mercedes-Benz começa a testar dois caminhões elétricos no País

São Paulo – A Mercedes-Benz também embarcou na onda de caminhões elétricos que invadiu a Fenatran 2024, feira dedicada ao transporte rodoviário de cargas que acontece de 4 a 8 de novembro no São Paulo Expo. A empresa importou o modelo pesado eActros e o leve eCanter para apresentá-los aqui no momentos que ambos começam ser testados em frotas de oito clientes no Brasil.

Segundo Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas e marketing de caminhões Mercedes-Benz, dez eCanter já foram importados do Japão – lá é produzido pela Fuso, empresa do Grupo Daimler Trucks – e mais cinco eActros vêm da Alemanha: “Os veículos são cerca de três vezes mais caros do que os similares a diesel. Nossa intenção é fazer testes para entender melhor este mercado no Brasil e depois decidiremos se importaremos mais unidades e qual a melhor forma de explorar este nicho aqui”.

Os caminhões elétricos entrarão em testes nas frotas de empresas que têm ambições de redução de emissões de CO2: AGL, Braspress, Expresso Nepomuceno, Suzano, Ypê, Marimex, RD Saúde [Raia Drogasil] e Femsa Coca-Cola.

A engenharia brasileira monitorará o uso para desenvolver o melhor custo de operação de um caminhão elétrico em circulação no Brasil e levantar as necessidades de infraestrutura de recarga:

“Aproveitaremos o conhecimento que já temos com a produção de ônibus elétricos”, disse o presidente da Mercedes-Benz do Brasil, Achim Puchert, que ponderou: “Só com investimentos públicos alcançaremos a eletrificação em um país continental como o Brasil”.

O eActros é um cavalo mecânico pesado 4×2 indicado para o transporte intercidades com autonomia de 200 km a 400 km, com uso de três a quatro módulos de baterias.

Já o eCanter, em versões de 7,5 e 8,5 toneladas, atende a entregas urbanas. Equipado com dois ou três módulos de baterias tem autonomia para rodar de 140 km a 200 km antes de precisar recarregar.

Indústria pede e governo diz não ter recursos para programa de renovação de frota

São Paulo – A abertura da 24ª edição da Fenatran, a principal feira do setor de transporte da América Latina, na segunda-feira, 4, no São Paulo Expo, trouxe mais uma vez à tona um antigo pedido da indústria brasileira de caminhões: um programa robusto e perene de renovação de frotas do setor.

Presidentes de diferentes associações presentes ao palco da cerimônia, como Anfavea, CNT, NTC&Logística e Sindipeças, falaram da necessidade de se renovar a frota brasileira de caminhões, tanto para dar mais segurança às estradas como para contribuir com a descarbonização.

“Um caminhão velho emite 27 vezes mais CO2 do que um modelo Euro 6”, afirmou Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea. O presidente da NTC & Logística Eduardo Rebuzzi acrescentou: “Para substituir caminhões produzidos em 1989, com 35 anos de uso, 152 mil veículos, seria preciso investir R$ 104 bilhões”.

Este programa, citaram, faria a substituição gradual dos caminhões. A ideia seria tirar de circulação os muito velhos e substituir por modelos mais novos, destinando à reciclagem os que poluem mais.

Presente à cerimônia o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, reconheceu a necessidade de criar um programa, nos moldes do feito no ano passado, mas disse que é preciso buscar fundos para tornar viável a renovação.

Scania acredita em crescimento de mercado de até 5% em 2025

São Paulo – Após um 2024 acima das expectativas da Scania seu diretor de vendas em soluções em transportes, Alex Nucci, projeta mais um ano de crescimento do mercado brasileiro de caminhões: “Tende a ser um ano igual ou até 5% superior a este”, afirmou durante o primeiro dia de Fenatran, na segunda-feira, 4.

O executivo afirmou que o PIB deverá ser novamente positivo no ano que vem e as chuvas recentes podem ajudar a recuperar o agronegócio, que teve desempenho abaixo das expectativas em 2024: “Mas este volume foi compensado por outros setores, especialmente do transporte de cargas industrializadas”.

A Scania apresentou como grande novidade na Fenatran seu caminhão elétrico, ainda uma tentativa de experimentar o mercado. Segundo Nucci haverá um prazo de compreensão como no casos dos modelos a gás, inclusive de desenvolvimento de infraestrutura.

Em seu estande a companhia ainda mostra as novidades no segmento semipesado, que deverá ajudar a expandir sua presença no mercado brasileiro.

Volvo apresenta caminhão flex, com biodiesel até B100

São Paulo – A Volvo apresentou durante a Fenatran seu caminhão flex, que roda com diversas misturas de biodiesel até B100. As vendas do FH B100 Flex, no entanto, serão feitas apenas por encomenda e após análise da empresa do biodiesel utilizado na operação, segundo Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo Caminhões.

“Atendemos a pedidos de clientes que produzem seu próprio combustível. Para fechar o negócio precisamos, primeiro, submeter uma amostra do biodiesel à nossa engenharia, que fará as modificações necessárias no motor. Tendo viabilidade, vendemos.”

Existem outros caminhões B100 no mercado mas nenhum com condições de promover misturas como o FH B100 Flex. Atualmente o diesel vendido nas bombas de postos de combustível brasileiro é o B14, que é aceito neste caminhão da Volvo. Os demais só aceitam ou o B100, com 100% de biodiesel, ou o B14, com 14% do biocombustível – mistura que será gradualmente ampliada

Dentro do esforço de descarbonização da Volvo no estande também está exposto o FM Electric, já apresentado na última Fenatran e que vem rodando em teste com alguns frotistas. Segundo Cavalcanti hoje existem trinta caminhões elétricos Volvo circulando na América Latina, no Brasil, Uruguai e Chile.

Mercado

Cavalcanti disse que o mercado de caminhões vem tendo desempenho acima do esperado, embora o agronegócio, que vem puxando o setor nos últimos anos, tenha perdido fôlego:

“As vendas para o agro foram reduzidas mas os volumes foram compensados por outros setores, como a indústria, que tem registrado crescimento. O mercado [acima de 16 toneladas] deve fechar em alta de 16%, acima dos 10% a 15% que projetávamos”.

DAF amplia linha e anuncia investimento sem revelar valor

São Paulo – Após uma década de crescimento acentuado desde que se instalou no Brasil, em 2012, a DAF Caminhões anunciou um novo ciclo de investimentos nos próximos cinco anos, que segundo a presidente da operação, Larisa Gambrell, “será o maior já realizado pela empresa no Brasil com ampliação da fábrica de Ponta Grossa”.

A executiva anunciou o investimento na abertura da Fenatran, feira dedicada ao transporte rodoviário de cargas que acontece de 4 a 8 de novembro no São Paulo Expo. No entanto ela não revelou o valor do aporte na fábrica do Paraná.

A DAF já investiu mais de R$ 1,5 bilhão no País se forem somados todos os aportes anunciados desde que decidiu construir sua primeira fábrica na América do Sul, e o ciclo mais recente foi de quase R$ 400 milhões, para ampliação da fábrica e adaptação de motores Euro 6 para atender a legislação brasileira de controle de emissões Proconve P8, vigente no Brasil desde o início de 2023.

Portanto, para ser o maior aporte já feito pela DAF no País, como disse Larisa Gambrell, o ciclo nos próximos cinco anos deveria passar de R$ 1 bilhão. Mas a empresa prefere manter o valor atrás da sombra corporativa, apenas divulgando que os recursos serão utilizados não só no aumento de produtividade da fábrica mas, também, no lançamento de novos produtos.

Crescimento

“O Brasil é hoje um dos dois mercados mais importantes do Grupo Paccar no mundo”, justificou a executiva ao referir-se à companhia sediada nos Estados Unidos que controla a holandesa DAF. “Em apenas dez anos de operação no País já vendemos 40 mil caminhões XF e CF e, este ano, ultrapassamos 10% de participação no mercado de caminhões acima de 15 toneladas. É um avanço significativo que nos coloca em nível superior no plano global da companhia.”

O diretor comercial Luis Ganbim comemorou mais um ano de crescimento da DAF acima da média do mercado: “Com simplicidade e proximidade dos clientes alcançamos a maior visibilidade da marca no País. Este ano, até outubro, já crescemos 25% contra uma expansão geral do mercado de 20%. A continuar neste ritmo fecharemos 2024 com 11,5% de participação nas vendas de caminhões acima de 15 toneladas”.

Primeiro elétrico no Brasil

A DAF também trouxe, pela primeira vez à Fenatran, um caminhão elétrico, com cabine cortada para demonstração, um cavalo mecânico com motor de 470 cv equipado com baterias de lítio-ferro-fosfato com autonomia para até 500 km antes de precisar recarregar, o que demora, em carregador rápido, 45 minutos para preencher 80% da recarga ou 1h20m para 100%.

O caminhão elétrico, segundo a DAF, é ideal para operações de transporte urbano e intercidades:

“Trouxemos o modelo inicialmente para apresentar o produto e checar o interesse dos clientes, especialmente para empresas que têm metas de descarbonização”, diz Ganbim. “Dependendo da demanda decidiremos se iniciamos as vendas”.

Ampliação de portfólio

Na Fenatran a DAF ampliou sua linha de produtos com o lançamento de três caminhões vocacionais da linha CF para aplicações fora-de-estrada: “Este é o nosso maior projeto desde o lançamento da nova geração [do caminhão pesado] do XF e da linha Euro 6”, disse o diretor de desenvolvimento, Alan Messias.

Dentre os três novos caminhões off-road a DAF apresenta em seu estande no evento o CF Florestal, para aplicações no transporte de madeira e cana, um chassi-cabine 6×4 com motor de 480 cv e transmissão automatizada Traxon, da ZF, de doze marchas, com capacidade para rebocar implementos.

Com o mesmo motor Paccar MX de 13 litros e transmissão Traxon a versão CF Mineração tem 58 toneladas de PBT e eixo traseiro que suporta até 38 toneladas. E para operações fora-de-estrada mais genéricas, na construção civil e agronegócio, a DAF lançou o CF 6×4 com motor de 310 cv e caixa automatizada de dez velocidades, que pode receber implementos basculante, concreteiro e carga seca.

A DAF também apresentou o seu mais novo motor nacionalizado em Ponta Grossa, o Paccar PX9, com potências de 340, 360 e 380 cv, para ser utilizado em versões rodoviárias da linha de semipesados CF. O motor já é utilizado nos Estados Unidos em caminhões Peterbilt e Kenworth, outras duas marcas do grupo. A vantagem principal é a redução de 250 kg no peso, o que melhora a economia de combustível e reduz o custo operacional.

Messias afirma que o Grupo Paccar e a DAF seguem “atentos às possibilidades de uso de biocombustíveis no Brasil, para lançar produtos no momento certo”, deixando a entender que são projetos que deverão sair do papel em futuro ainda incerto: “Agora o nosso foco é ampliar o portfólio”.