Mercado brasileiro soma 2,1 milhões de veículos em dez meses

São Paulo – As vendas de veículos somaram 2 milhões 124 mil unidades de janeiro a outubro, volume 15% maior do que o comercializado em iguais meses do ano passado, de acordo com balanço divulgado pela Fenabrave na segunda-feira, 4. Em outubro as vendas somaram 265 mil veículos, expansão de 36% sobre outubro de 2023 e de 10% na comparação com setembro.

“Outubro foi, de fato, excelente, com crescimento para todos os segmentos. O cenário permanece favorável ao crédito e, por isto, estamos caminhando em direção aos números projetados pela Fenabrave”, disse o presidente José Maurício Andreta Júnior.

Separando por segmento: automóveis e comerciais leves registraram 1 milhão 999 mil emplacamentos, incremento de 14,9% na comparação com os dez primeiros meses de 2023. Em outubro foram vendidos 249,9 mil unidades, alta de 20,9% sobre outubro de 2023 e de 12,2% sobre setembro.

De janeiro a outubro os caminhões somaram 100,9 mil unidades comercializadas, expansão de 18,9% sobre idênticos meses de 2023. No mês passado os emplacamentos chegaram a 11,9 mil unidades, crescimento de 30,3% com relação ao mesmo mês de 2023 e de 6,1% com relação a setembro.

A venda de ônibus somou 22,8 mil unidades no acumulado do ano, expansão de 9,5% na comparação com o mesmo período do ano passado. Em outubro foram emplacadas 3,1 mil unidades, volume 62,9% maior do que em idêntico mês de 2023 e 28,1% maior do que em setembro.

Volkswagen revela o nome do seu novo SUV: Tera.

São Paulo – Tera foi o nome escolhido pela Volkswagen para o seu novo SUV. O modelo, produzido em Taubaté, SP, será lançado no ano que vem e faz parte da ofensiva de dezesseis lançamentos que será puxada pelo investimento de R$ 16 bilhões até 2028. Seu visual ainda é segredo, uma vez que ele apareceu pela primeira vez no Rock in Rio 2024 totalmente camuflado, como tem rodado em testes pelas estradas brasileiras.

Segundo o presidente e CEO da empresa no Brasil, Ciro Possobom, a definição do nome não foi fácil: “Foram longas discussões para encontrar o nome e chegamos num resultado incrível. Tera é um nome forte que tem capacidade para carregar muitas histórias. Ele será um divisor de águas no mercado e um novo ícone pop para o Brasil”.

Nas primeiras imagens oficiais que foram divulgadas nota-se que na traseira o Tera é equipado com lanternas que são conectadas de uma ponta a outra da tampa do porta-malas, e na dianteira a grade frontal é afilada.

O Tera deverá ocupar a posição de SUV de entrada da Volkswagen, que hoje é ocupada pelo Nivus, inaugurando um novo segmento para a montadora e competindo com modelos como Fiat Pulse e Renault Kardian.

Volkswagen Caminhões e Ônibus apresenta Meteor híbrido

São Paulo – A Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentou na Fenatran seu caminhão híbrido: o Meteor traz um eixo auxiliar elétrico com função regenerativa desenvolvido pela Suspensys, da Randoncorp. É a primeira vez que o e-sys é aplicado diretamente em um caminhão – até então, apenas em carretas.

De acordo com o CEO da VW Caminhões e Ônibus, Roberto Cortes, a recarga pode ser feita em menos de duas horas, o que eleva a potência do caminhão em 200 cv: “É uma solução inédita de descarbonização, inteligente e sob medida para os nossos mercados em que a infraestrutura de recarga para aplicação de longa distância é inexistente”.

O vice-presidente de vendas, marketing e serviços da empresa, Ricardo Alouche, contou que a economia de diesel do modelo pode alcançar de 15% a 20%. E, neste contexto, a autonomia pode dobrar, crescendo pelo menos 50%, a depender da aplicação. O veículo possui capacidade de rodar mais de 500 km, enquanto o mesmo modelo a combustão percorre 20% a 30% menos.

Com relação ao preço, considerando que um Meteor a diesel custa a partir de R$ 900 mil, o Meteor Hybrid deverá receber incremento de R$ 350 mil, e ter preço de venda de R$ 1 milhão 250 mil. Para efeito de comparação um veículo 100% elétrico acresce de duas vezes e meia a três vezes o preço do similar a diesel.

Como o veículo é conceitual e foi apresentado pela primeira vez na segunda-feira, 4, a companhia ainda costurará testes em empresas interessadas em 2025, uma vez que ele ainda não foi homologado.

“Em um projeto normal demoraria, no mínimo, cinco anos, para que chegue ao mercado. Mas, como o eixo e o veículo já estão testados, a intenção é encurtar este prazo”, disse Alouche ao lembrar que o e-Delivery foi apresentado durante a Fenatran de 2017 e começou a ser produzido em série em 2021.

O plano é que o veículo híbrido emplaque em todos os segmentos rodoviários, desde os usados para escoamento de safra até veículos de logística de distribuição: “Acredito que as grandes empresas que estão preocupadas com ESG e emissões tendem a migrar rapidamente. Talvez não para 100% da frota, mas de 30% a 40% dos veículos com certeza deverão ser substituídos”.

A Volkswagen Caminhões e Ônibus apresentou também veículo Constellation 26.280 6×2 movido a biometano: “Ele é um protótipo de engenharia testado pela qualidade e, já a partir do ano que vem, colocaremos em frotas de clientes específicos, para testar em suas operações”.

Embora não tenha falado o nome do cliente Alouche contou que os testes serão realizados, eminentemente, em empresas de limpeza urbana em São Paulo, para aproveitar o biometano gerado nos aterros. Conforme o executivo há conversas com empresas de limpeza urbana como Ecourbs e Loga para desenvolver o conceito de forma conjunta. E companhias do Rio de Janeiro, RJ, e Curitiba, PR, já demonstraram interesse também.

A expectativa é que o modelo entre em produção a partir de 2026. O preço dele deverá encarecer R$ 350 mil com relação a um similar a diesel: um modelo 2024, de acordo com a tabela Fipe, custa R$ 665,2 mil: “Quando ele for lançado provavelmente 80% das compras dessas empresas serão desta versão, a fim de substituir veículos a diesel. Há uma tendência forte dentro do nicho”.

Durante a Fenatran, ainda, a VW Caminhões e Ônibus anunciou que passou a realizar o primeiro abastecimento de seus caminhões e ônibus com 24% de combustível renovável, sendo 14% de biodiesel e 10% de HVO fornecido pela Vibra.  

Grupo Iveco destina R$ 510 milhões para investimento em pesquisa e desenvolvimento

São Paulo – A Iveco anunciou investimento de R$ 510 milhões de 2024 a 2028, com foco em pesquisa e desenvolvimento de biocombustíveis. Marcio Querichelli, presidente da companhia, disse durante o primeiro dia da Fenatran 2024 que o Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação, ajudou na aprovação do aporte com a matriz:

“O investimento está apoiado no programa Mover, que prevê incentivos fiscais para quem investir nessa área no Brasil e esse retorno é importante. Caso ele não existisse, também iríamos investir, mas seria necessário gastar mais”. 

Querichelli afirmou que o aporte será focado na descarbonização dos veículos que a Iveco comercializa no Brasil e região, apostando em biocombustíveis como biogás, biometano e até etanol. A FPT, empresa que também faz parte do grupo Iveco, investirá R$ 127 milhões no mesmo período e com o mesmo foco, mas os trabalhos de pesquisa ocorrerão em paralelo e de forma complementar, pois a FPT também comercializa seus motores para outras empresas.

Para o futuro da mobilidade o presidente disse que os motores elétricos fazem mais sentido para veículos comerciais leves, que rodam distâncias menores diariamente, enquanto para os médios e pesados o gás faz mais sentido. Com relação ao etanol, os motores que rodarão com esse combustível estão em testes, enquanto as soluções à gás já estão disponíveis no mercado brasileiro.

Durante a Fenatran 2024 a Iveco mostrará ao público o seu portfólio completo de veículos, com uma novidade: o S-Way, caminhão pesado, em uma versão exclusiva com a banda de rock Metallica. Com visual exclusivo, algumas unidades desse modelo foram reservadas para serem vendidas no País, após a parceria de sucesso da companhia com a banda, que usou uma eDaily na Europa como seu meio de transporte para os shows.

FPT anuncia investimento de R$ 127 milhões no Brasil até 2028

São Paulo – A FPT anunciou, durante a Fenatran, investimento de R$ 127 milhões de 2024 a 2028 para pesquisa e desenvolvimento de novos motores a bicombustível. Carlos Tavares, presidente da companhia para a América Latina, disse que o investimento regional visa às matrizes energéticas limpas que a região oferece.

“O aporte foi aprovado neste fim de semana e a nossa engenharia local usará o valor para desenvolver novos projetos de biocombustíveis, muito focado no biodiesel. Também olharemos para o gás, que é forte na região, e para o etanol. Por que não pensar em um caminhão 100% movido a etanol? Para algumas aplicações pode ser bem interessante.”

Atualmente a FPT está desenvolvendo um motor para máquinas agrícolas 100% movido a etanol. A intenção é usar este motor em colheitadeiras de cana-de-açúcar, mas no futuro poderá ser aplicado em caminhões pesados que são usados no transporte da cana após a colheita, tornando esse tipo de operação 100% renovável.

A FPT possui 74 novos projetos em desenvolvimento na região e acredita que tem espaço para vender mais 25 mil novos motores para empresas de fora do Grupo Iveco nos próximos anos.

Outra novidade anunciada é o Repower FPT, que permite a substituição de qualquer motor a diesel por um a gás, que é certificado com nível Euro 6 de emissões. Segundo Gerson Moreira, gerente de pós-vendas e desenvolvimento de rede da FPT na América Latina, este negócio tem um grande potencial no mercado brasileiro: “A solução pode ser aplicada em qualquer veículo com motor diesel. Existe um mercado de 500 mil veículos para ser explorado no Brasil”.

Mercado

A FPT fornece motores para caminhões e ônibus, o que chama de segmento on-road, máquinas agrícolas é o segmento off-road e o de máquinas de construção. Para o setor de caminhões a projeção é de alta de 12% sobre 2023, com 203 mil unidades vendidas, somados os volumes do segmento da Daily. Segundo Tavares o mercado de caminhões está em alta e os estoques menores, o que está movimentando a indústria.

Já no segmento do agronegócio, que sofreu com as condições climáticas do Brasil em 2024, com muita chuva no Sul e forte seca no Cerrado, o cenário é de queda nas vendas, encerrando o ano em torno de 68 mil máquinas comercializadas, volume 15% menor do que o registrado em 2023. As vendas de máquinas de construção deverão aumentar 5% sobre o ano passado, chegando a 62 mil unidades.

Para o ano que vem a FPT projeta um mercado de caminhões mais estável quando comparado com 2024, com leve crescimento de 3%, chegando a 209 mil unidades. As máquinas agrícolas deverão experimentar retomada nas vendas, somando 73 mil unidades, expansão de 2%.

O segmento que deverá cair no ano que vem é o de máquinas de construção, com recuo de 4% e 59 mil vendas. Segundo Tavares um dos fatores que puxa a demanda para baixo é a maior restrição de crédito projetada para 2025.

China pode barrar novas fábricas fora do país

Uma mudança histórica de valores está em curso na transição de liderança da indústria automotiva global promovida pela China, que em apenas vinte anos tornou-se o maior mercado de veículos do mundo com a ajuda dos principais fabricantes ocidentais e agora alça voo solo de dominação global com suas próprias marcas e tecnologia – e não mais só dentro de seu gigantesco mercado mas, também, fora dele.

Conforme aumenta de forma exponencial a presença global com exportações e fábricas dos maiores fabricantes chineses de veículos – a maioria estatais – também crescem no governo chinês preocupações com as consequências dessa abertura para o mundo.

Em julho, segundo reportou a agência Bloomberg, o Ministério do Comércio afirmou que o país deve proteger seu conhecimento na produção de carros eletrificados e para isto deve priorizar investimentos no Exterior somente em linhas de montagem CKD, com todos os componentes importados da China. Também foi aconselhado evitar aportes em países com riscos geopolíticos, citando Índia e Turquia, mercados nos quais fabricantes chineses têm planos de produção local.

Esta é uma fantástica inversão de posicionamento no cenário global da indústria: por anos a fio sendo acusada pelos fabricantes ocidentais de copiar seus carros e tecnologias agora é a vez da China proteger o conhecimento de sua indústria, que com fortes estímulos e incentivos do governo se especializou no desenvolvimento de veículos híbridos e elétricos com domínio de toda a cadeia de produção, incluindo matérias-primas, baterias, motores elétricos e gerenciamento eletrônico, garantindo preços mais baixos imbatíveis pela concorrência.

Expansão de capacidade externa

A preocupação do governo chinês decorre da rápida e vertiginosa expansão de seus fabricantes para fora do país. A imposição de barreiras comerciais e tarifas mais altas na Europa e nos Estados Unidos vem forçando algumas das maiores montadoras chinesas a investir em fábricas no Exterior com processos completos de produção, que ao contrário das linhas CKD têm áreas de estamparia, funilaria, pintura e montagem final, com diversos fornecedores locais.

Segundo levantamento da Bloomberg NEF, braço de pesquisa da agência de notícias, até 2023 os fabricantes chineses tinham construído ou programado fábricas completas em nove países com capacidade somada de 1,2 milhão de veículos por ano. De lá para cá, com os anúncios já feitos desde o ano passado até agora, em 2026 a capacidade externa deve mais que dobrar para 2,7 milhões/ano em mais de uma dúzia de países.

“À medida que o mercado de veículos elétricos na China fica saturado a crescente concorrência doméstica e o excesso de capacidade estão empurrando as marcas chinesas para o Exterior em busca de novos mercados em crescimento”, diz o relatório da Bloomberg NEF.

Somente BYD e as estatais Chery, Changan, GAC e SAIC anunciaram, de 2023 até agosto, dez novos projetos de expansão internacional.

Ao mesmo tempo as unidades de montagem CKD em outros países – modelo que o governo chinês diz preferir no momento – têm expansão bem mais moderada: linhas próprias ou em associação com parceiros estrangeiros somavam capacidade global de montar com peças importadas 2,2 milhões de veículos por ano e até 2026 este volume deve crescer para 2,8 milhões/ano, segundo o mesmo levantamento da Bloomberg NEF.

Mercados mais visados

Os mercados mais visados para a instalação de novas fábricas atualmente são Indonésia, Tailândia e Brasil. Também estão no radar outros países do Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina. Em comum são locais onde os chineses enfrentam menos resistências e, além das indústrias em si, também têm projetos de exploração de matérias-primas para baterias.

O Brasil está nesta estatística com as fábricas já anunciadas por BYD e GWM, que começarão a produzir, em 2025, com linhas de montagem SKD, veículos que chegam semidesmontados, e CKD, com a maioria das partes importada da China. Mas há outros interessados como SAIC, GAC e a Chery – esta última já foi a primeira, em 2014, a inaugurar linha industrial no País, em Jacareí, SP, depois se associou ao Grupo Caoa, fechou a unidade em 2022 e agora tenta retomar a operação brasileira com as marcas Omoda e Jaecoo.

Na Europa as negociações para novas fábricas se complicaram após a decisão da União Europeia, em outubro, de impor sobretaxação aos veículos eletrificados chineses. O imposto de importação para estes carros era de 10% e agora, dependendo do fabricante e do montante de incentivos que recebe na China, pode chegar a 45%.

A BYD anunciou planos de investimento em fábricas na Hungria e Turquia, para acessar os mercados da União Europeia. A Polônia negocia a instalação de uma planta de baterias de fornecedor chinês e quer se tornar alternativa para fabricantes de veículos eletrificados. Espanha e Itália tentam atrair investimentos de Geely [dona da Volvo], Donfeng, SAIC e Xpeng.

Mas após a sobretaxação o governo chinês está aconselhando suas empresas a reduzir o volume de investimentos em países europeus, especialmente naqueles que votaram a favor do aumento de imposto de importação, caso de Itália, Polônia e França, e de doze outros países membros que se abstiveram, incluindo a Espanha neste bloco. Alemanha e Hungria foram contra a medida.

Arapuca chinesa

A política industrial chinesa atraiu ao país, nos últimos 25 anos, dezenas de fabricantes de veículos ocidentais como Volkswagen e General Motors, além de marcas do Japão e da Coreia como Toyota e Hyundai. Todos chegaram como sócios meio-a-meio de empresas estatais e por mais de duas décadas lideraram as vendas na China, enquanto as montadoras chinesas, estimuladas pelo governo, aprendiam a fazer carros e evoluíram na direção da eletrificação, com elétricos e híbridos.

Embora tenham ganhado muito dinheiro e não desconhecessem as intenções chinesas os fabricantes estrangeiros acabaram caindo numa arapuca econômica: sabiam que para crescer globalmente precisavam explorar o enorme mercado chinês, mas também sabiam que os enormes ganhos não durariam para sempre. A estratégia foi a de ganhar enquanto fosse possível em vez de deixar de ganhar.

Há dez anos as marcas chinesas, mais de trinta delas, tinham algo como 18% do mercado da China e as exportações não passavam de poucas milhares de unidades por ano, enquanto uma dezena de estrangeiros com suas associações, joint ventures, com estatais, que não podiam exportar, dominavam as vendas domésticas, com Volkswagen associada à SAIC e FAW no topo do ranking.

Hoje a situação se inverteu. Fabricantes chineses dominam seu próprio mercado e tornaram a China, este ano, o maior exportador de veículos do mundo, enquanto as marcas estrangeiras, que agora já podem exportar, estão perdendo terreno.

A Volkswagen é um exemplo emblemático desta inversão: foram mais de duas décadas de prosperidade que resultaram em 39 fábricas do grupo com três joint ventures no país, incluindo SAIC, FAW e JAC, que produzem modelos Volkswagen, Audi, Skoda e Cupra. Mas este ano a fabricante perdeu a liderança de vendas para a BYD. Em cinco anos a participação de mercado das marcas do Grupo VW caiu de 20% para 14,5% e a rentabilidade declinou à metade justamente no momento em que a empresa enfrenta uma das mais severas crises de sua história.

O lucro operacional do Grupo VW na China, que em 2014 e 2015 atingiu o pico de mais de € 5 bilhões por ano, desceu à metade em 2023, para € 2,6 bilhões, e a estimativa é de nova queda de 33% este ano, para menos de € 2 bilhões pela primeira vez desde 2010. Continua sendo um bom ganho, mas em tendência de declínio e insuficiente para cobrir os prejuízos da empresa.

“Há anos era claro que a Volkswagen teria problemas com sua confiança na China”, disse ao Financial Times um ex-executivo da companhia. Talvez ele próprio tenha sido um dos beneficiários dos gordos bônus que a companhia pagou aos seus diretores pelos altos lucros do grupo impulsionados pela forte aposta na China. Agora os chineses querem ganhar.

Stellantis voltará a vender veículos com motor 100% a etanol

São Paulo – A Stellantis está próxima de colocar novamente no mercado um automóvel com motor movido 100% a etanol. Os alvos, neste primeiro momento, serão frotas corporativas e governamentais que precisem reduzir emissões para adequarem sua pegada de carbono a metas internas de ESG. Mas a intenção é, assim que as vantagens ficarem evidentes, oferecer o carro a álcool para todos os consumidores.

A intenção da empresa, divulgada pela Folha de S. Paulo, ao homologar alguns modelos equipados com motor movido apenas a etanol foi confirmada por AutoData com outras fontes de alguma forma ligadas ao assunto, embora oficialmente a Stellantis não confirme. Márcio Tonani, vice-presidente dos centros técnicos de engenharia da companhia, disse que ainda existem alguns poucos desafios para equacionar desempenho e consumo do motor apenas com o etanol para torná-lo altamente eficiente. E que hoje o consumidor já pode usufruir do abastecimento com etanol usando a tecnologia flex.

De acordo com o sócio diretor da consultoria Pieracciani, Alfonso Abrami, o lançamento destes modelos deverá acontecer em breve: “Existe grande oportunidade em desenvolver soluções voltadas ao 100% etanol com um rendimento muito mais elevado do que o atual. E não apenas utilização na indústria, mas empresas de logística e empresas que fornecem o combustível. O assunto abraça todo estse parque, todo esse ecossistema”.

Ainda não se sabe quais modelos poderiam receber um motor que roda apenas com etanol puro mas Abrami acredita que o plano faria mais sentido em versões de entrada. No caso da Stellantis os motores 1.0 e 1.3 Firefly, usados nas versões mais baratas, e que contam com injeção indireta. Já as versões turbo T200 e T300, além da injeção direta são mais modernos e eficientes e hoje equipam Strada, Toro, Pulse e Fastback e modelos Jeep, Peugeot e Citroën. 

Quando apresentou a família de motores GSE, com turbocompressor, em Betim, MG, em 2019, ainda como FCA, a empresa mostrou o E4, um protótipo 100% movido a etanol com base na família turbo flex. Portanto, em teoria, há boas possibilidades de esta motorização a etanol fazer parte da linha de propulsores mais atual.

As marcas francesas são fortes candidatas a receber o motor 100% a etanol no futuro, segundo o consultor. Para ele seria plano vencedor da Stellantis e sua aposta é que em seguida outras montadoras deverão seguir o mesmo caminho.

Investimento no etanol

Abrami, que é engenheiro, afirmou que desenvolver um motor para queimar só o etanol melhora muito o rendimento energético do biocombustível: “Estes modelos 100% etanol terão rendimento médio superior, com maior potência, porque trabalham com uma alta taxa de compressão. E também por causa de uma série de melhoramentos, como a injeção direta de combustível, tanto em motores turbocomprimidos como em aspirados”.

A própria produção do etanol contribuirá para melhorar a eficiência destes novos motores. Com a evolução da produção de etanol de segunda geração e até de terceira geração em algumas empresas este compromisso de melhorar a qualidade pode ser atingido: “São usinas que transformam maior quantidade de biomassa com maior eficiência, fornecendo etanol de melhor qualidade”.

Um dos fatores que precisa melhorar, segundo o consultor, seria a redução da quantidade de água misturada no etanol. Hoje, no etanol hidratado, o volume de água varia de 7% a 8% da mistura. Fabricantes de veículos, peças e motores já discutem e testam etanol com 1% de água, que melhora o rendimento do biocombustível:

“Há uma oportunidade que está nas mãos do governo, da Petrobras, de melhorar a qualidade do próprio etanol que é produzido hoje. Para alimentar com mais eficiência os motores 100% etanol desenvolvidos com as mais modernas tecnologias, como essas de injeção direta”.

Colaboraram André Barros e Leandro Alves

Pablo Di Si pode estar de saída da Volkswagen nos Estados Unidos

São Paulo – A publicação especializada Automotive News apontou que o CEO do Grupo Volkswagen nos Estados Unidos, Pablo Di Si, estaria de saída da companhia apesar dos aumentos significativos nas vendas no mercado estadunidense este ano. A publicação se apoia em relatos dos veículos de notícias alemães Spiegel e Manager Magazin.

Segundo apuraram Di Si está sendo parcialmente responsabilizado por erros no mercado estadunidense, mesmo que alguns deles, como projeções de volume de veículos elétricos e disponibilidade de híbridos plug-in, sejam anteriores à sua gestão.

O Spiegel disse que a empresa tem três candidatos para substituir Di Si mas nomeou apenas um: Stefan Mecha, CEO da Volkswagen China Passenger Cars. Consultado pela Automotive News porta-voz do grupo nos Edtados Unidos disse que a empresa não comenta especulações e que Di Si permanece em sua função.

Di Si é CEO da Volkswagen para os mercados da América do Norte desde setembro de 2022, quando o antecessor Scott Keogh se tornou CEO da Scout Motors.

No terceiro trimestre as vendas da marca VW, ali, aumentaram 19%, para 275 mil 984 unidades, um dos melhores resultados naquele mercado de acordo com o serviço de estatísticas da Automotive News. Ainda segundo a notícia a companhia oferece um dos maiores descontos do país, algo como US$ 4,1 mil por veículo em incentivos este ano.

Aos 30 anos no México, BMW inicia a eletrificação da sua produção local

San Luis Potosí, México – Desde o início da produção em SKD [kits completos do carro importados da Alemanha] do Série 3, em 1994, a BMW vendeu mais de 337 mil automóveis no México e mais de 70 mil motocicletas. No segmento premium é a líder de vendas do mercado mexicano com 27,4% de participação.  

Em 2014, com o anúncio do investimento de US$ 1 bilhão em San Luis Potosí, na região central do Estado mexicano, a BMW deu o passo definitivo na produção de modelos dedicados voltados não apenas para o mercado interno. Seria uma base de exportação para o principal mercado, os Estados Unidos, mas não só isto.

Linha de produção/Foto: Daniel Klaus.

Desde o início da produção, em 2019, a fábrica de San Luis Potosí exporta o Série 3 – inclusive o híbrido 330e vendido no Brasil -, o Série 2 coupé e as versões esportivas M desses dois modelos para oitenta países: “17% dos modelos vendidos na América Latina são produzidos em Potosí”, disse Reiner Braun, presidente e CEO do Grupo BMW para a América Latina.

São 3,7 mil funcionários que trabalham em dois turnos em cinco dias, produzindo 450 unidades/dia. Considerando este ritmo a fábrica de San Luis Potosí produz anualmente quase 110 mil unidades. A BMW não informa este volume, apenas afirmando em comunicado que “o ritmo de produção atende à demanda dos mercados”. Mas diz que atualmente ocupa 62% da sua capacidade produtiva e que em 2023 exportou 111 mil 266 unidades.

Agora a imensa fábrica se prepara para a produção de baterias para carros elétricos de uma nova geração que está em desenvolvimento e foi batizada de Neue Klasse.

Fábrica de baterias em construção/Foto: Leandro Alves.

São US$ 865 milhões que estão sendo investidos na construção de toda a estrutura para a fábrica de baterias de íon de lítio. O novo prédio ocupa uma área de 85 mil m2 para produzir células cilíndricas de íon de lítio, um novo formato criado pela BMW para otimizar a densidade de energia em 20% e o alcance de carregamento em 30% na comparação com as células retangulares utilizadas atualmente.

Células cilíndricas de íon de lítio/Foto: Daniel Klaus.

Além disso a produção de células de baterias no México reduzirá, segundo a BMW, em 60% as emissões de CO2 porque utilizará seu parque de geração de energia limpa – atualmente 13% da energia elétrica utilizada em Potosí é gerada pelos painéis solares, que terá sua capacidade dobrada em dois anos –, sua estação de tratamento de água, que processa 100% deste recurso utilizado na produção e, também, por causa dos processos de recuperação e reciclagem de todo o material que poderia ser considerado lixo.

Painéis solares em Potosí/Foto: Daniel Klaus.

Outro ponto interessante é que os fornecedores de matérias-primas como lítio, cobalto e níquel utilizarão um porcentual de material secundário, reciclado.

Estação de tratamento de efluentes/Foto: Daniel Klaus.

Durante o encontro global de responsabilidade social da BMW no México, com a presença da imprensa de diversos países, o jornalista e colega argentino Gabriel Silveira, do El Clarin, obteve a confirmação de um alto executivo da BMW que parte do lítio utilizado na produção de baterias será extraído na Argentina.

A princípio a fábrica de baterias produzirá trinta unidades de um pack completo por hora. A expectativa é que no segundo ano de produção sejam produzidos 1,4 milhão de packs de bateria ao ano. A fábrica será construída em vinte meses e tem previsão de início de produção em 2027.

O prédio da linha de produção está sendo ampliado e será entregue também em 2027, quando uma nova fase da história da BMW passará a ser contado no México.

Brasil toma do México a liderança de vendas da BMW na América Latina

San Luis Potosí, México – Reiner Braun, presidente e CEO do Grupo BMW para a América Latina, estava radiante durante o encontro global de Responsabilidade Social, no México. A razão principal, dentre muitas como os trinta anos de presença naquele país, é que a BMW consolida sua liderança no segmento premium na América Latina. E nesse contexto, pela primeira vez, o Brasil é o país onde mais se vendeu BMW na região:

“Um em cada três veículos premium vendidos na América Latina é BMW e estou muito contente que o Brasil passou a liderar dentre os 27 mercados da região”, disse, estampando um largo sorriso que o acompanhou durante toda sua apresentação.

Nas contas do Grupo BMW, nos dez meses de 2024 foram negociadas no Brasil mais de 11 mil unidades, enquanto que, no México, tradicionalmente o maior mercado na região, foram vendidas 10, 7 mil, considerando as duas marcas, BMW e Mini.

“Acreditamos em crescimento dos negócios em todos os mercados em que atuamos na região, mas o resultado no Brasil é significativo porque demonstra que nossa produção local oferece produtos que o consumidor deseja. E por isto nosso portfólio só aumenta, com a chegada recente do M2 feito aqui no México e de novos produtos que produziremos tanto aqui quanto em Araquari.”